Posts Tagged ‘Reencarnação’

Cla01150808“Tomar as dores” é o tema da reflexão: quando alguém se indispõe conosco, porque nos indispusemos com alguém que aquela pessoa gosta muito, dizemos que ele ‘tomou as dores’, tomou partido, ou algo que o valha.

Consideremos, entretanto, que as indisposições entre dois indivíduos (Espíritos já ‘vividos’), têm origem, ou nesta ou em vivências anteriores: doutrinariamente, não há escapatória para isso!

Se assim acontece – e acontece! – dizemos que são pendências ‘particulares’ de dois indivíduos que precisam equilibrar relacionamentos “enquanto estão a caminho”, ou enquanto por aqui estão, ‘nesta’ vivência…

Suas pendências, por serem ‘particulares’, podem nada a ter a ver conosco, portanto, nesse caso, ‘tomar as dores’ seria atitude equivocada. Porém…

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… Há situações – e que, felizmente, não lembramos – que em vidas anteriores agimos em conluio: fazíamos parte de grupos rivais que se prejudicavam com a combinação espúria das partes.

Em outras ocasiões promover-nos-emos a ‘advogados de defesa’, pois nossos laços com a pessoa injuriada por terceiro são tão fortes, que já viemos nos amando, também a muitas encarnações.

Nestes dois casos, sim, torna-se explicável a atitude do “tomar as dores”, já que somos cúmplices de desventuras ou venturas desde ‘a outra encarnação’, como popularmente e comprovadamente nos expressamos.

(Outono de 2017).

tumblr_lqay62FydR1qisllmo1_500‘Perdôo, mas não esqueço’, expressamo-nos vulgarmente quando ofertamos nosso perdão ‘como esmola’ a quem nos tenha ofendido. A estupidez se torna ainda maior quando exclamamos para quem queira ouvir: ‘essa ofensa levarei para o túmulo… ’

Reconhecemos, dentro de uma prática evangélica ainda claudicante que se o perdão já é difícil (pedi-lo ou ofertá-lo), o esquecimento da ofensa é ainda mais delicado.

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O Benfeitor Emmanuel vem em nosso socorro, respondendo a pergunta que lhe é proposta por Chico e sua equipe: “Perdão e esquecimento devem significar a mesma coisa?”

Sem consultarmos a resposta de Emmanuel e dentro de nossas fragilidades evangélicas, vamos logo dizendo que não, que é possível perdoar, mas quanto ao esquecimento vamos logo dizendo que é antinatural, quando não repetimos as expressões grosseiras do início de nossa conversa.

Mas a resposta será sim após considerarmos a resposta do Benfeitor, que dirá a Chico que para o Espírito evangelizado, perdão e esquecimento devem caminhar juntos.

Emmanuel passa a declinar as razões de seu sim, que, basicamente, são duas:

Primeira: Que somente pautando nossas vidas no maior código de ética, que é o Evangelho do Mestre, conseguiremos associar perdão e esquecimento. Convencionou-se em nosso mesquinho Planeta de provas e expiações, ainda afastado da Boa Nova, que perdoaremos, mas que o esquecimento virá após muito, mas muito tempo…

Segunda: A própria lei da reencarnação nos leciona ser apropriado, que a partir de nosso berço esqueçamos as dívidas de todas as nossas vidas pregressas e passemos, nesta nova oportunidade, a viver de observação das evidências que os relacionamentos nos apresentarão. É como se zerássemos nosso cronômetro e aproveitássemos a revivência como nova alvorada da redenção.

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Arrepender-se? É importante! Perdoar ou ofertar o perdão? Mais importante ainda! Reparar? Fundamental! Mas precisaremos avançar através do esquecimento, este próprio das almas nobres ou já banhadas nas águas límpidas das lições evangélicas.

(Sintonia com a questão 340 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

perdao-casalNa Lei Divina, há perdão sem arrependimento?

Nas considerações feitas sobre a Magnanimidade da Lei, ou a forma justa e bondosa como Deus rege os seres e as coisas da sua criação, desfeitear as questões sobre o perdão, seria uma ininteligência.

