Posts Tagged ‘Pastores e pastores’

“Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes: ‘Vinde após mim e vos farei pescadores de homens. ’” *

É impossível ler esta citação do evangelista sem considerarmos a região em que vivemos: O quadrante leste/sul de nosso estado é, por uma generosidade da natureza, banhado por duas bacias importantes, um punhado de lagoas, uma laguna de extrema importância – a dos Patos –, um canal natural – o de São Gonçalo – que liga a laguna à Lagoa Mirim, e uma Estação Ecológica, a do Taim. Esse complexo todo forma a chamada Costa Doce. Ao longo desse sistema, e por ser a região vocacionada para tal, desenvolvem-se seis das dezesseis colônias de pesca do Rio Grande do Sul (Z-1, Z-2, Z-3, Z-8, Z-11 e Z-16). Volta e meia escutamos notícias das dificuldades desses profissionais, principalmente por ocasião do defeso, período estabelecido pelo IBAMA, no qual a pesca é vetada.

Jesus vivia também à época de sua Encarnação Redentora, em uma área que, além de pastoril, apresentava características semelhantes às supramencionadas: Onomatopeicamente combinando com Nazareno ou Galileu, o lago de Genesaré ou mar da Galiléia era o pesqueiro favorito do Mestre, digamos, a sua praia: Quantas vezes, às suas margens o Divino Amigo não lançou as suas redes, os seus espinhéis, as suas esperas!? Alegorias à parte, esse seria o palco onde faria pregações memoráveis, pronunciamentos e admoestações que não se perderiam nos milênios subseqüentes.

Pois foi neste cenário que Ele, mais que convidar pescadores, convocou-os a serem pescadores de almas; e urgia fazê-lo! “O” Pescador em breve se afastaria e a missão precisava ser delegada. Pedro, André e os demais, apesar de suas ignorâncias, entenderam os propósitos de Jesus.

Hoje, os convocados somos nós; precisaremos, entretanto, estar muito atentos ao tipo de cardume que desejaremos incorporar ou o público alvo a atingir ante a nossa convocação. Adolf Hitler, por exemplo, era um exímio pescador, cercado de auxiliares capacitados, no entanto muito suspeitas eram as técnicas que utilizava na atração de seu pescado. Se, por um lado, nosso Mestre convidou pescadores de peixes a pescar determinadas espécies de almas, o médium e gênio do mal também utilizava técnicas próprias no assédio a seus asseclas.

Os gênios do bem, tais qual os do mal, sempre estiveram em nosso Planeta lançando as suas redes; é próprio de um Sistema de Provas e Expiações esses contrastes, visto sermos um povo santo e pecador. Dessa forma, convivemos, ao longo das décadas, séculos e milênios com pescadores e pastores se alternando em seus propósitos.

Se outrora o convite foi feito aos apóstolos, ainda hoje podemos ouvi-lo do Amável Barqueiro que talvez nos diga assim: Podeis vir comigo, podeis tornar-vos pescadores de almas, quando não mais estiver por aqui encarnado, timoneareis a minha Palavra, vós a lançareis à esquerda e à direita do mar impetuoso… Se fordes habilidosos, vossas redes encher-se-ão de almas sedentas de minhas verdades!

Muitos peregrinos do bem, em detrimento do mal, entenderam os divinos propósitos e se lançaram ao pastoreio ou aos pesqueiros; nem todos foram intitulados santos, porque não se enquadravam ao rebanho dito tradicional… Mas o Altíssimo os entendeu, a todos, como os Pedros e os Andrés de outrora: Dessa forma, por aqui desfilaram, entre tantos outros, Martin Luther King, Chico Xavier, Irmã Dulce, Dom Bosco, Nelson Mandela, Madre Teresa, Bezerra de Menezes… E aqui os misturamos propositalmente, independente da santidade declarada ou não. Será mesmo que não pertenciam ao mesmo rebanho? É evidente que sim, pois o propósito era comum: O devotamento ao bem.

Não nos iludamos, porém… Os Hitleres estão por aí disfarçados nas ilusões de todas as espécies, nos apelativos diversos, nos cantos das sereias que poderão invadir nossos pesqueiros e nos lobos que sempre tentarão ceifar nosso rebanho.

Como vemos, pescadores, cardumes, pastores e rebanhos, os há de todas as espécies o que precisamos é nos enquadrar!

 Subsídio: * Mateus, cap. 4, vv. 18 e 19 – (Primavera de 2011)

Pub em ‘O Clarim’, Dez/2012.