Posts Tagged ‘Reforma íntima’

legumes_agricultura_familiarFalando expressamente de terra, ‘lavrador’, que é ser ou não ser guardião da terra?

Defender a terra é compreendê-la como dádiva, descobrir seu potencial de nos fornecer na medida em que com ela nos preocupamos. Deixaremos de ser seu guardião sempre que a entendermos como algo inanimado, infértil, improdutivo e inútil.

Poderemos ter o prazer de tocá-la com nossas próprias mãos, sentirmos sua energia, sua servidão, mas também ela poderá não nos despertar o menor interesse. Seremos aí seus guardiões ou não.

Muitas vezes plantamos, mas fiscalizamos mais a plantação alheia do que a nossa: Deixamos de guardar nosso plantio, mas fiscalizamos a plantação alheia; dessa forma, nem a nossa, nem a alheia obterá lucros conosco.

Algumas vezes não devotamos o devido insumo e água à nossa terra; outras vezes lhe damos atenção e ela produz ‘cem por um.’ Eis o descaso e o tributo à terra.

Ainda desatinados por dores físicas diversas damos desculpas mil para o não cultivo. Outras vezes mesmo adoentados, compreendemos ser necessário tocarmos nossa lavoura: a opção pela dor e o descaso à terra; e a abnegação e resignação, mesmo amolados…

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Nas questões de nosso Espírito sucede a mesma coisa: Precisamos descobrir o potencial divino que possuímos; entendermos que ele precisa do bom cultivo; somos responsáveis por ‘nossa’ evolução em primeiro lugar e as parcerias virão depois; também nosso Espírito adquire ervas daninhas, precisando dessa forma de capina, sagrados insumos e da água das virtudes; e entendermos que doenças do parceiro corpo e do próprio Espírito, sempre será a maquiagem com a qual nos apresentaremos ‘bonitos’ na Vida Futura…

“Ninguém [obterá] o resultado excelente, sem esforçar-se, conferindo à obra do bem o melhor de si mesmo.” (Emmanuel). Outros indivíduos se beneficiarão com os frutos de nossa terra (entendamos de nossa alma), mas o maior presente será para nós mesmos.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 31, Lavradores, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

1086457826529_040606Prestes a retornar à Pátria Espiritual, Jesus solicita a Pedro que “apascente as suas ovelhas.” Utilizando-se de figuras de linguagem milimétricas – quase cirúrgicas – o Gerente e Pastor do Pai não pede ao apóstolo que pastoreie seus bodes ou cabritos, pois estes representavam figuras mais fortes e tais quais ovelhas o rebanho era ainda, frágil e incauto, como o é ainda hoje…

O Mestre não pediria nada de heróico ou extremado a Pedro, mas utiliza e tão somente o verbo ‘apascentar’, ou conduzir à Paz, à calmaria e à tranqüilidade, todos nós, representados naquela época por um povo que não compreendia muito bem a que tipo de pastoreio viera.

Jesus é o Bom Pastor de todos os tempos e aqui podemos nos utilizar de duas analogias para melhor compreensão: Deus é o Senhor do Rebanho; Jesus o Pastor e nós suas ovelhas. E Deus é o grande empregador, nós os operários; Jesus gerencia-nos.

Não há, pois, nada de surpreendente ou superfantástico no pedido do Rabi ao pescador da Galiléia e hoje aos já mais comprometidos: Pede-lhe e a quem o queira fazê-lo, tolerância aos mais necessitados; compreensão, bondade e mansidão em vez de vergasta (chicote); fidelidade no ensino; e muita, mas muita exigência para conosco próprios.

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O rebanho a Deus pertence. O Pastor pede-nos paciência, pois somente a Deus pertence, na forma de tempo, para que tal rebanho seja cem por cento pacificado e recolhido ao redil.

Emmanuel nos alerta que o irmão sempre possui uma parte boa que devemos alimentar. Suas partes ainda equivocadas correm por conta do Senhor do rebanho, que fará o resto.

