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“Todos buscam o que é seu e não o que é do Cristo Jesus.” (Filipenses, 2:21).

“… Estudamos com o Cristo a ciência de ligação com o Pai, mas ainda nos achamos muito distantes da comunhão com os interesses divinos.” (Emmanuel).

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Cristo, Senhor da visão; Curador! Nós continuamos com cegueira crônica.

Cristo, habitualmente despojado. Nós, individualmente caprichosos; narcisistas contumazes.

Cristo, paixão pelos governados. Apropriamo-nos e idolatramos até o que não é nosso, como o sucesso de próximos.

Cristo disse vir para doentes. Só nos comprazemos junto aos sadios.

Cristo solicitava estar com os diferentes. ‘Anormais’ parecem-nos estranhos.

Cristo cercou-se de colaboradores de toda a sorte. Nós somos seletivos.

Ele inaugurou, prezou e difundiu a Regra de Ouro. Interessa-nos seja feita a ‘nossa’ vontade.

Cristo via necessitados do corpo e do Espírito. Achamos ‘curiosas’ as necessidades materiais e as do Espírito chamamos loucura.

Ele é inteiro virtudes. As nossas – poucas – estão cercadas de vícios lamentáveis.

Cristo perdoou até seus algozes. Nós nem os que nos beneficiam.

Cristo humilhou-se sempre. Exaltamo-nos contumazmente.

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Cristo é Ponte; e nós paredões. Felizmente a história tem mostrado pontes duradouras e muros que se têm rompido. Volta e meia, cai um!…

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 101, A cortina do “eu”; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm todos os tempos, por curiosidade ou por medo, a Humanidade procurou explorar as verdades e as fantasias de uma ‘outra’ vida: considerada esta uma preciosidade, agimos como garimpeiros na busca de um tesouro.

Dessa forma aproximamo-nos de forma curiosa de médiuns, videntes, audientes, escreventes supranormais, cartomantes… Interesseiramente não lhes avaliamos as virtudes; somente antevemos interesses.

Analogamente é como se desconhecêssemos que só árvore boa dá bons frutos; que a prudência é atitude de entendidos; que o tolo deterá tolices; e que o ar, silencioso, suporta-nos a vida.

Certa feita, também a multidão buscou garimpar junto ao Mestre, perguntando-lhe: “Que milagres fazes tu, para que o vejamos e creiamos em ti?” (João, 6:30). Ora Jesus era o próprio milagre, pois Intermediário Direto entre a Terra e os Céus, apontava-lhes – e a nós – a direção do verdadeiro tesouro.

É possível que os deveres da Terra (tolerar, respeitar, servir…), de forma simplificada, nos conectem com os Céus, sem deixar dúvidas e sem a necessidade de intermediários. Quando o Planeta nos servir de teoria e prática ao mesmo tempo, – o garimpo – o caminho do tesouro estará à vista.

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Assim como cada criatura ou coisa de Deus é avaliada por sua utilidade, cada irmão de luta é avaliado pelas suas características. O garimpo é aqui; o tesouro, Lá!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 92, Demonstrações do Céu; 1ª edição da FEB) – (Outono de 2017).

N16

“A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.

A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos… Tudo bem!

O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum… é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos e acreditar mais ou menos.

Senão, a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos. ”

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As expressões acima não fazem parte da única vez que nosso ilustre Chico Xavier nos fala em ‘metades’. No capítulo 29 do Livro da esperança1, sob o ditame de Emmanuel, quando aborda o tema meio-bem, o filho de Pedro Leopoldo compara à pessoas mais ou menos, as que realizam a prática do meio-bem.

