Posts Tagged ‘Perder para ganhar’

“O duelista [que] pertence, em regra, à classe mais culta, é infinitamente mais culpado do que o desgraçado que, cedendo a um sentimento de vingança, mata num momento de exasperação. [Aquele] estuda e calcula tudo, para com mais segurança matar o seu adversário.” (Agostinho, Bordéus, 1861).

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Em nosso “Evangelho no Lar” de hoje, demos continuidade ao estudo do “Duelo”, contido no ESE, Cap. XII, itens de 11 a 16.

E verificamos que duelistas modernos embora não mais se utilizem de armas brancas ou de fogo continuam atendendo aos mesmos anseios de sempre: a satisfação do orgulho na lavagem de uma suposta honra; ou o orgulho acima da honra.

Duelamos para termos a melhor casa; o carro mais moderno; o jardim com a grama mais bem aparada; a roupa da moda; o tênis de melhor marca; a internet mais rápida; o maior número de canais de TV; a maior quantidade de amigos virtuais; mais curtidas; mais visualizações e comentários…

Não! Não pregamos prego sem estopa e utilizamos nossa inteligência (pois somos mais “cultos”) para levarmos a maior vantagem sobre nosso opositor, mesmo que…

… O produto que veiculamos em propaganda não seja de nenhuma qualidade; e que o serviço prestado (público ou privado) não seja o justo e prometido.

Nossa inteligência nos treina para um “estudo e cálculo de tudo”, de maneira que não venhamos a perder absolutamente nada: não estamos imbuídos da mensagem Crística do “perder para ganhar.” Aliás, perder não consta no dicionário do duelista moderno!

As “Bem Aventuranças do Monte”, a dos aflitos, dos pobres de espírito, da pureza de coração, dos brandos, pacíficos e misericordiosos, ainda não cabem no sentimento do duelista do século XXI que deseja sim, levar vantagem em tudo.

Toda vez que há alguém perdendo, sendo extorquido (e esse é o sentido do duelo), é porque há alguém extorquindo, ganhando ilicitamente:

Então questionamos: o duelo acabou? O convencional pode ter diminuído. Mas os duelistas modernos, os que não pregam prego sem estopa, os “gérsons” estão por aí; e com toda a força.

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Aos que não pregam prego sem estopa, aos duelistas modernos: suas casas nunca serão um lar; serão só… casas! Seus carros nunca serão utilitários; serão só… carros! Suas roupas nunca serão agasalhos; serão só… roupas! As flores de seus jardins nunca terão beleza e aromas; serão só… flores! Sua internet nunca será instrumento de apostolado; será rápida, mas… só uma internet rápida!…

(20 de novembro; primavera de 2017).

Side view of a beautiful blond shielding eyes at beach

“… Não és tu quem espera pela divina Luz. É a divina Luz, força do Céu ao teu lado, que permanece esperando por ti.” (Emmanuel).

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O termo “esperar”, do Orientador, sugere-nos expectativas e estas se apresentam como via de mão dupla:

Ao buscarmos a divina Luz (entendamos as influências dos Iluminados) em determinado credo, numa contramão priorizaremos proveito, consolações e vantagens, pois vivemos n’um Planeta ainda governado por nosso ‘eu’. Desejamos, comodamente, usufruir das benesses do Sagrado; e

Em harmonia com os Desígnios sagrados, – na ‘mão’ certa – quem mantém expectativas a nosso respeito é a divina Luz, força do Céu ao nosso lado: quando ‘parecer’ que estamos no prejuízo; perdendo sob aflições em zonas de desconforto; em inferior desvantagem; e supostamente ‘perdendo para ganhar’, na concepção das bem-aventuranças…

… Então aquela “religião” na qual depositávamos ‘nossas’ expectativas, transformar-se-á na “religiosidade” do respeito, tolerância e serviço, compreendidos nas aflições, perdas, prejuízos, desconfortos e inferioridades.

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Enquanto que esperarmos pela divina Luz pressupõe comodismo, atender às expectativas dessa Luz sugere-nos a fuga da zona de conforto.

(Sintonia: Fonte viva, de Francisco Cândido Xavier, ditado por Emmanuel, em seu Cap. 87 Recebeste a Luz? 1ª edição da FEB) – (Outono de 2017).

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Quem é maior, meu problema ou o meu Deus? Alguém inteligente, que por ora não lembro o nome, recomendou-me “não questionar o tamanho de meu problema, mas considerar a grandeza de meu Deus”. Sendo filho de Deus, qualquer problema também não poderá ser maior que a força plantada por Ele dentro de mim: Basta-me, tão somente, fazer crescer essa força, para que me proteja e que me leve a considerar que neste Planeta não há vitória sem luta…

Ao apenado poderá ser concedida uma condicional, pena condicional ou livramento, ‘desde que’ preencha determinadas condições impostas legalmente…

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Cada ‘jornada terrena’ de todos os indivíduos, sempre estará condicionada a também lutas diárias. É próprio do Planeta que a vida nele estabeleça condicionantes. Que, por exemplo:revoadablog

