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“O médium natural (…) traz de vidas passadas um manancial significativo de experiências, que lhe faculta desestruturar a realidade conhecida e reestruturá-la de formas diferentes e expressivas.” (Hammed).

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Autores informam que todos somos médiuns porque somos inspirados: recebemos farta ‘fermentação externa.’

Outros, afirmam que é por possuirmos um corpo fluídico: o perispírito que recebe a influência, transmite à nossa alma e esta comanda nossos feitos físicos.

Uns e outros têm razão, pois a inspiração (de encarnados e desencarnados) se dá, sempre, perispírito a perispírito.

Como nosso perispírito é semelhante a um tacógrafo de utilitário ou caixa preta de aeronave, traz registrado, de vidas passadas, um manancial significativo de experiências.

Mergulhados em nosso íntimo, tais quais alquimistas, e lançando mãos desse manancial, nos possibilitamos dar expressão a formas e conceitos inexpressivos.

O grande diferencial do indivíduo inspirado à criatividade é não copiar ninguém: ele reestrutura, inusitadamente, velhos temas, antigas formas de realizar.

Quando se interioriza (despe-se ao máximo do material), e segundo Cícero recebe “um toque de inspiração divina”, seu manancial, atual e pregresso, aflora:

Uma atmosfera de independência e satisfação é sua força motriz: A criatividade emerge, a alquimia se faz, transformando ditos e feitos comuns em coisas incomuns.

Não temos dúvidas, e nosso codificador já afirmara que pintores, músicos, literatos, artistas em geral, são médiuns inspirados:

Realizam a grande alquimia das sociedades: de retrógradas em desenvolvidas; de desorganizadas em organizadas; de exauridas em produtivas…

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“… Nesses momentos, que se chamam, justamente de inspiração, as idéias se derramam, se seguem, se encadeiam, por assim dizer, por elas mesmas.” (Livro dos Médiuns, Cap. XV, item 182).

(Sintonia: Neto, Francisco do E. Santo, A imensidão dos sentidos; ditado por Hammed; Cap. Criatividade; 8ª edição da Boa Nova) – (Inverno de 2017).

“Não te proponhas atravessar o mundo sem tentações: elas nascem contigo, [brotam] de ti mesmo e alimentam-se de ti, quando não as combates dedicadamente…” (Emmanuel).

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Nosso perispírito, fiel escudeiro, ‘meio de campo’, é como se fora a caixa preta de aeronave ou tacógrafo de utilitário:

Registra fielmente informações de nossas boas e más navegações pretéritas; e as velocidades de nossa evolução.

A cada retorno a esta base, ou plano denso, esse corpo fluídico aflora-nos, em evidências pessoais, familiares, sociais, nossas tentações ou dificuldades:

São vestígios na forma de resíduos ou coivaras não bem processados em pregressas vivências.

Enquanto simples vestígios, (apenas residuais) contentemo-nos! Pior é quando os sentimos na forma de detritos: lixo de vivências desequilibradas.

Nossas tentações, então, são normais frutos – cacoetes – de todos esses vestígios, resíduos ou, na pior hipótese, detritos.

Se o perispírito nos acompanha, tais tentações renascem conosco; e se converterão em efeitos de nossas próprias atuais e pretéritas causas:

É o que deseja nos informar o Benfeitor ao dizer que tais tentações brotam de nós próprios; germinam de nossas próprias plantações.

O autor vai mais além: alimentar-se-ão de nós (das anteriores mazelas, detritos, cinzas), se não as combatermos dedicadamente.

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Se Deus é Soberanamente Justo, – e é! – eis que impera, entretanto, a sua Bondade junto ao sexto atributo, porque…

… A cada revivência, com a análise dos vestígios anteriores ou do próprio lixo produzido, oportuniza-nos reprogramarmos nosso tacógrafo e revivescermos nossa caixa preta!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 110 Vigiemos e oremos; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

Transfigurationbloch“… Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura…” (Mateus, 17, 1 e 2).

No Tabor, contemplamos a grande lição de que o homem deve viver a sua existência, no mundo, sabendo que pertence ao Céu, por sua sagrada origem, sendo indispensável, desse modo, que se desmaterialize, a todos os instantes. (Emmanuel).

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O que significa transfiguração? Em A gênese, Cap. XIV, item 9, Kardec nos dirá que “a natureza do envoltório fluídico – o perispírito – está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito.” Duas colocações: primeira, não temos dúvidas sobre a pureza do envoltório fluídico do Mestre, quando aqui encarnado. Segunda, também não duvidamos que fosse através do perispírito que se revelou Divino aos apóstolos escolhidos, na transfiguração.

A transfiguração é um dos fatos importantes na vida do Mestre, quando, muito mais do que falar, ditar, exortar, mostra-se resplandecente, dando contas à seleta platéia, do ‘reinado’ que sempre pretendeu estabelecer, o qual nada tinha a ver com conquistadores e conquistados, ou os povos entre os quais escolheu reencarnar.

Estudos doutrinários nos dão conta de que nosso perispírito é um produto do fluido universal; a quintessência, a parte mais pura de um todo, no caso, da esfera espiritual onde vivemos.  Imaginemos nossa conta bancária com 000.000… estaria zerada! Agora, coloquemos ‘1’ na frente dos zeros: A quintessência é o ‘1’ que dá valor a todos os nossos zeros.

Dessa forma Emmanuel alerta que nós pertencemos ao Céu e nosso perispírito está a nos dizer que, por possuirmos uma genética Divina, possuímos uma sagrada origem, convindo vivermos temporariamente como cidadãos terrenos, mas nunca nos esquecendo de, a todos os instantes, nos desmaterializarmos, livrando-nos de todos os penduricalhos desnecessários à Vida Futura.

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Todos os zeros representam nossa vida material. O ‘um’ colocado à frente, representa nossa origem sagrada, a única capaz de valorizar nossa ‘conta bancária!’

(Sintonia: Questão 310 de O Consolador, de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, 29ª edição da FEB) – (Outono de 2015).