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“… Há muitas ações que são crimes aos olhos [de] Deus e que o mundo nem sequer como faltas leves considera. [Porém] não vos cabe dizer de um criminoso: ‘é um miserável; deve-se expurgar da sua presença a Terra!’ (…) Observai o vosso modelo: Jesus. Que diria ele, se visse junto de si um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão. (…) Ajudai-o a sair do lameiro e orai por ele.” (Isabel de França, Havre, 1862).

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Espírito Superior, a Benfeitora antevê outros crimes que não os tradicionais de seu século – duelos com armas brancas, de fogo, assassinatos:

Futura todos os crimes velados, cometidos por ‘colarinhos brancos’, que lesam irmãos diariamente: são os criminosos modernos.

Tais criminosos deste século, sonegando escolas, infra-estruturas, saúde, moradia, dignidade… afrontam os pequeninos aos “olhos de Deus”os preferidos do Cristo.

Mergulhados numa desfaçatez, asseclas os aplaudem, pois isso “nem sequer como faltas leves consideram.”

Do outro lado, em reações dantescas, como sanguinários cruzados, defensores da moral, nos firmamos em contraponto: não por regra ou disciplina, mas algozes modernos; o rótulo de cristãos nos afiança!

Nivelamo-nos a todos: aos santos cruzados; inquisidores; de colarinho branco; aos miseráveis de todas ordens e tempos:

Tornamo-nos, por afinidade  ou incompaixão, aspirantes ao “expurgo de nossas presenças na Terra.” Fadados à peneira fina que nos excluirá do seio dos regenerados.

Ao lado desses criminosos modernos, nos auto-recrutamos como novos cruzados e neo-inquisidores: ainda amantes de Talião e dos lapidadores.

Arrazoamo-nos: não foram eles investidos por nosso voto? Como tal não deixam de cumprir o acordado? Não se fizeram delituosos entre a plataforma e o mandato?

E continuamos argumentando: desarmados do ferro branco, arma de fogo, disparam falas e canetas; se atiram à inércia; se tornam os mais novos tiranos do povo!

E como tal os veremos e lamentaremos nossa chancela invalidada…

… Mas como não incluí-los no rol de nossa misericórdia ao verificarmos que nada é em vão, na Lei de causa e efeito?

O convite à boa vontade na época de transição também nos é feito, para que sejam as partes livradas do expurgo que antecederá a Regeneração.

Perante tal convite, lesados e criminosos lancemos um olhar benevolente à Jerusalém de antanho – o centro do poder dos milênios passados – e nos perguntemos como Ele agiria?

Somente a exemplo, lembraremos a humildade e a fé do centurião pedindo cura ao servo; os propósitos de Maria Madalena em recuperar-se; e do outro centurião e os que O guardavam no Gólgota testemunhando que era “verdadeiramente o Filho de Deus.”

Entre uns poucos bem intencionados e os mal intencionados em maioria, trataria a todos como doentes do Espírito e diria não ter vindo para os sadios.

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Lançados ao “lameiro” por próprias opções, tais infelizes precisam de compreensão, mas precisam, também, do veto educativo em pleito vindouro. Se o escândalo é preciso à oxigenação do Planeta ainda mau, ao escandaloso será cobrado reparação; mas que também neste processo doloroso nossas vibrações positivas, compreensão, piedade, comiseração, serviço, imposições de mãos e orações serão necessárias.

Estas observações de Isabel farão consonância com o “verdadeiro sentido da palavra caridade como a entendia Jesus: benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.” (questão 886). Exortações visando realinhar ofendidos e ofensores.

E se não perguntam o quanto de indulgência necessária perante a proporção das imperfeições, convenhamos que aos criminosos modernos ou de lesa-pátria, e aos cristãos de Kardec também estão estendidas as recomendações dos Superiores.

(Sintonia: Kardec, Allan, O Evangelho segundo o Espiritismo, tradução de Guillon Ribeiro, Cap. XI, item 14, Caridade para com os criminosos; 104ª edição da FEB; e O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro, questão 886; 71ª edição da FEB) – (Evangelho no Lar, 7 de agosto; inverno de 2017).

