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“… A palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós que somos salvos é o poder de Deus.” (I Cor, 1:18).

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Cruzes sempre representaram loucura; menos a do Mestre. Nenhuma cruz, sinônimo da infâmia romana, ficou em evidência; a de Jesus ficou! Cruzes de sentenciados ficaram mudas; a do Rabi falou!…

Enquanto todas representaram loucura, a do Mestre representou o Poder de Deus; roteiro de evolução. Mais ponte a todos nós do que paredão ao Sentenciado.

Abandono, sede, humilhação, sarcasmo, derrota, capitulação, morte, eram sentença a tresloucados. Na glória oculta da Cruz do Mestre estava o script da salvação.

Abandono, sinônimo de loucura. O Poder de Deus socorre-nos com companheiros leais.

Sede alucina. O divino crucificado apresenta-se como Fonte Viva.

Humilhação dementa. O Mestre do Monte bem aventura os simples.

Sarcasmo vampiriza. “Perdoa-lhes; não sabem o que fazem” apaziguou corações.

Capitulação e morte enlouquecem. A glória oculta da Cruz ressuscita, saneia, cura!…

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Foram seletos os que subiram à Jerusalém do Gólgota. Grande foi a multidão que permaneceu na Jerusalém ‘de baixo’…

Somente uma Cruz ‘falou’ tantas e tão impactantes verdades!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 97, A palavra da Cruz; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

patch-adams-3De uma forma inusitada iniciamos ontem, 23 de setembro, o roteiro 3, módulo VI do ESDE, obsessão e enfermidades mentais (ou obsessão e loucura): Questionamos o grupo com a pergunta ‘qual é a tua loucura’? Respostas variadas: ‘Sou louco por futebol; sou louco por dança; sou louco pelo meu trabalho; sou louco por minha filha; sou louco por leitura… ’ Integrante, dando, realmente, sinais de demência, disse ‘ser louco pela sogra’. Brincadeira à parte, – até porque o assunto é sério – nossa aula tomou rumo gostoso e esclarecedor…

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Quando nos declaramos loucos por alguma coisa, precisaremos estar atentos a que evolução essa ‘loucura’ nos poderá levar; se ficará em algo prazeroso, como um lazer que evolui para um hobby e que não descambe para uma fascinação, obsessão ou loucura propriamente dita…

Faz parte do roteiro estudado: “Todas as grandes preocupações do espírito podem ocasionar a loucura: as ciências, as artes e até a religião lhe fornecem contingentes. A loucura tem como causa primária uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna mais ou menos acessível a certas impressões. Dada a predisposição para a loucura, esta tomará o caráter de preocupação principal, que então se muda em idéia fixa1”; daí a descambar para uma subjugação doentia será um pulinho, visto estarmos oportunizando más influenciações de encarnados e desencarnados equivocados.

Enquanto ‘formos loucos’ simplesmente por um hobby, diversão ou lazer necessários, estaremos raciocinando com sanidade. Mas a partir do momento em que ficarmos obcecados por um lazer que traz em seu bojo irmãozinhos menos esclarecidos e mal intencionados em nos retirar da retidão, essa ‘loucura por tal coisa’ poderá se tornar em algo obscuro.

Ficarmos alienados a um só círculo de amigos, a uma só atividade, a um só tipo de leitura, – e aqui me confesso ‘pecador’ – a um só tipo de lazer, às mesmas páginas de relacionamento… poderá ser o início de uma obsessão que evolua de sua forma simples à subjugação.

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“Ninguém consegue viver inteiramente isolado. Influenciamos aqueles que nos rodeiam e recebemos influências do nosso meio.2

Para que fujamos à loucura, nossas vidas precisarão não ser tão ortodoxas, pois a austeridade aqui será algo inconveniente.  Variemos um pouco, procurando novos gostos.  Ontem no estudo verificamos que o assunto ficou mais agradável, leve, participativo e até chegamos à conclusão que de loucos todos nós temos um pouquinho. Mas que o assunto é sério, é!

(1. O Livro dos Espíritos, introdução, item XV; e 2. Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Cap. 13, Vida comunitária. Imagem: Dr. Hunter Doherty “Patch” Adams) – (Primavera de 2014).