Chico abre o capítulo com a exortação de Fénelon “fazei o sublime esforço que vos peço: ‘Amai-vos’ e vereis a Terra em breve transformada em paraíso, onde as almas dos justos virão repousar”2, mas não esquece a advertência de Jesus “E porque estreita é a porta e apertado o caminho que leva à vida, poucos há que a encontrem.”3

Encontrar a vida da qual aqui nos fala Jesus através do antigo coletor de impostos e narrador Mateus seria, segundo nossos conselheiros Emmanuel e Chico, não admitir metades ou coisas mais ou menos. Chico, como nós, conviveu e acostumou-se a ver em nosso País coisas mais ou menos ou meias coisas: Meias verdades, meias administrações, meias beneficências, meios carinhos, meios socorros e cooperações, caridades interesseiras, meias abnegações… Enfim, vários meios-bens!

Não temos a menor dificuldade em discernir entre o bem e o mal, pois nossa consciência funciona como a bússola que nos anunciará qual desses caminhos a escolher. A grande dificuldade, entretanto, que se nos apresentará será o bem ‘mascarado’, ou o bem com trejeitos de mal, o meio-bem:

O mal é o grande vilão que não nos levará a lugar nenhum, tão pouco à vida à qual se refere Mateus. O mal é a negação do “amai-vos”, a estrada e porta largas, justamente porque o mal é extremamente confortável de praticar. Ninguém faz muito esforço para praticar o mal!

O bem, ao contrário do mal, por possuir um caminho apertado e uma porta estreita, nos exige o supremo esforço do “amai-vos”. Muito mais difícil de praticar do que o mal, o bem nos oferece extremado regozijo e somente ele terá a capacidade de nos introduzir no caminho que leva à vida. O bem não reclama bem, é a abnegação total e somente ele nos fará “ver a Terra em breve transformada em paraíso, onde as almas dos justos virão repousar”.2Falsidade

Extremamente arriscado, entretanto, é o meio-bem: Este é a ação na qual despendemos uma energia ineficaz e quenão nos levará a lugar algum, tão pouco à vida:

  • Não haverá nenhuma remuneração para o trabalhador que colabora na administração ou se engaja em tarefas beneficentes da casa espírita. Muito pelo contrário, em nos considerando os maiores beneficiados por tais labores, a colheita ficará a cargo do Administrador Maior e da Beneficente Providência. Se algum regalo desejarmos obter em troca será unicamente a fraternidade dos que conosco ombreiam. Realizarmos tais tarefas, desejando tributos de gratidão ou privilégios é realizarmos tão somente o meio-bem;
  • Sentirmo-nos necessários cooperadores sempre que adentrarmos em miseráveis casebres onde o saneamento e a higiene lhes passam ao largo e desejar de socorridos esquálidos, maltrapilhos e mal cheirosos concessões constrangedoras, não é alimentar ou assistir a necessitados, mas é a atitude do meio-bem, impondo-lhes [pesadas] cargas nos ombros;
  • Acolhermos crianças infelizes, elogiarmos companheiros, e protegermos amigos, para de todos obtermos a servidão, o retorno de elogios ou a mais vil escravidão, será o mais ignóbil meio-bem e pelo qual nosso Divino Tutor não terá a menor consideração; e
  • Repartirmos nossas ‘sobras’, no intuito de realizar caridade e com isso recebermos a consideração e veneração dos humildes, é realizarmos o legítimo meio-bem, completamente na contramão do óbolo da viúva que, incondicionalmente depositou na urna a única dracma que possuía;

Todas as ações de meio-bem que realizarmos nunca chegará a nos resgatar do mal porque todas elas estarão atendendo unicamente ao nosso orgulho, egoísmo e vaidade.

A prática do meio-bem é uma das mais estranhas atitudes de pessoas que, ao enaltecerem a eficácia da abnegação praticam o mais desprezível ‘toma lá da cá!’

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A boa obra é fonte cristalina… O interesse, a cobiça, o desejo de regalos, de agradecimentos e elogios – ou o meio-bem – é o barro que sempre enlameará e tisnará a límpida água de beber.

Bibliografia;

1. Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, cap. Meio-bem do Livro da esperança, Ed. CEC;

2. Guillon Ribeiro, O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 9 do Cap. XI; e

3. Mateus, 7-14.

Publico este tema na primeira pessoa do plural, por fazer parte de exposição doutrinária – (Verão de 2013).