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Shrek-eo-Burro-Shrek-Forever-After-e1393431469822[Incontestável] lei de trabalho rege o Universo. O movimento e a ordem, na constância dos benefícios, constituem-lhe as características essenciais. Há, porém, milhões de pessoas que se sentem [destituídas] da glória de servir.” (Emmanuel).

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Começaremos nossas considerações pelo final: criados simples e ignorantes, nossos Espíritos atingiram considerável grau de progresso intelectual; isto não significa que o progresso moral o tenha acompanhado. Como, em nenhum momento, o Pai subtraiu de nossos Espíritos a liberdade das escolhas, à medida que fomos evoluindo intelectualmente, arbitramos livremente em destituir-nos da glória de servir. Entre a tolerância, o respeito e o serviço, optamos pela inflexibilidade, desdém e o desamparo…

Esquecemos, dessa forma, lições dos seres e objetos considerados ininteligentes – será que o são?! – de Seu Universo: observantes fiéis de movimento e ordem, sol, verme, aragem, água, árvore, animal… esses ‘ininteligentes’ cumprem funções específicas no Planeta Terra, a serviço de todos os homens, indistintamente; aos que servem ou não.

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Pergunta: Estamos, então, perante um absurdo, pois seres inteligentes são descompromissados e os ditos ininteligentes, abnegados servidores?

Resposta: Não e sim! Porque inteligentes e ininteligentes são regidos pelo sexto atributo de Deus, Soberanamente bom que nos dá, além do livre arbítrio, o concurso dos seres menores; temos a liberdade de servir ou não. Mas, também, e antes, Soberanamente Justo; e as Leis ordenadas de Seu Universo cobrarão de nossas consciências, a conta do desserviço, da intolerância e do desdém.

(Sintonia : Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 80 Corações cevados; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2017).

A-FE-REMOVE-MONTANHASSe Deus quiser! Graças a Deus! Jesus salva! Deus nos salve! Com o auxílio de Deus!… São expressões que usamos comumente e convenientemente. Ou por conveniência?

É possível que não caia um só fio de cabelo de nossa cabeça sem que Deus o saiba, entretanto possuímos a capacidade e o livre arbítrio de raspar toda ela. Ou seja, “nada de bom se efetua sem o auxílio de Deus, no entanto vale destacar que o Infinito Amor age na Terra, nas questões propriamente humanas, pela capacidade do homem, atendendo a vontade do próprio homem.”

Se “a fé remove montanhas”, precisaremos ter a vontade férrea de removê-la e aí sim a nossa fé estará além de solidificada, raciocinada e exercitada.

O que vem realizando a humanidade através dos tempos? Removendo montanhas! Descobrindo, redescobrindo, inventando, reinventando, construindo, remodelando, transformando, solucionando, reciclando, reaproveitando… E essas coisas Deus sempre quererá, visto nos ter elegido seus co-criadores numa escala menor e exatamente dentro das possibilidades de nosso atual estado evolucional. Um dia seremos co-criadores numa escala maior, Ministros de Deus! Mas isso levará muito tempo!…

Pronunciamos, muitas vezes, expressões como se Deus estivesse escravizado aos nossos caprichos, ou como se tais inflexões fossem varinha de condão ou golpe de mágica. O Mestre nos ensina, entretanto, a “ajudar-nos que o Céus nos ajudará” ou na hora que desejarmos “remover a montanha”, Equipe Salutar – dos Céus – estará à nossa disposição para nos ajudar na operação.

Remover a montanha significa exatamente darmos contribuição concernente ao talento, habilidade ou vocação que possuamos. Como não se colhem figos de espinheiros é provável que ao invés da montanha venhamos a remover somente um morro, ou uma colina ou… Está bem! Só um carrinho de terra!

Com o auxílio de Deus, sim! Com a Sua supervisão. Mas porque nós queremos; com a vontade que Ele nos deu e com nosso suor, compreendendo a necessidade de sermos serviçais da humanidade e do Planeta.