Para desenvolvermos nosso raciocínio, imaginemos que um dia, por infeliz infortúnio tenhamos subtraído a vida física de inocente filho de uma família.

Em tal caso, todo o processo do perdão passará, inevitavelmente, pelo ajuste das partes envolvidas e se débitos lhes restarem, a Infinita Justiça Divina, mais cedo ou mais tarde, entrará em ação.Vejamos:

  1. Ajuste das partes envolvidas – Todo o processo inicia-se com o arrependimento do faltoso, passa pelo perdão ofertado pelo ofendido e culmina com uma reparação. Falamos aqui de um processo ainda nesta vida.
  • Arrependimento: mais do que dizer, mostraremos aos que choram a falta do inocente que estamos profundamente arrependidos de nosso equívoco;
  • Perdão: à parte ofendida caberá a nobreza do perdão, até por dever considerar que tal ato infame é, e tão somente, efeito de uma causa anterior, possivelmente também infame, mas que as partes desconhecem; e
  • Reparação: aqui a parte mais importante e delicada. Repor uma vida? Não é impossível! Poderemos, se o desejarmos, repor não só uma, mas muitas. Quantos inocentes, à deriva no mar bravio da sociedade, que poderão ser colocados na rota do mar calmo por esse infrator? Não é fácil, mas nem por isso impossível!
  1. Ação da Infinita Justiça Divina – Se as partes não se entenderem nesta vida e se a reparação não for completa, a reencarnação [será] a sagrada oportunidade [como] uma nova experiência [que] já significa, em si, o perdão ou a Magnanimidade da Lei.

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Não equacionarmos questões de perdão será desejarmos escapar à Lei Divina – que se fará ‘aqui’ ou ‘acolá’ – sendo que ela é a única capaz de cicatrizar nossas feridas, por mais complexas que sejam.

Ainda nesta vida, onde ofensor e ofendido precisarão ficar curados, arrepender-se, perdoar e reparar, é sarar!

(Sintonia com a questão 333 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Inverno de 2015).

perdãoDespesas empenhadas (dadas em garantia), mas não pagas em um exercício financeiro, são chamadas de restos a pagar. Deverão ser distinguidas as despesas processadas (liquidadas), das não processadas (não liquidadas) – (Wikipédia).

Se perdoarmos nosso irmão, (aquele de sangue, mesmo) o estaremos absolvendo? E se não o perdoarmos o estaremos condenando? (Desenvolvimento da questão 332, de O Consolador).

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Utilizamos hoje a analogia ‘restos a pagar’ comparando-a a perdões que teimamos em deixar pendentes. O Mestre das misericórdias aconselha-nos a “reconciliarmo-nos com nosso irmão – todos, não só os de sangue – enquanto estamos a caminho” (Mateus, 5, 25), pois quando uma das partes já não estiver ‘mais a caminho’ (estiver desencarnada), a situação ficará ‘osca’, transferindo-se o ajuste para o ‘exercício seguinte’, que significará a necessidade de nova reencarnação.

Tais quais alunos repetentes, nos submeteremos a encarnações e mais encarnações até que ‘passemos de ano’ ou ajustemos nossas ‘contas.’

O livro caixa divino é muito bem conduzido: Sobra bondade, mas a Divindade não é ímproba na justiça. Dessa forma esse Deus Justo e Bom jamais nos condenará a um inferno mitológico, entretanto nos solicitará que em nosso plano reencarnatório requeiramos a permissão para nos reunirmos a todos aqueles irmãos com os quais as questões perdão ficaram pendentes.

Respondendo à questão inicial, proposta por Emmanuel, não haverá nem absolvição, nem condenação, simplesmente um saldo ou o fechamento ou não das contas de um exercício e…

… Se houver saldo positivo, poderemos nos reunir em ‘sistema financeiro’ mais aprazível, para que, em escalas mais elevadas aprendamos outros amores. Se houverem débitos – restos a pagar – seremos convidados a revivermos por aqui mesmo.

