Posts Tagged ‘Preconceito’

tumblr_l6mihwwDqd1qd4jq9o1_500 (1)Passados 70 anos, lembramos do nazismo e nos envergonhamos. Mas os povos ‘tão somente’ se envergonham!

Envergonhamo-nos, mas não nos redimimos:

Porque em atos paralelos agrilhoamo-nos à homofobia, ‘gordofobia’ à tirania da moda e das aparências; às opressões de cor, credo e expressão; na aversão aos ‘jeitos’…

E precisaremos de mais 70 anos para nos envergonhar?

Mas não será muito tempo se…

… Passados novos 70 anos precisarmos de mais 70?…

(Sintonia: Programa Encontro com Fátima Bernardes, 18.5.2015. Honra aos 70 anos da Vitória das Forças Aliadas sobre as ações nazistas, 8.5.2015) – (Outono de 2015).

Com todo o respeito que possuo sobre os jumentinhos (animais), meu passaverso contra o racismo…

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Meu orgulho mora na torre mais alta do castelo de minha vida;

Particularmente, tenho muita dificuldade em administrar e compreender o orgulho dos outros, pois o meu não permite;

Meu orgulho, em mirante espetacular só olha de cima para baixo e vê coisas e seres pequenos, insignificantes;

Meu orgulho possui um irmão gêmeo – chamado egoísmo – que mora com ele em seu prazeroso castelo;

Meu orgulho está sempre acompanhado da donzela vaidade que, caprichosa, sempre influi em suas atitudes;

Meu orgulho possui também outras companhias: A arrogância é uma balzaquiana que não se dobra; a soberba é quase sua irmã ou ao menos em muito se lhe parece. Há ainda outras jovens ou nem tanto que compõem o seu séqüito, como a presunção que lhe toma conta da agenda, o controlador na ‘pasta’ da hipocrisia e o perfeccionista ‘quase’ pudico;

Nas cercanias do castelo de meu orgulho – num ‘ladeirão’ – há um vilarejo onde moram personagens humildes e fraternos; meu orgulho não se relaciona muito bem com essa ‘estranha’ vizinhança;

Meu orgulho dita normas de bem proceder que, na verdade, só não conseguem normatizar a sua vida;

Meu orgulho tem carro bom e quase que intocável… Não é desses utilitários que carregam pessoas necessitadas por ruas esburacadas a qualquer hora da noite; ‘ambulância’, nem pensar!

Meu orgulho doutor em regras de trânsito é, na maioria das vezes, inflexível, não admitindo exceções tão pouco falhas alheias;

Meu orgulho quando confronta guardadores, catadores, frentistas, lavadores… Os considera todos subempregados e servis acomodados… Moedas para eles só as pequeninas; a que possui a ‘República na cara’, nem pensar! Uma palavra boa é perda de tempo com esses ‘vadios’.

Amigos queridos, se passarmos os olhos nas constatações da crônica acima – e lhes pedimos que o façam com naturalidade -, certamente nos identificaremos em mais de um item. O meu orgulho ou o nosso orgulho não é coisa de hoje e sua comitiva o acompanha ao longo de nossas diversas encarnações.kjdfgh

“Todos (os espíritos inferiores e imperfeitos) têm deveres a cumprir. Para a construção de um edifício não concorre o último dos serventes de pedreiro, como o arquiteto?” nos responde de forma categórica a questão 559 de O livro dos Espíritos. Todos, de pequenos, médios e grandes talentos, somos responsáveis pela melhoria do Planeta, mas somente a humildade nos fará perceber este poder de transformação. A humildade e a disponibilidade de nossas habilidades, nesse caso, deverá ser tal qual o farol que iluminará a caminhada de nossos parceiros, porém o roteiro será, inevitavelmente, traçado por cada um.