(Sintonia: Cap. Com o auxílio de Deus, pg. 165, Livro da Esperança de Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, editora CEC) – (Início da primavera de 2014).

escalar-montanha-aventuraNicodemos, ou São Nicodemos, membro do Sinédrio – legislativo judaico – era um fariseu importante à época de Jesus e por diversas vezes suas vidas se cruzaram.1 Num desses encontros, conversavam sobre a necessidade de nascer de novo. Com o ‘papo’ já adiantado, o Mestre diz a Nicodemos “não te maravilhes – ou admires – de que eu te tenha dito: ‘Necessário vos é nascer de novo’” (João, 3:7). A prosa já ia pelo meio e se adiantaria até o versículo 21 quando o Mestre e o futuro santo da igreja romana falariam da ressurreição, ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus… (ESE, IV, 16).

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Se, ainda hoje, o assunto reencarnação, – ressurreição, em crença um tanto ‘torta’ para os judeus – vidas sucessivas, revivências, causa admiração às pessoas, quanto mais há dois mil anos atrás…

Impossível entender muitos pontos da doutrina – entre eles o livre arbítrio – sem que se compreenda a necessidade das vidas sucessivas ou revivências.

Aproxima-se a hora do túmulo e os indivíduos caem em si sobre uma porção de ‘bobagens’ que fizeram nesta existência no uso de sua liberdade. Tal qual o aluno que ao ver todos os seus colegas já em férias se vê compulsado a uma segunda época por não haver aproveitado bem o ano letivo, também as almas, nesse momento, choram seus feitos ou não feitos.

Retornam ao Plano Espiritual e, ante a chance de um novo acordo reencarnatório e perante suas consciências, passam a reescrever o novo futuro, onde realizarão uma revisão com base no tempo desperdiçado e o mau usufruto de seu livre arbítrio na vida anterior. Dessa forma, ante nova dádiva, desejarão…

  • … Não mais enriquecer ilicitamente e à custa alheia, pois já perceberam que nenhuma dessas moedas transportará para a vida eterna;
  • Não mais se encantarem com cargos e encargos que somente lhes roubaram o precioso tempo de acumular “tesouros que a traça não corrói”;
  • Não mais fazer o mau uso de suas inteligências, pois ela é dádiva e instrumento de promoção individual e coletiva;
  • Não mais se dedicarem exclusivamente à meditação ou recolhimento improdutivo, fato que algemou suas mãos, pernas e pés na última vivência; e, entre outras providências, desejarão
  • Não mais realizarem práticas narcisistas, colocando o ego no centro de suas vidas, fato que os impediu de ver as realidades alheias.

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O retorno a um Planeta de Provas e Expiações é a segunda época em que o aluno precisará se dar de conta do porquê de aí estar. Se o sagrado véu do esquecimento o preserva, que verifique as evidências e os sinais a indicar em quais pontos da matéria esteve mais fraco…

Revivência é uma espécie de revisão do mau uso que se possa ter feito do livre arbítrio…

(1. Wikipédia, a enciclopédia livre. Sintonia: Cap. Ante o livre arbítrio, pg. 31, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Verão de 2014).

Bombeiro e incendiário estarão sempre muito perto de um lugar comum, o do fogo! Antagônicas ou opostas serão as situações em que estarão, pois enquanto o segundo dissemina o perigo, o primeiro estará a serviço do salvamento.

Poderá ser muito tênue a linha que separa o bem do mal, o socorro da covardia, pois a mesma mão que bate, afaga; o mesmo coração que ama, fere, magoa, odeia; os mesmos braços vigorosos que enlaçam e abraçam, serão capazes de embrutecer, empurrar, nocautear. Mesmas forças despendidas, direções contrárias!

Bem e mal, socorro e desamparo, gratidão e apatia, enaltecimento e inveja… serão sempre uma questão de opção e de usufruto de tendências que cada ser humano acalenta em seu íntimo.

Os mesmos olhos que servem de instrumento para perceber necessidades alheias, poderão estar cegados pela insensibilidade.