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Que se faz ao mau devedor, a quem já se tolerou muitas vezes? Não havendo mais solução (…) esse homem é obrigado a pagar! É o que se verifica com as almas humanas (…) cujos débitos são resgatados nas [sucessivas] reencarnações!…

(Sintonia com a questão 332 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Inverno de 2015).

jesuscarregandosuacruz2Saco de cimento de 50 kg não possui alças. Entretanto profissionais da construção civil possuem uma técnica toda especial em carregá-los: Os mais ousados carregam-nos na cabeça; os mais experientes e sensatos, até para evitarem lesões graves, o fazem juntando-os ao tórax, abraçando-o…

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Carregamos, ao longo de nossas encarnações, cruzes muito mais pesadas que o nosso aludido saco de cimento. Verifiquemos que nenhuma delas possui, também, alças. Possuem, sim, uma forquilha resultante da intersecção do lenho maior com o menor; uma espécie de encaixe perfeito e apropriado ao cavado de nosso ombro.

Como nossas cruzes, não possuem alças de transporte ou argolas para serem arrastadas, a melhor maneira de transportá-las, será abraçá-las. O melhor exemplo ainda é o de nosso Guia e Modelo o qual não tendo nada a expiar, mas submetido a toda espécie de provas e também à da cruz material o fez com ‘técnica’ impecável.

Compreendermos os porquês de nossas cruzes, à luz do pilar espírita reencarnação, ainda é a melhor técnica para transportarmos nossas cruzes. Reencarnação – a nossa que não é missionária – sempre pressupõe reparos morais e tais ajustes advirão da técnica resignada de abraçarmos nossas cruzes ao invés de arrastá-las.

Compreendermos a necessidade e a intenção Divina através de nossas reencarnações, sempre será a melhor motivação e a melhor técnica para abraçarmos nossas cruzes.

Cirineus aparecerão ao longo de nosso caminho que poderão até tornar nossos pesos mais leves, todavia a responsabilidade final sempre será nossa. E nossa técnica, ou a compreensão dos porquês de nossas cruzes, sempre será fundamental para o sucesso do transporte.

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É Carla, já imaginastes se nossas cruzes tivessem alças e rodinhas, que barbada seria?! Mas assim não o são! São, exatamente, os efeitos de nossas próprias causas e como tal deverão ser abraçados, para que se não tornem tão pesados.

(Ensaio feito a partir da exposição de Carla Fabres, em 24 de agosto de 2015, tendo como tema Nossas Cruzes, um capítulo de Horizontes da vida, ditado pelo Espírito Miramez a João Nunes Maia).

escalar-montanha-aventuraNicodemos, ou São Nicodemos, membro do Sinédrio – legislativo judaico – era um fariseu importante à época de Jesus e por diversas vezes suas vidas se cruzaram.1 Num desses encontros, conversavam sobre a necessidade de nascer de novo. Com o ‘papo’ já adiantado, o Mestre diz a Nicodemos “não te maravilhes – ou admires – de que eu te tenha dito: ‘Necessário vos é nascer de novo’” (João, 3:7). A prosa já ia pelo meio e se adiantaria até o versículo 21 quando o Mestre e o futuro santo da igreja romana falariam da ressurreição, ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus… (ESE, IV, 16).

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Se, ainda hoje, o assunto reencarnação, – ressurreição, em crença um tanto ‘torta’ para os judeus – vidas sucessivas, revivências, causa admiração às pessoas, quanto mais há dois mil anos atrás…

Impossível entender muitos pontos da doutrina – entre eles o livre arbítrio – sem que se compreenda a necessidade das vidas sucessivas ou revivências.

Aproxima-se a hora do túmulo e os indivíduos caem em si sobre uma porção de ‘bobagens’ que fizeram nesta existência no uso de sua liberdade. Tal qual o aluno que ao ver todos os seus colegas já em férias se vê compulsado a uma segunda época por não haver aproveitado bem o ano letivo, também as almas, nesse momento, choram seus feitos ou não feitos.