  • A cada vitória preceda uma luta;
  • A cada encargo no bem perseverado, se acumulem ‘bônus’ para a construção do Céu interior íntimo;
  • A cada lembrança triste, a cada mágoa, a cada melindre, a cada sentimento de inutilidade, colocados de lado, nos seus vácuos adentrem alegrias, potencialidades, prazeres…
  • A cada doença tratada, novas possibilidades surjam, visto a doença de qualquer espécie limitar o corpo e a mente;
  • A cada desculpa, indulto, perdão, se refaça e se fortifiquem as amizades verdadeiras;
  • A um só ‘milímetro’ de minha boa vontade na direção do perdão o Universo me proporcione ‘quilômetros’ de possibilidades;
  • A cada espaço tomado à tragédia, ao apocalipse, a mídia de todos os escalões anuncie notícias benfazejas. Menos desgraças anunciadas, – e ‘requentadas’ – mais coisas edificantes, prazerosas, mais emoção nos rostos, mais inspiração às mentes, mãos, corações. Menos apologia ao mal, mais espaço ao bem;
  • Cada comercial apelativo seja substituído por ‘merchandising’ inteligente, divertida, producente e não agressiva, onde todos fiquem bem servidos e que influa na decisão da ‘compra do bem’;
  • Cada indivíduo ao ocupar seu espaço, desenvolva o bem para que o mal fique limitado;
  • Cada orador, locutor, prosador, escritor… ao se tornar comedido, encurte os espaços cedidos à discórdia;
  • A mente não seja cegada a novas conquistas, ao se evitar rebuscar, alimentar e ‘engordar’ ressentimentos;
  • A cada auxílio, por ínfimo que seja, o infortúnio seja menor; e que
  • A cada defeito a menos que eu encontrar em meu semelhante, uma luz a mais se acenda em meu coração e na minha vontade.

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Se hoje o céu aparece toldado de nuvens, é possível, sim, que chova, e muito; mas amanhã com o céu límpido e a atmosfera renovada, o sol se mostrará brilhando novamente, porque a vida é feita de…

… Condicionantes!

(Sintonia: Cap. Seguindo em frente, pg. 13 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).

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José Alberto Mujica Cordano, ou Pepe Mujica, é o 40º Presidente da República Oriental do Uruguai (ROU). Ex-militante Tupamaro (Movimento de Libertação Nacional), Mujica é casado com Lucía Topolanski, também ex-militante. O presidente recebe de salário 12,500 U$ dos quais destina 90% a ONGs e pessoas carentes. Sobrevive com o restante do salário, – aproximadamente R$ 2.538,00. Seu carro é um fusca que ele mesmo dirige. Perguntado se era pobre respondeu “sou rico, pois o pouco que a mim destino me torna rico” e mais “este dinheiro me basta e tem que bastar porque há outros uruguaios que sobrevivem com bem menos…”

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Hammed me orienta hoje que muitas vezes é no “ato de perder” que encontramos a razão da própria existência e logo a seguir passa a definir a liberdade sob vários aspectos: Na ciência, a experimentação e o raciocínio; na filosofia o bom senso e a sensatez; na religião o discernimento e a naturalidade; na arte, a originalidade e a inspiração; na sociedade, a igualdade e a solidariedade…

Vê-se que, para ser liberto verdadeiramente, precisa-se livrar de uma série de penduricalhos, afetações, insensatezes, cópias e picuinhas e munir-se de tudo aquilo que é natural. Sendo natural o indivíduo ‘perde’ uma porção de coisas supérfluas e se sente leve, descompromissado de uma série de adereços, liberto!

O indivíduo com grau de amadurecimento espiritual elevado, e em conseqüência também liberto, passa a desanexar uma série de valores que nenhum valor tem, ou ao perdê-los, passará a ganhar…banner-papa-francisco-I-reverencia1

  • Em sociedade, já livre de seus penduricalhos, se nivelará a todos os demais que também já conseguiram sua libertação. Muitas etiquetas sociais já não farão mais parte do perfil desses indivíduos. Compromissos antes afetados já não mais pesarão sobre seus ombros;
  • Ainda em sociedade, suspeitar para o liberto, sempre será um verbo saudável, pois não fará da suspeita uma desconfiança patológica, visto saber que nada nem ninguém poderá se apropriar de suas conquistas;
  • Quando filosofa, o indivíduo liberto se propõe a ser mais simplório do que importante, pois sabe que sua filosofia pilhéria o aproxima mais da simplicidade do que das etiquetadas importâncias de pensadores orgulhosos e vaidosos;
  • Sem perder o perfil da liberdade, na ciência das idéias aproveita as experiências de terceiros – parentes, amigos, companheiros… utiliza e anexa as boas e silenciosamente descarta as inadequadas;
  •  O liberto, também chamado de equilibrado, já conseguiu, através da reflexão, se afastar das perigosas pontas dos episódios, pois sabe que a Natureza não possui extremos ao se conduzir com paciência, calma e confiança. Uma vez entregue à reflexão, saberá o que é bom e mau para si e conseqüentemente para os outros, princípio esse da igualdade e solidariedade;
  • No campo das artes, longe de ser um copista, o liberto sempre procurará inovar, sem deixar de se inspirar nos bons e nas coisas boas que vê e ouve;
  • Não haverá para o liberto discriminação a religiosidades. Juiz em sua intimidade quanto à veracidade ou valor de cada credo saberá aproveitar a quantidade de religiosidade que há em cada um deles. Saberá compreender, por exemplo, o que quis dizer Jorge Mário Bergoglio, bispo de Roma, com a frase de impacto “sem Jesus Cristo, podemos ser uma ONG piedosa, mas não a igreja”, porque sabe que o Missionário Rabi sempre foi ‘religiosidade’ e nunca ‘religião’…

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Quando me deparo com os novos personagens que ora despontam na mídia – José Mujica e Francisco I, as ‘bolas da vez’ – considero-os autoridades, até que me provem o contrário, para me arrazoar que sempre será importante perder para ganhar…

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Liberdade, pag. 83 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Finalzinho do verão de 2013).