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“O sentimento de inveja é uma forma que a inferioridade encontra de homenagear os que possuem merecimento.” (Hammed).

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Sábia, a fábula nos conta que, por conta da altura, a raposa julgou as uvas verdes; e o sapo desejou apagar o vagalume com seu cuspe.

Seguindo raciocínio do Benfeitor, tanto a raposa, como o sapo, prestam “homenagem de inferioridade” às uvas e ao vagalume, reconhecendo suas superioridades.

Indivíduos “originais” são “imitados” e “copiados”: a imitação pode ser saudável ou patológica; já a cópia poderá ser fraudulenta; ferir direitos autorais.

Sendo coerentes: por que entre aspamos os termos acima? Porque invadimos parte do linguajar, discurso, do Benfeitor; não é nosso!

O cúmulo da inferioridade está em “difamar” e “maldizer” a superioridade: são as atitudes extremadas da inveja.

Tal qual aproveitarmos as propriedades do limão – a inveja – será revermos nossos conceitos menos adequados e supô-los limonada – ou a “admiração!”

“Admiração” sem bajulação é sadia: externá-la é nosso dever; já administrá-la, corre por conta do admirado.

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A homenagem da inferioridade, inveja, despeito, é a ainda “forma inconsciente”, equivocada e inadequada que por vezes nossa ‘raposa’ ou ‘sapo’ se comporta.

(Sintonia: Neto, Francisco do Espírito Santo, ditado por Hammed, A imensidão dos sentidos, Cap. Arrogância competitiva; 8ª edição da Boa Nova) – (Inverno de 2017).

Closeup on young beautiful smiling couple.

Entendamos sobrenome, como o de família; alcunha é, normalmente, depreciativo; e apelido é o cognome não necessariamente depreciativo.

Amar pressupõe sempre despendermos uma quantidade, direção e intenção de energias. Não variando a quantidade de energia despendida, será possível que a direção e a intenção classifiquem nosso amor com sobrenome, apelido ou alcunha:

Amor avareza – Diz respeito ao mau gerenciamento de bens materiais que nos é dado administrarmos: se nosso automóvel não for um utilitário; se nossa casa for ‘só’ casa e não for o lar que acolhe, educa e regenera; se nossa alimentação não tiver frugalidade adequada; se nosso vestir e calçar for só exibicionismo; se nosso ter se sobrepuser ao ser… energias gastas nesse amor terão a alcunha de avareza.

Amor egoísmo – Nada de material nos pertence; tudo é empréstimo: quando fazemos do material o centro de nossas atenções e consumo de energias, nosso amor recebe o cognome depreciativo de egoísmo. Entenderemos, dessa forma, que todo o nosso material é o melhor, quando o ideal seria que todos, com o ‘seu’ material, formassem cooperativa a serviço de todos.

Amor inveja – Uma grande concentração de amor no que temos e – mais grave – no que não temos, no que os outros têm e gostaríamos de ter. Evolução, esforços, e capacidades diferentes; vocação para administrar quantidades e valores diferentes: é o que defende a meritocracia. Se não entendemos isso, passamos a administrar um amor sob a alcunha de inveja.

Paulo de Tarso, ao ilustrar esta reflexão nos afirma que “o amor deve crescer, cada vez mais, no conhecimento e no discernimento, a fim de que o aprendiz possa aprovar as coisas que são excelentes.” (Filipenses 1:9). Ou, só conhecimento (informação, notícia) e discernimento (critério no diferenciar coisas, fatos, circunstâncias) irão nos conduzir ao amor excelente. Vejamos:

Enquanto só amarmos a beleza, o nome e o patrimônio de nosso cônjuge, (ou de outros conviventes) esse amor, de apelido ou alcunha cobiça, interesse, vaidade, se esvairá ainda nesta vida, pois beleza ‘enfeia’; nome em sociedade séria não é suporte; e patrimônio acaba. Nenhum dos três estabelece laços duradouros. Estamos então perante o vulgo amor querer, desejar.

