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“Se foste chamado à fé, não recorras ao divino Orientador suplicando privilégios e benefícios que justifiquem tua permanência na estagnação espiritual.” (Emmanuel).

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Se nosso encontro com o Mestre for verdadeiro, os compromissos estarão explícitos:

Firma-se, então, um pacto: obrigações que deveremos realizar; eventos a nos abstermos.

Nesse momento, quando “caímos do cavalo”, reportando-nos à transformação de Saulo/Paulo, iremos verificar:

Que o ‘nosso’ domínio termina; sobrepõe-se-nos a Lei de Justiça, amor e caridade.

Que nosso descanso estará limitado à restauração “das forças” exauridas; mesmo nesse hiato, descansará ‘só’ nosso corpo.

Que o Espírito predominará; e não mais os imperativos da carne.

Que as afeições verdadeiras permanecerão; e que a consangüinidade não as garante.

Que os mais importantes negócios doravante se reportarão à Boa Nova do recém “Encontrado.”

Que todos os nossos recursos doravante deverão facilitar o serviço da paz e do bem.

Que todos os favoritismos se destinarão ao próximo.

Que nossas responsabilidades serão perante as Leis eternas, que o nosso recém “Descoberto” disse “não vir destruir.”

E que nossos deveres serão junto àqueles que priorizava: pequenos, doentes, diferentes, possuídos, lunáticos, debilitados, coxos, cegos…

Nem privilégios, nem favoritismos pessoais; mas deveres e benefícios coletivos.

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É como “cairmos do cavalo”: o clarão da responsabilidade (como ocorreu a Saulo) será tanto, que cegaremos aos prazeres fugidios.

E depois desse encontro, as dificuldades estarão só iniciando. Ou, quanto mais verdadeiro for, maiores os obstáculos pela frente.

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 112 Que farei? 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

“‘Sois a luz do mundo’, exorta-nos o Mestre e a luz não argumenta, mas sim esclarece e socorre, ajuda e ilumina.” (Emmanuel).

“Busquemos o Senhor, oferecendo aos outros o melhor de nós mesmos.” (Emmanuel).

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Quando o Mestre pediu aos seus que fossem “Luz do Mundo”, sabia da capacidade de cada um:

Homens toscos, heterogêneos; também suas luzes assim eram.

Entretanto, sabemos que ao final do século I d.C., cada qual se houve muito bem na missão delegada:

Faróis ou candeias iluminaram aos gentios oferecendo-lhes o melhor de si, fortalecidos pela Luz Maior do Santo Espírito.

Tal missão, não foi dada somente aos discípulos, mas a todos nós de todos os tempos.

A busca desse Senhor das Luzes supõe gestarmos o ‘óleo’ de nossa candeia ou a força de nossa usina a favor dos outros.

Nesse mister, como os apóstolos, importará iluminarmos.  Candeias ou faróis? Tanto faz! O potencial é o de menos!

Há caminheiros, navegantes, que precisam de muita luz; outros de pouca: portanto nosso serviço de alumiar nunca será descartado.

Não argumentando, então, iremos socorrer esclarecendo e ajudar iluminando. Desde que desejemos ser Luz, nossa potência em ‘watts’ será irrelevante!

Conectar-nos ao todo (a tudo e todos) é nos plugarmos à Fonte; capacitar-nos à transmissão de Luz e Força.

Faróis ou candeias, em tempos prósperos ou de negritude, clarearam caminhos, varreram sombras, salvaram vidas.

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O Sol não tem mesmo potencial nos diversos rincões do Planeta; mas a gratidão dos povos por ele sempre é igual!

E a Lua? Não se mostra mais clara quando a escuridão é maior?

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 105, Sois a luz; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

light_over_cross_2Todos quantos optam pela cruz estão sujeitos a escárnios: zombarias, desdém, menosprezos, 33anos, da manjedoura ao Gólgota, essa a encarnação missionária de Jesus.

