Posts Tagged ‘Reparação’

Cla01150808“Tomar as dores” é o tema da reflexão: quando alguém se indispõe conosco, porque nos indispusemos com alguém que aquela pessoa gosta muito, dizemos que ele ‘tomou as dores’, tomou partido, ou algo que o valha.

Consideremos, entretanto, que as indisposições entre dois indivíduos (Espíritos já ‘vividos’), têm origem, ou nesta ou em vivências anteriores: doutrinariamente, não há escapatória para isso!

Se assim acontece – e acontece! – dizemos que são pendências ‘particulares’ de dois indivíduos que precisam equilibrar relacionamentos “enquanto estão a caminho”, ou enquanto por aqui estão, ‘nesta’ vivência…

Suas pendências, por serem ‘particulares’, podem nada a ter a ver conosco, portanto, nesse caso, ‘tomar as dores’ seria atitude equivocada. Porém…

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… Há situações – e que, felizmente, não lembramos – que em vidas anteriores agimos em conluio: fazíamos parte de grupos rivais que se prejudicavam com a combinação espúria das partes.

Em outras ocasiões promover-nos-emos a ‘advogados de defesa’, pois nossos laços com a pessoa injuriada por terceiro são tão fortes, que já viemos nos amando, também a muitas encarnações.

Nestes dois casos, sim, torna-se explicável a atitude do “tomar as dores”, já que somos cúmplices de desventuras ou venturas desde ‘a outra encarnação’, como popularmente e comprovadamente nos expressamos.

(Outono de 2017).

lavapes2Jesus de Nazaré, na qualidade de “melhor guia e modelo” oferecido pelo Pai à humanidade, “em todos os tempos”, revela-se como o melhor ciclo de serventia colocado à disposição da Terra:

Desde a formação do Planeta; durante sua encarnação redentora; e após esta, em Espírito de Verdade, obra sem cessar, a exemplo do Criador – o “Homem” com agá maiúsculo. Por isso, o Nazareno afirmaria nas escrituras de Marcos: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir.” (10:45).

Tudo, na Natureza do Pai obra, servindo ciclicamente:

A semente germina, cresce, floresce e frutifica; e os frutos oferecerão novas sementes dando continuidade ao ciclo de serventia.

A fonte gera o córrego; este o riacho; e o riacho o grande rio que se lançará ao mar. Antes disso, serve por todos os meios: mata a sede; gera energia; encurta distâncias… As águas, evaporadas, empançarão nuvens; e as nuvens se precipitarão, formando torrentes.

Animais de todas as espécies, em seus ciclos de serventia, alimentarão, tracionarão, embelezarão, educarão…

Miríades de insetos minúsculos transportarão polens, patrocinando princípios vitais.

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O homem, usuário de seu livre arbítrio – ou usurário?! – é o único que poderá escolher quebrar os ciclos de serventia. A criatura que escolhe somente ser servida cristaliza-se. Já os que toleram, respeitam e servem se desenvolvem. Mas…

… Para os primeiros, é só uma questão de tempo, pois, ciclos e ciclos domarão suas inclinações!

(Sintonia : Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 82, Quem serve, prossegue; 1ª edição da FEB) – (Outono de 2017).

tumblr_lqay62FydR1qisllmo1_500‘Perdôo, mas não esqueço’, expressamo-nos vulgarmente quando ofertamos nosso perdão ‘como esmola’ a quem nos tenha ofendido. A estupidez se torna ainda maior quando exclamamos para quem queira ouvir: ‘essa ofensa levarei para o túmulo… ’

Reconhecemos, dentro de uma prática evangélica ainda claudicante que se o perdão já é difícil (pedi-lo ou ofertá-lo), o esquecimento da ofensa é ainda mais delicado.

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O Benfeitor Emmanuel vem em nosso socorro, respondendo a pergunta que lhe é proposta por Chico e sua equipe: “Perdão e esquecimento devem significar a mesma coisa?”

