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aprender-e-ensinar“A ideia de que ninguém deve procurar aprender e se melhorar para ser mais útil à Revelação divina, é muito mais uma tentativa de consagração à ociosidade que um ensaio de humildade [iniciante]. O Evangelho não endossa qualquer atitude de expectativa displicente.” (Emmanuel).

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Indivíduos, em todas as épocas, optaram pelo monastério, clausura ou retiramento, pensando serem úteis a si mesmos e às sociedades. Buscavam ficar atentos aos ‘avisos dos Céus.’

Embora não desdenhemos que nesse universo de pessoas houve estudos importantes, traduções de peso e a busca de contemplação e inspirações…

… Somos obrigados a analisá-los à luz das respostas dos Sábios, encontradas em O Livro dos Espíritos, quando este aborda a Vida de Insulamento e Voto de Silêncio:

Será “duplo egoísmo” viver “em absoluta reclusão, fugindo ao pernicioso contacto do mundo”, pois além de nos ‘acomodarmos’ perante as ações cruéis da sociedade atual, nos impediremos de fazer o bem possível à mesma sociedade. Continuarão os Sábios: “O voto de silêncio absoluto, do mesmo modo que o voto de insulamento, priva o homem das relações sociais que lhe podem facultar ocasiões de fazer o bem e de cumprir a lei de progresso.”

Entendemos que será em sociedade, com todas as suas ‘armadilhas’, que teremos as melhores oportunidades de aprender e nos melhorarmos.

Aprender e se melhorar, faz parte da vida que é “curso avançado de aprimoramento”:

mulher-meditando-60991Aprender é todo o universo intelectual: educação e esforço que gera progresso; é melhorar e avançar; exercício da inteligência, da cultura e do trabalho; o serviço que precisa ser entendido como fonte de recursos, não só o remunerado, mas também o não remunerado e ‘roubado’ das horas de lazer e descanso.

Melhorar-se revela todo um universo moral: é o que fará de nossas lutas o burilamento do Espírito principiado simples e ignorante; é declarar que os recursos que em nós dormitam são de ordem divina; será avançarmos porque estamos melhorando e melhorando porque estamos avançando; porque estamos buscando em nosso íntimo de genética divina, os melhores dons; melhorar-nos exigirá de nós serviço, fraternidade e “ação pessoal e incessante no bem” promovendo nossa evolução.

Compreendamos como sagradas as promessas de Jesus: “dar-se-nos; acharmos; e abrir-se-nos”, mas com o esforço e a responsabilidade de “pedirmos, buscarmos e batermos.” (Lucas, XI, 9).

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Aprender é a grande e necessária dedicação ao aprendizado teórico para realizarmos o que é mais importante: a prática! Melhorar-se será colocar em prática tudo aquilo que de bom útil e necessário aprendemos; é o serviço que homologará nosso aprendizado.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 54 Procuremos com zelo, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

DESTACAR-SE NA MULTIDÃO“Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da humanidade. Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade.” Esta sentença, ditada pelo próprio Espírito de Verdade, há exatos 152 anos, reveste-se de sensatez: Não podemos imaginar fraternidade enquanto apartados da sociedade.

O termo frater, – irmão -por si só aponta-nos que para o exercício da virtude precisaremos estar enfrentando todos os congestionamentos que a irmandade nos apresente. Literalmente: No entrevero!

Poderemos até, em momento de introspecção, orar pelo irmão, pela comum unidade do bairro, cidade, estado, país, planeta… mas os resultados da fraternidade se concretizarão quando estivermos no corpo a corpo com todos aqueles que já amamos muito ou nem tanto; com os que comungam de nosso partido ou da oposição; com os simpatizantes de nossas cores ou contrários; com os visivelmente diferentes de nós e de opiniões opostas…

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Toda virtude que não se reconheceu [nos fornos] da experiência figura-se metal julgado precioso, cujo valor não foi aferido. Tal ‘aferição’ não se realiza no isolamento, fora do entrevero das lutas!

(Sintonia: Cap. Diante da vida social, pg.189, Livro da Esperança, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, editora CEC) – (Primavera de 2014).

Seria eu recluso apenas se vivesse uma vida monástica ou de clausura? Absolutamente! Torno-me recluso, encarcerado ou encerrado em torno de mim sempre que a insensibilidade a indiferença ou o culto de mesquinhas ilusões se apoderam de mim…

Fulano de tal me causa repulsa, beltrano me enjoa, sicrano me aborrece, fuão não fecha com meus anseios e assim, do alto de meu monastério, que não é nenhum convento, nenhuma abadia, mas apenas meu próprio eu, vou tarjando pessoas que comigo convivem.

Em Lei de Sociedade, a questão 770 de O Livro dos Espíritos me adverte que será um “duplo egoísmo [eu] viver em reclusão absoluta para fugir ao contato pernicioso do mundo”…

Mas por que, do alto de meu monastério vou apenas criticando e repelindo a fulano, beltrano, sicrano ou fuão? Porque, conforme ‘Don Aurélio’, todos esses seres de minha sociedade poderão me contaminar ou serem para mim, para minha família, maus, nocivos, ruinosos, perigosos… Dessa forma é melhor para mim que os afaste, que os olhe bem de longe e de cima… Sabe, com asco?!

Para viver estiolado ou isolado, portanto, palavras utilizadas amiúde no capítulo já citado, não precisarei – e aí a gravidade! – estar recluso em nenhum convento, mas apenas ao monastério de meu covarde egoísmo.

Indo ao fundo da questão deveria eu raciocinar que “pernicioso” é próprio deste meu Planeta de Provas e Expiações e, portanto, será inevitável expor-me a todas as ruínas e perigos que certamente ele me apresentará.

Nunca levarei um tapa se nunca expuser minha cara; ou haverei de perder algo que nunca ganhei?!

Escrever-lhes aqui e agora, na primeira pessoa do singular, expondo minhas franquezas e fraquezas é declarar-lhes minhas dificuldades e, de certa forma, lhes pedir socorro para minhas fragilidades… Isolado ser-me-ia bem mais difícil; juntinho a vocês fica leve!

Se eu viver intensamente, sempre tentando influir nos diversos segmentos de minha sociedade, certamente expor-me-ei muito mais que as pessoas ditas reservadas.

Sou, meu irmão – tu és, todos são – convidado a ser um arremedo do Cristo na difusão da sua Boa Nova e não penses que não advirão hostilidades por esse tipo de ousadia…

Isolado, jamais ‘ganharei’ o mundo; como que, isolado, absorverei os bons viveres dos maravilhosos que comigo convivem?

E a humanidade, fraudada dos grandes vultos que por aqui estiveram ou ainda estão? De quantas obras, descobertas, inventos, escritos, medicamentos, vacinas, máquinas, pronunciados, obras de arte, partituras, revelações… seria ela privada?

A mim não me basta ser partidário do Cristo… preciso tremular a bandeira com seu slogan! Do alto de meu monastério – o da indiferença -, como o conseguirei?

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Participação social, pg. 139 de Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Ed. EME) – (Inverno de 2012).