Posts Tagged ‘Natureza’

“Depois da tempestade que arranca raízes, mutila árvores, destrói ninhos e enlameia estradas, a sementeira reaparece, o tronco deita [brotos] novos, as aves refazem os lares suspensos e o caminho se coroa de sol.” (Emmanuel).

* * *

Por mais desanimados que estejamos, impossível não nos contentarmos com a assertiva do Benfeitor acima enunciada.

Após a tormenta, – a causa – que assusta e espanta, uma série de benfeitorias acontece no habitat: são os efeitos!

Já vimos pássaros se lamuriarem pela destruição de seus ninhos? Mas já os vimos em contentamento reconstruindo-os!

E a lama que toma conta das culturas, por ventura as enfraquece? Conta-nos a história que as cheias sempre fertilizaram as arenosas margens do Nilo.

Após dormência e geadas de quatro meses, as gemas de plátanos, álamos e videiras estão prontos para deitar novos brotos.

Após a lama e a erosão da estrada, e os sulcos serem retificados pela máquina, os caminhos se coroam de sol.

Desde que a terra esteja semeada durante a estiagem, a chuva bendita dos Céus lhe acolherá a prenhez.

São Tormentas e contentamentos! “Regozijai-vos sempre”, exortaria o Apóstolo aos gentios de Tessalônica, apesar da tormenta de preocupações que experienciava.

* * *

E o homem? Este herói da inteligência, ainda não conseguiu aprender – não neste Planeta – a resiliência das coisas e seres menores que lhe fazem moldura.

Mas, por “força mesmo das coisas” ele, como causa, efeito e gestor de seu ‘gemor’ e dor assemelhar-se-á àqueles que lhe foram colocados à disposição como colaboradores.

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 102, Regozigemo-nos sempre; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

escolha-mi_1351162165018

Numa língua em que uma palavra poderá ter mais de um significado, será apropriado emitir aqui alguns conceitos necessários ao estudo: Natureza (1) – Constituição ou essência das coisas; índole, temperamento, caráter. Natureza (2) – O Planeta em seu estado natural ou a parte dele que ainda não foi tomada pelos aglomerados urbanos. Estado natural – É o estado primitivo. (Questão 776 de O Livro dos Espíritos). Lei Natural – Contribui para o progresso da Humanidade (Idem)…

* * *

Dessa forma, reformulo aqui a enunciada questão: O estado natural e a Lei Natural não são a mesma coisa: O estado natural é o estado primitivo. A civilização é incompatível com o estado natural, enquanto que a lei natural contribui para o progresso da humanidade.

Posso dizer, então, que os seres se posicionam todos dentro de uma grande moldura que é a Natureza ou Mãe Natureza, mas cada um com sua natureza – essência, índole, temperamento, caráter – própria e determinada, qual mestra sábia e dedicada, a ensinar e desejar dividir com todos os lucros de suas características…

Toda a diversidade dos seres, com características ou natureza própria, cada um dentro de um determinado reino, e perfeitamente harmônica, estará compartilhando ensinamentos de uma forma tão explícita que deduções, suposições e apreciações não poderiam fazê-lo:10_curiosidades_del_ornitorrinco_shsc-10

  • Rios e mares; praias e mangues; campinas e montanhas; solos áridos, úmidos, alagadiços, nevados; águas correntes ou paradas; árvores frutíferas ou não, espinheiros, caatingas, matas, selvas; espigas de milho com a arquitetura de Niemayer e o amarelo vibrante de Van Gogh; Flores de matizes e formas diferentes… não perderão os encantos de sua natural diversidade, atividade e utilidade por se apresentarem sob características tão diversas;
  • Aves que se alimentam de frutas, outras de grãos, outras são de rapina; aves que põem e chocam, ora a fêmea, ora o macho os próprios ovos; aves que põem ovos, mas não os chocam; aves que põem seus ovos em ninho alheio; aves que são ‘fiéis’ ao companheiro e quando ‘traídas’ até morrem; répteis e quelônios que aproveitam as areias mornas para que seus ovos eclodam; mamíferos tão somente vegetarianos e outros totalmente carnívoros; raridades bizarras como o ornitorrinco, mamífero, semi-aquático, carnívoro e ovíparo… Enfim, animais de muitas espécies e naturezas diversas habitam este Planeta, muitos em seu habitat natural, outros em cativeiro e ainda, uma terceira situação, em que esses seres tentam retomar o habitat que lhes foi subtraído por conta do progresso ou mera ambição do homem; e
  • Ao indivíduo humano, criado simples e ignorante, mas perfectível, o Criador lhe põe à disposição dez Leis Naturais e um livre arbítrio que lhe confere a capacidade de, como a nenhum outro ser, administrar o seu avanço intelectual e moral. Perfectível deseja dizer exatamente isso, a gerência de seu progresso rumo à perfeição. Não poderá, portanto, o homem permanecer sempre em seu estado natural porque a civilização é incompatível com [esse estado] enquanto que a lei natural contribui para o progresso da humanidade e esse progresso pressupõe todos os avanços intelectuais e morais.mae_adotiva_animal041