Há exatos 529 anos, Tomás de Torquemada, um frade da ordem dos dominicanos, era nomeado pelo Papa Sixto IV, inquisidor-geral de Espanha. O assombroso número de 2.200 autos-de-fé foi promovido por este inquisidor. Um auto-de-fé compreendia castigos a ditos hereges judeus e muçulmanos e poderia constar de um simples desfile com o tabardo – túnica usada por campesinos – até a imolação na fogueira.

É exatamente sobre este inquisidor que Carlos Baccelli e Dr. Inácio Ferreira se reportam na obra Sob as cinzas do tempo. Em período de férias – que luxo, férias de aposentado! – me aplico em ler um ou dois romances… Pois este valeu à pena cada página. Personagens importantes como Maria Modesto Cravo, Inácio Ferreira, Manoel Roberto, Bittencourt Sampaio, Dr. Odilon Fernandes, Chico Xavier, Dr. Bezerra de Menezes,  D. Querubina – benzedeira – e o próprio Torquemada estão incluídos na saga em apreço.

Encanta-me a honestidade, a franqueza e até a exposição de nosso querido autor espiritual. Separei alguns fragmentos, a título de tira gosto, de passagens até hilárias de Dr. Inácio Ferreira, quando à frente de seu Hospital Psiquiátrico em Uberaba. Divirtam-se!

  • “… Eu era muito mais um espírita médico do que um médico espírita…” (pg. 76);
  • “O segredo para combater a depressão era não perder o senso de humor – eu galhofava o dia inteiro -. Curei muitos perturbados, mostrando-me mais perturbado que eles.” (pg. 95);
  • “… O apoio da família na recuperação de um doente psiquiátrico deveria ser um capítulo à parte na medicina.” (pg. 116);
  • “No espiritismo quem não foi padre ou freira, foi francês…” (pg. 135);
  • “Como dizia minha tataravó: ‘viúvo é quem morre’… Sempre fui contra… esse negócio de luto eterno… Senhoras, ainda jovens, trajadas de negro cultuando uma saudade de maridos que, com certeza, deveriam estar aprontando no Além – vivos ou mortos, os homens eram sempre os mesmos…” (pg. 204);
  • “Chegaram trazendo ovos e queijos e para mim, em especial, um rolo de fumo de corda tal, que, para qualquer outro fumante inveterado, daria para fumar uma vida inteira, mas para mim não.” (pg. 228);
  • “Lamento os companheiros médicos – lamento profundamente – que memorizam certos medicamentos e se põem a exercer a psiquiatria com uma caneta e um bloco…” (pg. 241).

Como vemos Dr. Inácio está aqui, também nesta obra exposto, fumante inveterado, encrenqueiro, mas realizando todo o bem possível; brabo, mas também bravo e misericordioso…

Quanto ao final… Leiam o romance: Forte, emocionante, surpreendente!

(Verão de 2011/12).

Meus amigos: Não tenho a pretensão que estas curtas sejam pérolas… Se forem pétalas e conseguirem iluminar o dia de umzinho só, dar-me-ei por satisfeito. Um abraço!

Loucos, certos… – Não subestimo os loucos – palavra em desuso -; tão pouco superestimo os certos!

O bem – Iluminar o dia de alguém: Bem ao alcance de minha mão e tão na contramão deste terceiro milênio.

O bem (2) – O bem campeia solto por aí… Hay, entretanto, quem não tenha interesse em divulgá-lo.

O bem (3) – O bem – tal qual o mal – não necessita de articulações, de artimanhas. O bem se sustenta em sua simplicidade, na ingenuidade e até na simploriedade.

O bem (4) – Espero o bem das pessoas simples; também o espero das importantes, só que… sentado!

O mal – Os articuladores do mal não são bons, porém são sábios.

Perdão – Em matéria de perdão, meu consolo é ele ser difícil para todos.

Sábios e sábios… – O sábio do mal trama, articula, engendra; o sábio do bem simplesmente… Ama!

Vida leve – Para tornar minha vida mais leve, evitarei o clássico, o requintado, o refinado e me reportarei ao simples, ao compreensível, ao acessível… E isto é válido ao externar minhas idéias.

Vida leve (2) – Constatar as coisas faz parte de minha astúcia… Valorizá-las ou não, da vida que quero levar.

Vida Leve (3) – Se eu te convidar para tomar uma cerveja, uma taça de vinho, um sorvete, comer um chocolate… Calma; não te preocupa! Não estou te convidando para pecar!

(Verão de 2011/12).