Sem consultarmos a resposta de Emmanuel e dentro de nossas fragilidades evangélicas, vamos logo dizendo que não, que é possível perdoar, mas quanto ao esquecimento vamos logo dizendo que é antinatural, quando não repetimos as expressões grosseiras do início de nossa conversa.

Mas a resposta será sim após considerarmos a resposta do Benfeitor, que dirá a Chico que para o Espírito evangelizado, perdão e esquecimento devem caminhar juntos.

Emmanuel passa a declinar as razões de seu sim, que, basicamente, são duas:

Primeira: Que somente pautando nossas vidas no maior código de ética, que é o Evangelho do Mestre, conseguiremos associar perdão e esquecimento. Convencionou-se em nosso mesquinho Planeta de provas e expiações, ainda afastado da Boa Nova, que perdoaremos, mas que o esquecimento virá após muito, mas muito tempo…

Segunda: A própria lei da reencarnação nos leciona ser apropriado, que a partir de nosso berço esqueçamos as dívidas de todas as nossas vidas pregressas e passemos, nesta nova oportunidade, a viver de observação das evidências que os relacionamentos nos apresentarão. É como se zerássemos nosso cronômetro e aproveitássemos a revivência como nova alvorada da redenção.

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Arrepender-se? É importante! Perdoar ou ofertar o perdão? Mais importante ainda! Reparar? Fundamental! Mas precisaremos avançar através do esquecimento, este próprio das almas nobres ou já banhadas nas águas límpidas das lições evangélicas.

(Sintonia com a questão 340 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

casal-abracado-perdao-22634Pedaladas fiscais são manobras irregulares para aliviar momentaneamente as contas públicas de um governo. É o atraso de repasses, de forma proposital, a bancos públicos ou privados que financiaram programas públicos. Tais manobras maquiam as contas do governo que exibe ao invés de déficits, superávits. Dessa forma, apresentando indicadores ‘melhores’, o governo confunde o mercado e seus analistas…

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Todas as expressões de ódio que sobrepomos ao processo ou fases do perdão são tais quais o adiamento de dívidas que temos a saldar. Agindo dessa forma, nos comportamos como tais governos ou ‘nos desgovernamos’ perante a Lei de Justiça amor e caridade, realizando as pedaladas fraternais.

O ódio é sempre o resultado de um falso amor (a paixão), do qual o perdão não teve nenhuma participação. Popularmente chamaríamos tal efeito de ‘uma paixão mal resolvida’ na qual o amor (altruísmo) nem coadjuvante foi. O ódio é aqui o resíduo mais imperfeito dessa ‘paixão’.

Nas questões afetas ao perdão (pedir e ofertar perdão), bem como no processo que o envolve – arrependimento, perdão, reparação – é possível que o ódio lhe seja o maior entrave, oponente direto, o mais instintivo e animalesco sentimento. O ódio sempre nos levará a transferirmos para o exercício seguinte (‘restos a pagar’ ou pedaladas fraternais), todas essas questões que deveríamos resolver ainda por aqui, “enquanto estamos a caminho”. Com as pedaladas, teremos de repetir encarnações mais encarnações, tais quais alunos pouco aplicados.

Constituindo-se o Evangelho de Jesus no maior e mais completo código de ética moral ou regra de bem viver e proceder, será muito natural que amor e ódio, sentimentos antagônicos, sejam, respectivamente, diretamente proporcionais à vivência ou ao desprezo da Boa Nova do Mestre. Dessa forma é impossível que amor e ódio coabitem em uma mesma pessoa, pois que sentimentos opostos.

No princípio, quando éramos simples e ignorantes, vivíamos de instintos, pois nossas sociedades eram primitivas e toscas. Após tantas reencarnações, que deveriam ter-nos proporcionado burilamento, tais pedaladas já não são mais aceitáveis.

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Quando realizamos ainda tais pedaladas fraternais, obrigamo-nos, como alunos que repetem diversas vezes uma mesma série, a revivermos encarnações e mais encarnações, expondo-nos, as partes envolvidas, a sérios desconfortos que serão todos resíduos expiatórios…

O perdão liberta! Adiá-lo com pedaladas fraternais, é continuarmos agrilhoados.

