Posts Tagged ‘Maledicência’

mulher-mantra-malhaca-600 (1)Carl Gustav Jung (1875-1961), Suíço, psicoterapeuta analítico, disse que “tudo o que irrita-nos nos outros pode nos levar a uma compreensão sobre nós mesmos.” Entendemos a máxima como os indivíduos sendo espelhos nos quais nos olhamos e compreendemos em seus equívocos, os equívocos que possuímos.

Emmanuel nos orientará que o homem, com as cores que usa por dentro, julga os aspectos de fora. Pelo que sente, examina os sentimentos alheios. Ainda, cada Espírito observa o caminho ou o caminheiro, segundo a visão clara ou escura que dispõe.

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Como não retiramos coisas ruins de nosso coração bom, ou vice versa, na observação, julgamentos, críticas, agiremos da mesma forma: poderemos observar tudo em ‘preto e branco’, embaçado, ofuscado, mais ou menos, conforme a má disposição que ainda tenhamos em nosso coração.

Tal pré-disposição – que pode ser temporária, conforme a índole de nossos ‘acompanhantes’ – nos permitirá acordarmos formulando os melhores conceitos da vida, do semelhante, das coisas ou atribuindo-lhes as piores concepções.

A Natureza sempre nos dará os melhores recados sobre o assunto: A tempestade será saneadora; o vento renovador; a nascente filtrante; o lamaçal fertilizará… por que a adversidade não pode ser nossa educadora?

Quando não estivermos muito bem, azedos, amargurados, furtemo-nos de formular conceitos a respeito dos semelhantes, situações ou coisas. Primeiro equilibremos nossa vista, para logo após formulá-los. Caso contrário, nunca será prudente o nosso julgamento.

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“Nada é puro para os contaminados e infiéis” diria o Apóstolo dos Gentios a seu amigo São Tito, listado como um dos Setenta Discípulos do primeiro século d.C. (Tito, 1: 15).

Nossos atos refletem, tais quais espelhos, nosso estado mais íntimo.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 34 Guardemos o cuidado, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

finger-pointing

“Como é que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, quando não vedes uma trave no vosso olho?… – Hipócritas, tirai primeiro a trave do vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão.” 1

Em mais esta alegoria, Jesus, que era totalmente avesso à hipocrisia, talvez desejasse nos transmitir algo, não relativo ao órgão da visão, mas uma lição relacionada à percepção, ou seja, vislumbrar com os olhos do coração.

Nosso coração, seguindo o raciocínio, deveria estar desentravado de qualquer sentimento que lhe permitisse enxergar os minúsculos ciscos ou as pequenas enfermidades de nossas parcerias. Nas grandes corredeiras, alguns troncos maiores poderão concorrer para que a eles se juntem outras ressacas menores que interrompam, dessa forma, o livre curso do rio.

De tal forma, o nosso coração, que poderá estar entravado pela presunção, orgulho, soberba e vaidade, também não terá o seu fluxo normalizado, enquanto estes achaques não derem lugar às virtudes antônimas: Somente a pureza de coração, a modéstia a simplicidade e, principalmente, a indulgência, torná-lo-ão mais leve e lhe permitirão não ver os olhos empoeirados de nossos irmãos.nao julgueis, atire a primeira pedra...

Minimizar as moléstias de nossos semelhantes é não transformarmos nossa palavra num açoite, nossa língua num estilete e nosso olhar numa lupa de potente ampliação; é, em contraposição, maximizar nossa vigilância, sobriedade, tolerância, complacência…

Aproveitando a deixa de nossos Ilustradores Celestiais, transcreveríamos que “Caridade orgulhosa é um contra-senso, visto que estes dois sentimentos se neutralizam um ao outro… Como poderá um homem, bastante presunçoso… possuir, ao mesmo tempo, abnegação…?” 2

A viga, metáforas à parte, deverá ser desinstalada é de nosso coração e temos a absoluta certeza que foi isso que nosso Divino Professor desejou nos ministrar na aula supracitada.

 (Subsídios: 1. Mateus, VII, 3 a 5; 2. ESE, item 10 do Cap. X) – (Evangelho no Lar em 17 Jan, verão de 2011).

Pub “O Clarim”, Fev 2013.

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Descansar armas! Apresentar armas! Cruzar armas! Ensarilhar! Arma sobre o solo!…Todas são vozes de comando muito familiares nas Forças Armadas e com as quais sempre tive muita intimidade, ora aprendendo, ora ensinando, durante muitos anos nos exercícios de ordem unida com armas…

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“Todos tendes más tendências a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar; todos tendes um fardo mais ou menos pesado a depor para escalar o cume da montanha do progresso. Por que, pois, serdes tão clarividentes para como próximo e cegos em relação a vós mesmos?…” Hammed e o Espírito Dufêtre, nesta citação do capítulo bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, me convidam a ‘descansar armas’ ou depor as armas da crítica, da incoerência, da maledicência… antes de escalar o cume da montanha do progresso. Ou que todos esses embaraços fazem parte de um rol de atitudes totalmente na contramão da indulgência que ainda teimo em carregar em minha mochila ou no fardo que carrego nesta minha peregrinação de caminheiro de Deus.

Depor esse fardo significa eu conseguir enxergar a trave que há em meu olho, sem perceber o argueiro que há no olho do que comigo caminha, ou munir-me de toda a indulgência possível. E não falo aqui daquela indulgência da doutrina católica, concedida para reparar o mal causado como conseqüência do pecado, através de boas obras, mas de um sentimento de piedade por todos os entraves que naturalmente meu próximo possa ter e que lhe dificulte o acesso à montanha do progresso.

‘Descansar armas’, – ou ser indulgente – significa eu compreender que na medida em que eu entender as dificuldades do caminheiro que comigo escala a montanha, o Grande Alpinista e Pai de todos, saberá também entender as minhas dificuldades. Afinal, todos fazem parte de um ‘mesmo exército’!

Critico obras assistenciais, expositores, administradores, condutas alheias, governos, e até Deus pelas minhas dores, mas será que assistiria, exporia, administraria, governaria ou me conduziria melhor que eles? E é lógico que estas perguntas as faço a mim mesmo e com o intuito de primeiro ir retirando a trave que teimo em conservar em meu olho e que me faz impiedoso com o cisco do companheiro…

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No momento em que largo de minhas incoerências,críticas, julgamentos, maledicências – o primeiro bem que faço é a mim mesmo. E como o bem começa em casa e é contagiante, logo, logo se espalhará aos que me circunvizinham e todos ficarão mais ‘suavizados’…

Como num ‘descansar armas’!

Sintonia e expressões em itálico são do cap. Incógnitas, pag. 199 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Verão de 2013).