Como único detentor de um livre arbítrio, diria de uma forma um tanto chula que este irá ‘ajudar’ ou ‘atrapalhar’ o homem. Do bom ou mau uso de sua liberdade os indivíduos forjarão as suas naturezas e caracteres. Serão bons, educados, cultos e morais configurando um indivíduo sábio; ou serão maus, com avanços intelectuais ou não, mas ainda amorais e de duvidosos costumes o que caracteriza estacionar ou abortar a presente encarnação.

Há ainda outras implicações estas sob o comando da Mãe Natureza: Uma carga genética poderá determinar a opção sexual de um determinado indivíduo: Neste caso, a Mestra Científica pedirá à abjeta intolerância que conceda espaço para que a compreensão se torne objeto de ensinamento para que conflitos e enigmas sejam esclarecidos. Indivíduos serão naturalistas e vegetarianos, outros carnívoros, conforme suas compleições e particularidades físicas o exigirem ou sua moralidade os orientar. Do entendimento ou não da natureza das coisas e de suas mensagens, os indivíduos estabelecerão uma maior ou menor conexão com a sua Divindade. Finalmente, e não poderia faltar, o homem ao satisfazer o orgulho e à toda a sua corte, e ainda sentado no trono de seu ego possivelmente não terá uma percepção sobre esses naturais ensinamentos; cego a esses sinais, cego à Divindade, cego à progressão.

* * *

A essência das coisas, inserida na moldura da Mãe Natureza, sempre será a Mestra dedicada a ensinar, esclarecer, guiar, surpreender e estimular a humanidade, através das Leis Naturais, a sair de um estado de natureza e embarcar no progresso projetado pelo Criador.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Compreensão, pag. 131 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

Há nas dunas de minha praia, duas espécies mais comuns de flores: Margaridas amarelas (fig. 1) e uma espécie de crisântemo (fig. 2). Por mais que tentasse, nunca vingaram em meu jardim. Com sementes extremamente leves, entretanto, se auto- semeiam generosamente pelas areias e terrenos baldios próximos.

“Dentes-de-leão (fig. 3 e 4), crescem em abundância, em todos os períodos do ano, ou em qualquer campo ou terreno… O vento dissemina suas sementes, talos de pelos brancos e sedosos, com muita facilidade”. Quem já não foi surpreendido com uma dessas? Quando guri, chamava-as de ‘visita’ e gostava de soprá-las…

Os sentimentos leves, cultivados no peito, são frutos da naturalidade e originalidade de cada um. Os ‘importados’, além de caros, são pesados…

Os leves, tais quais as sementes do dente-de-leão, são transportados pela generosidade dos ventos e irão germinar em terrenos adiante, promovendo a transformação do lugar através da leveza da paz…

Sentimentos escuros, rancorosos, pesados, não terão a ‘competência’ de produzir paz. Em uma decantação, a água pura eleva-se e a ressaca, pesada, ficará no fundo da vasilha.

Talvez a paz necessite de generosos sussurros, ao invés dos rompantes egoístas…

É muito possível que detalhes de minha singularidade, somados aos de meus semelhantes, possam ser úteis ao concurso da paz. 