“O ódio é o gérmen do amor que foi sufocado e desvirtuado – pedalado – por um coração sem Evangelho.” (Emmanuel).

(Sintonia com o item 9 do Cap. IX do ESE e questão 339 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

perdao-casalNa Lei Divina, há perdão sem arrependimento?

Nas considerações feitas sobre a Magnanimidade da Lei, ou a forma justa e bondosa como Deus rege os seres e as coisas da sua criação, desfeitear as questões sobre o perdão, seria uma ininteligência.

Para desenvolvermos nosso raciocínio, imaginemos que um dia, por infeliz infortúnio tenhamos subtraído a vida física de inocente filho de uma família.

Em tal caso, todo o processo do perdão passará, inevitavelmente, pelo ajuste das partes envolvidas e se débitos lhes restarem, a Infinita Justiça Divina, mais cedo ou mais tarde, entrará em ação.Vejamos:

  1. Ajuste das partes envolvidas – Todo o processo inicia-se com o arrependimento do faltoso, passa pelo perdão ofertado pelo ofendido e culmina com uma reparação. Falamos aqui de um processo ainda nesta vida.
  • Arrependimento: mais do que dizer, mostraremos aos que choram a falta do inocente que estamos profundamente arrependidos de nosso equívoco;
  • Perdão: à parte ofendida caberá a nobreza do perdão, até por dever considerar que tal ato infame é, e tão somente, efeito de uma causa anterior, possivelmente também infame, mas que as partes desconhecem; e
  • Reparação: aqui a parte mais importante e delicada. Repor uma vida? Não é impossível! Poderemos, se o desejarmos, repor não só uma, mas muitas. Quantos inocentes, à deriva no mar bravio da sociedade, que poderão ser colocados na rota do mar calmo por esse infrator? Não é fácil, mas nem por isso impossível!
  1. Ação da Infinita Justiça Divina – Se as partes não se entenderem nesta vida e se a reparação não for completa, a reencarnação [será] a sagrada oportunidade [como] uma nova experiência [que] já significa, em si, o perdão ou a Magnanimidade da Lei.

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Não equacionarmos questões de perdão será desejarmos escapar à Lei Divina – que se fará ‘aqui’ ou ‘acolá’ – sendo que ela é a única capaz de cicatrizar nossas feridas, por mais complexas que sejam.

Ainda nesta vida, onde ofensor e ofendido precisarão ficar curados, arrepender-se, perdoar e reparar, é sarar!

(Sintonia com a questão 333 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Inverno de 2015).

Saleiro-Pimenteiro-Varinha-Mágica[4]

“Amar é jamais ter que pedir perdão”, diria Jennifer (Ali Mac Graw) a Oliver (Ryan O’Neal) logo após uma discussão, no clássico romântico Love Story (EUA, 1970).

Se num ambiente familiar, de trabalho, de lazer… um dos membros passar a pedir perdão repetidas vezes, isso evidenciará que ele está se equivocando seguidamente. Não conseguiria me imaginar desculpando-me várias vezes por dia com Maria de Fátima, pois isso comprovaria minha evolução marcando passos…

(…) Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não o obtém senão mudando de conduta. (Questão 661, de O livro dos Espíritos).

