Posts Tagged ‘Parceria Espírito/corpo’

“Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes” (Mateus, X-8).

Ao codificar esta mensagem de Jesus, na forma do capítulo XXVI de O Evangelho segundo o espiritismo, Kardec, inspirado pela Coordenadoria Maior, realiza uma varredura na hipocrisia e um contraponto entre ela e o servir, abordando temas como o “dom de curar”, “preces pagas”, “mercado em templos de oração” e a “mediunidade gratuita”…

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Eu, o indivíduo – parceria fantástica de Espírito mais eventual e alternativo corpo – recebi gratuitamente da Divindade poderes e possibilidades a desenvolver que eu próprio nem imagino. Convocado a realizar diariamente pequenos ‘milagres’ – curas, socorros, intercâmbios, desobsessões, irradiações – enfim, os serviços preconizados pelo Mestre “para o alívio daqueles que sofrem”, terei à minha disposição um corpo físico gratuita e amorosamente ‘equipado’ para retornar “o que de graça recebi”.

Dessa forma, e porque o Universo gratuitamente, me permitiu:

  • Mãos perfeitas, eu as estenderei; abençoarei; realizarei com elas amorosos e positivos acenos; erguerei caídos; intermediarei sagradas imposições; transportarei fardos dos desvalidos; utilizá-las-ei acalmando multidões; erguerei crianças infelizes; e também levantarei e regozijar-me-ei com as felizes… São os milagres das mãos perfeitas e que de graça recebi!
  • Cérebro equilibrado, eu raciocinarei na direção do bem; utilizá-lo-ei como órgão inovador; promoverei todos os ineditismos úteis; será oficina de fraternidade; planejará as boas soluções… São os milagres do cérebro equilibrado que de graça recebi!
  • Coração sadio e compassivo, dele não prescindirei para as decisões caritativas; será o aliado de razões que o próprio cérebro me desaconselha; realizará todos os lobbies, pressões ostensivas e veladas para que o bem se perpetue; fará com que a emoção tome conta do peito e os olhos vertam lágrimas úteis ante fatos tristes, emocionantes, edificantes, comoventes; não permitirá que passem em branco as atitudes honrosas, altruístas, construtoras; abominará o descaso, a indiferença, a insensatez… São as possibilidades de milagres de um coração sadio e compassivo que de graça recebi!
  • Pulmões preservados, continuarei zelando por eles para que sustentem os brados que se façam necessários fortes; me permitam respirar todos os ares perfumados; os fétidos das carências, também; ainda os leves e tranqüilos da harmonia; que eu fique sem ar quando a emoção tomar conta de mim ou de meus amigos; e que eu respire fundo quando a intolerância me rondar… São os milagres dos pulmões preservados que de graça recebi!
  • Olhos discretos, os utilizarei para olhar e enaltecer o belo; avaliar o nem tão belo; fotografar talvez o que me pede socorro e enviá-lo por uploads aos companheiros cérebro e coração; furtar-me-ei de ver o perverso onde não existe, o mal onde não reside, a incoerência e intolerância no que é natural; brilharão eles com o que é fantástico, tal como a fraternidade, o socorro, o esforço, a abnegação, a perseverança… São estes e muitos outros os milagres dos olhos discretos que de graça recebi!
  • Ouvidos abertos, para escutar o interessante ou o nem tanto, o aviltante e o edificante, o prazeroso e o desagradável; os farei moucos ou ‘de tuberculoso’ sempre que a necessidade da complacência sobressaia; se necessário ouvirei sem ouvir ou prestarei atenção ouvindo; falarei muito menos, ouvirei muito mais… São estes os pequenos milagres dos ouvidos abertos que de graça recebi!
  • Uma língua que se expressa, a dominarei para que ampare mais que destrua; socorra através do verbo; trabalhe para o bem e a verdade; que se cale ante a prioridade de ouvir; que seja discreta perante a maledicência; benévola ante a urgência do dialogo com infelizes encarnados e desencarnados… São estes os pequenos milagres de uma língua que se expressa e que de graça recebi!
  • Braços, pernas e pés saudáveis, que eles sejam as alavancas do socorro; que debréiem, acelerem e dirijam e realizem todas as curvas na direção do auxílio; que eles driblem a preguiça – o retrato mais fiel da morte; saltem, ou se já senis, nem tanto, para desembaraçar e iluminar caminhos e subtrair apuros; subam morros; contornem vielas; trafeguem no asfalto, na lama dos bairros, off Road ou através campos, onde a necessidade imperar… São estes os pequenos grandes milagres de braços, pernas e pés saudáveis que de graça recebi!…

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Enumerada aqui está somente uma pequena parcela das fantásticas possibilidades desta parceria Espírito/corpo. Convocados a restituir, retornar, indenizar, quem sabe, pretéritos equívocos, o Espírito, mais que cativo de uma ‘máquina carnal de possibilidades’, lhe está no comando para realizarem, em cumplicidade, os mais sagrados auxílios.

(Sintonia: Cap. Auxilia também, pg. 61 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).