Posts Tagged ‘Metades eternas’

É possível que três irmãos, nascidos de um ‘mesmo ninho’ apresentem comportamentos diferentes na questão razão/sentimento: o primeiro será só razão; o segundo só sentimento; e o terceiro equilibrará esta sagrada parceria.

Impossível, também, raciocinarmos com “metades eternas”, já que somos Espíritos não fracionados: quando nos referimos à nossa alma gêmea (admissível, segundo Emmanuel), reportamo-nos a “Espíritos afins”, aqueles que, num dueto, participarão de exaustivos ensaios até atingirem o amor em Plenitude.

Citando ainda Pascal (Blaise Pascal), existem “dois excessos: excluir a razão – só admitir a razão.”

Qual o ideal? Superiores apontam-nos o equilíbrio: Paulo de Tarso vai mais além: que “não sejamos temerários, não desdenhemos e nem suspeitemos mal.” O ‘mais além’ que Paulo solicita é o sentimento de Pascal.

Em muitos momentos a misericórdia nos pedirá mais sentimento; e menos razão. Ou que, a caridade, muitas vezes precisará que o coração tenha suas próprias razões.

Quanto à individualidade das almas, é assunto inequívoco e representa o aprendizado auferido por cada Espírito, através das vivências!

Observemos ‘lá em casa’!…

(Inverno de 2017).

 Alma-Gemea“… A atração profunda e inexplicável que arrasta uma alma para outra, no instituto dos trabalhos, das experiências e das provas, no caminho infinito do tempo está mergulhada num suave mistério (…). Separadas ou unidas, nas experiências do mundo, as almas irmãs caminham, ansiosas, pela união e pela harmonia supremas, até que se integrem, no plano espiritual, onde se reúnem para sempre na mais sublime expressão de amor divino1.”

“Não há união particular e fatal de duas almas. A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos (…) segundo a perfeição que tenham adquirido. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos2.” “A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união de dois Espíritos simpáticos. Trata-se de uma expressão usada até na linguagem vulgar (…). Não pertencem decerto a uma ordem elevada os Espíritos que a empregaram3.”

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Almas gêmeas ou almas irmãs é um conceito de Emmanuel. Sem o desejo de trair ou contrariar o conceito de metades eternas da Equipe de Allan Kardec, visto Espíritos Superiores não se equivocarem quando seu motu proprio visa nosso esclarecimento, progressão e felicidade, mostra-se importante e necessário não confundirmos umas e outras:

Metades eternas, ou como, numa linguagem mais vulgar ainda diríamos, ‘metades das laranjas’, sempre serão termos equivocados quando nos referirmos a Espíritos. Estes foram planejados ‘inteiros’, criados exclusivos, individuais, ímpares. Assim como não há uma impressão digital idêntica, – poderá pertencer a grupos de digitais semelhantes – e os próprios gêmeos univitelinos serão iguais somente fisicamente, Espíritos nunca serão iguais; muito menos metades uns dos outros.

Almas gêmeas ou irmãs, sempre serão almas parceiras e que já se acostumaram de longa data a estabelecerem cooperação tanto nas experiências do plano físico como no espiritual. Suponhamos que tais almas estejam laborando em planos opostos. Nem por isso estariam separadas, pois em tal tipo de ‘compromisso’ o que menos as separa será viverem em planos diferentes (físicos ou sutis). O intercâmbio ‘vivos e mortos’ sempre as beneficiará, visto que Espíritos não morrem e o instituto dos trabalhos, das experiências e das provas sempre as aproximará, até que se integrem, no plano espiritual, onde se reúnem para sempre na mais sublime expressão de amor divino.

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Almas gêmeas executam, ao longo de suas experiências, os mais sagrados estágios e exercitamentos, visando o futuro ingresso no amor divino.

Se todas as experiências de encarnados e desencarnados são o preparo ou exercício para a perfeição que todos atingirão um dia, por que não o seria, também, esta tão salutar e singular parceria na qual vivem, revivem e tornam a viver as almas gêmeas, irmãs ou parceiras? Não será a gemelidade das almas, mesmo que em nossa expressão vulgar, sempre o caminho seguro para chegarmos à expressão de amor divino?

Finalizando, levando em conta expressões dos Superiores, e para uma reflexão menos conservadora, atração profunda e inexplicável que arrasta uma alma para outra e união particular e fatal de duas almas pressupõem uma sociedade já plural, muito distante do convencionalismo bem ou mal são: Almas gêmeas ou união particular e fatal não precisarão necessariamente estar relacionadas a revestimentos corpóreos masculino mais o feminino; tais corpos, em tais casos, será o de menos. O importante será a afeição verdadeira que uma alma estará votando à outra alma irmã, habitando corpo masculino ou feminino.

Reencontros, experiências, afeições, lutas, provações… sobrepõem-se a fatores usuais, tradições, fôrmas, clichês e estereótipos, nesse caso irrelevantes.

Que doravante, ao referir-nos à nossa alma amada, não a apresentemos mais como cara metade ou metade eterna, mas como alma gêmea, alma irmã ou, simplesmente, ‘inteira eterna’.

(Bibliografia: 1. Questão 325 de O Consolador, de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, 29ª edição da FEB; 2 e 3. Questões 298 e 303-c de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, tradução de Guillon Ribeiro, 71ª edição da FEB) – (Inverno de 2015).