Em uma unidade de saúde há diagnósticos clínicos ou geriátricos que só terão total sucesso com o concurso da fisioterapeuta, anônima e muitas vezes relegada ao segundo escalão do posto médico; e o fracasso do cirurgião experiente se faria se os instrumentos não estivessem religiosamente esterilizados.

É mais construtiva a humilde colaboração dos pequenos empreendedores do que a empáfia dos grandes gênios.

As pessoas humildes chegam à nossa praia e vão logo nos convidando para jantar; os abonados chegam à orla já comendo o nosso lanche.

Quando abordam o tema Orgulho, à pg. 31 de As dores da Alma, Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed dizem que “nosso orgulho quer transformar-nos em ‘super-homens’, fazendo-nos sentir ‘heroicamente estressados’, induzindo-nos a ser cuidadores e juízes dos métodos de evolução da Vida Excelsa e, com arrogância, nomear os outros como desprezíveis, ociosos, improdutivos e inúteis.” Ou seja, o nosso orgulho do alto de sua torre, nada construirá, pois só verá o que lhe convém. Julgará, mancomunado com seu séqüito, que todo aquele Zé povinho do ladeirão, nenhuma utilidade tem para o paço em que pensa reinar.

Perguntamo-nos, então, como encaixar “o último dos serventes” nessa corte tão perversa? Todos nós sabemos que o contrário é mais salutar: Depor o monarca!

(Verão de 2011/12) – Pub O Clarim Jun 2013.

Quando firo minha mão com uma farpa – também felpa – ou com um espinho, logo a região ficará inflamada… Inflamada, de chama, com vermelhidão; logo a seguir o ferimento ficará dolorido e purulento.

A pessoa pouco ética poderá se deixar também inflamar por opiniões alheias e deixar-se conduzir a todo o tipo de preconceitos.

Tal qual o organismo atingido pela farpa, o preconceito ou julgamento pré-concebido, é aquela felpa que invade um determinado grupo, o inflama e o leva ao pus da intolerância.

O contrário de preconceito chamaria de tolerância. O Mestre das Tolerâncias, por pensar por si mesmo, ser autônomo e não ater-se a fórmulas sociais, conseguia viver serenamente junto a pessoas ditas de má vida; já houvera ensinado a seus discípulos e sempre punha em prática que não viera para se ocupar dos sadios, mas dos doentes – diferentes, caídos, malquistos – que Dele precisariam. Passaria o Mestre dos Socorros e das Isenções a demonstrar publicamente como se deveria proceder ante as desigualdades:

  • Jantaria e alojar-se-ia na casa de Zaqueu, o chefe dos publicanos, dito usurpador do povo e inimigo número um deste;
  • Ergueria Madalena da terra poeirenta e pedregosa de Jerusalém, ante a fúria de seus algozes;
  • Expulsaria demônios, curaria cegos, paralíticos, lunáticos e leprosos; e
  • Atenderia necessitados em dia de sábado, afirmando que ‘o sábado fora feito para o homem e não este para o sábado’.

O homem autônomo nunca se deixará inflamar por coisas que ainda não constatou ou porque lhe disseram, justamente porque ‘é’ autônomo!

* * *

O bem desconhece batinas, terno e gravata, hábitos azuis e brancos, cinzas ou marrons; desconhece túnicas ou paramentos; o bem, apartidário, poderá estar nas grandes catedrais, templos modestos, capelinhas, santuários; o bem se confunde entre os casebres e os palácios; o bem não pré conceitua situações… Já o preconceito, inflamado e purulento, desconhece ou discrimina a todos…

* * *

A vida é uma constante troca de influências. Há que se entender, entretanto, ser necessário se diferenciar as boas das más. O autônomo assimilará as boas, visto que as más poderão ser puros ‘pré conceitos’ financiados por terceiros, influências mesquinhas ou… só inflamação…

…Que nem a produzida pela felpa!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Preconceito, pag. 83 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera de 2012). 