Retornam ao Plano Espiritual e, ante a chance de um novo acordo reencarnatório e perante suas consciências, passam a reescrever o novo futuro, onde realizarão uma revisão com base no tempo desperdiçado e o mau usufruto de seu livre arbítrio na vida anterior. Dessa forma, ante nova dádiva, desejarão…

  • … Não mais enriquecer ilicitamente e à custa alheia, pois já perceberam que nenhuma dessas moedas transportará para a vida eterna;
  • Não mais se encantarem com cargos e encargos que somente lhes roubaram o precioso tempo de acumular “tesouros que a traça não corrói”;
  • Não mais fazer o mau uso de suas inteligências, pois ela é dádiva e instrumento de promoção individual e coletiva;
  • Não mais se dedicarem exclusivamente à meditação ou recolhimento improdutivo, fato que algemou suas mãos, pernas e pés na última vivência; e, entre outras providências, desejarão
  • Não mais realizarem práticas narcisistas, colocando o ego no centro de suas vidas, fato que os impediu de ver as realidades alheias.

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O retorno a um Planeta de Provas e Expiações é a segunda época em que o aluno precisará se dar de conta do porquê de aí estar. Se o sagrado véu do esquecimento o preserva, que verifique as evidências e os sinais a indicar em quais pontos da matéria esteve mais fraco…

Revivência é uma espécie de revisão do mau uso que se possa ter feito do livre arbítrio…

(1. Wikipédia, a enciclopédia livre. Sintonia: Cap. Ante o livre arbítrio, pg. 31, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Verão de 2014).

NossoLar“Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo.” (João, 3:3)

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Ora, para ver o Reino, precisam os indivíduos antes construí-lo através de inúmeros nascer de novo ou de renasceres em outros corpos especialmente formados para eles (ESE, IV, 4) e que lhes proporcione evoluir moral, intelectual e espiritualmente, já que o Reino – com erre maiúsculo – prevê os três fatores…

A cada renascimento, o Espírito – que é o mesmo – receberá corpo, família e condição/situação que já fez por merecer. Com corpo, família, condição e senhor de sua evolução ele avançará mais ou menos na construção do Reino; será senhor ou vassalo de si.

Ao mesmo tempo em que possuirá o senhorio de todos os elementos da Terra ou que todos os reinos do planeta lhe rendam vassalagem, esse indivíduo escolherá, dependendo de sua ‘administração’, se desejará avançar mais ou menos ou se será mais senhor ou mais vassalo no Reino em construção:

  • Senhor do rio, ele poderá até mudar seu curso, aprisionar suas águas e transformá-las em energia que mova o progresso; mas e o curso e a energia de sua moral? Ele já consegue direcionar para o melhor?
  • Senhor do rio, ainda, ele consegue desviá-lo em ramos e canalizá-lo para um aproveitamento na irrigação; mas e o asseio de suas atitudes para com os outros? E a aridez e as descomposturas de sua alma? Ele já conseguiu canalizar lenitivos que lhe tragam o banho refrescante?
  • Senhor das palavras, ele manipula e influencia mentes através da política, da oratória e da escrita; mas e a sua consciência? Ele já consegue influir em sua tranqüilidade e alvura?
  • Senhor dos animais, das plantas e dos minerais, ele domestica seres gigantescos, domina a agricultura, explode a montanha e retira o essencial ao progresso; mas ele já consegue refrear as feras de seu íntimo, exercitar o plantio de virtudes e pulverizar os ácaros que lhe devoram o coração? Sua vida é somente razão ou juízo e sentimento?
  • Senhor da economia e seus superávits, o único gráfico que declina sob seus cuidados é o da inflação; mas ele já consegue balancear suas paixões e inclinações? O traçado da construção de seu Reino está positivo ou negativo?
  • Senhor das pesquisas e das soluções, nas noites insones já experimentou métodos e alcançou remédios para diversas curas; mas ele já conseguiu a solução para sua espiritualização, para as dores de sua alma, ou, ao menos, perdeu o sono perseguindo isso? Solucionou as enfermidades que o fazem vassalo de si próprio?
  • Senhor de uma sociedade, a ela está perfeitamente integrado, sujeito às suas leis terrenas e muitas vezes até submisso; mas ele já consegue compreender que as almas não são somente estas por aqui, visíveis aos olhos de ver? Intercambiou-se, já, com os Bons Amigos da Sociedade Espiritual, necessários à sua guarda e acompanhamento?

