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57eytjnq“… Será só com o dinheiro que se pode secar lágrimas e dever-se-á ficar inativo, desde que se não
[o] tenha? Todo aquele de sinceramente deseja ser útil a seus irmãos, mil ocasiões encontrará de realizar o seu desejo.” (ESE, XIII, 6).

“Não perguntes ‘quem sou eu?’ nem digas ‘nada valho!’ Honremos o serviço que invariavelmente nos honra (…) mesmo quando se expresse através de ocupação supostamente esquecida na retaguarda.”(Emmanuel).

* * *

O Mestre Jesus, na ilustração de sua missão redentora, nos deixou os mais edificantes contos – parábolas, alegorias, sermões. Muitos deles nos convidam a ficarmos longe dos holofotes:

  • A viúva pobre colocaria na caixa de ofertas ‘as’ duas moedas que possuía; a maior parte ou tudo que tinha para seu sustento. Realiza tal oferenda no anonimato de seu templo interior;
  • O bom samaritano se compadeceu, atendeu e serviu nada cobrando moral ou materialmente ao assistido. Ao hospedeiro não fanfarreou; pagou toda a despesa de seu anônimo amigo e seguiu adiante;
  • “Senhor eu não sou digno que entreis em minha casa, mas dizei uma só palavra e meu servo será curado” dir-lhe-ia em sua humildade o centurião romano, acostumado a duras lides perante mais de cem soldados;
  • “Não saiba a vossa mão esquerda o que doa a vossa direita”, elegendo o anonimato como principal característica da generosidade;
  • “Senhor, Senhor, tem piedade de mim que sou pobre pecador”, diria o publicano que no último banco do templo se penitenciava perante seus equívocos. Reconhecer-nos pequenos nos torna gigantes na Obra de Deus; e
  • O lava pés, o arrependimento do filho pródigo, a alegria de Zaqueu, a boa administração dos talentos, a resignação do pobre Lázaro, o pequeno grão de mostarda, a luz sobre o alqueire… são todas exortações à humildade, ao serviço ou repatriamento ao bem.

O serviço que realizamos, por ínfimo que seja, poderá ser o que falta para completarmos um todo. Vivemos num Planeta que clama por uma Regeneração e esta só se fará com o concurso de todos. Colocarmo-nos na posição de ‘quem sou eu?’ ou ‘nada valho!’, não ajudará muito.

A atual situação do Planeta é de dependência: Para que o mosaico da fraternidade se complete, peças menores, médias ou maiores serão necessárias. Não existem generosidades pequenas ou grandes; existem generosidades.

Serviços realizados à retaguarda, longe dos holofotes, são os que sustentam as grandes obras, assim como os degraus inferiores de uma escada servem de sustentáculo aos superiores.

(Sintonia: Cap. Deveres humildes, pg. 100, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Inverno muito frio de 2014).

Pavao_Azul_Pavo_cristatus_Fazenda_Visconde_4 (1)São muito temerárias as expressões: ‘Fulano saiu-se muito melhor que beltrano’; ‘tal indivíduo é o melhor da classe’; ‘a equipe A levou enorme vantagem sobre a B’…

Num Planeta que depende de parcerias para seu progresso, promoção ou redenção o sentido de equipe é prioridade e as individualidades que a compõem possuem utilidades diferenciadas, cumprem deveres diferentes, incumbências diversas, mas todas interdependentes. A média da classe ou da equipe muitas vezes depende de trabalhos anônimos, realizados sem alarde e por pessoas consideradas de menor capacidade dentro do grupo.

Considere-se que resultados obedecem a uma relatividade: A galinha polaca – aquela do pescoço pelado – será feia se comparada ao galo mais vistoso do terreiro; mas também o mesmo galo passará despercebido se colocado no ambiente em que estiver um pavão bem colorido…

Individualidade por si só já ‘mata a charada’, pois representa a singularidade do degrau de cada indivíduo, estágio único de evolução, capacidade diferente de executar tarefas, talento só dele ao desempenhar a missão.

Por que, então desconsiderar os feitos menores de indivíduos ainda menos capacitados? Não são esses feitos que ‘completarão’ o todo de uma tarefa?

Ninguém, portanto, é inútil, ou a utilidade em qualquer grau do indivíduo, desde que despretensiosa, sempre será de utilidade ao grupo.

“Será exaltado”, no dizer de Jesus, “aquele que a si mesmo se humilhar” (Lucas 14:11). E aqui o “se humilhar” não significa se menosprezar ou se achar incompetente pela humildade da tarefa, mas aquele que de forma nenhuma se pavoneia, qualquer seja a importância de sua missão.

“Pequeno como uma criança” é parâmetro, bitola ou molde de todos aqueles que se candidatam a construir o Reino dos Céus…

… Aliás, essa a receita para “ser o maior Nesse Reino”; ou, despretensiosos, será o título que lhes será mais adequado!

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“O homem bom tira boas coisas do bom tesouro de seu coração…” (Mateus 12:35). Ou, independente do tamanho ou quantidade dessas boas coisas, colocá-las, silenciosamente, à disposição do grupo será fundamental!

O rio generosamente fornece a água; o motor levanta essa água; esta é conduzida pelos dutos até os tanques; alguém a trata; canos menores a conduzirá até o consumidor; e ela só chegará a este se aberta a torneira… Ah! Precisará de um copo!

(Sintonia: Cap. Ninguém é inútil pg. 56 do Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono de 2014).

Sempre que se fala em educador, se tem a nítida compreensão da pessoa unicamente responsável pela formação de pessoas… Há controvérsias!

“Do latim ‘educare’, que significa auxiliar, conduzir, possibilitar”, educar significa colaborar com aquele que está querendo ‘se’ educar.

Da mesma forma que Orientadores Espirituais tentam mostrar o melhor caminho moral, o caminho quem percorre é ‘cada um’; e ‘sozinho e Deus!’

Cabe no assunto dizer que um palestrante, expositor, escritor… Não deverá ter a pretensão que sua oratória atinja multidões. Muito pelo contrário, se atingir meia dúzia de ‘ovelhas’, estará excelente; também, se atingir uma só, o objetivo estará cumprido.

Ninguém salva almas, mas almas ‘se’ salvam. No máximo são auxiliadas a se salvarem!

Educadores, escritores, palestrantes, expositores – influenciadores em potencial -, deverão, junto ao âmago de sua sinceridade e humildade, esboçar o que desejarão para sua atividade: Se contribuir, colaborar, conduzir, influir, possibilitar ou se, e tão somente… ‘Cartaz’!

Se este último, estará totalmente na contramão de ‘educare’…

Há flores que crescem em penhascos inatingíveis. E porque ninguém as admira, deixam de ser exuberantes? Precisam elas de ‘cartaz’?

“Faça aquilo que há de melhor em você e entregue o produto de seu trabalho nas mãos d’Aquele que sabe o que fazer com o resultado”.

 (Sintonia e expressões em itálico são do capítulo Presunção, pg. 61 de Conviver e melhorar de Francisco do Espírito Santo Neto/Lourdes Catherine, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012; calorzinho prá bermudas!).