“‘Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa. ’ Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente. Vendo isto, todos murmuravam e diziam: ‘Ele vai hospedar-se em casa de um pecador… ’”1

No episódio de Zaqueu – e aqui o evangelho não nos fala através de alegorias, mas de um fato histórico -, nosso Divino Socialista nos dá uma demonstração inequívoca de sua isenção.

O publicano em questão instalara-se em cima de um sicômoro – visto que era de baixa estatura – para melhor socorrer-se e render-se ao Mestre que, passando por Jericó dirigir-se-ia para Jerusalém. Ora, o que pegou é que publicano era persona não grata na Judéia, por serem consideradas pessoas de má vida além de cobradores corruptos de impostos; e nosso personagem era nada mais, nada menos que o chefe deles.

Mas por que Jesus se entreveraria, inúmeras vezes, a essas pessoas consideradas à margem? Na verdade o Mestre das Multidões sentia-se bem com quaisquer tipos de pessoas, até porque público era a sua ferramenta; fazia parte de seu ofício. Idéias pré-concebidas não faziam parte de seu discurso; tão pouco havia atitudes preconceituosas em seu proceder. Como já dissera em outra ocasião, Ele não viera para os sãos; estes não precisariam de sua assistência médica; os doentes, sim.

Aqui a hipocrisia local falou mais alto – apesar de ter sussurrado – e a história do pequeno Zaqueu passou a confundir-se com preconceito, intolerância, racismo.

Como somos sábios em se tratando de indiciar! Em julgamentos e opiniões sobre religião, cor, classe social, somos rápidos, cruéis, contundentes, implacáveis e ilimitadamente radicais. Esquecemo-nos que o Mestre das Misericórdias vivia suave e indulgentemente infiltrado entre cobradores de impostos – que era o caso de Zaqueu -, prostitutas e leprosos… O povo, do mais diverso matiz era seu palco, como já salientamos.

Não estamos, aqui, fazendo uma apologia à promiscuidade e sim tentando nos revestir da mesma compaixão do Divino Amigo e nos inserir em seu Programa Social que vem dando certo há dois mil anos. De forma nenhuma nos sintamos confusos nessa luta, mas consciente, disponível e humildemente integrados a ela.

Hammed nos orienta que “Jesus de Nazaré combateu sistematicamente os ‘espinhos da opressão’ na pessoa daqueles que observavam com rigor, rituais e determinações das leis, em detrimento da pureza interior. Dessa forma, Ele desqualificou todo espírito [todo o sentido] de casta entre as criaturas de sua época.”2

Quantos eruditos havia no secretariado de Jesus? Um ou outro! O Mestre não estava preocupado em reunir auxiliares pertencentes a castas, mas homens castificados a partir de suas boas vontades.

A própria mediunidade, sexto sentido concedido a todos nós, de boas ou más vidas, abomina predileções, racismo e não está circunscrita aos mais agraciados uma vez que – este dom natural – está à disposição dos mais diversos credos, de todas as nacionalidades, de todos os padrões sociais e das mentes mais intelectivas às mais tacanhas.

O Socorro que vem dos Céus, não chega particularizado para brancos, negros ou amarelos, nem para arianos ou judeus, tampouco para as diversas opções de sexos, muito menos para ortodoxos ou céticos; esse auxílio chega indiscriminadamente e a mancheias. Aliás, essa assertiva ficou explícita na Parábola do Bom Samaritano onde a assistência ao infeliz possuía, tão somente, a cor do socorro e a identidade do socorrista possuía, exclusivamente, o RG da compaixão.

O Pecado, ou a má vida – porque transitórios – poderão não estabelecer uma identidade; o amor, a tolerância, o atenuante, o consolo, o perdão, a desculpa – porque incontestáveis -… Poderão!

 (Bibliografia: 1. Lucas, 19, 5-7; 2. Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto – Renovando Atitudes, Pg. 67).

(Final do verão de 2010/11) – (Pub. ‘O Clarim’, Set 2011).