Posts Tagged ‘Pobreza’

“Quem de vós – pergunta-nos Jesus, através de Mateus, 6,21 -, poderá acrescentar um côvado à sua altura?” O Mestre, nesta alegoria, nos falava das vãs preocupações: O que vestir, o que comer, o dia de amanhã e… A riqueza!

Primeiramente, é necessário que lhes informe o significado do termo: O côvado judaico possuía aproximadamente 44,7 cm – o comprimento de um antebraço – e aqui está a dimensão do folclore utilizado por Jesus, que, talvez quisesse nos dizer que nas coisas que são do poder da natureza, nossas preocupações com o comer, vestir, o posteriore e, principalmente, a riqueza se tornarão questionamentos vãos.

Em Momento Espírita, Vol. 7 – Ed. FEP -, no Cap. De pobres e de ricos, encontrei algo apropriado; transcrevo-lhes os fragmentos mais adequados:

“A maioria dos seres humanos deseja ser rico. É um sonho generalizado. O doente acredita que o dinheiro vai lhe dar tratamento ‘vip’. O saudável sonha com viagens, jantares em restaurantes sofisticados. Os idealistas, sonhadores e ‘santos’ querem dinheiro, sonham em melhorar o mundo, construir hospitais e abrigos. Mas há alguns aspectos da vida que não estão acessíveis à influência do dinheiro… Nas coisas sutis – que são de domínio exclusivo da Divindade – o dinheiro é inútil:

  • Ele pode tornar ‘mais belos’ os filhos dos ricos?
  • Nem a maior fortuna do mundo compra consolo para a mãe que perde o filho;
  • Quem pode evitar a morte, a velhice ou o sofrimento, por mais dinheiro que tenha acumulado?
  • Crescemos – mendigos e milionários – contemplando o mesmo sol, tendo a mesma lua como testemunha silenciosa de nossas vidas;
  • A morte, um dia chegará para todos. Encontrará alguns em nobres leitos… A outros surpreenderá solitários e maltrapilhos. Mas ela virá para todos;
  • O preço do caixão, a imponência do túmulo, serão diferenças ‘externas’. No interior das sepulturas, a lei da decomposição alcançará aos corpos dos magnatas e pobrezinhos; e
  • Passadas algumas décadas, quem poderá dizer quais daqueles brancos ossos era dono de mais dinheiro?”

Agora, já com uma idéia da medida em questão, face o exposto e não desconsiderando, é lógico, a Lei de Progresso e o livre-arbítrio concedido a todos, me faço a pergunta e os convido a todos a se questionarem:  Em quantos “côvados” desejo aumentar a minha riqueza? Nas coisas sutis – que são de domínio exclusivo da Divindade – o dinheiro [me será útil]”?

Convido-os à questão!

 (Verão de 2011/12).

Ela não possuía, de forma nenhuma, o tradicional biótipo das mulheres que povoam a minha praia, especialmente nesta época do ano…

As mulheres de minha praia, em época como esta, são fagueiras, alvoroçadas e revelam seus corpos exigentemente cuidados em academias visando um frenético vai e vem na orla ou na avenida principal de minha praia. Mas ela não era assim!

A maioria das mulheres da minha praia anda em carrões, em bicicletas flamantes, sob sandálias de marca ou, na pior das hipóteses sob tênis, também de marca, no intuito de melhorar ainda mais suas performances. Mas ela não estava desfilando, tão pouco andava assim!

As mulheres da minha praia carregam bolsas de marca, coloridas sacolas com toalhas cheirosas, cremes caríssimos e boxes com bebidas de sua preferência, cuidadosos lanches com poucas calorias e frutas deliciosas da época. Mas ela não carregava nada disso!

As mulheres de minha praia andam em grupos, de preferência nas companhias de seus afins e se exibem e exibem os seus próximos e próximas como troféus. Mas ela não andava em grupo, tão pouco exibia algum troféu e seu único afim era – imagino eu -, o troféu que o Papai do Céu lhe houvera presenteado.

As mulheres de minha praia, nesta época do ano – e aqui não vai nenhuma censura – fogem das costumeiras lides: Cozinha, panelas, tarefas dos filhos, compromisso com seu cônjuge… Ai que horror! Isso chega a lhes dar um arrepio nesta época. Mas ela estava ali em sua lida!

De meu confortável camarote, percebi que ela chegou e foi logo tomando conta de sua tarefa: Seus instrumentos de veraneio eram vassoura, balde, imensos sacos pretos para lixo, pá… Ela não possuía nenhum atrativo, pois seu corpo era esquálido e não referendava nenhuma marca de academia; a pele maltratada pela intempérie, não era cuidada; a unha, não pôde perceber e em seus pés havia sandálias que talvez a caridade lhe emprestara.

