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“Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles”… Quando São Mateus registra este pequeno grande fragmento do sermão da montanha, onde o Mestre declina não só esta, mas uma coletânea de regras necessárias à boa convivência, ele se torna o ‘carro chefe’ da Lei ora repaginada, revista e reenvernizada por Jesus…

A regra áurea influencia e conclama não só a Cristãos, mas a budistas, islamitas, confucionistas… que, dentro da ética da reciprocidade, a adotam ao afirmarem respectivamente: “Não atormentes o próximo com o que te aflige”, “nenhum de nós é um crente até que deseje a seu irmão aquilo que deseja para si mesmo” e “não façais aos outros aquilo que não quereis que vos façam”1.

Passo aqui a chamar a regra áurea de ‘retorno’, não desejando a dádiva interesseira por algo que eu possa ter oferecido com gratuidade a alguém, mas sagrados efeitos de santas causas justas lançadas no perfeito Universo…

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Ao chamarem a regra áurea de bilhete, Chico e Emmanuel estabelecem sub regras necessárias para que a regra de ouro não se transforme no azedume da prática do meio-bem, o bem interesseiro, mas para que o exercício se transforme num bilhete premiado. Se não, verifica:

  • Ser feliz não é ótimo? E como é! Mas eu não preciso e não posso ser feliz sozinho. Lembrar-me que a felicidade só chegará a mim sob o efeito de sagradas causas, é associar a felicidade à regra áurea;
  • Doar é sublime; mas o desejo de gratidão é a mais vil das moedas de troca e não se encaixa na ética de reciprocidade;
  • Manifestações – tão na moda – são todas ‘crias’ do livre arbítrio; policiar as minhas, respeitar as alheias, reconhecer as justas, abominar as oportunistas, distinguir umas das outras, fará parte do equilíbrio e da consciência de liberdade e de independência. É possível que, dentro da ‘lei de retorno’, o respeito seja o termo limítrofe desta questão;
  • É provável que minha platéia deseje ouvir de mim exatamente aquilo que eu gostaria de ouvir se espectador fosse;
  • O que é o triunfo senão a porteira aberta à evolução? E se esta é o caminho de todos, o triunfo também não estará a todos reservado?
  • Perdoar aos inimigos é nobre… Esquecer-se, porém de desculpar ou se desculpar com o ‘mais próximo’ – esposa, esposo, pai, mãe, filhos, irmãos, amigos… poderá deslustrar a nobreza desse generoso indivíduo. ‘Por favor’, ‘obrigado’, ‘desculpe’… além de mágicas, são expressões com vias de mão dupla e de fácil retorno;
  • Abominar ou não ceder espaços ao mal é tão importante quanto enaltecer e praticar o bem; e
  • Entristecer-se, acabrunhar-se, afligir-se em qualquer grau é comum… Mas, tal qual faz o palhaço em muitas situações, é importante não negar o sorriso – mesmo que ‘deslavado’ – e o conforto que minha aflição poderia se dar ao direito de sonegar.

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Auxílio espontâneo será sempre o auxílio despretensioso; desajuda em nada ajuda!

1. Wikipédia; Sintonia: Cap. Bilhete da regra áurea, pg. 49 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).