Bocas pronunciarão palavras capazes de traçar o mais belo enunciado sobre uma pessoa. As mesmas poderão pronunciar expressões tão destrutivas quanto o mais poderoso cruzado de direita.

A mesma boca, ainda, capaz de pronunciar o mais belo conceito sobre alguém, poderá esmagá-lo pela lâmina da calúnia ou difamação.

A parceria de mãos que ofertam rosas, poderá se transformar em conluio das que ferem com os espinhos.

Tenho utilizado uma lupa para analise dos defeitos de meu próximo, do familiar difícil, dos deslizes de meu cônjuge, do voluntário complicado… ou os tenho verificado com os olhos do coração?

Utilizando-me do santuário da gratidão de meu peito, sempre direi ao meu colaborador: Parabéns, muito obrigado! Mas meu peito ingrato também poderá ficar insensível a esse obreiro…

As atitudes de um indivíduo poderão encaminhá-lo ao rumo da felicidade ainda neste Planeta ou precipitá-lo no mais profundo caos.

Trabalhar em favor do próximo ‘e’ da minha felicidade é tão pleonasmo quanto chover no molhado, açúcar doce, subir para cima, adiar para depois, correr na correria… visto que a felicidade dependerá sempre do serviço amoroso.

A força que utilizo para a maldade é a mesma que despendo para a bondade, o que difere é a energia que consumo em ambas. Se a energia consumida no bem é limpa e renovável, a consumida no mal é pesada e poluente…

Se para tantas situações o equilíbrio é a melhor recomendação, para o bem e o mal, para o bombeiro ou incendiário não haverá meio termo…

…Ou um, ou o outro!

(A sintonia é do cap. Amor e ódio, pg. 39 de Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Ed. EME) – (Inverno de 2012).

Gérson foi meia armador da seleção Brasileira de futebol em 1970 e portador de uma canhota invejável. Conquistado o tri-campeonato, mais tarde, o atleta faria um comercial de cigarros no qual, com seu sotaque carioca, utilizou a seguinte expressão: “Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!”.

Conhecida como a lei de Gérson, a expressão passaria a representar todas as pessoas que se utilizariam de situações para levar vantagens, ignorando conceitos éticos e morais.

O jogador viria a se arrepender de ter associado sua imagem ao anúncio, visto que qualquer comportamento pouco ético seria chamado de lei de Gérson ou síndrome de Gérson…

Não seria Deus extremamente Sábio e muito menos Justo se concedesse vantagens a alguns de seus filhos e a outros não. Muito pelo contrário, todos eles têm a liberdade de se adiantarem ou se atrasarem, sendo-lhes aplicados os efeitos de acertadas ou equivocadas causas e oriundos de procedimentos pró ou contrários às Leis Naturais ou Divinas.

Sem mercantilizar favores e exatamente dentro das máximas Evangélicas “pedi e recebereis” e “batei e ser-vos-á aberto”, as minhas conquistas – os efeitos – advirão de esforços – as causas – por mim realizados.

Deus, entretanto, quando é taxativo em me afirmar “recebereis” e “ser-vos-á aberto” pressupõe um amparo de encarnados e desencarnados… desde que o queira e faça por onde. Senão veja:

  • Como desejaria meu Balneário lindo e organizado se não zelo nem pelo jardim de minha casa e pelo seu entorno?
  • Com que autoridade reclamarei do sol escaldante de meu verão se nunca me dispus a plantar nenhuma árvore?
  • Que tipo de retorno desejarei de minha comunidade se até hoje enterrei meus talentos, graciosamente recebidos, não os frutificando em favor dos outros?
  • Quão limitada é minha visão e que retorno espero do Universo quando julgo que devo fazer o bem somente aos que mo fazem ou dentro das limitadas fronteiras de minha família consangüínea?

Amor, compaixão, gentilezas… grosserias, descaso, ódio, inveja, serão para mim tão somente efeitos de todas as minhas causas assertivas ou equivocadas.

