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Filosofando um pouquinho: Pertencesse eu a um Planeta Regenerado ou Feliz, preocupar-me-ia com todo o bem que não pude fazer hoje… Ou que ficou para fazer amanhã!

Quando o Mestre me asseverou “não estejais inquietos pelo dia de amanhã porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. A cada dia basta o seu mal”, Ele se referiu a um Planeta de Provas e Expiações do qual se tornara Governador e ora conduzia ‘pessoalmente’…

Se a cada dia basta o seu mal – para um planeta ‘menos feliz’ – a cada dia basta o seu bem, O parafrasearia eu se vivesse num Planeta Feliz.

A questão aqui é a preocupação, que, sob aspectos diferentes sempre haverá, independente do planeta em que eu viva…

Os terráqueos sempre e doentiamente, se preocuparão… Já os ocupantes de Mundos mais Felizes, prudentemente, serão previdentes:

1. Contam-me literaturas sérias que narram missões de socorro a zonas de agonias do Plano Espiritual que os seus abnegados Patrulheiros do Bem, planejam, no dia anterior, como e de qual melhor forma irão proceder no decorrer dessas missões no dia seguinte. Não deixa de ser isto uma preocupação, uma ‘santa preocupação’, ou, concluído minha idéia, uma prudente previsão.

2. Já ao habitante da Terra – e Jesus estava encarnado ‘na Terra’ quando falou a frase – a cada dia basta o seu mal, ou inquieta-se pelo dia de amanhã. Inquieta-se, perde a calma, se arrenega, perde a compostura, o sono… por coisas que nem sabe se acontecerão no dia seguinte.

Mas como não raciocinar com meu Planeta, se é aqui que hoje vivo? Como mudar minhas atitudes em relação à preocupação? A melhor fórmula talvez seja seguir o ritmo da Mãe Natureza, pois esta sempre me ditará os mais sábios aconselhamentos:

  • Os plátanos, álamos, videiras, figueiras… que no outono perderam suas folhas, – há quatro meses atrás – ao fazê-lo já deixaram todos os embriões onde, na primavera, espocariam os primeiros brotos que aí estão;
  • O rio, que de acordo com a topografia do terreno se precipita conforme sua necessidade, logo adiante, numa planície, se espraiará calmo;
  • Sanhaços, sabiás, sebinhos, beija-flores que no julho passado comiam, cantavam e me encantavam, recolhem-se aos ninhos na primavera onde seus filhotes nascerão, crescerão e no inverno vindouro serão os novos cantadores de meu pátio; e
  • A semente lançada à terra terá o seu tempo de germinar, o de crescer e o de frutificar. Nosso homem rural também sabe desses naturais ciclos, tem muito a ensinar e o que seria dele se não os obedecesse.

Enquanto não puder afirmar a cada dia basta o seu bem, – próprio de Mundos Felizes – vou meditando nas sábias palavras do Mestre: ‘Olhai as aves do céu, que não semeiam nem ceifam… e os lírios e as flores do campo: Nem Salomão se vestia como elas’, para que acalme meu passo, para que não me ‘pré ocupe’ e forneça toda minha possível contribuição à Regeneração que bate à porta!

(A sintonia é do cap. Pré-ocupação, pag. 51 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera ‘encardida’, 2012). 

A aula do ESDE era sobre preocupação. A natureza é o melhor exemplo de despreocupação. Rodolfo, do alto de sua experiência lembrou à turma para não esquecer que o livre-arbítrio era domínio do hominal e jamais do mineral, vegetal ou animal…

Mateando hoje – 24 de março – na gostosa Av. Rio Grande, olhei as aves do céu em seu frenesi e me parei filosofando solito. Vejam no que deu:

