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Meu orgulho mora na torre mais alta do castelo de minha vida;

Particularmente, tenho muita dificuldade em administrar e compreender o orgulho dos outros, pois o meu não permite;

Meu orgulho, em mirante espetacular só olha de cima para baixo e vê coisas e seres pequenos, insignificantes;

Meu orgulho possui um irmão gêmeo – chamado egoísmo – que mora com ele em seu prazeroso castelo;

Meu orgulho está sempre acompanhado da donzela vaidade que, caprichosa, sempre influi em suas atitudes;

Meu orgulho possui também outras companhias: A arrogância é uma balzaquiana que não se dobra; a soberba é quase sua irmã ou ao menos em muito se lhe parece. Há ainda outras jovens ou nem tanto que compõem o seu séqüito, como a presunção que lhe toma conta da agenda, o controlador na ‘pasta’ da hipocrisia e o perfeccionista ‘quase’ pudico;

Nas cercanias do castelo de meu orgulho – num ‘ladeirão’ – há um vilarejo onde moram personagens humildes e fraternos; meu orgulho não se relaciona muito bem com essa ‘estranha’ vizinhança;

Meu orgulho dita normas de bem proceder que, na verdade, só não conseguem normatizar a sua vida;

Meu orgulho tem carro bom e quase que intocável… Não é desses utilitários que carregam pessoas necessitadas por ruas esburacadas a qualquer hora da noite; ‘ambulância’, nem pensar!

Meu orgulho doutor em regras de trânsito é, na maioria das vezes, inflexível, não admitindo exceções tão pouco falhas alheias;

Meu orgulho quando confronta guardadores, catadores, frentistas, lavadores… Os considera todos subempregados e servis acomodados… Moedas para eles só as pequeninas; a que possui a ‘República na cara’, nem pensar! Uma palavra boa é perda de tempo com esses ‘vadios’.

Amigos queridos, se passarmos os olhos nas constatações da crônica acima – e lhes pedimos que o façam com naturalidade -, certamente nos identificaremos em mais de um item. O meu orgulho ou o nosso orgulho não é coisa de hoje e sua comitiva o acompanha ao longo de nossas diversas encarnações.kjdfgh

“Todos (os espíritos inferiores e imperfeitos) têm deveres a cumprir. Para a construção de um edifício não concorre o último dos serventes de pedreiro, como o arquiteto?” nos responde de forma categórica a questão 559 de O livro dos Espíritos. Todos, de pequenos, médios e grandes talentos, somos responsáveis pela melhoria do Planeta, mas somente a humildade nos fará perceber este poder de transformação. A humildade e a disponibilidade de nossas habilidades, nesse caso, deverá ser tal qual o farol que iluminará a caminhada de nossos parceiros, porém o roteiro será, inevitavelmente, traçado por cada um.

Em uma unidade de saúde há diagnósticos clínicos ou geriátricos que só terão total sucesso com o concurso da fisioterapeuta, anônima e muitas vezes relegada ao segundo escalão do posto médico; e o fracasso do cirurgião experiente se faria se os instrumentos não estivessem religiosamente esterilizados.

É mais construtiva a humilde colaboração dos pequenos empreendedores do que a empáfia dos grandes gênios.

As pessoas humildes chegam à nossa praia e vão logo nos convidando para jantar; os abonados chegam à orla já comendo o nosso lanche.

Quando abordam o tema Orgulho, à pg. 31 de As dores da Alma, Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed dizem que “nosso orgulho quer transformar-nos em ‘super-homens’, fazendo-nos sentir ‘heroicamente estressados’, induzindo-nos a ser cuidadores e juízes dos métodos de evolução da Vida Excelsa e, com arrogância, nomear os outros como desprezíveis, ociosos, improdutivos e inúteis.” Ou seja, o nosso orgulho do alto de sua torre, nada construirá, pois só verá o que lhe convém. Julgará, mancomunado com seu séqüito, que todo aquele Zé povinho do ladeirão, nenhuma utilidade tem para o paço em que pensa reinar.

Perguntamo-nos, então, como encaixar “o último dos serventes” nessa corte tão perversa? Todos nós sabemos que o contrário é mais salutar: Depor o monarca!

(Verão de 2011/12) – Pub O Clarim Jun 2013.