Não há mistérios na lei da causa e efeito… há, e tão somente, as causas e os efeitos e eu serei, sempre, o causador de todos os efeitos que recolherei.

Mais do que vantagens, nas questões do bem ou do mal, delicadezas ou grosserias, compaixão ou descaso, haverá os efeitos de cada um… e

…Esses serão infalíveis! Cerrrrto?

(A sintonia é do cap. A recompensa pelo esforço, pg. 35 de Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Ed. EME) – (Inverno de 2012).

A aula do ESDE era sobre preocupação. A natureza é o melhor exemplo de despreocupação. Rodolfo, do alto de sua experiência lembrou à turma para não esquecer que o livre-arbítrio era domínio do hominal e jamais do mineral, vegetal ou animal…

Mateando hoje – 24 de março – na gostosa Av. Rio Grande, olhei as aves do céu em seu frenesi e me parei filosofando solito. Vejam no que deu:

  • As pessoas estavam apressadas; no máximo de duas em duas, conversavam pouco, não se saudavam. Algumas sussurravam ao celular… Outras, ansiosas, olhavam a muda tela do seu, realizando ocultas cobranças. Custou-me arrancar o sorriso do cidadão que passava de muletas. Mas todos possuíam seu livre-arbítrio!
  • No alto, o alarido era geral, ‘conversa’ animada; ‘papearam’ durante todas as duas horas que lá estive. Mas elas não possuem só o instinto?
  • Um pai passou com a filha, já saindo da adolescência; deveria ser universitária, daquelas que moram em nosso balneário. Foram comprar algo para a casa ou apartamento; parecia um cabide para cortina: Mas o pai é ‘quem’ carregava o artefato. Mas, pai e filha possuem o livre-arbítrio!
  • Olhei para cima e uma delas – que só possui o instinto – carregava no bico um graveto maior que ela própria. Meu livre arbítrio me permitiu fazer um paralelo com a moça que – também com seu livre-arbítrio –, se furtava de carregar o cabide.
  • O Cassinense mora em casas cercadas de grades ou em apartamentos. Ambos, o morador e os possíveis larápios se utilizam de seu livre-arbítrio para se proteger e para ‘trabalhar’.
  • Elas moram em colônias. No ninho bem grande e com várias portinhas há várias famílias. E há muitos ninhos! Protegem-se? Mas só têm o instinto!
  • As pessoas passavam com sacolas… No mercado adquiriram – fruto de seu trabalho -, mantimentos, víveres, ingredientes talvez para o almoço, afinal o livre-arbítrio lhos permitiu.
  • Elas, quem sabe, no horário apropriado atacariam algum milharal, ou plantação de gira-sol ou… Qualquer ‘quitute’ que o Pai do Céu lhes oportunizasse; e tudo rigorosamente atendendo a seus instintos.

É! O Rodolfo tinha razão: O livre-arbítrio é atributo do homem. Mas como o está usando?

Quanto a mim, rigorosamente dentro do meu – livre-arbítrio – liguei o carro e fui para casa procurar nos armários uma sardinha que desde o Globo Repórter de ontem estava com ‘desejo’ de comer.

O ensinamento e o alarido estridente das caturritas, entretanto, não me saíram da cabeça.

 (Nostalgia em um outono, 2012).

A despeito de os Iluminadores terem me afirmado que “pois que [tenho] a liberdade de pensar, [tenho] igualmente a de obrar” (Q. 843), tenho procurado todos os dias me vacinar contra certos apelos, pois “é fora de dúvida que o mundo tem suas exigências” (Q. 850).