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Pareço hoje estar na contramão do perdão ou renegando todas as recomendações do Mestre que orientou a “perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes”. Mas vocês irão me entender, pois varinha de condão abordará hoje uma atitude não tão nobre quanto o ato de perdoar, porém necessária, como também necessário é que se faça a distinção:kit fadinha

  • Uma coisa são aquelas atitudes que tomo desejando me redimir perante alguém a quem causei algum dano ou prejuízo. Nada mais salutar que, o arrependimento que antecedeu o meu pedido de desculpas, me conduza a um ato de reparação. Neste caso a minha mudança de conduta é filha de um processo que iniciará no arrependimento e culminará com a reparação. Este é o procedimento que possui o aval da Iluminação Kardecista porque está consoante as prescrições Crísticas.
  • Outra coisa será eu me acostumar a pedir desculpas como se essa palavra fosse uma varinha de condão que desfizesse, num passe de mágica, todas as mágoas, afrontas e injúrias, sensações desagradáveis, desgostos e aborrecimentos causados pelos agravos e indelicadezas que cometi… Está caracterizado aqui o ‘marcar passos’ de minha evolução, pois serei aquela pessoa inconseqüente, imatura, baseada e sempre dependente da complacência alheia.

Neste último caso, a ficção de Love Story, a mensagem do Mestre e a Orientação Espírita me ‘enquadram’ e me mostram que perdão não é de forma alguma a varinha de condão disposta sempre a realizar mágicas. Não há ilusionismos quando se trata das Naturais Leis. A Justiça Divina é sábia no comando da causa e efeito.

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Desculpar pode ser o início de um novo tempo de convívio respeitoso, mas também pode ser um eterno jogo psicológico em que apenas se amortecem o desrespeito, a brutalidade e o golpe da ofensa.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Perdão, pag. 171 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

Uma das mais lindas imagens que possa haver é a do pequenino caminhando sob os pés do adulto… Crescido, já não mais precisará tanto desse ‘veículo’ e caminhará já sobre os próprios pés. Já o Concurso Divino para caminhadas inequívocas, esse sempre será necessário…

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O bom do erro não é o erro em si, mas a oportunidade que ele me oferece para “renovação de atitudes”.

A primeira conclusão a que chegaria se minha existência fosse unicamente esta é a de que não poderia errar… Quantos equívocos já não cometi e ainda cometerei nesta e em outras oportunidades que tive e ainda terei? Pessoas que comigo convivem cometem também equívocos e esses sempre serão a escola para o aprendizado da renovação.

Com a existência única não haveria ‘tempo suficiente’ para as conseqüentes considerações sobre equívocos meus ou dos outros, de forma a lançar-me a uma necessária reparação.

Equívocos seculares, milenares, rusgas centenárias não serão saneadas numa só existência, mas há necessidade de muitas delas para o início de um processo de perfeição.

Tome-se como exemplo Francisco Cândido Xavier e Madre Teresa de Calcutá: Sob quantos equívocos chegaram ao seu processo de regeneração? Teriam ‘gasto’, nesse processo, somente uma vida? Muito pelo contrário. Não me enganaria em afirmar que ambos – e tantos outros ícones – são o somatório de todos os seus feitos, incluído, também, seus equívocos.

Equivocar-se, portanto, é algo perfeitamente normal. Anormal é deixar de fazer algo com o receio de cometer erros.

Detentor de um livre arbítrio, possuo a capacidade de escolher entre a melhor e a pior atitude. As piores atitudes não serão, entretanto, o fim da linha, pois apesar de cometê-las, minha liberdade continuará a me convidar às boas atitudes, pois…

… Erros e acertos são apenas convites: Enquanto os primeiros me convidam a uma reflexão os acertos me convidam a uma perseverança. E tal equação é válida para mim e para meus assemelhados, pois, como me diria Hammed, “se criaturas como nós aceitamos as falhas dos outros, por que o Criador, em sua infinita compreensão não nos aceitaria como somos?”

Seria Deus aquele Pai carrasco que me dá um brinquedo ‘quebrável’ e me exige que não o quebre?

Todo o caminho trilhado até agora foi o compatível com a minha competência espiritual, mas “se, porém, achamos hoje que ele não é o mais adequado, não nos culpemos; simplesmente mudemos de direção…”

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Deus, pura Justiça e Bondade, e por saber quão esburacada será minha rota a percorrer, é tal qual o feixe de molas que suaviza o deslocamento de meu veículo em seus percursos. Sabedor de todo o meu íntimo, coloca à minha disposição as Falanges do Acerto, sempre aptas a me ditar o bom senso de minhas atitudes; se considerar como normais minhas falhas e dessas Falanges não desistir, também elas de mim não desistirão…

… Dessa forma, estarei fazendo de meus erros uma oportunidade para “renovação de atitudes”, desde que haja honestidade e boa vontade na reflexão sobre meus equívocos.