Nada foi fácil no caminho do “Modelo e Guia que Deus tem nos dado para todos os tempos”:

Inicialmente, imaginemos José e Maria à procura de uma ‘maternidade’: a Mãe prestes a dar à luz e sem hospital; quantos nãos hão recebido! É possível que uma parteira da localidade de Belém haja feito o parto do Menino e todo o cenário obstetrício, fosse composto por animais, pastores e objetos campestres. Embora cheio de significados, o panorama era de pobreza absoluta.

Excluindo-se, aos 12 anos, o ensino aos doutores da lei no templo, o mais absoluto anonimato e simplicidade até os trinta anos.

Das tentações no deserto, por espíritos ainda muito inferiores, ao Gólgota, as dificuldades no confronto com os fariseus e doutores da lei, que sempre o expunham ao ridículo. Ardilosos, desejavam vê-lo em contradição e eliminá-lo precocemente.

Todos os escárnios estavam dentro de um planejamento; jamais o Messias se subtrairia deles! Realiza em apenas três anos suas ações e seus recados, pois quem sabe fazer o faz bem feito e rápido…

O desfecho, no entanto, será cruel demais: o sacrifício da cruz, reservado a ladrões, malfeitores e traidores: o que roubara? Que mal fizera? A quem traíra?

“Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo!” escarneciam os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos. “Confiou em Deus; Deus o livre agora!… Ele chama por Elias; deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo!” (Mateus, XXVII, 41 a 49). Seriam estas as derradeiras zombarias oferecidas a quem ensinara, amara e curara…

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… Era o Príncipe da Paz e achava-se vencido pela guerra dos interesses inferiores. Era o Salvador e não se salvara. Era o Justo e padecia a suprema injustiça…

Todos os que desejamos fazer costado ao Mestre, não nos furtemos da cruz. Muitos nos olharão de soslaio e seremos incompreendidos até dentro de nossa casa. Porque ainda muito imperfeitos outros contestarão nossos atos, pois ainda não condizentes com nossa mensagem.

Confiemos; pois historicamente, e a começar pelos doze, que tinham também suas naturais dificuldades, nada foi fácil na vida de quantos desejaram ser tais quais Cirineus…

“Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo!” Teria sido este, o maior paradoxo do poder? Para nossa reflexão!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 45, Somente assim, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

TERCEIRIZACAOSob o apanágio de não ter vindo para os sadios, mas para os doentes, Jesus costumava dizer que “não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos.” (Lucas, 5 :31). Dessa forma o Divino Médico curava leprosos, expulsava demônios, estancava sangramentos, levantava pecadores, resolvia EQM (experiências de quase morte de Lázaro e do filho da viúva de Naim)… Em fim, envolvia-se com os que realmente precisavam: os doentes do corpo e do Espírito.

Quando esse Doutor amoroso retorna, então, à Pátria espiritual, todo esse povo doente ficaria à deriva das curas? Absolutamente! Se Jesus operava preferencialmente na Galiléia (e raramente transpunha os limites da Judéia), por ocasião de sua partida e durante os quarenta dias que com os apóstolos permanece, em Espírito, fortalece-os com o Santo Espírito, de forma a permitir que após sua partida definitiva, seus apóstolos e outros discípulos como Maria sua mãe, Maria de Magdala, Paulo, Estevão, Lucas, Marcos, se lancem aos gentios (fora dos limites da Judéia), ocupando-se de curas físicas, mas principalmente as relacionadas às almas.

E hoje, quando não mais Ele nem os discípulos estão mais por aí, o que acontece? Como se faz? A inspiração aos homens de boa vontade não sofre solução de continuidade: Digamos que todos esses serão utilizados pelo Cristo como que terceirizados para realizarem o que Cristo e os apóstolos faziam como co-criadores do Pai, operando cada um com maior ou menor potencial:

Dessa forma, o Mestre convoca-nos – a todos – como ‘mão de obra’ terceirizada e em Espírito inspira-nos a que continuemos realizando curas e pequenos ‘milagres’ sob os mais diversos aspectos: os que já possuímos certa luminosidade, que partilhemos a mancheias nossa luz; e que importa seja ela fraquinha caso fraquinha sejam suas necessidades? Que nossa palavra esclarecida esclareça aos ainda não aclarados. Os que já conseguiram entesourar a humildade, que sejam exemplo prático aos orgulhosos. Que os já bons, sejam influência aos ainda maus. Que os já detentores da ciência da paz, pacifiquem os desesperançados. Que a caridade e a alegria sejam estimuladas, enaltecidas e alastradas tal qual uma corrente do bem, saneando as tristezas de um Orbe ainda desequilibrado. E que os menos ajustados ao serviço gozem de nosso total respeito e compreensão, entendendo ser tal situação o seu exato tempo.

