Posts Tagged ‘Mãos lavadas’

Atravessei a adolescência e a juventude embalado pelos acordes e seguindo os ditames do vestir  me comportar e adquirindo trejeitos da jovem guarda e dos Bitles. Calças justas com boca de sino, cabelos compridos e bigodes mandarinescos. Minha mãe sempre me fazia dois pedidos: Que não me envolvesse com ‘boleta’ e não ‘casasse grávido’. Quatro décadas e meio depois adolescentes e jovens se divertem com o Restart e Michel Teló; vestem-se, falam, dançam e também adquirem seus trejeitos. Vejo, também, as mães preocupadas com esses miúdos…

Qual a diferença, então, meio século depois? Nenhuma! Simplesmente as décadas se sucederam e, em cada uma, moda, hábitos, costumes e comportamentos diferentes. E o que importa! Desde que não se maculem progressão moral, acervo intelectual e preservação física… O que é da moda, nunca incomodará…

Comer com as mãos é costume de alguns povos africanos. Comer frango sem talheres poderá ser normal para a metade da humanidade. Pessoas utilizarão talheres diferentes para o consumo de carnes ou de peixe. Água, vinho, cervejas, licores, destilados… são bebidos em copos ou taças diferentes…

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Freqüentemente ouço dizer: ‘Fulano é uma boa alma’! Isto significará que esse indivíduo já consegue se evidenciar pela sua moralidade, interesse em instruir-se, cuidados com seu corpo físico e, principalmente, em se utilizando de sua franqueza e liberdade, não serão seus costumes, hábitos ou trejeitos que o impedirão de ser uma pessoa confiável, ou…

… “Não é o que entra na boca que enlameia o homem, mas o que sai da boca do homem…”

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Se Jesus vivesse hoje – encarnado – neste mundo globalizado, onde todo mundo toma contato com tudo e com todos, certamente se divertiria com os costumes de cada povo e não perderia a oportunidade de realizar suas prédicas em se aproveitando dos costumes de cada um.

Dando asas às Suas recomendações, talvez dissesse aos heterogêneos povos e seus costumes, que vivessem exatamente e libertos dentro de seus diferentes hábitos, sem, entretanto, prevaricarem de elevação moral, de deveres intelectuais e do zelo pelo corpo físico, vítima, justamente, de ‘certos costumes’.

Inspirado por sua Boa Alma, talvez dissesse a todos os povos de diferentes culturas:

  • Que aproveitassem o sábado para todo o tipo de elevação, pois este – o sábado – teria sido feito para os homens de todas as épocas e não estes para o sábado. Que realizassem todo o tipo de curas nos ‘dias santos’; que nesses dias confraternizassem conforme seus costumes, visto a fraternidade ser prioritária;
  • Que se hospedaria na casa de pessoas de diferentes castas não se importando que o maldissessem por se alojar com ‘pecadores’, nobres ou plebeus;
  • Que vestiria, quem sabe, as roupas de cada povo e se embalaria aos seus particulares ritmos;
  • Que, à frente de uma máquina de última geração, responderia e-mails, postaria mensagens, curtiria e compartilharia as novidades que trouxera do Alto;
  • Que falaria ‘em cadeia’ a todos os povos sobre os lírios dos campos e as aves do céu; enalteceria a dracma da viúva, falaria da importância de pedir, da gratidão do décimo leproso, da fé do centurião, da amabilidade de Marta e Maria e do honesto arrependimento da adúltera;
  • Que tanto faria comer com as mãos ou se utilizar de talheres finos ou nem tanto; tomaria vinho em copos de cristal ou de cerâmica; e que, e principalmente,
  • Diria a povos de cabelos curtos ou compridos, sem barbas, com barbas longas ou aparadas que o preconceito é injusto, pois não é a imagem que declina o homem, mas todo o conteúdo que verte de seus lábios e toda a ação que flui de seus braços e perfumam aos quais servem.

Em fim, esta Boa Alma diria o que já dissera tantas vezes, há dois mil anos, aos fariseus de sua época: Que a hipocrisia a superstição, o preconceito, o estigma, a calúnia, a insensibilidade já ‘não estão mais em moda’ nos dias atuais, quaisquer que sejam as culturas, os povos, castas, credos e que a moda, qualquer que seja a cultura é a ditada pelo coração e que somente dessa forma “as leis de uma época conviveriam com as Leis Eternas.”

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Padrões de comportamento, etiquetas comuns a povos, costumes de povo para povo serão totalmente secundários no contraste com a elevação moral, aprimoramento intelectual e preservação do corpo físico.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Imposições, pag. 157 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera quente de 2012).