Posts Tagged ‘Obsessões’

“O Amigo divino sabe o que existe em nós… Mas nem por isso deixa de estender-nos amorosamente as mãos.” (Emmanuel).

* * *

Em trajetória terrena, o Mestre acercou-se de Espíritos heterogêneos; compreendia-os assim; sabia o que neles existia, mas não evitou suas diversidades:

Assim procedeu com Zaqueu, Madalena, Nicodemos, Simão Pedro, Tomé, Judas…

Simbolizavam estes a usura, possessão, vaidade, fraqueza, dúvida, sombra: Conjunto de fragilidades que possuímos, reciprocamente.

Todas as vulnerabilidades enxergadas nos outros, também estão presentes em nosso íntimo; somos, delituosamente parceiros delas:

Mais partidários do ‘venha a nós o vosso reino’ do que ‘seja feita a vossa vontade’, mostramo-nos sovinas interesseiros: usurários!

Partindo da mais inocente fascinação, ingressamos em grandes obsessões, o que não nos torna muito diferentes da maioria dos terrenos.

No castelo de nosso orgulho, reside a donzela vaidade: olhamo-nos no espelho do ‘reino’ e não disfarçamos o Narciso que aí fixou residência.

Num Planeta de maus em detrimento dos bons, a fraqueza nos é comum.

Possuímos dúvidas imensas perante o bem a ser feito; mas somos rápidos na adesão ao mal.

Ainda somos mais sombras do que luzes: estamos mais dispostos a traições do que a afeições, soluções…

* * *

… E como sabia das fragilidades de seus contemporâneos, esse Amigo divino sabe o que existe em nós!

… E como estendeu a mão àquel’outros, não deixa de estender-nos amorosamente, também!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 109 A exemplo do Cristo; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

perfeição-ilha-no-açores

“Estamos em reunião. Não bata. Não entre” e “Entre sem bater. Em silêncio”. Estas são as recomendações escritas em verso e anverso numa placa que existe para ser dependurado na porta da Casa Espírita Recanto de Luz, em determinadas atividades… Sempre que alguém a ‘colocava’ um pouco desnivelada, do meu banco já ‘ficava em cólicas’, desejando me levantar e aprumá-la. Hoje, sempre que me é permitido eu mesmo o faço, só que, para tentar driblar meu TOC… a coloco o mais desnivelado possível…

* * *

“Sede, pois, vós outros, perfeitos, como o vosso Pai Celestial é perfeito”. A expressão do Mestre talvez seja muito mais profunda que se possa imaginar: Como o meu Pai é perfeito, assim me deseja. Nunca disse, entretanto, Jesus, que o Pai me queria perfeccionista, como portador de TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo – ou de outras bizarrices.

Naturalmente, – e ninguém mais natural que o Pai – não me desejará ver super isto ou super aquilo, porque Super é Ele e o caminho que leva à perfeição é lento.

Todas as tendências perfeccionistas são doentias ou instrumentos dos quais me utilizo para me auto prevenir ou revelar que em minha meninice, juventude ou em vivências anteriores fui muito exigido para realizar as coisas corretamente.

O perfeccionista, ao não admitir tropeços em suas mínimas atitudes, revela-se uma pessoa antinatural, pois quem, neste Planeta, não estará sujeito a equívocos? Ou seja, e como me advertiria Hammed, o transtorno dos perfeccionistas é não se aceitarem como espíritos falíveis, não aceitando também os outros nessa mesma condição.

Se, em determinado dia, eu me permitisse ter tanta obsessão ou compulsão na perseguição de determinadas virtudes, como as emprego em algumas manias, já poderia estar bem mais próximo do início de minha evolução.

Aos que riram da abertura desta crônica, perguntaria: Levante o dedo quem não possui uma determinada compulsão, obsessão, mania? Certamente todos recolherão seu dedo – ou suas pedras -, pois todos os tipos de TOC, que se venha a desenvolver são próprios deste Planeta de Provas e Expiações. É muito provável que, ao desenvolver qualquer tipo de mania – arrumação, limpeza, ordenação… – eu esteja procurando um refúgio para o meu orgulho ou receoso de ser repreendido, observado, ‘ficar falado’. Eis aqui uma necessidade de proteção.

* * *BB8148-004

Mas, o que dirá a visita ao chegar à minha casa:

  • Se toda a grama não estiver bem cortada e todas as folhas recolhidas?
  • E se a pintura da casa não estiver impecável?
  • E se a caixa de gordura estiver transbordando?
  • E se toda a cozinha estiver limpinha, mas o fogão apresentar algumas marcas de gordura?
  • E se o banheiro não estiver bem aromatizado?
  • E se o carro… – e aí a coisa pega! Se houver uma ‘duna’ dentro dele, o que irá pensar? E se ele, então, estiver ‘meio’ sujo, ou ‘meio’ limpo, que horror! Meu orgulho não permitirá isso; precisará estar ‘muito’ limpo!

Será que fechei o carro? Será que dei as seis voltas na porta? E quando for acometido de insônia por descobrir que um de meus móveis poderá servir de ‘lousa’, de tanto pó que possui… Aí, meu amigo, é TOC na certa!

Todas essas anomalias compulsivas, as citadas ou deixadas de citar são ecos de um passado mais ou menos remoto no qual passei por inúmeras reprovações. E não desejo ser reprovado novamente, pois meu orgulho não suportaria!

Em hipótese nenhuma, desejo aqui enfraquecer a vontade de cada um em aperfeiçoar-se e sim tentar barrar – em mim primeiro – e nos demais, desejos de perfeição presunçosa, visto que a perfeição é a resultante de uma evolução lenta e gradual.

* * *

Ao me declarar compulsivo por perfeição, corro o risco de embaraçar minha evolução, pois estarei testemunhando ao “Perfeito Pai Celestial” a maior prova de meu orgulho.

Sintonia e expressões em itálico são do cap. Perfeição versus perfeccionismo, pag. 219 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – Imagens: 1. Perfeição; 2. Perfeccionismo – (Verão de 2013).