Imaginarmos que as dificuldades do próximo serão sempre maiores que as nossas, sempre será a maneira de mantermos o bom ânimo no serviço terceirizado a favor do próximo, do Cristo, do Universo do Pai, mas, sobretudo a favor de nossa evolução.

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O Planeta nunca ficou e não ficará órfão de seu Governador: Ele apenas necessita delegar-nos – terceirizar – certas operações, cirurgias curativos, ‘milagres’… que fazia e que agora, sob sua inspiração, ficam por nossa conta.

Nas lides Crísticas, ganha o próximo; os maiores beneficiados, entretanto, somos nós próprios.

Deus, o Empregador; Jesus gerencia-nos; nós os terceirizados; e a obra: pequenos milagres, todos ‘cúmplices’ do amor.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 28 Alguma coisa, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

1314232254[Há] diferença entre crer em Deus e fazer-lhe a sublime vontade (…). O único sinal que te revelará a condição mais nobre estará impresso na ação que desenvolveres na vida.

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Os grandes gênios do bem creram muito e serviram muito; os grandes gênios do mal, também creram, alguns até muito, mas nada serviram…

E servir, aqui, significa servir aos desígnios do Eterno ou os que co-criam numa escala menor e adequada à sua evolução. Há os que nenhuma contribuição dão à Divindade em sua criação continuada.

Mas o que significa servir aos desígnios do Eterno? Como cidadãos ainda imperfeitos temos tal possibilidade? Jesus, o Cristo, o Governador Planetário, não só afirmou que sim, mas convocou-nos a essa tarefa através das expressões:

“A messe é grande, mas poucos os ceifeiros”; “vem e segue-me!” “Pedro, apascenta as minhas ovelhas!” “Ide e pregai!” “Eis que vos mando…” “Resplandeça a vossa Luz!”

Não teria feito tais convocações se não nos quisesse como servidores aos desígnios do Pai.

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Indivíduos, em todas as épocas, mesmo não se dizendo ateus, crentes, pois, em muito pouco contribuíram com os desígnios divinos…

… Entretanto, todos os que se dispuseram a essa contribuição, não só creram, como serviram.

Emmanuel, ainda em outra citação – que ouvimos em algum lugar – nos perguntará: “Sabes?” “E fazes?”

Acreditamos mais nos ininteligentes e incrédulos que já servem do que nos inteligentes e crentes que ainda não servem…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 20 Diferença, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Cassino, verão de 2016).

maxresdefault“Podereis identificar a missão da alma pelos atos e palavras, na exemplificação e no ensino da tarefa que foi chamada a cumprir (…) [deixando] em todos os seus passos o luminoso selo do bem.” (Emmanuel).

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Já dissemos aqui, reproduzindo palavras do Benfeitor Hammed, que o indivíduo que deixar de lado o “ser religioso” – seu credo, religião, filosofia – e desenvolver o “ser religiosidade” – na crença e na aplicação da Boa Nova do Mestre –, estará apto a ingressar num Planeta Regenerado e ser incluído na fraternidade, a “religião do futuro”.

Mas indivíduos que já agem dessa forma, passarão por este Planeta imunes a provas no trabalho a realizar? Imunes a provas não, pois experimentam, como todos, um corpo de carne não imune à dor. Mas totalmente à deriva de expiações porque muito pouco ou nada têm a expiar.

Tomemos como exemplo aquele que instaurou a Boa Nova: A quantos sofrimentos – provas – seu corpo de carne foi submetido! Desde o nascimento humilde na estrebaria, passando pelas necessidades físicas da encarnação e culminando com a ignomínia da cruz; todavia seu Espírito estava preparado para a missão que o Onipotente lhe reservara.