Cada amanhecer novo, diferente de todos os demais, poderá trazer em sua claridade uma nova solução de paz, assim como cada anoitecer poderá matar raízes de velhas discórdias…

Todas aquelas ‘mudinhas’ de paz que desejo plantar em minha comunidade, são sementes que, antes de tudo, germinaram em minha intimidade.

Somente quando meu interior se transformar num ‘laboratório de paz’, minhas atitudes, gestos, palavras, poderão exteriorizá-la.

Se, naturalmente, flores exalam perfume, marés realizam altos e baixos, pássaros adéquam ninhos, fêmeas parem filhotes, ventos sopram de quadrantes diversos, também eu, se generoso for, terei a minha fórmula peculiar de promover a paz, espontaneamente e com leveza.

(Sintonia e expressões em itálico são do capítulo Exteriorizando a paz, pg. 77 de Conviver e melhorar de Francisco do Espírito Santo Neto/Lourdes Catherine, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012).

Quando Hammed – Espírito – me diz que “somos também Natureza; possuímos as estações da alegria, do entusiasmo, da moderação e do desânimo, assim como as da primavera, do verão, do outono e do inverno”, o amigo me consola e entendo que minha depressão – e a da humanidade – é natural e ‘tem jeito’…

Possuindo a Natureza diversidade, interdependência e reciclagem, a multiplicidade de elementos a reorganiza e reequilibra. Nela tudo está conectado com tudo.  Todo elemento liberado é reintroduzido no ambiente.

Se sou único, cada um do restante dos 7 bilhões de terráqueos também o são. Cada um, portanto, é ‘distinto’ e apto a, com suas peculiares faculdades, colaborar com as outras 6.999.999.999 almas. Dessa forma eu usufruo da diversidade dessa imensidão de talentos diferentes, compreendendo que nem todas são boas e nem todas são más. Como o reciclador eu precisarei me beneficiar do ‘aproveitável’ e ‘condescender’ ao que ‘ainda’ não me serve.

Meus dias não serão sempre ensolarados, com brisa mansa. Terei dias naturalmente sem sol e até com tufões.

Minha depressão – e a tua, meu querido amigo/a -, portanto, além de natural, ‘tem jeito’!

 (Expressões em itálico, subsídios e sintonia são do capítulo Depressão, pg. 191 de As dores da alma de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova. Os negritos são meus) – (Outono de 2012).

A aula do ESDE era sobre preocupação. A natureza é o melhor exemplo de despreocupação. Rodolfo, do alto de sua experiência lembrou à turma para não esquecer que o livre-arbítrio era domínio do hominal e jamais do mineral, vegetal ou animal…

Mateando hoje – 24 de março – na gostosa Av. Rio Grande, olhei as aves do céu em seu frenesi e me parei filosofando solito. Vejam no que deu:

  • As pessoas estavam apressadas; no máximo de duas em duas, conversavam pouco, não se saudavam. Algumas sussurravam ao celular… Outras, ansiosas, olhavam a muda tela do seu, realizando ocultas cobranças. Custou-me arrancar o sorriso do cidadão que passava de muletas. Mas todos possuíam seu livre-arbítrio!
  • No alto, o alarido era geral, ‘conversa’ animada; ‘papearam’ durante todas as duas horas que lá estive. Mas elas não possuem só o instinto?
  • Um pai passou com a filha, já saindo da adolescência; deveria ser universitária, daquelas que moram em nosso balneário. Foram comprar algo para a casa ou apartamento; parecia um cabide para cortina: Mas o pai é ‘quem’ carregava o artefato. Mas, pai e filha possuem o livre-arbítrio!
  • Olhei para cima e uma delas – que só possui o instinto – carregava no bico um graveto maior que ela própria. Meu livre arbítrio me permitiu fazer um paralelo com a moça que – também com seu livre-arbítrio –, se furtava de carregar o cabide.
  • O Cassinense mora em casas cercadas de grades ou em apartamentos. Ambos, o morador e os possíveis larápios se utilizam de seu livre-arbítrio para se proteger e para ‘trabalhar’.
  • Elas moram em colônias. No ninho bem grande e com várias portinhas há várias famílias. E há muitos ninhos! Protegem-se? Mas só têm o instinto!
  • As pessoas passavam com sacolas… No mercado adquiriram – fruto de seu trabalho -, mantimentos, víveres, ingredientes talvez para o almoço, afinal o livre-arbítrio lhos permitiu.
  • Elas, quem sabe, no horário apropriado atacariam algum milharal, ou plantação de gira-sol ou… Qualquer ‘quitute’ que o Pai do Céu lhes oportunizasse; e tudo rigorosamente atendendo a seus instintos.