No rebanho de Deus é assim!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 19 Apascenta, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Cassino, verão de 2016).

o-filho-prodigo2“Levantar-me-ei”, expressão utilizada pelo filho pródigo, e inserida nos ensinos parabólicos de Jesus, talvez tenha sido a expressão mais audaciosa de alguém que, no fundo do poço, reflexionasse sobre seus equívocos, desejasse se autoperdoar e ‘partir’ para a reparação.

Como o ensino é totalmente alegórico e o filho pródigo é um personagem fictício, embora de grande valia para o Pedagogo Rabi, precisamos penetrar o íntimo desse jovem esbanjado e imaginar-lhe o âmago bem antes e após o resoluto “levantar-me-ei!” Como ficção é a parábola, ficcionalmente o faremos, conjeturando o antes e o depois dessa ‘batida de martelo’:

Muito antes da resolução arrojada, o desperdício, a distribuição farta dos bens do pai a ‘amigos’; muita comida, muita bebida e muitas orgias; todos o adoravam, pois distribuía a mancheias a parte da fortuna que lhe tocara, pensando que ela nunca acabaria… Mas acabou! E o inexperiente jovem vê-se solitário, pois os amigos haviam sumido. Por que ficariam a seu lado, se só desejavam o seu dinheiro? Vê-se obrigado a empregar-se cuidando de porcos e desejou alimentar-se com a comida destes. É nessa hora que, investido de coragem resolve levantar-se: “O menor dos empregados de meu pai vive melhor que eu”, diz a seu íntimo e isso o faz tomar a decisão. Mas quais conseqüências lhe adviriam?

Poderia ser tratado como um menor em seu retorno à casa do pai; certamente que se sentiria muito envergonhado, perante o pai, o irmão e a criadagem. Mas que importava? Era filho e não só mereceria como aproveitaria a segunda chance. O mais importante, ou a decisão de arrepender-se e resolver retornar já estava tomada, agora seria só executar seu plano audacioso. Entrevistos o antes e o depois de sua decisão, sabemos o desfecho: O pai não só o perdoa como o cobre de mimos; o irmão mais velho se aborrece e o pai o repreende amorosamente, mas com autoridade…

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Todo o soerguer-nos é uma resolução íntima. Ninguém o fará por nós! A toda a resoluta decisão de levantar-se, há uma investida, para frente e para o alto. Uma evolução também se faz dessa forma. Evidente que, a partir de uma decisão dessas, toda ajuda dos Bons Amigos nos será dispensada, mas nós precisaremos desejar, como desejou o jovem.

Evolução pede-nos esforço e uma visão panorâmica nos requererá primeiro a escalada. Jesus, ou os padrões de Jesus, – todos e somente eles – nos conduzirá de retorno à casa do Pai.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 13, Ergamo-nos, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Verão de 2016).

136200792“… Toda correção no presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” (Paulo aos Hebreus, 12: 11).

Que Deus é sábio não temos a menor dúvida: A questão número 1 de O Livro dos Espíritos nos responde que “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.” Mas a pergunta de Kardec também é proposital: Perguntaria ‘que’ é Deus e não ‘quem’ é Deus, pois quem poderia enquadrar Deus como algo comparável; e nossa Divindade é ‘incomparável’…

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Pois esse Deus, em sua sapiência, atrelada a todos os demais atributos – gosto de salientá-Lo como Onipotente e Soberanamente Justo e bom – estabelece para os seres e coisas por Ele criados exercícios corretivos:

O rio não se considera perfeito ao ser nascente: precisará antes contornar obstáculos; lançar-se em quedas audaciosas; e finalmente prestes a chegar ao grande mar perceberá toda sua majestade. Dá-se conta que todas as suas peripécias só fizeram fortalecê-lo.