1321309718834_fNosso ilustre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira nos explica que golpe é um “choque produzido por um corpo que em movimento rápido, atinge outro com maior ou menor intensidade.” Palavra do momento, o tão alardeado verbete leva-nos a algumas reflexões em momento crucial de aperto de cintos:

GOLPEIAM-NOS quando, quase que diariamente, vamos ao nosso mercado de preferência e vemos o preço da banana – que já não tem mais ‘preço de banana’ – ser vendida pelo dobro do preço anterior.

GOLPEIAM-NOS quando oportunistas de serviços de ordem pública ou privada são-nos oferecidos de forma precária e com reajustes incompreensíveis, pois não condizentes com a elevação de salário que nos oferecem.

GOLPEIAM-NOS quando em nossa TV ou rádio vemos e assistimos propagandas governamentais das diversas esferas, de forma lustrosa, mas duvidosas, a respeito de educação, saúde, saneamento básico, segurança e transporte. GOLPEIAM-NOS quando entendemos o preço que custa tais comerciais exibidos normalmente em horários nobres. Se os governos são tão bons (e não o são!) por que alardeá-los?

GOLPEIAM-NOS quando vemos, por exemplo, firmas tradicionais de nossa Zona Sul demitirem operários aos milhares; vermos a Marcopolo Rio (Xerém) declarar ‘Lay-Off’ (demissão/rompimento de contrato) por 5 meses (carrocerias Marcopolo são vistas rodando no Peru e outros Países Sul Americanos); vermos a Comil Lorena – SP fechar seu pátio por tempo indeterminado; e na Mercedes Bens de São Bernardo do Campo, 1500 operários estarem em licença remunerada desde fevereiro deste ano.

GOLPEIA-NOS o governo federal e estadual quando rodamos por rodovias esburacadas de nosso estado, pedagiadas a R$ 9,70, quando na vizinha Santa Cataria roda-se por rodovias ‘lisas’ com consórcio a R$ 2,30.

GOLPEIAM-NOS quando vemos ‘funcionários’ de mãos ensangüentadas desejando estancar sangrias visivelmente irreversíveis. Ou quando se retira um parlamentar do comando da câmara dos deputados por visível decoro e este é substituído por outro também investigado em operação da Polícia Federal.

GOLPEIAM-NOS quando a imagem não desses indivíduos, mas de nosso País corre o mundo instantaneamente e servimos de chacota a povos próximos e distantes.

GOLPEIAM-NOS e GOLPEAMOS-NOS quando ouvimos a bondosa e benemerente senhora afirmar que ‘já não consegue dar café com leite à sua centena de crianças assistidas; mas que mesmo assim lhes dá café preto e carinho.’ Isso sim é golpe, pois a população não a ajuda pois que também não tem de onde tirar e o poder público não está nem aí! Perante fatos como este golpeamo-nos e choramos…

GOLPEAMOS-NOS quando nos tratamos de ‘verde-amarelos’ ou de ‘vermelhos’, quando nossas cores deveriam ser, em unanimidade, verde, amarelo, branco e azul, pois assim está definido no Brasão e Bandeira da República Federativa do Brasil.

GOLPEAMOS-NOS quando nos definimos por partidos, ou por cores, ou por credos, ou por opções ou por… quando nossa definição deveria ser pelo bem estar, pela ‘ordem e progresso’ e pela fraternidade.

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Antes de nos digladiarmos – os ‘verde-amarelos’ e os ‘vermelhos’ – vamos meditar sobre os verdadeiros sentidos de golpe; que todos estamos sendo golpeados, pois que todos somos consumidores de produtos e de serviços; que se os mais abastados estão sendo confrangidos, imaginemos os menos privilegiados; e que somente uma boa vontade Nacional amenizará a presente crise.

Escreveu Germano Rigotto na Seção ‘Análise’ do Diário Popular desta data: “A tarefa [do vice-presidente, caso venha a assumir] é praticamente do tamanho de um novo país, de uma reinvenção, de um grande reposicionamento nacional. Se acertar, conseguirá conduzir adequadamente um governo de transição. Se errar, crescerá a tese de novas eleições ou mesmo [do retorno da atual presidente], depois do prazo previsto para o seu afastamento provisório. Estamos na curva de um grande ciclo histórico...”

Até lá… que GOLPEIEM-NOS, mas que não nos GOLPEEMOS!

(Outono de 2016).