Tanto estava que implantou, através da palavra e, sobretudo dos atos, durante trinta e três anos, o melhor modelo de fraternidade, possibilitando aos homens deste Planeta atingirem a categoria dos regenerados. Foram muitas suas atitudes! Algumas:

  • “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” – aparentemente um despropósito, mas considerada a expressão como semente do amor universal, fraternidade ou regeneração;
  • “Perdoai não sete, mas setenta vezes sete vezes.” – A rota do perdão ilimitado, indispensável para a fraternidade;
  • “Fazei aos outros tudo o que desejardes vos façam.” – Regra de ouro, ética da reciprocidade, solidariedade ou o caminho do amor universal;
  • “Mulher, onde estão os que te condenaram; não os vejo aqui! Nem eu te condeno, porém vai e não peques mais.” – A compaixão vista como o caminho para o perdão sem afrouxar a reparação; e
  • “Pai, perdoa-lhes; eles não sabem o que fazem!” – Jesus, com o corpo físico dilacerado, mas ciente de sua missão ao mostrar a face elegante do missionário.

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Fraternidade e regeneração se nos apresentam como uma meta. Já que fraternidade pressupõe parceria ou cooperação, não a construiremos sozinhos. Nas lutas do dia a dia, vencendo nossas más inclinações, iremos alcançando etapas, pois que também metas são atingidas através de jornadas.

A todos que queiramos ingressar na “religião do futuro”, tenhamos em Jesus o “guia e modelo mais perfeito”, que plantou lá atrás todas as sementes da fraternidade, que irá germinar, crescer e dar frutos somente três milênios após…

Se o próprio Mestre mostra-se paciencioso na colheita dos frutos da regeneração; se espera que ela se realize através dos milênios, por que nós homens ainda equivocados desejaremos pular etapas necessárias, expiatórias e regeneradoras?

(Sintonia: 1. Questão 343 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB e 2. Cap. Afetividade de Os prazeres da alma, ditado por Hammed a Francisco do Espírito Santo Neto, 4ª edição da Boa Nova Editora) – (Primavera de 2015).

Jesus_Akiane_KramarikTeve Jesus uma esposa? E filhos? Outros irmãos? Possuía Jesus olhos escuros ou claros? Seus cabelo e barba, como eram? Tinha posses materiais? Quem era a alma gêmea de Jesus Cristo?

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Emmanuel nos dirá hoje, com superior assertividade, que não julgamos acertado trazer a figura do Cristo para condicioná-la aos meios humanos, num paralelismo injustificável [pois] nele cessaram todos os processos (…) representando para nós outros a síntese do amor divino

Somente quem ainda não consegue ver em Jesus o “Guia e Modelo que Deus nos tem dado em todos os tempos” se engajará no profanismo às características sagradas do Mestre.

Já dissemos aqui que almas gêmeas serão sempre as sagradas ferramentas ou alavancas que disporão as almas que estão na estrada da evolução realizando exaustivos ensaios visando atingirem o topo da montanha…

… E este não era o caso de Jesus de Nazaré, pois quando chega a seu corpo físico (a um biótipo incerto, não sabido e também irrelevante), seu Espírito já atingira o topo da Perfeição ou nele [já haviam cessado] todos os processos, sendo aqui o paralelismo aos meios humanos injustificáveis.

Deus em sua onipotente sapiência, e em se verificando a qualidade de sua missão, não prescindiria de tais requisitos ao Espírito de Jesus.

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Quanto à sua figura ou aspecto humano – biótipo, casta, requisitos sociais, estado civil… todos estes seriam secundários perante à necessidade de Deus que fosse a síntese do amor divino.

Examinado alguns “trabalhadores da última hora”, ícones não só da doutrina como de outros credos, – e houve inúmeros celibatários – perceberemos que tais Espíritos já não precisaram – não na última encarnação – da ferramenta de auxílio alma gêmea. Precisaram em outras? Certamente! Mas nesta vieram já muito próximos do amor divino ou universal…

(Imagem: Jesus de Akiane Kramarik, exibido no filme O céu existe mesmo. Sintonia com a questão 327 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Inverno de 2015).