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Seu corpo físico, família, posição, são, exatamente, as conquistas que vem consolidando na construção do verdadeiro Reino, o interior, esse que está construindo mais ou construindo menos e do qual está sendo mais senhor ou mais vassalo

O mesmo homem que altera o curso do rio ou aprisiona suas águas, – visando o progresso, é claro! – já consegue domar ou libertar-se de suas más inclinações?

(Sintonia: Cap. Evolução e aprimoramento, pg. 28, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Verão de 2014).

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Os templos mais antigos, de uma época em que não havia sistemas de som sofisticados, possuíam uma boa acústica – ressonância, eco, retumbo… Os sacerdotes, por ocasião da homilia ocupavam o púlpito e com facilidade faziam-se ouvir graças à acústica, ressonância, propagação de suas palavras.

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Toda a ressonância ou os ecos que retumbam no Plano Espiritual a respeito de determinado reencarnando, é levada em consideração por ocasião de seu acordo, contrato ou plano de retorno à vida corporal. Diria que a sua ‘fama’ pretérita ou as ‘notícias’ a seu respeito, serão de suma importância: Todas as partes que serão envolvidas em tal contrato também se obrigarão a cláusulas baseadas em pretéritos ecos, uma vez que serão Espíritos simpáticos, atraídos pela semelhança de suas tendências. (Questão 207). E simpático aqui não se refere a ‘aprazível’, mas a tendências semelhantes, boas ou más.

Quando esse acordo reencarnatório é firmado, e isso é válido para as partes nele envolvidas, o Divino Avalista tem para com todos uma Sagrada Intenção: A evolução de todos! E esse ‘contrato’, a par da Divina Bondade, passará pela lâmina da sua Justiça…

… Dessa forma, esses ‘encontros’ poderão envolver pessoas muito afetas, para consolidarem essa afeição, mas poderá também envolver espíritos que num passado se comprouveram em desatenções, rusgas, malquerenças, chegando a inimizades… É o Mediador lhes proporcionando justas oportunidades.cantora lírica

Uma vez reunidas essas almas, haverá por parte de todas uma amnésia geral e  aí começará a ‘encrenca’, pois ainda dominados pelo orgulho e seus derivantes, todos se autorizarão a modificar os outros, quando precisarão entender que cada qual, produto de si mesmo ou de suas ressonâncias, é que precisará se renovar ou melhorar a emissão de seus ecos; melhorar sua fama ou suas notícias. Todos os que estiverem à sua volta serão, nada mais, nada menos, que seus colaboradores. Todos, também, dado o ‘esquecimento’ precisarão trabalhar com todas as evidências possíveis.

Ao se renovar, o homem transformará o mundo. É o que tentarão realizar essas almas ora reunidas se buscarem aprimorar os ecos que ora produzirão e que se espalharão pela acústica do sagrado templo que agora habitam.

Melhorados e renovados os ecos de cada um, suas famas ou notícias, caracterizado o avanço dos indivíduos e do Planeta… Ou as Divinas intenções se cumprindo!

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Com exceção do corpo que biologicamente procede do corpo – cor e forma de cabelos, olhos, tez, estatura, feições… as almas reunir-se-ão de acordo com suas tendências, visto não procederem do espírito, mas atendendo e tão somente as ressonâncias e famas que construíram em vivências passadas. Olhar-se-ão no comum espelho de suas vidas e deduzirão que o produzido em suas pretéritas existências é totalmente semelhante ou simpático; bom ou ruim!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Renovação, pag. 153 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

Acordo reencarnatório é o nome mais apropriado para aquilo que chamam de destino ou fatalidade. Tal acordo que um dia foi mediado entre o Plano Espiritual e minha consciência teve suas cláusulas pautadas na vida pregressa do cliente, no caso eu. De volta ao plano físico o véu do esquecimento encobre o meu contrato; precisarei então trabalhar com as evidências.