A árvore sabe que para o seu crescimento precisará de esteios que a deixem ereta. Enfrentará podas a cada ciclo antes da produção, mas ao colocar novas folhas, galhos e flores se achará pronta para o fruto. Tudo resultado das correções recebidas.

E a terra para produzir? Será arada, gradeada, adubada e regada para que propícia produza todos os frutos, hortaliças e sementes necessárias ao abastecimento do homem. Consola-se, pois bruta nada produziria…

E os pássaros que nos avisam que os frutos estão prontos! Não serão os figos bicados, os mais prontos, mais doces, e os mais saborosos? Foi a Mãe Natureza, através dos seres menores da criação quem nos avisou!

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O homem não escapa a tais correções: não serão as coisas fáceis que o tornará forte, mas todos os exercícios corretivos que, por força ainda de seus próprios equívocos o fará se emendar e crescer.

De onde lhe vem a experiência, o conhecimento e a compreensão da justiça, senão de todos os exercícios corretivos que o nosso Deus, lhe impõe? Aquele da questão número 1, a “inteligência suprema!”

(Sintonia: Fonte viva, Cap. Aceita a correção, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Cassino; verão de 2016).

http _meme.zenfs.com_u_be731bc342c5a603b7849a37a71871fe9fd4a62d_thumb[15]No primeiro dia do novo ano, emissoras de televisão mais tradicionais do País mostravam, como grandes feitos, irmãos, ainda anestesiados pela folia da virada, dormindo sob os escaldantes 35 graus das areias da praia mais badalada de nosso Brasil. Emoldurava-lhes a ressaca, a título de herança, todo o novo e o velho lixo que haviam produzido no velho ano e no novo que os abraçava.

As mesmas emissoras deixaram claro que todos os sons e as letras que fizeram sucesso na virada, ou que embalaram a passagem do ano velho para o novo – apenas cronológicos – são os mesmos sons e letras iletradas, atrelados a refrãos pobres e a rostos apenas ‘bonitinhos’, repetitivos nos últimos três anos. Nada de novo, inteligente e culto foi mostrado.

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Ano velho e ano novo, em tempos deixados para trás, lembro-me, eram caricaturados por um velhinho que fazia suas despedidas e um nenê ainda em fraldas… Aplicados à doutrina dos Espíritos seriam apropriados a representarem todo aquele homem velho que deveríamos deixar de ser e o homem novo que também deveríamos perseguir…

Pensando dessa forma, somos obrigados a constatar que ano velho e ano novo deveriam ser uma questão muito menos cronológica e muito mais de atitudes a serem renovadas.

Perdoem-nos, mas nosso aqui ‘ano novo, atitudes velhas’, deseja ser muito mais constatação e reflexão do que pessimismo, até porque é sobre a realidade de todos os nossos equívocos do ano velho que desejaremos que o novo, o melhor, substitua o velho, o pior.

Sem nos iludirmos, verificamos que no ano novo ainda estávamos cercados por todos os velhos desafetos de nosso cadinho fervilhante que, mesmo com toda a euforia da virada não conseguimos perdoar ou aos quais não fomos suficientemente hábeis ao pedir perdão.

É possível que, ainda nos primeiros dias do ano novo, estejamos fazendo uso de todos os cigarros, destilados e gelados que nos restaram de herança do velho ano. Então os reciclamos e como se fossem novos, mergulhamos em velhos hábitos.

Ainda muito materialistas e inebriados pelos embalos da virada, somente nos dias 2 ou 3 – do calendário cronológico – nos demos de conta que além de nossa imagem mais gorda refletida em nosso espelho, em outros espelhos, os da mídia televisada e falada, – muito mais sarcásticos que o nosso lá de casa – nos anunciariam que também nossas dívidas/encargos também engordariam, por força de reajustes sorrateiros acordados ainda lá pelo ano velho.