Já o amor servir (sobrenome verdadeiro), aproxima-se da excelência, porque prevê conhecimento e discernimento: conhecemos a Lei, mormente a Regra de Ouro; temos informações de causa e efeito, de reencarnação; pressupomos débitos; diferenciamos patamares evolutivos; e já entendemos coisas, fatos e circunstâncias como educativas. Dessa forma estaremos aptos a respeitar, tolerar e configurar nosso amor como forma de serviço.

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Indivíduos a respeitar, tolerar e servir, não estão distantes de nós: normalmente dormem conosco; ou vivem sob nosso teto!

“Tão somente com o ‘querer’ é possível desfigurar, impensadamente, os mais belos quadros da vida.” (Emmanuel). Ou ‘desfiguramos’ nosso material, cônjuge, familiares e a nós mesmos!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 91, Problemas do amor; 1ª edição da FEB) – (Outono de 2017).

Se sutil é a linha divisória entre a admiração e a inveja, imenso é o abismo entre os seus valores. Uma e outra são diretamente proporcionais:

  • Ao meu grau evolutivo e
  • Ao gosto que eu possa ter por determinada atividade.

O meu grau evolutivo me fará compreender, tomando por parâmetro uma determinada faculdade, que haverá pessoas em ‘meu’ patamar, ‘acima’ dele e ‘abaixo’ dele. Minha admiração verá isso com naturalidade; minha inveja me deixará doente ante tal constatação. Compreender que habilidades são ímpares e que a admiração pode ser mútua é saudável; invejá-las é doentio.

Quanto ao meu gosto, ele sempre influirá neste estudo: Se aprecio mais livros do que internet não terei, tanta necessidade de invejar os amantes desta. Poderei até admirar os que curtem carros, mas jamais invejá-los se este não é meu hobby. Quando, entretanto, começo a observar pessoas que se interessam por coisas que me dizem respeito, aí a coisa pega! Fico roxo e aí o meu grau evolutivo precisará sobrepujar o instinto da inveja.

Também aqui o equilíbrio é a melhor receita. Este me ajudará a distinguir o limite entre a moléstia – a inveja – e o da virtude – a admiração.

Reconhecer as habilidades do meu próximo, enaltecê-las, agradecê-las, é construtivo. Todo o contrário é destrutivo.

(A sintonia é do capítulo Inveja, pg. 207 de As dores da alma de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012).

Hoje estava na orla, numa linda manhã de março com mais de trinta graus e percebi uma linda cachorra preta que, estando no cio, arrastava uma corte de – pasmem! – dez cães. Um deles, talvez o menorzinho e com o pelo muito branco apresentava marcas de sangue no pescoço, devido, penso, às disputas pela prenda. Tal episódio, um tanto chulo me serviu, entretanto, de meditação a respeito das disputas que o homem, que se diz civilizado, empreende e da inveja que muitas vezes teima em aplicar em suas contendas.

O invejoso é um competidor que não se conforma com as aptidões alheias, ignorando – ou não desejando ver – que seus correlacionados são individualmente desiguais e também desiguais em competências e aptidões.

Quando já me julgo moralmente saneado, verifico que ainda sou o invejoso rival – como eram grosseira e naturalmente aqueles dez cães – correndo atrás de ‘todos os cios’ que a moderna sociedade põe a meu dispor; que ainda me digladio com meus pares para consegui-los e se isso não acontecer minha

inveja me supliciará; mal comparando, ficarei como aquele cãozinho branco, sangrando no pescoço!

Constatarei, a partir daí, que o suplício da inveja que me mortifica e me atormenta foi construído por mim próprio, não entendendo que, se exclusivas e particulares são as almas, particulares e de sua inteira responsabilidade também serão suas dores.

“Os Espíritos inferiores compreendem a felicidade do justo [e] isso lhes é um suplício, porque compreendem que estão dela privados por sua culpa…” (Q. 975).

É meus amigos, um tanto ordinária e grosseira a minha moldura, mas naturalmente elucidativa!

(Verão de março de 2012, com mais de trinta graus, mar calmo, água verde e cães me dando aula).