Ela apeou tão simplesmente de sua charrete puxada talvez pelo amigo de sua afinidade, tendo pela mão uma filhinha – suponho – tão esquálida quanto ela e muito menos fagueira que as filhas das mulheres de minha praia, pois parecia sonolenta e infeliz.

A única bolsa que portava era uma minúscula e surrada pochete, onde deveriam estar seus pertences básicos: Seu cigarro – talvez -, suas parcas moedas ou, quem sabe, algumas tartarugas ou beija-flores, talvez um batom rosa pink para demarcar a sua feminilidade fragilizada.

Quanto às lides, eu imagino que o importante naquele momento era cumprir, sob um céu azul e sol apropriado – não ao seu veraneio -, a sua tarefa da melhor maneira possível – e o fez com esmero! -, para que as mulheres – e os homens – da minha praia por ali passassem e se sentissem bem!

Ao término do trabalho, tomou a sonolenta e inadiposa menina pela mão – as mulheres de minha praia não o são! -, colocou a bolsinha no ombro, reproduzindo o vaidoso gesto comum a todas as mulheres. Acendeu um cigarrinho, vício este também comum às mulheres de minha praia, carregou suas tralhas em sua condução e deu de rédeas no fiel escudeiro, coisa que as mulheres de minha praia dificilmente fariam.

Tenho me chocado menos com estes esbarrões, pois hoje entendo um pouco mais desta questão. Mas lhes confesso que o esquálido contraste de ontem agrediu meu atual e verdolengo entendimento.

(Verão de 2011/12).

Um documentário veiculado hoje pelo History Channel me causou indignação ante o aparato de segurança consignado ao sumo pontífice e a suposta riqueza do Estado do Vaticano a qual nunca é possível mensurar visto ser o banco do Vaticano um mistério.  A polícia suíça, responsável pelo estado é uma das mais bem aparelhadas do mundo e seus treinamentos, de tiro, por exemplo, causam inveja ao exército Americano. O Banco do Vaticano é um segredo guardado a sete chaves… Por quê?

Ante tamanho disparate, fico a me lembrar dos responsáveis pelas segunda e terceira revelações:

Jesus, doce como um favo de mel, era um romeiro que possuía somente uma túnica, um par de sandálias e não tinha, muitas vezes, onde reclinar a cabeça. Certamente diariamente quando Jesus adentra ao Vaticano, deve se escandalizar como aconteceu no episódio dos vendilhões do templo. Não tenho dúvidas que lhe sobra hoje indignação e faltam chicotes para coibir tanta imoralidade.

Apesar de filho único, os pais não deixaram bens a Kardec; deixaram-lhe, entretanto, uma educação esmerada. Pouco se comenta sobre as dificuldades financeiras de nosso codificador. Sabe-se que sua esposa Amélie Gabrielle Boudet dispunha de alguns imóveis que lhe garantiriam recursos tanto para o sustento do casal como para as obras da codificação.

Em Jesus e o Espiritismo, pg. 157, identifiquei curioso diálogo entre Dr. Inácio Ferreira – espírito – e o psicógrafo Carlos Baccelli abordando o assunto em questão:

– “Sobre certo aspecto, a gente fica com pena do Codificador! Concorda?

– Meu filho, muitas vezes, quando Kardec estava dormindo, Amélie se levantava e, sem que ele percebesse, colocava-lhe dinheiro no bolso do paletó! No outro dia, ao perceber a generosidade da esposa, que tudo fazia para não constrangê-lo, ele se comovia às lágrimas…

– Sendo pobre, ele era constantemente acusado pelos opositores do Espiritismo de ter milhões…

– Na ‘Revue Spirite’ de 1862, se refere à calúnia de um padre V., que escreveu, dizendo que ele vivia uma vida principesca e que a sua mesa era extremamente farta. – ‘Que diria o padre – rebateu Kardec -, se visse minhas refeições mais faustosas, nas quais recebo os amigos? Achá-las-ia bem mais magras que a magra de certos dignitários da Igreja, que provavelmente as repeliriam para a mais austera Quaresma’”.

Coincidências ou não, lia o capítulo bem no horário em que o programa era apresentado. Possibilitou-me a ocasião, estabelecer este paralelo entre o Vaticano e a vida franciscana dos autores da segunda e terceira revelações.

Bom proveito!

 (Verão de 2011/12).