Não há suporte em apenas desejarmos – para nós e para os outros – um ano bom e feliz, pois o calendário por si só não o fará: precisaremos construí-lo com a renovação individual e o somatório de todas as novas e boas atitudes coletivas. Individual ou coletivamente, nosso ano bom e feliz não se construirá com atitudes ruins e infelizes!

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Como construirmos um ano novo somente com cronologia sem que atitudes novas e reformuladas lhe façam parte?

Sem pessimismo, mas a título de reflexão – insisto! – infelizmente o ano novo poderá ser, em todos os níveis – governamental, administrativo, pessoal – só uma triste herança de todas as nossas incompetências do ano velho.

Não é o lixo jogado nas ruas que obsta as bocas de lobo e provoca alagamentos urbanos? E – como Riograndino honorário – não é difícil constatarmos que o mar sempre nos restituirá os dejetos que nele jogarmos…

Claudio Viana Silveira

(1º de janeiro, verão de 2016).

Pedir LuzRevelações do plano superior lhe chegarão – ao homem – naturalmente, depois de resolvida a sua situação de devedor ante os seus semelhantes, fazendo-se, então, credor das revelações divinas.

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Sabe-se que as revelações do plano superior se estabelecem, preferencialmente, ‘de lá para cá.’

Como ‘ferramentas’ de tais revelações, mas na maioria das vezes imperfeitas, será imperioso que estejamos promovendo constantemente nossa própria manutenção, através do “vigiai e orai.”

Orar até que não é a parte mais complicada da exigência. Oramos sempre que estamos entregues a um estado contemplativo que nos liga pela forma pensamento a Entidades Superiores das esferas mais sutis. Digamos até que é uma situação bastante cômoda… inercialmente cômoda!

Já vigiar, por entendermos ser a parte mais prática do “vigiai e orai”, exigirá de nós movimento, ações efetivas como, por exemplo, resolvermos [toda a] nossa situação de devedores ante os nossos semelhantes.

Serão estas ações que, promovendo nossa reforma íntima, irão nos contemplar com a linha de crédito que, em nos tornando dignos da atenção de Entidades mais esclarecidas, naturalmente nos proporcionará intermediarmos revelações importantes da Vida Futura Superior.

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Quando preocupações meramente curiosas derem lugar a informações sérias, frutos do crédito superior em nós já depositado, estaremos aptos a colaborar no enriquecimento de nossa própria fé e na dos semelhantes.

“Tudo o que fizerdes a um destes pequeninos, crede-me, a mim o fareis”, diria o Mestre das revelações. Dignos perante nossos semelhantes, dignos perante Jesus; dignos perante Jesus, com créditos junto a Deus. Acreditados perante Ele, herdeiros de suas revelações mais fabulosas e necessárias.

Reforma primeiro; revelações depois!

(Sintonia: questão 357 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

01NOVEMBRO2014-COMO-PERDOAR-Num postulado da geometria primitiva, a linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos quaisquer de uma superfície plana…

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Nas questões do amor – verdadeiro, altruísta – sempre estará incluso o perdão, apresentado como o caminho mais curto ou o melhor atalho para nossa reforma íntima. Poderemos ter a certeza absoluta de que quando já navegarmos pelas águas tranqüilas dessa virtude, estaremos na vereda correta de homens e mulheres de bem.

Quando de sua encarnação missionária o Mestre do perdão não nos diria à toa: “o amor cobre uma multidão de pecados.” Não que precisasse, mas cumprindo os desígnios do Pai, o Messias pisava em solo de Planeta de Provas e Expiações, conhecia o íntimo dos que o habitavam e compreendia suas dificuldades relacionadas ao perdão.

Desejando ver-nos desvencilhados de certas esquisitices da lei Mosaica, o Mestre das misericórdias utilizou-se até de uma linguagem matemática para orientar-nos que deveríamos “perdoar não sete, mas setenta vezes sete vezes”, configurando dessa forma que a lei de Talião, que o dente por dente e o olho por olho já não mais se enquadrariam na Revelação do Amor e que estaria traçando [através do amor] a linha reta da vida para as criaturas e representando a única força que enterraria de vez todos os disparates de uma controvertida ‘justiça injusta’ porém ainda necessária aos filhos de Abraão de outrora.