1770163345_1364647994Em pleno Sahel africano – faixa horizontal que delimita o final do deserto do Saara e as savanas do centro do continente – localiza-se a República semi-presidencialista Burkina Faso, oeste africano e ainda na parte mais árida da faixa. Nesse país de pouca relevância, vive Yacouba Sawadogo, negro, muçulmano, de idade não revelada e fazendeiro humilde.

Observador do clima de sua região, Yacouba percebeu que lá chovia apenas numa época do ano e que entre as décadas de setenta e oitenta do século passado a estiagem se acentuou. Inconformado com a situação, o fazendeiro, que aparenta ter hoje mais de setenta anos, resolveu aplicar nos trinta hectares de sua fazenda a técnica zaï, de seus antigos ancestrais:

Antes das chuvas previstas por suas observações, Yacouba fez à picareta no solo árido e endurecido, – pois enxada não lhe entrava – inúmeras covas como se fosse para plantar mudas de árvores. Deitou nelas farta compostagem à base do estrume abundante na área, sementes trazidas de árvores distantes e tomou como seus aliados cupinzeiros muito comuns na região os quais estabeleceram verdadeiras galerias entre as covas. Realizou, ainda, pequenas comportas de pedras – diques – para que a chuva esperada escoasse mais lentamente. Feito o preparo, agora Yacouba esperaria as chuvas…

E as chuvas vieram, inundaram o Sahel e ficaram retidas nas covas. As primeiras sementes germinaram e encontraram calor e umidade. Mas Yacouba não venceria o deserto apenas no primeiro ano: Foram necessários trinta e cinco anos para que seus trinta hectares se transformassem numa reserva verde com mais de sessenta espécies de árvores de sementes nativas.

Outras culturas vieram: sorgo e milho; e alimentaram o povo; e o Yacouba ‘louco’ e ‘burro’ – assim era chamado no início – já era o Yacouba salvador, gênio, artista; o missionário de hoje!

Yacouba, não se intitulando dono da técnica zaï, instala nas fazendas próximas workshops – oficinas – visando se alastrarem suas idéias. Mais recentemente, Yacouba seria convidado por Barack Obama para apresentar-se em Washington e discursar sobre suas iniciativas; também participaria como palestrante a respeito de seus empreendimentos em conferência realizada na Coréia do Sul1

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Na orientação do Benfeitor Emmanuel, arte significa “a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse ‘mais além’ que polariza – concentra – as esperanças da alma.”2 e ainda que “os artistas, como os chamados sábios do mundo, podem enveredar, igualmente, pelas [paralisias] do convencionalismo terrestre, quando nos seus corações não palpite a chama dos ideais divinos, mas, na maioria das vezes, têm sido grandes missionários das idéias, sob a égide do Senhor, em todos os departamentos das atividades que lhes é própria, como a literatura, a música, a pintura, a plástica.”3

Verifiquemos que na personalidade em estudo não estamos vendo o artista em atividades da literatura, música, pintura, ou da plástica, mas um indivíduo focado numa responsabilidade primária que chamou para si, a fim de contornar uma calamidade e, ao invés de ficar paralisado, como os demais de seu povo, desejou tornar-se o missionário das idéias, exatamente dentro de um potencial evolutivo que já possui.

Continuará Emmanuel: “Sempre que a sua arte se desvencilha dos interesses do mundo, transitórios e perecíveis, para considerar tão somente a luz espiritual (…) então o artista é um dos mais devotados missionários de Deus…”4 Se ‘inevitáveis serão os escândalos, mas ai do que causá-los’, inevitáveis e instrutivas também serão as catástrofes e calamidades e, por sua vez, venturosos e graciosos os missionários que, envolvidos na luz espiritual do Governador Jesus, para essas calamidades apresentarem soluções.

Jesus, em todas as épocas, desde a formação do Orbe, até os tempos presentes, sempre esteve a inspirar os antigos e novos profetas. Ao escolher ‘os seus’, não fez distinção entre o humilde pescador e o coletor de impostos. Como não o fez ‘encarnado’, o que importa a esse Administrador não será as aparências do artista, missionário ou profeta – se branco, negro, muçulmano, cristão, padre, com túnica, de paletó e gravata… Importa a este Zeloso, o desinteresse do eleito, sua abnegação, amor à causa, vontade de solucionar previstos e imprevistos.