 (Sintonia e expressões em itálico são do cap. Todos são caminhos, pag. 181 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera de 2012). 

A culpa é o reconhecimento de uma má escolha patrocinada pelo meu livre arbítrio… Culpa e arrependimento, de mãos dadas, poderão – ou deveriam – conduzir-me a uma conseqüente reparação.

O melhor do meu agora, não deveria ser gasto me martirizando com sentimentos de culpa. Ou culpa e arrependimento deveria ser um processo rápido e sumário a fim de que não venha me faltar o tempo para a reparação.

“Ninguém que lança mão ao arado e olha para trás, é apto para o Reino de Deus”… Ou, ficar olhando para trás seria debruçar-me sobre minhas culpas; já ‘pilotar’ o arado – reparando, é claro! – é começar a habilitar-me ao Reino de Deus.

Há entre meus erros e acertos, o exercitamento, o treinamento, ou os torrões da terra a arar poderão ser demasiado grandes e duros, meu arado poderá travar e eu cair. Possíveis quedas são consideradas normais no tipo de Planeta que me foi permitido o cultivo da terra atualmente…

Pequenos erros serão, sempre, o início de todos os acertos que venha a produzir…

O que a culpa não poderá gerar em mim é a estagnação. Remoer culpas emperra minha evolução, retarda minha reparação e invalida parte de minha atual encarnação.

Sendo o ‘agora’ o melhor desta encarnação, não deverei ‘cochilar’ em cima de minhas culpas, mas avançar na direção da reparação.

Sendo minha culpa proporcional à minha ignorância e atingindo tão somente os tamanhos de meu aprendizado, não deverei me culpar por atos afetos a coisas que ignoro, mas deverei, sim, me responsabilizar pelos ‘pecados’ cometidos perante minha lucidez e passíveis de reparação.

O ideal, sempre, é o não martírio através da culpa… Menos culpa; mais reparação, pois “Deus, na sua bondade, concede ao homem a faculdade da reparação e não o condena irrevogavelmente pela primeira falta” (ESE, cap. V, item 8)

(A sintonia é do cap. Olhando para trás, pag. 57 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera ‘encardida’, 2012). 

“O arrependimento [somente] auxilia a melhora do Espírito, mas o passado deve ser expiado”, esclarece-me Kardec na questão 999 de O Livro dos Espíritos.

Negritos por minha conta e com o intuito de abordar o tema reparação, diria que esta – a reparação – será minha grande advogada de defesa no momento em que eu, de retorno à espiritualidade, apresentar meu “curriculum vitae” ante o tribunal instalado perante minha própria consciência.

O sacramento da confissão – penitência ou ‘confiteor’ -, uma das práticas da igreja católica apostólica romana, exime de culpa o penitente que, arrependido, declina seus ‘pecados’ ante um sacerdote; este lhe aplicará uma penitência mais ou menos proporcional ao seu ‘delito’ e a partir do cumprimento, o cidadão estará limpinho… E a reparação? E o ressarcimento à ou às pessoas lesadas, não será necessário?

A prática, acima exposta, não é, portanto, racional, muito menos natural.

Quando Kardec me diz que “o arrependimento auxilia a melhora do Espírito”, me dá a entender que o arrependimento será sempre o precursor, ou o primeiro passo que darei no caminho da reparação. Ou seja, o arrependimento é o estopim e a reparação a ação principal.

Precisarei compreender que minhas ‘vítimas’ poderão estar muito próximas a mim, distantes de mim, mas encarnadas, ou já desencarnadas… Há as que já na Pátria Espiritual fazem parte de um rol incógnito por mim ofendidas em pretéritas vidas…

A regra geral é que eu procure ir substituindo minhas reincidências em erros por ações benfazejas – como diria Madre Tereza –, sempre beneficiando as pessoas mais próximas a mim, já que, segundo ela, o maior necessitado será sempre o mais próximo.