Também nas questões do perdão, as revelações são feitas em tempos certos: Se à época de Moisés, tudo o que a humanidade desejava era justiça, justificava-se aí a lei de Talião; se ao tempo de Jesus, a revelação do amor – ou “central”, segundo Emmanuel – se instaurou, o olho por olho já era desnecessário; e finalmente a revelação de Kardec, esclarecedora, nos dirá que o perdão é uma questão de justiça, mas, e sobretudo, uma questão que requer exclusivamente altruísmo.

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Como a linha reta, exercitar o perdão é o menor percurso, o melhor atalho entre o homem velho que desejamos abandonar e o novo que desejamos ser.

Se a linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos quaisquer de uma superfície plana, o perdão, ainda imperativo em orbes semelhantes ao nosso, sempre será a via mais rápida e apropriada à salvação.

Sendo o perdão imperativo à caridade e se “fora da caridade não há salvação”, ignorar a virtude será estabelecer para nossas vidas, tais quais alunos repetentes, encarnações e mais encarnações expiatórias…

(Sintonia com a questão 336 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

tumblr_m6htfiPQXo1qka5jeo1_r1_500Corria o mês de abril e em nosso terceiro ano do ESDE, estudávamos o roteiro Esferas espirituais da Terra e mundos transitórios. Comentávamos de como a tônica do bem e do mal se faria presente em nossos estudos no corrente ano. E falávamos, é evidente, de como seria nosso desencarne e a qual dessas ‘esferas’ seríamos candidatos…

Em determinado momento a pergunta de um dos companheiros tornou-se inevitável:

– ‘Para onde’ iremos, após o nosso desencarne?

Ante os olhos arregalados da maioria, propusemos-lhes uma pequena analogia: Imaginemos que todos estejamos nos preparando para ‘essa partida’, para a nossa ‘viagem’ e que nossa mala já esteja preparada. Coloquemos nossa mala sobre a mesa e passemos a examiná-la:

Se estiver com muitas roupas leves, bermudões e camisas floreadas, sandálias multicoloridas… venderemos a idéia de que iremos passar temporada no Caribe ou, se nossos recursos não o permitirem, poderemos ir para mais perto; Florianópolis, por exemplo.

Entretanto, se nossa mala estiver atopetada de agasalhos, muitas roupas de lã, luvas, toucas… é muito provável que estejamos indo para o Alaska, ou, se para mais perto, bem para o Sul; Patagônia, quem sabe?!

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Nas questões espirituais, e mais propriamente com relação à morte de nosso corpo físico, o ‘para onde nós iremos’, poderá ter a sua resposta exatamente dentro da mala que temos preparado. Ou, o ‘do que’ estiver ela repleta, denunciará o local para onde estaremos indo:

Golpe-do-BauSe nossa mala estiver cheia de tudo aquilo que doamos, e aqui não estamos falando em linguagem paradoxal, mas exatamente dentro da Lei de justiça amor e caridade, nosso ‘destino’ será a esfera compatível com essa Lei e com o nosso apronto.

Mas se em nossa mala houvermos reunido todos aqueles pertences materiais aos quais estivemos até agora muito apegados, e vários baús não chegará, pois precisaremos reunir casa, carros, terras, roupas, sapatos, ouro… tenhamos a certeza que todos estes penduricalhos não nos levarão de imediato a lugar nenhum, pois ficaremos conectados, por muito tempo, às tralhas da crosta que passamos uma reencarnação inteira amando e endeusando.

