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50994_papel-de-parede-farol-da-costa_1920x1440– Visitante: “… Não desejais, pois, fazer prosélitos (adeptos)?”

– Allan Kardec: “Por que eu desejaria fazer de vós um prosélito se vós mesmo isso não o desejais? Quando encontro pessoas sinceramente desejosas de se instruírem e que me dão a honra de solicitar-me esclarecimentos, é para mim um prazer e um dever (…) Os mais incrédulos serão arrastados pela torrente. Alguns partidários a mais, ou a menos, no momento, não pesam na balança. Por isso, não vereis jamais zangar-me para conduzir às nossas idéias aqueles que têm tão boas razões como vós para delas se distanciarem.”

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Este diálogo, pouco difundido e que se encontra no início do Cap. Primeiro de O que é o espiritismo, leva-nos a algumas reflexões muito sérias no atual contexto de modernidade e a facilidade dos atuais meios de comunicações e divulgação da doutrina:

  • Na maioria das vezes, divulgamos anonimamente. O ‘terreno’ que recebe a semente sequer sabe quem é o semeador;
  • Desejamos uma germinação automática, quando sequer sabemos se nosso leitor isso mesmo o deseja;
  • Infelizmente, dado nosso orgulho, vaidade e egoísmo, não desejamos adeptos, mas simpatizantes àquilo que ora escrevemos ou à forma atraente que julgamos estar utilizando;
  • Não estamos preocupados em saber se ao menos ‘um’ leitor, de boa vontade assimilou a orientação, ensinamento, exortação; e
  • Finalmente, e o mais grave, estamos preocupadíssimos com a ditadura do alcance, visualizações, curtidas, compartilhamentos, comentários…

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Se o próprio Kardec não desejava fazer prosélitos – adeptos, seguidores… [aqueles que] não o desejavam, como impor-nos tal responsabilidade? Apesar de haverem, segundo o codificador, o prazer e o dever da divulgação, por que zangar-nos perante o natural desinteresse até de confrades por aquilo que estamos tentando proclamar?

O clichê (molde) da atual ‘febre’ de divulgação não nos deverá atingir, visto que a tarefa de semear nos exigirá a boa semente do fundamento, mas os solos sempre serão de naturezas variadas, de germinação e crescimento diferenciados, e os louros da colheita a nós não estarão afetos.

(Sintonia: O que é o espiritismo, Allan Kardec, tradução de Salvador Gentile, Cap. Primeiro, Pequena conferência espírita, Primeiro diálogo – O crítico, 27ª edição do IDE) – (Outono de 2015).

patch-adams-3De uma forma inusitada iniciamos ontem, 23 de setembro, o roteiro 3, módulo VI do ESDE, obsessão e enfermidades mentais (ou obsessão e loucura): Questionamos o grupo com a pergunta ‘qual é a tua loucura’? Respostas variadas: ‘Sou louco por futebol; sou louco por dança; sou louco pelo meu trabalho; sou louco por minha filha; sou louco por leitura… ’ Integrante, dando, realmente, sinais de demência, disse ‘ser louco pela sogra’. Brincadeira à parte, – até porque o assunto é sério – nossa aula tomou rumo gostoso e esclarecedor…

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Quando nos declaramos loucos por alguma coisa, precisaremos estar atentos a que evolução essa ‘loucura’ nos poderá levar; se ficará em algo prazeroso, como um lazer que evolui para um hobby e que não descambe para uma fascinação, obsessão ou loucura propriamente dita…

Faz parte do roteiro estudado: “Todas as grandes preocupações do espírito podem ocasionar a loucura: as ciências, as artes e até a religião lhe fornecem contingentes. A loucura tem como causa primária uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna mais ou menos acessível a certas impressões. Dada a predisposição para a loucura, esta tomará o caráter de preocupação principal, que então se muda em idéia fixa1”; daí a descambar para uma subjugação doentia será um pulinho, visto estarmos oportunizando más influenciações de encarnados e desencarnados equivocados.

Enquanto ‘formos loucos’ simplesmente por um hobby, diversão ou lazer necessários, estaremos raciocinando com sanidade. Mas a partir do momento em que ficarmos obcecados por um lazer que traz em seu bojo irmãozinhos menos esclarecidos e mal intencionados em nos retirar da retidão, essa ‘loucura por tal coisa’ poderá se tornar em algo obscuro.

Ficarmos alienados a um só círculo de amigos, a uma só atividade, a um só tipo de leitura, – e aqui me confesso ‘pecador’ – a um só tipo de lazer, às mesmas páginas de relacionamento… poderá ser o início de uma obsessão que evolua de sua forma simples à subjugação.

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“Ninguém consegue viver inteiramente isolado. Influenciamos aqueles que nos rodeiam e recebemos influências do nosso meio.2

Para que fujamos à loucura, nossas vidas precisarão não ser tão ortodoxas, pois a austeridade aqui será algo inconveniente.  Variemos um pouco, procurando novos gostos.  Ontem no estudo verificamos que o assunto ficou mais agradável, leve, participativo e até chegamos à conclusão que de loucos todos nós temos um pouquinho. Mas que o assunto é sério, é!

(1. O Livro dos Espíritos, introdução, item XV; e 2. Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Cap. 13, Vida comunitária. Imagem: Dr. Hunter Doherty “Patch” Adams) – (Primavera de 2014).