Tais missionários, mormente os novos profetas, poderão estar ‘disfarçados’ de fazendeiros, muçulmanos, padres, madres, reverendos, escriturários, bandeirantes, médicos, sob solidéus… Há um propósito convicto do Mestre e títulos, rótulos ou designações serão irrelevantes, haja vista o personagem a que hora nos reportamos e mais tantos outros como São João Bosco, madre Tereza e irmã Dulce, Martin Luther King Jr., Francisco Cândido Xavier, Cairbar Schutel, Bezerra de Menezes, Divaldo Pereira Franco, Jorge Mário Bergoglio…

Não somos profissionais religiosos; professamos confissões diferentes! Entretanto, todo aquele que ‘professar Cristo’, independente da cor de sua batina, paramento, ritual, cor, casta, credo, corrente… fará parte da religiosidade futura que se chamará fraternidade. Caridade e fraternidade são os grandes imunizantes contra o orgulho que teima em nos aniquilar e imobilizar-nos as tarefas. Enquanto que a fraternidade é o conveniente consórcio de talentos a serviço de uma comunidade, a caridade é nossa quota de retribuição aos consorciados, mormente aos menos aquinhoados de possibilidades materiais, morais e intelectuais.

Nossas fala, escrita, ações e trabalhos, só terão validade quando se aproximarem ao máximo de decorrente vivência. A profissão religiosa é irrelevante e não representa nenhum empecilho se a intenção for a de servir constantemente. Ou André Luiz não teria, costumeiramente, um padre em sua equipe de socorro espiritual às regiões dos mais necessitados! Ou Yacouba seria estigmatizado não por ser negro, mas por ser muçulmano, estes tão execrados na história dos nossos dias.

Nossas iguarias, lar, bem estar, inteligência, autoridade… estão todos ancorados por confrades dedicados que diuturnamente por nós se devotam. Todo retorno em forma de caridade e bem querença a eles retribuídos, nos vacinará contra o egoísmo e homologará nossas sociedades verdadeiras. Quando as aldeias vizinhas de Yacouba se deram de conta que o missionário estava no caminho certo e obstinado às melhores intenções possíveis, ou quando deixaram de taxá-lo de louco, a ele se uniram e, dentro de sua técnica, passaram a plantar mais, a colher mais e a terem alimento mais farto. Porque o missionário, aquele banhado pela luz espiritual de seu Governador também é um influenciador em potencial; também é o grande agente de contágio do bem.

Quando Emmanuel nos dá o significado de artista, nos perguntamos como os vemos, em nosso meio, no dia a dia e se os vemos? Poderão ser todos aqueles que, reconhecendo o exato potencial de suas habilidades, – nem mais, nem menos – as desenvolvem dentro também de uma luz espiritual, ou realizam o mais além para que, na forma de serviço, promovam soluções, reflexões, instruções, consolações… todas essas ao nosso alcance em maior ou menor escala!

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“Se você ficar em seu próprio cantinho, todo o seu conhecimento não tem qualquer utilidade para a humanidade”, diria em sua simplicidade Yacouba Sawadogo, ao demonstrar consciência de sua responsabilidade e dando-nos a entender que ele, fugindo ao convencionalismo terrestre, e embora sem a pretensão de ser o grande missionário das idéias, não desejou nunca desertar da responsabilidade de, exatamente dentro de seu patamar evolutivo, colaborar com as soluções que estiveram ao seu alcance e façam já parte de seu acervo de artista, missionário e profeta.

Arte é aquilo que fica: Passam-se anos, séculos e a boa música será executada; a tela e seu pintor serão cobiçados; o poeta será recitado; o ator será aclamado; o pesquisador será reconhecido; o servidor será imortalizado; profecias e profetas ecoarão; e o missionário será venerado…

“Yacouba sozinho teve mais impacto no combate à desertificação do que todos os recursos nacionais e internacionais combinados.” (Dr. Chris Reij, Vrije University of Amsterdam).

