Posts Tagged ‘Reciclagem’

Se me preocupo com minha alimentação, fazendo um esforço hercúleo ao fugir de vilões, preferindo os mais saudáveis; se evito bebidas alcoólicas e até certos refrigerantes gaseificados; se tento abster-me de outros tantos vícios – chimarrão ainda não consegui… Se, ‘inteligentemente’ procuro o melhor time para torcer; se procuro manter meu pátio e seu entorno o mais apresentável possível; se me preocupo com a higiene pessoal e de minhas roupas – embora deteste magazines; e se… e aqui poderia enumerar tantos se…

… É muito natural que me preocupe – e o Planeta toma esse rumo… – com a saúde da Mãe Terra. Nunca se reciclou tanto, como nos dias de hoje!

A matéria prima mais abundante e barata existente hoje na face da terra é esta aqui abordada…

…O carpinteiro, se tiver que fazer um móvel ou abertura para um cliente ou o serralheiro um gradil, ambos terão de primeiro providenciar – leia-se, comprar, adquirir – a matéria prima e incluí-la no orçamento apresentado ao freguês…

Com o material reciclável não acontece isso, pois ele é recolhido graciosamente à minha porta, e, na maioria das vezes, lavado, separado e ensacado por categorias.

Não só não me lamento, como tenho consciência que todos ‘lucram’ com essas atitudes; tudo o que eu e a população em geral fizer neste sentido será uma devoção ao Planeta, pois todo esse material não o estará empesteando.

 Quando eu e todos os outros 6.999.999.999 de terráqueos não procederem dessa forma, todos estarão dando um ‘tiro no pé’, pois quem desejará aconchegar-se num colinho de mãe cheio de entulhos?

Há que se considerar, ainda, a urgência dessas ações, não só porque muito se destruiu, emporcalhou, entulhou, mas também pelo pouco que se fez.

Ao me promover a herói pelo mínimo que estou fazendo, precisarei primeiro reciclar a idéia em fazê-lo, tendo em vista a parcela ínfima de minha colaboração.

A cada ação que eu realizar pró Planeta, ele me apresentará uma nova lista de tarefas, todas prioritárias, tendo em vista o muito que já se fez – de errado – e o muito a se fazer – de certo.

Realizando todas as ações que me forem possíveis e pertinentes, e a cada colega planetário, é bem possível que este doente que hoje se encontra em estado grave numa UTI, logo evolua para um estado de melhora, avance para um quarto e em seguida, já com alta, esteja aconchegando os seus filhos.

Entendiam meus ancestrais – Guaranis, Incas, Maias, Astecas… – em sua primitividade que todos os fenômenos e manifestações da Mãe Terra deveriam ser louvados; comportavam-se dessa forma, não porque fossem politeístas, mas porque sabiam do retorno – ou colinho – que ela lhes forneceria.

Hoje, supostos civilizados – incluo-me entre eles – que assim se consideram e ainda monoteístas, desentendem e andam na contramão dos legados dos ‘primitivos’. Não se louva mais a Mãe Natureza como a louvavam os primitivos: Dessa forma, primitivo sou eu!

Todos os gestos de “louvor, respeito e veneração” a serem hoje realizados, não se traduzem pelos rituais de meus ‘pais’, mas através de todos os esforços anônimos, ‘sem faixas’, ‘sem comerciais’, sem fins lucrativos, sem estardalhaços…

Espíritos estão de retorno a este Planeta; um dia irei e retornarei, pois sei que tenho inúmeras expiações e provas: Então, que Planeta eu e os recém chegados encontrarão? Daí a necessidade que cada habitante, em sua época realize as ações necessárias e possíveis.

Considerando que este Planeta é, para cada um, escola, hospital, “estância de experiências de progresso, redenção, resgate e quitação”, como poderá o ser humano desejar desenvolver um aprimoramento e um bem estar espiritual num cenário sem um “bem-estar ecológico?”

Que o Planeta seja para mim e para meus ‘conterrâneos’ além de um colinho de mãe, um exílio de luxo!

(Expressões em itálico e sintonia são do cap. Mãe terra, pg. 44 de Recados do meu coração de José Carlos De Lucca/Bezerra de Menezes, Ed. InteLítera) – (Outono, 2012).

Tenho o privilégio de viver o ano todo na maior e mais democrática praia do mundo, o Balneário Cassino. É lógico que gostaria de não parar por aqui com os adjetivos à minha praia, mas, infelizmente dizer que é também a praia mais limpa do mundo seria uma inverdade. E, quanto a isso nossa Mãe Natureza não leva nenhum demérito, pois o descrédito aí é atribuído aos seus usuários.

A quem então responsabilizar? Aos turistas que aqui comparecem ciclicamente? Absolutamente! Seja o veranista Riograndino, Uruguaio, Catarinense, Pelotense… Não há como estigmatizar, visto que aqui é uma questão de educação.

Veraneio passado estava com o carro estacionado ao lado de uma família na qual pai e filho se deliciavam com seus picolés. Ao término da guloseima, o pai fincou o pauzinho na areia e jogou a embalagem – de plástico e extremamente leve – ao vento… O gurizinho, é lógico, fez o mesmo! Perdeu esse pai uma ótima oportunidade de ensinar!

Essa é a atitude anti-cultural; e ela não tem vínculo à procedência do turista.

Também nosso Mestre, quando por aqui esteve – não falo em nossa praia, é lógico! –, mais que dizer muitas coisas Ele as mostrou através de suas atitudes.

Saindo um pouco da orla e entrando mais na zona urbana – onde há muito descuido, também – há mensagens interessantes a deixar ao público em geral: Nas esquinas, dar a preferência a um idoso, a um ciclista, a um pedestre… Dar um sorriso, um bom dia, um boa tarde ou trocar uma gentileza àquele desconhecido – se é que nesta grande família universal deveria havê-lo – que cruza por mim…

Mas, voltando ao nosso assunto, os resíduos estão por aí, nas dunas, na orla, nas ruas. Para fazer minha parte, reuni alguns e resolvi virar ‘arteiro’. É só uma gota d’água, mas fiquei feliz!

Fotos: 1. Este verão (palitos, canudinhos…); 2. Verão passado (Machu picchu?)

(Verão e muito quente de 2011/12)