  • As pessoas estavam apressadas; no máximo de duas em duas, conversavam pouco, não se saudavam. Algumas sussurravam ao celular… Outras, ansiosas, olhavam a muda tela do seu, realizando ocultas cobranças. Custou-me arrancar o sorriso do cidadão que passava de muletas. Mas todos possuíam seu livre-arbítrio!
  • No alto, o alarido era geral, ‘conversa’ animada; ‘papearam’ durante todas as duas horas que lá estive. Mas elas não possuem só o instinto?
  • Um pai passou com a filha, já saindo da adolescência; deveria ser universitária, daquelas que moram em nosso balneário. Foram comprar algo para a casa ou apartamento; parecia um cabide para cortina: Mas o pai é ‘quem’ carregava o artefato. Mas, pai e filha possuem o livre-arbítrio!
  • Olhei para cima e uma delas – que só possui o instinto – carregava no bico um graveto maior que ela própria. Meu livre arbítrio me permitiu fazer um paralelo com a moça que – também com seu livre-arbítrio –, se furtava de carregar o cabide.
  • O Cassinense mora em casas cercadas de grades ou em apartamentos. Ambos, o morador e os possíveis larápios se utilizam de seu livre-arbítrio para se proteger e para ‘trabalhar’.
  • Elas moram em colônias. No ninho bem grande e com várias portinhas há várias famílias. E há muitos ninhos! Protegem-se? Mas só têm o instinto!
  • As pessoas passavam com sacolas… No mercado adquiriram – fruto de seu trabalho -, mantimentos, víveres, ingredientes talvez para o almoço, afinal o livre-arbítrio lhos permitiu.
  • Elas, quem sabe, no horário apropriado atacariam algum milharal, ou plantação de gira-sol ou… Qualquer ‘quitute’ que o Pai do Céu lhes oportunizasse; e tudo rigorosamente atendendo a seus instintos.

É! O Rodolfo tinha razão: O livre-arbítrio é atributo do homem. Mas como o está usando?

Quanto a mim, rigorosamente dentro do meu – livre-arbítrio – liguei o carro e fui para casa procurar nos armários uma sardinha que desde o Globo Repórter de ontem estava com ‘desejo’ de comer.

O ensinamento e o alarido estridente das caturritas, entretanto, não me saíram da cabeça.

 (Nostalgia em um outono, 2012).

Apesar de muito tênue a linha que separa a preocupação da previdência há que se considerar que uma e outra apresentam aspectos diferentes. Enquanto a primeira é patológica, doentia, a segunda é salutar.

Quando, entretanto, me preocupo comigo, por mais doentio que possa parecer, é menos grave que preocupar-me ‘com a vida’ dos outros. Há diferença, portanto, em preocupar-me ‘dos outros’ com preocupar-me ‘com os outros’.

Verificando, então a grande distinção:

Preocupação – “[O indivíduo] por mais que se preocupe, a reunião de todas essas [suas] preocupações não poderá mudar coisa alguma em sua vida.” O maior antídoto para os preocupados é tentar seguir o ritmo da natureza; os plátanos, os álamos, as parreiras, por exemplo, começam a perder suas folhas nesta época e somente as terão de volta lá por meados de setembro, ou seja, uns 180 dias, num processo lento e despreocupado.

Previdência “É importante não confundirmos preocupação com prudência ou cautela. A previdência e o planejamento são desejos naturais dos homens de bom senso.” Lembram do ritmo da natureza? É válido também aqui: Os mesmos plátanos, álamos, parreiras e outros, quando perdem suas folhas, já providenciam os embriões que lhes proporcionarão adquirir novos brotos e folhas quando o setembro vier.

Preocupação e previdência – e todas as demais situações da vida – deveriam sempre seguir o ritmo da Natureza: Devagar e sempre! De mais a mais a Mãe Natureza não dá saltos…

(As expressões em itálico são do livro As dores da alma, de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Final do verão de 2011/12, juntando muitas folhas de plátanos, álamos e parreira).

Quando completei meus 15 anos – e isso lá vai bastante tempo! -, estando ainda no seminário dos Salesianos, internato rigoroso, resolvi escrever uma mensagem atrás de uns santinhos para dar de lembrança a alguém… Mas para quem daria, visto que eu era meio solito no mundo? Uma dessas lembrancinhas acabou me acompanhando até o tempo em que conheci minha amada. Ela e eu nunca esquecemos da mensagem que estava escrita no verso do pequeno papel – talvez uma graciosa imagem de Nossa Senhora -… Dizia assim: Devemos ter um coração aberto para sentir o que se passa com nosso irmão e o que o faz chorar à noite.

Não tenho a menor idéia do autor de verdade tão verdadeira, mas o fato é que a máxima ficou em minha memória e, mais ainda, na memória de minha velhinha.

Sem a sensibilidade, jamais acionarei essa carga principal que deflagra o amor, a caridade, a fraternidade. E esta última tag – a fraternidade – é extremamente caprichosa e estabelece exigências tais quais sejam: Me aperceber da ausência de um confrade do meio onde ombreio; em me apercebendo, ligar para esse amigo procurando inteirar-me do ocorrido; saber se sua dor é física ou moral. Essa fraterna curiosidade deverá tomar conta de mim, mesmo que, para isso tenha que largar o livro que esteja lendo, meu hobby favorito ou até… Meu evangelho. Em fim, procurar saber o que se passa com meu irmão… Talvez ele esteja chorando à noite! (Primavera, já quente de 2011).