As tentações que ainda penso serem de meu domínionovelinha das 18 [ainda me livro dela!], time do coração, comerciais insinuantes e sensacionalistas… –, são do senhorio do Planeta. Cabe-me, entretanto, o freio…

E assim afirmo que ‘vou tentando’ e meditando todos os dias; para não perder a viagem vou filosofando sobre heróis que por aí estão e que teimo em dizer ‘não serem meus’ e que me assediam diariamente:

  • Meus heróis verdadeiros estão muito próximos a mim; se fosse citar todos faltariam lápis ou cometeria injustiças e/ou nepotismo;
  • Ante tanta futilidade e coisas prontas publicadas, hercúleo é persistir em tentar publicar coisas que suponho úteis;
  • O bom cronista poderá não estar, necessariamente, a serviço do bem;
  • Não me iludo: Um Planeta de Provas e Expiações possuirá, sempre, heróis com a qualidade dos que por aí estão;
  • Pior que um herói medíocre é um fã tolo;
  • E os cientistas, embarcados e confinados nas naves de seus laboratórios… Por que a mídia não os promove a heróis?
  • Faltaria relho se Jesus ‘fosse gaúcho’ e adentrasse em certos segmentos de nossa profanada cultura!
  • Heróis exóticos atrairão, inevitavelmente, fãs afins;
  • Como diria sábio poeta gaúcho, “a abelha gosta do mel e a sarna da cachorrada”… Não que eu queira comparar meus amigos cachorrinhos a certos heróis!
  • Custo a reconhecer o atual panteão outrora constituído de líderes, pensadores, governantes, cientistas…

Como disse, vou meditando, filosofando e tentando reverter os heróis que se oferecem à minha liberdade. Hay que se ter coragem!

(Verão de 2011/12).

Uma pequena reflexão sobre culpa em apenas dois itens: A culpa em sua naturalidade e a “indústria” da culpa:

1. Peregrino que sou neste Planeta de Provas e Expiações, encaro a culpa como sendo um efeito natural de todos os equívocos que cometi, cometo ou cometerei; ou seja se estou ‘por aqui’ é porque tenho ‘culpa no cartório’. O Bondoso e Justo Pai deu-me inteira liberdade para arbitrar entre o bem e o mal e fazer minhas escolhas. Todas as vezes que optei pelo mal, acumulei culpas; as vezes que enveredei pelo bem realizei, digamos, uma ‘pequena

plástica’ nos estigmas – cicatrizes – que trouxe de passadas vidas ou que adquiri nesta. É assim que funciona a questão culpa – a verdadeira – dentro da causa e efeito. Sou eu mesmo o meu ‘cirurgião plástico’ e cada reencarnação é o meu ‘bloco ambulatorial’. É assim que me responde a questão 631 de O Livro dos Espíritos: “… Deus [me] deu a inteligência para distinguir um do outro.” (O que é bem do que é mal).

2. Mas nem sempre foi assim; em tempos mais bicudos – e ainda hoje -, e a fim de estabelecer dependência religiosa, produzir temor nos fiéis, determinar comportamentos e posturas convenientes às suas “nobres causas missionárias”, religiosos ortodoxos criaram a “indústria” da culpa. Como ovelhas acuadas os cristãos apresentam-se ante seu confessor para serem absolvidos através do ‘sacramento da confissão’ ou ‘confiteor’ ficando, a partir daí, isentos de suas culpas e sem nenhum ressarcimento; fácil, não?! Chamo de “indústria” porque dessa forma os incautos continuarão no cabresto de alguns, com medo do ‘fogo eterno’. Aliás, na questão 974-a, quando a Espiritualidade é perguntada se “o temor desse fogo não produzirá bons resultados”, a primeira parte da resposta é categórica: “Vede se serve de freio, mesmo entre os que o ensinam…”

Abomino aqui a “indústria” da culpa. Fico com meu livre arbítrio, tentando distinguir entre o bem e o mal. E quando me sentir culpado, serei meu próprio ‘cirurgião plástico’, esticando daqui, puxando dali, tentando reparar acolá…

Ou quem sabe, juntando meus caquinhos não construa um belo mosaico.

(As expressões em itálico são do cap. Culpa do livro As dores da alma, de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Final do verão de 2011/12).