É! O Rodolfo tinha razão: O livre-arbítrio é atributo do homem. Mas como o está usando?

Quanto a mim, rigorosamente dentro do meu – livre-arbítrio – liguei o carro e fui para casa procurar nos armários uma sardinha que desde o Globo Repórter de ontem estava com ‘desejo’ de comer.

O ensinamento e o alarido estridente das caturritas, entretanto, não me saíram da cabeça.

 (Nostalgia em um outono, 2012).

Tenho o privilégio de viver o ano todo na maior e mais democrática praia do mundo, o Balneário Cassino. É lógico que gostaria de não parar por aqui com os adjetivos à minha praia, mas, infelizmente dizer que é também a praia mais limpa do mundo seria uma inverdade. E, quanto a isso nossa Mãe Natureza não leva nenhum demérito, pois o descrédito aí é atribuído aos seus usuários.

A quem então responsabilizar? Aos turistas que aqui comparecem ciclicamente? Absolutamente! Seja o veranista Riograndino, Uruguaio, Catarinense, Pelotense… Não há como estigmatizar, visto que aqui é uma questão de educação.

Veraneio passado estava com o carro estacionado ao lado de uma família na qual pai e filho se deliciavam com seus picolés. Ao término da guloseima, o pai fincou o pauzinho na areia e jogou a embalagem – de plástico e extremamente leve – ao vento… O gurizinho, é lógico, fez o mesmo! Perdeu esse pai uma ótima oportunidade de ensinar!

Essa é a atitude anti-cultural; e ela não tem vínculo à procedência do turista.

Também nosso Mestre, quando por aqui esteve – não falo em nossa praia, é lógico! –, mais que dizer muitas coisas Ele as mostrou através de suas atitudes.

Saindo um pouco da orla e entrando mais na zona urbana – onde há muito descuido, também – há mensagens interessantes a deixar ao público em geral: Nas esquinas, dar a preferência a um idoso, a um ciclista, a um pedestre… Dar um sorriso, um bom dia, um boa tarde ou trocar uma gentileza àquele desconhecido – se é que nesta grande família universal deveria havê-lo – que cruza por mim…

Mas, voltando ao nosso assunto, os resíduos estão por aí, nas dunas, na orla, nas ruas. Para fazer minha parte, reuni alguns e resolvi virar ‘arteiro’. É só uma gota d’água, mas fiquei feliz!

Fotos: 1. Este verão (palitos, canudinhos…); 2. Verão passado (Machu picchu?)

(Verão e muito quente de 2011/12)

Ante tua Natureza perfeita e a despeito de ser Tua centelha, me sinto um grãozinho…

Como não me embevecer ante este ‘marzão’, apesar do poder que me deste para navegá-lo, palmilhá-lo, dominá-lo?

Como não me emocionar perante a rosa, a alamanda, o gerânio, apesar de me teres confiado o sagrado privilégio de semeá-los, adubá-los, escorá-los?

Como não ficar boquiaberto, ante a perfeição de todos os Teus ciclos renovadores – primavera, verão, outono, inverno… -, apesar da faculdade da compreensão com a qual me presenteastes?

Como, Pai, que, apesar de Teres permitido me tornar um animal pensante, não me comoverei com esta quantidade de irmãos menores que povoam meu Planeta?

Apesar de todos os meus sons bizarros após a espreguiçada matinal, a pequena corruíra não desiste de, diariamente, redobrar seu canto mavioso na minha janela…

Meu Pai, apesar de me considerar um grande arquiteto e um pintor de bom gosto ainda não consegui enfileirar harmoniosamente os grãos na espiga de milho e nem pintá-los com o amarelo ouro que lhe providenciaste…

Não obstante eu pensar que domino as palavras e as reúno em pensamentos, Pai, ainda não consegui redigir todas aquelas mensagens que escreveste com canetas estelares, com as órbitas Planetárias e com os riscos traçados pelos Teus cometas…

Mas Pai, apesar de pequeno grão, meu consolo é saber que sou parte de Ti e que estou integrado a todo este Universo por Ti gerado.