Quando chego de ‘mala e cuia’ neste Planeta, os problemas que se apresentarão para mim na família, sociedade, trabalho, comunidade são justamente as evidências do acordo feito a despeito do favorecimento do esquecimento. O filho problemático, o colega que me enlouquece, a cunhada que me inferniza… O casamento que me realiza, o prazer de uma amizade, são tudo evidências. Se eu perceber e administrar bem todas essas manifestações eu terei mais facilidade de cumprir com sucesso as cláusulas de meu acordo.

Cumprir essas cláusulas todas faz parte de meu amadurecimento, como diz Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed à pag. 38 de As dores da Alma “o amadurecimento do ser humano inicia-se quando cessam suas acusações ao mundo”. Os autores se referem aqui ao meu amadurecimento moral que se dá quando eu deixar de acusar a deus e a todo o mundo e compreender que tenho, sim, pendências com meu filho, com meu colega, com minha cunhada… e contratei confraternizar com minha esposa e com o amigo querido.

Cumprindo, ainda, todas as cláusulas acordadas, estarei mais maduro e auto-financiando meu próximo contrato, mais light considerando o saneamento moral.

É elucidativa a questão 851 de O livro dos Espíritos quando diz que “todos os acontecimentos são pré-determinados… pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, institui para si uma espécie de destino…”

(Finalzinho do verão de 2011/12).

Há exatos 529 anos, Tomás de Torquemada, um frade da ordem dos dominicanos, era nomeado pelo Papa Sixto IV, inquisidor-geral de Espanha. O assombroso número de 2.200 autos-de-fé foi promovido por este inquisidor. Um auto-de-fé compreendia castigos a ditos hereges judeus e muçulmanos e poderia constar de um simples desfile com o tabardo – túnica usada por campesinos – até a imolação na fogueira.

É exatamente sobre este inquisidor que Carlos Baccelli e Dr. Inácio Ferreira se reportam na obra Sob as cinzas do tempo. Em período de férias – que luxo, férias de aposentado! – me aplico em ler um ou dois romances… Pois este valeu à pena cada página. Personagens importantes como Maria Modesto Cravo, Inácio Ferreira, Manoel Roberto, Bittencourt Sampaio, Dr. Odilon Fernandes, Chico Xavier, Dr. Bezerra de Menezes,  D. Querubina – benzedeira – e o próprio Torquemada estão incluídos na saga em apreço.

Encanta-me a honestidade, a franqueza e até a exposição de nosso querido autor espiritual. Separei alguns fragmentos, a título de tira gosto, de passagens até hilárias de Dr. Inácio Ferreira, quando à frente de seu Hospital Psiquiátrico em Uberaba. Divirtam-se!

  • “… Eu era muito mais um espírita médico do que um médico espírita…” (pg. 76);
  • “O segredo para combater a depressão era não perder o senso de humor – eu galhofava o dia inteiro -. Curei muitos perturbados, mostrando-me mais perturbado que eles.” (pg. 95);
  • “… O apoio da família na recuperação de um doente psiquiátrico deveria ser um capítulo à parte na medicina.” (pg. 116);
  • “No espiritismo quem não foi padre ou freira, foi francês…” (pg. 135);
  • “Como dizia minha tataravó: ‘viúvo é quem morre’… Sempre fui contra… esse negócio de luto eterno… Senhoras, ainda jovens, trajadas de negro cultuando uma saudade de maridos que, com certeza, deveriam estar aprontando no Além – vivos ou mortos, os homens eram sempre os mesmos…” (pg. 204);
  • “Chegaram trazendo ovos e queijos e para mim, em especial, um rolo de fumo de corda tal, que, para qualquer outro fumante inveterado, daria para fumar uma vida inteira, mas para mim não.” (pg. 228);
  • “Lamento os companheiros médicos – lamento profundamente – que memorizam certos medicamentos e se põem a exercer a psiquiatria com uma caneta e um bloco…” (pg. 241).

Como vemos Dr. Inácio está aqui, também nesta obra exposto, fumante inveterado, encrenqueiro, mas realizando todo o bem possível; brabo, mas também bravo e misericordioso…

Quanto ao final… Leiam o romance: Forte, emocionante, surpreendente!

(Verão de 2011/12).