Analisando os atributos de Deus, à luz do item 6 da introdução de O Livro dos Espíritos, verificamos ser Ele eterno, imutável, imaterial, único, onipotente e, sobretudo, soberanamente justo e bom. Este último conforta a todos nós, sete bilhões de almas que povoamos este Planeta visto que, suas inúmeras benesses, presenteiam-nos, também, com o livre-arbítrio.

Em meados do século XIX, quando nosso querido codificador abria e fechava as questões a respeito deste assunto – 843 e 8501 – a Iluminação dos Espíritos lhe responderia com a mesma justiça e bondade que “Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina;” e “É fora de dúvida que o mundo tem suas exigências. Deus é justo e tudo leva em conta. Deixa-vos, entretanto, a responsabilidade de nenhum esforço empregardes para vencer os obstáculos.” Referia-se Kardec, nesta última, aos empecilhos que a posição social reservaria ao homem quanto à inteira liberdade de seus atos.

Está muito claro para nós, ante essas duas questões que, em primeiro lugar, por não sermos máquinas, possuímos a inteira liberdade de realizar as nossas escolhas. Em segundo lugar, o espaço que ocupamos na sociedade sempre influirá nessas escolhas. Em terceiro lugar – e aqui estaríamos entrando no assunto -, a influência de nosso livre-arbítrio na escalação de nossos ídolos: Poderemos dentro de nosso livre pensar e agir, explicitá-los como ídolos da Vida Futura e ídolos da Vida Terrestre.

Passando os olhos no capítulo O Cansaço do Repouso do livro Técnica de Viver – Waldo Vieira/Kelvin Van Dine -, chegamos à conclusão que em nossas vidas elegemos ídolos que realmente nos edificam e são os do primeiro grupo supracitado, mas também outros que só cansam o nosso repouso e que seriam os do segundo grupo. Estes últimos frustram a fé verdadeira e os primeiros evidenciam uma total confiança no Alto.

Independente do tamanho que possua a nossa jornada, toda ela e todos os dias de nossa peregrinação por este Planeta serão de opções que teremos que tomar do despertar até o adormecer. E mesmo durante o sono, continuaremos a colher os frutos dessas opções visto que escolheremos a faixa que desejaremos povoar durante o mesmo.

Isto posto, considerando que todas as nossas jornadas estarão revestidas de ações altruísticas ou nem tanto; positivas, ou nem tanto; voltadas para uma Vida Futura, ou nem tanto, elaboramos uma planilha de comparações que, longe de ser radical – pois assim não age o nosso Pai -, evidenciarão aqueles ídolos que elegeremos para o nosso dia-a-dia e que poderão ser totalmente antagônicos:

  • Preocupações ou prece? – Nossa opção começa logo cedinho: Poderemos entregar nossa jornada ao Criador, com uma prece muito simples, porém de coração; poderemos nos recomendar aos Bons Espíritos, solicitando-Lhes boas decisões, proteção… Ou já na primeira hora enuviaremos nossa mente com preocupações corrosivas e na maioria das vezes infundadas sobre coisas que nem sabemos se acontecerão;
  • Paisagem urbana ou paisagem rural? – Vivemos, em nossa maioria, peleando numa selva de pedras; somos eminentemente urbanos e embora reconhecendo o valor desse habitat, por que não repaginar ao menos os domínios de nossa morada? Por de trás de nossa vidraça, onde acomodadamente mateamos e nos deliciamos com nossa leitura, poderemos vislumbrar uma área totalmente árida ou… Plátanos, álamos, parreirais e muitos, mas muitos irmãos menores por nós aquerenciados e alimentados soltos nesse novo ambiente que por nós seria implantado e que no máximo em três anos estaria amenizando nossa então selva de pedras;
  • Casa ou Lar, aconchego, recanto? – Trabalhamos às vezes uma vida inteira, para possuir uma casa… Até competimos para que tenha a melhor arquitetura, o melhor acabamento e o melhor ajardinamento. E se raciocinássemos que antes de casa esse sagrado santuário é um lar, um recanto e o aconchego pelo qual ansiamos em nos refugiar após árduo dia de trabalho?
  • Emprego, Fonte de renda ou trabalho? – Dizia-nos São João Bosco, que o trabalho dignifica e enobrece a alma de um homem… Trabalho gera progresso e aí deverá estar fixada a nossa grande responsabilidade. A sociedade em que vivemos, mergulhados neste terceiro milênio, é ardilosa em querer nos mostrar o contrário querendo nos convencer que a fonte de renda que o emprego poderá nos oferecer é o que importa;
  • Carro ou utilitário? – Temos batido pé, freqüentemente, nesta questão: Nosso automóvel, independente de ser de coleção, antigo, novo, do ano, precisará tornar-se um utilitário – transporte, lazer, ambulância se necessário… – a serviço daqueles que nos circunvizinham. O Perigoso do carro é o cuidado excessivo, a adoração, o brilho, a sua intocabilidade em se tratando de certas atividades altruísticas;
  • TV de LCD ou ‘Radinho de pilha’? – Vivemos em uma região – sul do Rio Grande do Sul – onde não possuímos emissoras de rádio com uma programação completa e de bom gosto; existe, entretanto, na capital, mais de uma dessas, com programação completa e variada, que pegam em nosso radinho e impede que nossos pés fiquem chumbados à frente de uma TV, esse aparelho que chegou às nossas casas na década de 60, primeiro à válvula e em preto e branco e de lá para cá, numa tecnologia crescente tornou-se um aparelho perigoso que atribuímos a dois fatores: Em frente à TV, sempre há uma poltrona que poderá nos alienar e emissoras totalmente inescrupulosas e fúteis, incapazes, em sua maioria, de satisfazer nossas expectativas. Nosso radinho nos dá liberdade e informação… Sem cercear nossos movimentos!
  • Carreteiro de três dias ou macarrão no óleo e alho? – Aproveitaremos este item para realizar o recreio de nosso estudo… Quando iniciamos este trabalho, as idéias não estavam fluindo muito bem e nosso cônjuge, atarefado com as lides domésticas, atividades extra-casa e cuidados com a própria pessoa, chegou a pensar em nos servir no almoço um carreteiro de três dias… Como o tema era livre-arbítrio e usando-o sua escolha final recaiu sobre um macarrão ao alho e óleo, por sinal gostosíssimo e oportuno, pois à tarde ambos estaríamos envolvidos em tarefas mediúnicas;
  • Internet ou Livros – Acompanhávamos, outro dia – por nosso radinho – a Jornada Internacional de Literatura, realizada periodicamente em Passo Fundo-RS e diziam os seus organizadores que as mães grávidas daquele importante pólo lêem para seus filhos ainda não nascidos. Não relegavam a um segundo plano, esses organizadores, a importância da Internet; deixavam, porém, e bem claro, que o livro nos induz ao raciocínio, ao contrário da ferramenta em questão que, além de suas armadilhas, poderá nos alucinar. Livro não tem mouse e às vezes até lambemos o dedo para virar suas páginas; os assuntos, capítulos, não são minimizados para posteriore, mas utilizamos gostosos e atraentes marca-páginas para não perdermos as referências. Se por um lado a internet nos oferece muitas coisas prontas, os livros nos facultam aprontar coisas. Apesar da concorrência, os livros não caíram de moda!
  • Autores de novelas ou Chico Xavier, Emmanuel, André Luiz, Hammed, Francisco do Espírito Santo Neto…? – Aqui a coisa pega! A maioria dos autores de novelas, estas senhoras e senhores literatos, principalmente os da emissora mais tradicional do país, subestimam, totalmente nossa inteligência e nosso senso de justiça… Vilão de novela pratica o mal do primeiro ao penúltimo capítulo e no último… Ele não é julgado e nem vai para a prisão… Ele morre. Está estabelecida, aí, a apologia ao crime. Muito pelo contrário, as apologias ao bem, à justiça e ao amor nos vêm de encarnados e desencarnados integralmente comprometidos com a ética de Jesus Cristo. Neste caso, ao contrário dos primeiros, não há uma visão mercadológica do trabalho, tendo em vista que todos os literatos sérios de nossa doutrina têm uma destinação filantrópica para os lucros de suas vendas;
  • Time do Coração ou Esporte sadio? Coração é vermelho, mas, independente da cor, o time do coração poderá nos judiar, poderá nos tirar o sono e a ressaca do dia seguinte poderá ser grande. O jogo de nosso time poderá não ser o mais importante da rodada, mas certamente, sofreremos com ele e à toa. Poderemos ter à nossa disposição algo mais sério como uma boa partida de vôlei, basquete ou até mesmo de um futebol onde não haja simulações, cai-cai, vícios atuais de nossos ídolos que empanam o esporte bretão;  
  • Duro de matar 4.0 ou Leitura edificante? – Estamos chegando ao ponto nevrálgico no qual encerraremos nossa jornada e ingressaremos noutra, esta fora de nosso corpo físico: A interpretação de Bruce Willis certamente não será a melhor companhia para prepararmos uma investida noturna; uma leitura edificante, indubitavelmente estabelecerá um intróito mais adequado à viagem ora proposta.

