Posts Tagged ‘Obsessão’

patch-adams-3De uma forma inusitada iniciamos ontem, 23 de setembro, o roteiro 3, módulo VI do ESDE, obsessão e enfermidades mentais (ou obsessão e loucura): Questionamos o grupo com a pergunta ‘qual é a tua loucura’? Respostas variadas: ‘Sou louco por futebol; sou louco por dança; sou louco pelo meu trabalho; sou louco por minha filha; sou louco por leitura… ’ Integrante, dando, realmente, sinais de demência, disse ‘ser louco pela sogra’. Brincadeira à parte, – até porque o assunto é sério – nossa aula tomou rumo gostoso e esclarecedor…

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Quando nos declaramos loucos por alguma coisa, precisaremos estar atentos a que evolução essa ‘loucura’ nos poderá levar; se ficará em algo prazeroso, como um lazer que evolui para um hobby e que não descambe para uma fascinação, obsessão ou loucura propriamente dita…

Faz parte do roteiro estudado: “Todas as grandes preocupações do espírito podem ocasionar a loucura: as ciências, as artes e até a religião lhe fornecem contingentes. A loucura tem como causa primária uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna mais ou menos acessível a certas impressões. Dada a predisposição para a loucura, esta tomará o caráter de preocupação principal, que então se muda em idéia fixa1”; daí a descambar para uma subjugação doentia será um pulinho, visto estarmos oportunizando más influenciações de encarnados e desencarnados equivocados.

Enquanto ‘formos loucos’ simplesmente por um hobby, diversão ou lazer necessários, estaremos raciocinando com sanidade. Mas a partir do momento em que ficarmos obcecados por um lazer que traz em seu bojo irmãozinhos menos esclarecidos e mal intencionados em nos retirar da retidão, essa ‘loucura por tal coisa’ poderá se tornar em algo obscuro.

Ficarmos alienados a um só círculo de amigos, a uma só atividade, a um só tipo de leitura, – e aqui me confesso ‘pecador’ – a um só tipo de lazer, às mesmas páginas de relacionamento… poderá ser o início de uma obsessão que evolua de sua forma simples à subjugação.

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“Ninguém consegue viver inteiramente isolado. Influenciamos aqueles que nos rodeiam e recebemos influências do nosso meio.2

Para que fujamos à loucura, nossas vidas precisarão não ser tão ortodoxas, pois a austeridade aqui será algo inconveniente.  Variemos um pouco, procurando novos gostos.  Ontem no estudo verificamos que o assunto ficou mais agradável, leve, participativo e até chegamos à conclusão que de loucos todos nós temos um pouquinho. Mas que o assunto é sério, é!

(1. O Livro dos Espíritos, introdução, item XV; e 2. Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Cap. 13, Vida comunitária. Imagem: Dr. Hunter Doherty “Patch” Adams) – (Primavera de 2014).

“Não existe obsessão se um dos envolvidos estiver aprendendo a amar. Normalmente, numa obsessão, os participantes desse processo sintonizam na mesma onda de rancor e ódio.” (Antônio Carlos, Espírito).

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Ora, o que significa “aprender a amar”? Na concepção do Autor, na luta contra a obsessão há três tipos principais de prevenção:

1. Não agir errado – Quem procura se afastar o máximo possível de equívocos ama a si próprio, em primeiro lugar e deixa de prejudicar aos outros: A condição ‘sine qua non’ – ‘sem a qual não pode ser’ – para a promoção do Planeta é “amar ao próximo como a si próprio”; resultará da máxima Crística a evolução do indivíduo, do grupo e do Orbe;

2. Não cometer maldades – Semelhante à primeira, não cometer maldades adentra aos detalhes de comportamentos para com a Criação em geral. Lembro com gosto de meu sogro quando ainda encarnado: Seu Wilmar era construtor e sempre que estava ‘levantando uma parede’, ao avistar um cascudinho, sabe aqueles que viram uma bolinha? Meu sogro parava tudo, arredava o serzinho e depois continuava sua obra. É possível que o exemplo desta pessoa traduza todo o sentimento que Antônio Carlos deseje transmitir no quesito ora discorrido, informando-me que a bondade deverá se estender a ‘todos’ os seres da Criação; e

3. Perdoar – Não se aprende a amar, neste Orbe de endividados, se não se começar pelo perdão. A partir do momento em que o indivíduo, compreendendo que todos neste Planeta são frágeis, começar a demonstrar boa vontade na direção do perdão, ele estará começando a amar. Entender que sou tão falho quanto o meu próximo é a porta de entrada para conceber o perdão. A partir do momento em que, no meu dia a dia, dou o primeiro passo na direção do perdão, um leque de opções amorosas se me apresentará.