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“Independente da diversidade dos mundos, essas palavras de Jesus (‘há muitas moradas na casa de meu Pai’) também podem referir-se ao estado venturoso ou desgraçado do Espírito na erraticidade. Conforme se ache este mais ou menos depurado e desprendido dos laços materiais, variarão ao infinito o meio em que ele se encontre, o aspecto das coisas, as sensações que experimente, as percepções que tenha (…). Também nisso, portanto, há muitas moradas, embora não circunscritas, nem localizadas.” (ESE, Cap. III, item 2).

(Inverno de 2015).

44Há conotação diversa, porém complementar, nestas duas vezes em que, no evangelho, o Mestre fala em espada:

“Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão” (Mateus, 26, 52), foi uma expressão proferida pelo Mestre, às vésperas de sua crucificação e dirigida a Pedro quando este cortou a orelha de Malco, soldado do Sinédrio. Jesus cuida de informar ao Discípulo Pescador que seu Reinado não é material, mas que a cada ofensa deveremos manter o equilíbrio e respondermos com o lado espiritual elegante que já possuímos: A face do amor e da compreensão! Na ocasião o próprio Cristo curaria a orelha do militar, mostrando-lhe a face Divina que possuía. Espada, aqui, evolui de uma analogia material para um ensinamento transcendental.

“Não julgueis que vim trazer a paz à Terra. Vim trazer não a paz, mas a espada.” (Mateus, 10, 34). À primeira vista, uma heresia Messiânica? Impossível! Jesus não era dado a desatinos. A doutrina vem em nosso socorro e nos explicará que toda a idéia nova provocará na humanidade sectarismos; ou alguns a aceitarão, outros não; e isso dentro até de uma própria família. E isso poderá ‘roubar a paz’ às partes.

Mas o ensinamento principal, a que Emmanuel ora se refere, diz respeito à espada que deveremos colocar sobre nossos próprios equívocos, pois Jesus não vinha trazer ao mundo a palavra de [tolerância] com as fraquezas do homem, [mas aquela que o] iluminasse para os planos divinos.

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Tanto na primeira como na segunda citação a espada é aquela renovadora, com a qual deve o homem lutar consigo mesmo, ‘cortando orelhas’ que teima em criar, capitaneado ainda por ignorâncias, vaidades, egoísmo e orgulho.

 (Sintonia: Questão 304 de O Consolador, de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, 29ª edição da FEB) – (Outono de 2015).

Woman shopping at the supermarketOs itens de nossa reforma pessoal não são tais quais os da provisão – rancho – que vamos colocando no carrinho do supermercado; à saída, pagamos e os levamos para casa.

Nenhum desses itens estará à venda no mercado dos homens, mas cada um deles fará parte dos problemas pessoais que teremos de solucionar.

É possível que outras prateleiras que não as de supermercados nos auxiliem a encontrar tais produtos, informando-nos rotas seguras para a nossa qualificação individual: Como as de nossa pequena biblioteca, onde residem obras básicas e complementares.

Felicidade, fé, esperança, fortaleza, graça, conhecimento… não são produtos compráveis; são resultantes de outras ‘mercadorias’ que ‘negociaremos’ diariamente com nossa consciência: A caridade não delegável; a perseverança espartana; o amor prático; a responsabilidade ante compromissos; o devotamento à causa…

Não podemos também emprestar ou tomar esses itens emprestados. Também não poderemos somente desejá-los, mas conquistá-los um pouquinho a cada dia.

Há ainda as parcerias, não mercantilizadas, envolvendo confrades encarnados e desencarnados afins, que nos apoiarão e serão apoiados durante nossos intercursos. Aqui a lealdade, a elegância espiritual, a generosidade, a fraternidade, farão a diferença.

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Para todos que ainda nos movimentamos na sombra, contar com as Luzes Superiores será imperioso. Proporcionar-nos-á enxergarmos a luz no final do túnel; mas não basta que a vislumbremos; precisaremos atingir a saída do túnel!

(Sintonia: Cap. Problemas pessoais, pg. 97, Agenda cristã, André Luiz e Francisco Cândido Xavier, Ed. FEB) – (Outono de 2015).