Bibliografia:

1. Baseado no documentário de Mark Dodd (2010), O homem que parou o deserto;

2. Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, O Consolador, questão 161, 29ª edição da FEB; e

3 e 4. Idem, questão 162 – (Outono de 2015).

Pub RIE Jul/2015

Com o braço leve sobre meu ombro, o Divino Mestre me mostrou o flash back de um filme que jamais fora rodado, mas que ficou registrado por poetas toscos em linguagem muito estranha sobre pergaminhos rudes.

Conduziu-me através da invernada dos fundos de suas alegorias e me mostrou o imenso zelo do Pai traduzido no resgate da ovelhinha tresmalhada que se perdera na pradaria larga. Convocou-me para, juntamente com o pastor, reintroduzir pela porta estreita do aprisco a ovelha caidinha, reincorporando-a às outras noventa e nove.

Como ainda me restavam dúvidas sobre meu “semelhante mais assemelhado”, mostrou-me imagens das estradas poeirentas que conduziam a Jericó e a ação do Samaritano no socorro ao pobre homem assaltado e me recomendou, carinhosamente, que a porta mais estreita – e a única – é aquela que me “aproxima do próximo”… E o próximo ali estava!

Na porta principal do templo de Jerusalém, – larga, por sinal – apontou-me o publicano minúsculo, esmagado pela dor, porém elevado em arrependimento que batia no peito e dizia Senhor, Senhor, tem piedade de mim que sou um pobre pecador… Não perdeu a chance de me observar: Filho, a humanidade domará, sempre, a porta larga do orgulho e todos os seus asseclas; importante é te tornares pequeno e quanto menor fores com mais facilidade esgueirar-te-ás pelas frestas da porta estreita.

Saímos do templo e com seu esquálido dedo apontou-me o velho sicômoro que ainda ali estava onde Zaqueu, também pequenino se instalara para melhor observá-lo. Confidenciou-me que naquela ocasião o desejo e a ânsia do coletor O comoveram e que ali estava a fórmula de bem atingir a escassa porta. Pensativo eu me dava conta que meu Querido Amigo gostava das coisas simples e apreciava os homens pequenos.

Ainda nas ruas de Jerusalém, não a cosmopolita de hoje, mas a de vielas acanhadas de ontem, chamou-me a atenção para o alvoroço que emoldurava o estigma, a maledicência e a incompreensão; humildemente pediu-me ajuda para erguer a adúltera, concitando-a não só a mais não pecar, mas a erguer-se de entre as pedras da porta larga. Mostrava-lhe e a mim, dessa forma, que o pecado ou a má vida, porque transitórios, jamais estabeleceriam uma identidade, mas que a compreensão, a tolerância, a condescendência e a compaixão, porque incontestáveis, poderiam estabelecê-la.

Envolvidos por grande luz, – não a de Paris, que em meados do século XIX era escura – mas a do clarão das idéias, me conduziu à rua onde um digno professor que não tinha tempo para uma vida contemplativa, mas com o corpo físico já desgastado pelo trabalho, acabara de escrever uma máxima que simplificaria o simples que já houvera Ele mesmo simplificado: “Fora da caridade não há salvação…” A mais estreita de todas as estreitas portas!

Mas meu Amigo não se deteve por aí… Na imensidão da maior praia do garrão de um País Continente e Pátria do Evangelho, com as sandálias afundadas na areia branca e os olhos castanhos perdidos na imensidão do mar, disse-me que apesar de ali estar todo o glamour de uma porta larga, a porta estreita poderia estar do outro lado e apontava – com o esquálido dedo – para o casario que se estendia do outro lado das dunas…

A porta estreita, meu filho, – dizia enquanto desligava a fita do tempo – está aí muito dentro do peito de cada um. Em cada coração de cada filho há um manancial de água pura, há uma carga energética, há uma fonte interminável…

Com um profundo abraço e exortando-me à Porta Estreita do Bem, meu amigo se despediu e todos estes e outros flash back se interromperam. Daí por diante, o filme de minha vida retomava o curso normal. Normal? Como poderia sê-lo, depois de tantos “recados”?

(Verão de 2012) – Pub em O Clarim, Nov/2013.