Protege-me, me guarda e permite que meu desempenho por aqui seja mais um contraponto e menos uma agressão!

Que assim seja, amém!

(Verão quente de 2011/12).

“Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós mais que elas?” 1

Mateus, através desta citação evangélica, concita-nos a refletir sobre a incondicionalidade do Amor de Deus e Seu zelo para com todas as suas criaturas:

Mesmo que, ao acordarmos ou ao deitar-nos não nos lembremos d’Ele ou de seus Emissários, a Sua Divina Providência continua operando. A fidelidade ou a infidelidade das criaturas não é um condicionante para as reações do Criador.

Diariamente, o sol se levanta, sobre bons e maus2 independente das suas percepções, assim como também, diariamente, esse mesmo sol se põe, cambiando-se por miríades de estrelas que nos cobrem tal qual um manto… E nem sempre as admiramos… Ou sequer as percebemos!

As benesses de Seu Universo presenteiam-nos, diariamente, embora não lhes prestemos atenção, ou seja, continuam a obrar apesar de nosso descaso: O sol, o vento, as estações, a chuva, as marés, a própria estiagem ou os tufões “corretivos”, em fim, a Natureza abrangente e atuante mostra aos humanos, supostamente inteligentes e atentos, os cíclicos trabalhos do Cosmos e dos seres menores da criação:

  • As uvas, maduras e perfumadas e os figos inchados anunciam a sabiás, calhandras e bem te vis que chegou a hora de fartarem a si e aos seus filhotes.
  • O artesão que enfileirou os grãos de milho na espiga e os coloriu de amarelo ouro, certamente impressionaria a Niemayer e a Van Gogh.
  • As alamandas – flores de um amarelo intenso – não se importam com sua efemeridade; sabem que irão encantar os transeuntes por apenas algumas horas, mas que novos botões se preparam para substituir-lhes, amanhã, a mesma beleza.
  • As formigas, tal qual soldados disciplinados, desenvolvem serviço de intendência exemplar, pois o agora e o hoje serão questão de futura sobrevivência; de suas marchas diárias resulta a provisão de seus paióis.
  • As lagartas e taturanas, umas simpáticas outras nem tanto, precisarão fartar-se de toda a folha verde possível e necessária a uma época em que viverão hibernadas no casulo, rumo à metamorfose.
  • O mar diuturnamente irá murmurar ou rumorejar, independente de o percebermos ou isso nos satisfazer.
  • As dunas, não obstante nossos gostos estarão, quase sempre, num movimento aleatório e frenético.
  • A Terra em sua rotação diária dá-nos uma falsa impressão elíptica do sol que, invariavelmente, parecerá nascer e se por e poderá ter um brilho mais ou menos intenso ou… Nenhum.

Dr. Bezerra de Menezes, o “Médico dos Pobres” nos afirma que “Se Deus ajuda as criaturas através das próprias criaturas, será justo pensar que, quando nos dispomos a socorrer alguém em suas aflições físicas ou morais, o socorro de Deus passará primeiramente por nós mesmos” 3.

Quanto “valemos”, pois, para o Pai? Não há como negar que a Criação, no seu todo, conspira em nosso favor lecionando-nos Divinamente. Nosso ilustre e abnegado doutor cearense nos mostra, na citação acima, a dimensão de nossa valia perante o Criador, a ponto de esse Divino Zelador delegar-nos socorro, guarda, recuperação e salvação recíprocos. 

(Bibliografia: 1. e 2. Mateus 5, 45 e 6, 26; 3. Dr. Bezerra de Menezes/De Luca – Recados do meu Coração, Pg. 27).

Foto: Sanhaço papa-laranja, alimentado solto em meu quintal – (Verão 2010/11, 35 graus e seca intensa; época de figos e uvas maduras, alamandas radiantes e taturanas perigosas, empanturrando-se nos plátanos)(Pub em ‘O Clarim’, Abr 2011).