Seguindo essa conduta, estarei reparando, na pessoa do mais próximo, outros por mim lesados no presente ou no pretérito. Assim funciona minha reparação ou, minha advogada de defesa.

Entender que o indivíduo hoje no seio de minha família, o transeunte que toca minha campainha, o frentista que me presta um serviço, o gari que recolhe meus resíduos… poderá fazer parte de uma lista para com os quais sou ‘endividado’, será facilitar minhas ações “expiatórias”, visto que essas pessoas, veladamente, se apresentam à minha frente facultando-me ações indenizatórias.

Reconhecer-me endividado – ou não viveria neste Planeta! -, evitar reincidências e partir para atos compensatórios será a seqüência lógica da reparação, ou me tornar merecedor da Graça Divina.

Se minha vítima estiver longe ou se tornar ‘inacessível’ ou se for de pretéritas existências e o véu do esquecimento me beneficiar, não haverá nenhum problema: Inúmeras oportunidades haverá, nas minhas proximidades, para que exercite o sagrado dever da reparação.

Se já o consegui com meu cônjuge, com meus filhos e com os próximos de meu lar… é só abrir minha porta e verificar que haverá uma fila deles, todos lesados por mim hoje, na encarnação passada, séculos ou milênios atrás!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Arrepender e corrigir, pg. 87 de Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Ed. EME) – (Inverno de 201

Por ocasião da codificação, estava ‘a mil’ o sacramento da penitência, confissão ou confiteor... Não foi por coincidência que na questão 1000 de O Livro dos Espíritos Kardec ao se preocupar com o tema reparação, indaga à Espiritualidade Benfazeja se “desde esta vida poderemos ir resgatando as nossas faltas?”

“Sim – responderiam Eles. Mas não creiais que as resgateis mediante privações pueris, ou distribuindo em esmolas o que possuirdes depois que morrerdes, quando de nada mais precisais. Deus não dá valor a um arrependimento estéril e que custa o esforço de bater no peito. A perda de um dedo mínimo, quando se esteja prestando um serviço, apaga mais faltas do que o suplício da carne com objetivo pessoal. Só por meio do bem se repara o mal. De que lhe serve privar-se de alguns gozos fúteis, se permanece integral o dano que causou a outrem?”

O indivíduo que, enquanto encarnado, lesou a tudo e a todos e não achou tempo para ir resgatando suas faltas, de repente desencarna e fica ‘bonzinho’. Suas posses poderão até beneficiar terceiros, mas beneficiarão os verdadeiros lesados?

Bater no peito, confessar-se próximo ao desencarne ou receber a sagrada unção não irá ressarcir pessoas a quem prejudicou; no entendimento do Criador o seu arrependimento é improdutivo.

No livro contábil do Senhor, estéril é o ato que não germina, não cresce e tão pouco produz. Não produz, no caso, reparação, ressarcimento.

O desgaste de minha saúde em trabalho voluntário é mais válido que os cilícios e mortificações da vida monástica e contemplativa.

O bem, tal qual um seguro total, sempre reparará todos os prejuízos. Só o desamor não estará coberto pelo amor.

O mal é o orgulho e todos os seus correligionários. O bem é o amor, forte blindado, reparador.

A vida de absorção em conventos poderá até me trazer alguma inspiração e produção de obras literárias. A reparação, entretanto, jamais virá através de suplícios da carne.

A oração, a sintonia, poderá até estabelecer o preâmbulo de meu acordo com o prejudicado, ofendido, lesado, mas somente atos concretos iniciarão a reparação.

Sábia a questão nº 1000… Reparação aqui e agora, enquanto há tempo!

(Subsídios e sintonia são do capítulo Depressão, pg. 187 de As dores da alma de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012).