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Obsessor e obsediado vibram em mesma sintonia. A partir do momento em que uma das partes perdoar, – com sinceridade, ou aprender a amar – para esta já não haverá mais obsessão.

Se eu dessintonizar de rancores, ódios, revides e entrar na freqüência do perdão estarei trabalhando com cautela e… prevenir é o melhor remédio!

(Sintonia: Cap. Obsediado, pg. 31 de Entrevistas com os Espíritos, de Antônio Carlos/Vera Lúcia M. de Carvalho, Editora Petit) – (Primavera de 2013).

“Obsessão é a ação normalmente persistente de uma pessoa sobre outra, estando encarnada ou desencarnada” (Antônio Carlos, Espírito).

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Extremamente didático, o conceito do Autor para obsessão não deixa dúvidas que a atuação do obsessor sempre será uma ação vexatória à vítima… Vítima? Sim! Vítima hoje o carrasco de ontem! Porque a vítima foi o carrasqueiro ontem hoje ela está na verdade recebendo o ‘troco’; é a lei de causa e efeito imperando!

Investido de um veículo carnal ou liberto dele, ao Espírito não importa a alternância, pois poderá obsedar em qualquer situação; na qualidade de Espírito e eterno astuciará sempre todos os meios na consecução de seu intento, vingar-se, ir à desforra, punir… Está aí caracterizada a ação persistente!

O obsessor é um indivíduo dissimulado. Se desencarnado, se apresentará, ainda ‘camuflado’. Quando Espírito encarnado e gozando as partes encarnadas do véu do esquecimento, continuará o obsessor camuflado, pois dificilmente revelará à vítima seus reais propósitos…

… Vê o caso citado no capítulo em questão: A vítima, uma jovem, desenvolveu uma síndrome de pânico; não desejava sair de casa, pois tudo na rua lhe causava medo. Na verdade seu obsessor – desencarnado – ‘a impedia’ de sair à rua para que não namorasse. Imaginava ele em sua possessividade, que a jovem lhe pertencia per omnia saecula saeculorum – para sempre, eternamente, até o fim dos tempos…

O obsessor, quer encarnado quer desencarnado, deseja viver a vida de outra pessoa (indivíduo). Repito: Não há inocentes nesta questão; as vítimas de hoje foram os carrascos de ontem!

Há cura? Sim, há cura! O obsedado só o será se o desejar. Existem auxílios nos trabalhos mediúnicos nas ‘Boas Casas do Ramo’, onde obsedados e obsessores serão carinhosamente atendidos e tratados. Identificado o problema das partes este será esmiuçado e debatido através do sagrado intercâmbio entre a dimensão encarnada e a Dimensão Espiritual da Casa: Dá-se aí o grande ‘milagre’ do socorro onde obsedado e obsessor encontrarão o acordo, pois, como diz o próprio Antônio Carlos:

“Não existem causas justificáveis para odiar, para querer se vingar, para obsediar. Mas são inúmeros os motivos para nos amarmos”.

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Não tema fazer o bem. A luz, queira ou não o trevoso, ilumina as trevas… A partir do bem, a ação persistente arrefece, as trevas se abrandam e as partes integrarão o rebanho do amor.

(Sintonia: Cap. Obsessão, pg. 9 de Entrevistas com os Espíritos, de Antônio Carlos/Vera Lúcia M. de Carvalho, Editora Petit) – (Primavera de 2013).

 

A obsessão – ser molestado, assediado, afligir-se com isso – sempre carrega consigo o pesado fardo da ilusão. É possível que ‘viver em realidade’ seja o caminho mais equilibrado entre o fictício e o verdadeiro; entre o fantasioso e o legítimo. Legitimar uma situação poderá auxiliar as pessoas a fugir de muitas obsessões:

  •  Sonhar, realizar planos, estabelecer mudanças, fixar metas… são todas atitudes saudáveis; não há nisso nem obsessão nem ilusão, muito pelo contrário, demonstram obstinação. A obsessão invadirá sonhos, planos, mudanças, metas, sempre que todos eles fugirem à real compatibilidade entre o planejar e o realizar;
  • Possuir uma pessoa amiga e confiável para abrir o coração e aliviar alguns fardos, é muito bom; possuir várias dessas, então é ótimo! O que não é desejável é proporcionar aflição a esses ombros amigos, imputando-lhes um verdadeiro vale de lágrimas;
  • Palavras possuem o poder de resolver ou embaraçar; salvar ou arruinar; enaltecer ou depreciar… Talvez, quando não se tenha algo útil a proferir, o silêncio seja o melhor conselho da desobsessão;
  • Viver é o sagrado exercício da liberdade de cada Espírito, único e de degrau ou patamar ímpar… Uma coisa será eu desejar ser parceiro dos indivíduos que me circunvizinham, amparando-os sem tolher seu livre arbítrio. Outra coisa será eu interferir em seu ‘modus vivendi’ ou, pior ainda, desejar viver a vida ‘dele’ que, como a expressão está afirmando, é tão somente, ‘dele’;
  • Se há uma grande ilusão nesta vida é de que as coisas ‘caiam do céu’. Como diria o próprio Emmanuel, “a preguiça é o retrato mais fiel da morte”. Trabalhar, servir, consumir-se tal qual uma vela iluminando, significa trabalhos que poderão driblar muitos impulsos aflitivos;
  • Praticar o mal neste Planeta de Provas e Expiações ou desertar do bem é extremamente fácil, pois esta ainda é uma das características do Orbe. Difícil é praticar o bem e perseverar nessa prática. Quem pratica o bem não parece estar na contramão de um Planeta ainda delituoso? Não poderá ser taxado de ‘trouxa’?
  • Desilusões – amorosas, conjugais, fraternais, por fracassos ou equívocos… poderão se tornar o ingrediente da tenacidade. “Não é o fogo que tempera o aço e dá beleza à porcelana?” e…
  • … Quase esqueço: Somente quando abordo o problema é que me investirei da capacidade de solucioná-lo!

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 Sonhar sem fugir da realidade; confiar sem ser indesejável; falar construindo; viver, deixar viver, ser parceiro; acreditar na eficácia do trabalho; ‘ser trouxa’ por amor; travar batalhas, sem me importar com vitórias ou fracassos… são os sagrados remédios à minha disposição  contra a obsessão, o assédio e a ilusão!

Inevitável é a visita do assédio como contumaz deverá ser a minha luta contra ele. ‘Salteá-lo’ ao máximo, fugir à ilusão e ser derrotado não me dando por vencido. A cada reação ao assédio, uma batalha ganha…

(Sintonia: Cap. Evitando obsessões, pg. 81 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).

Quando a mídia veicula em comerciais ou programas carentes de audiência:

  • Que somente tal sabonete me livrará de todos os germens;
  • Que o creme dental ‘x’ me resolverá todos os doze problemas bucais;
  • Que ora o ovo ora a carne vermelha me farão mal ou bem; e
  • Que a margarina ‘y’ – e aí põem nos displays 20 marcas delas – salvará meu coração…

…Essa mídia estará se prevalecendo de pequenos transtornos, manias, cacoetes, extravagâncias ou esquisitices em pequeno, médio ou grande grau que eu possa ter desenvolvido; ou seja, excentricidades que possam ter um dia me deixado sob o jugo do TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo).

Outono. Época que caem folhas; época, portanto, de juntar folhas: Após juntar 100% de folhas caídas, inevitavelmente cairão mais algumas… Se eu for obsessivo compulsivo em qualquer grau, entrarei noite adentro juntando folhas… 

Sabão ‘marmorizado Lang’, ou Gaúcho, Limpol, Lux, Palmolive, farão o mesmo efeito que o ‘especial sabonete’. Kolynos branco sempre ‘areou’ bem os dentes de antigamente. A margarina Sanrig – aquela do tabletinho de 100g – era tão gostosinha! Ovo, carne vermelha, carne de porco, dentro do equilíbrio, naturalmente e necessariamente, farão bem.

O TOC, sendo uma doença da alma, evidencia que o enfermo poderá estar sob o jugo – subjugado – de algum irmãozinho ainda não tão agradável que queira impedi-lo de ser feliz e progredir. Tal compulsão, como já disse se revela em diversos graus e em manias que desenvolvo como perfeccionismo, trabalho em demasia em detrimento do lazer, inflexibilidade, pré-ocupação, conceitos antiquados…

Em sendo uma doença da alma, os auxílios espíritas e dos psicólogos aí estarão para me ajudar. As Casas Espíritas começarão esse processo com uma boa conversa onde uma pessoa ‘de bom coração’ e habilitada saberá me indicar a melhor ‘direção’.

Finalizando, “as pessoas e as coisas não são integralmente corretas ou erradas, nem inteiramente boas ou más”.

(A sintonia e as citações em itálico são do capítulo Compulsão obsessiva, pg. 45 de A imensidão dos sentidos de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012, esfriando…)