Como podemos verificar, nosso livre-arbítrio nos possibilita a escolha de ídolos dos mais diversos naipes: Dos mais exóticos aos divinamente simples; dos imprescindíveis, mas que requerem um equilíbrio, aos totalmente fúteis; das ações pouco dignificantes às grandes e fraternas ações; de comportamentos lascivos a sérias atitudes; dos mais caros, exigentes e chantagistas como carro, aparelhos sofisticados, clube do coração, àqueles que não nos darão nenhuma despesa e são verdadeiras manifestações da atenção Divina como, por exemplo, sanhaços, sebinhos, bem-te-vis, corruíras beija-flores e calhandras não engaiolados mas que buscam seu quinhão diariamente em nosso quintal e nos recordam máximas do Mestre tais como não semeiam nem ceifam mas o Pai do Céu nos delega o privilegiado hobby de cuidá-los.

Sempre manifestamos, voltando aos atributos Divinos, nossa admiração por Sua infinita justiça, amor e bondade. Na questão do livre-arbítrio, não poderia ser diferente, visto que Ele “conseguintemente, não condena os gozos terrenos; condena, sim, o abuso desses gozos em detrimento das coisas da alma.”2 Ou seja, sendo Deus e a Natureza equilibrados, é natural que a Sua Providencial Bondade assim nos deseje.

A propósito, depois de excursionar em nossa jornada diária, como procedemos na escalação de nossos ídolos? Que critérios adotamos para defini-los e elegê-los? Nossas opções tem valido à pena? Que peso essas escolhas terão, considerando nossa Vida Futura?

Temos a consciência que algumas são totalmente equivocadas, mas apesar disso, as veneramos, cultuamos, endeusamo-las. Estamos cientes, também que esses ídolos escolhidos visando somente a Vida Terrestre, nos roubarão o sono, a saúde, a alma; dar-nos-ão despesas, nos causarão irritação, preocupações.

Fazendo uso de nosso livre-arbítrio, com qualquer intensidade, em qualquer tempo e seja na direção que for, escalaremos nossos ídolos e os mensuraremos. Conforme nossa vontade eles nos cansarão e atormentarão o nosso sono ou facilitarão nosso repouso e nossa paz.

Somos responsáveis quando da escolha de nossos ídolos – ou nossos carrascos? – e pelo tipo de satisfação que nos proporcionarão. Os primeiros são reluzentes, caros, chantagistas e perigosos: Poderão nos decepcionar! Os últimos são Divinamente simples, financiam uma real felicidade e… Cabem em nosso orçamento.

 (Inverno de 2011) – Bibliografia: 1. Guillon Ribeiro, O Livro dos Espíritos; 2. Guillon Ribeiro, O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 6 do Cap. II – Pub. RIE, Dez 2011.