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http _meme.zenfs.com_u_be731bc342c5a603b7849a37a71871fe9fd4a62d_thumb[15]No primeiro dia do novo ano, emissoras de televisão mais tradicionais do País mostravam, como grandes feitos, irmãos, ainda anestesiados pela folia da virada, dormindo sob os escaldantes 35 graus das areias da praia mais badalada de nosso Brasil. Emoldurava-lhes a ressaca, a título de herança, todo o novo e o velho lixo que haviam produzido no velho ano e no novo que os abraçava.

As mesmas emissoras deixaram claro que todos os sons e as letras que fizeram sucesso na virada, ou que embalaram a passagem do ano velho para o novo – apenas cronológicos – são os mesmos sons e letras iletradas, atrelados a refrãos pobres e a rostos apenas ‘bonitinhos’, repetitivos nos últimos três anos. Nada de novo, inteligente e culto foi mostrado.

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Ano velho e ano novo, em tempos deixados para trás, lembro-me, eram caricaturados por um velhinho que fazia suas despedidas e um nenê ainda em fraldas… Aplicados à doutrina dos Espíritos seriam apropriados a representarem todo aquele homem velho que deveríamos deixar de ser e o homem novo que também deveríamos perseguir…

Pensando dessa forma, somos obrigados a constatar que ano velho e ano novo deveriam ser uma questão muito menos cronológica e muito mais de atitudes a serem renovadas.

Perdoem-nos, mas nosso aqui ‘ano novo, atitudes velhas’, deseja ser muito mais constatação e reflexão do que pessimismo, até porque é sobre a realidade de todos os nossos equívocos do ano velho que desejaremos que o novo, o melhor, substitua o velho, o pior.

Sem nos iludirmos, verificamos que no ano novo ainda estávamos cercados por todos os velhos desafetos de nosso cadinho fervilhante que, mesmo com toda a euforia da virada não conseguimos perdoar ou aos quais não fomos suficientemente hábeis ao pedir perdão.

É possível que, ainda nos primeiros dias do ano novo, estejamos fazendo uso de todos os cigarros, destilados e gelados que nos restaram de herança do velho ano. Então os reciclamos e como se fossem novos, mergulhamos em velhos hábitos.

Ainda muito materialistas e inebriados pelos embalos da virada, somente nos dias 2 ou 3 – do calendário cronológico – nos demos de conta que além de nossa imagem mais gorda refletida em nosso espelho, em outros espelhos, os da mídia televisada e falada, – muito mais sarcásticos que o nosso lá de casa – nos anunciariam que também nossas dívidas/encargos também engordariam, por força de reajustes sorrateiros acordados ainda lá pelo ano velho.

Não há suporte em apenas desejarmos – para nós e para os outros – um ano bom e feliz, pois o calendário por si só não o fará: precisaremos construí-lo com a renovação individual e o somatório de todas as novas e boas atitudes coletivas. Individual ou coletivamente, nosso ano bom e feliz não se construirá com atitudes ruins e infelizes!

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Como construirmos um ano novo somente com cronologia sem que atitudes novas e reformuladas lhe façam parte?

Sem pessimismo, mas a título de reflexão – insisto! – infelizmente o ano novo poderá ser, em todos os níveis – governamental, administrativo, pessoal – só uma triste herança de todas as nossas incompetências do ano velho.

Não é o lixo jogado nas ruas que obsta as bocas de lobo e provoca alagamentos urbanos? E – como Riograndino honorário – não é difícil constatarmos que o mar sempre nos restituirá os dejetos que nele jogarmos…

Claudio Viana Silveira

(1º de janeiro, verão de 2016).

1495528_731186653558722_1029652834_nNesta virada, ao embarcares no vagão de 2013 e antes de apeares no de 2014, percorre os diversos outros do trem da Vida e espalha teu sorriso, otimismo e ajudas;

Neste réveillon, enverga o branco da alma deixando subalternos os amarelos, vermelhos, verdes e a própria peça branca, íntima ou não;

Nesta Confraternização Universal, assume de vez o verbo ‘importar-se’, a começar por ti, te perdoando e aos outros; preocupa-te com o porteiro, síndico, zelador; dá atenção ao aparentemente diferente ou que possui necessidades; cumprimenta o difícil e convida-o a ser o teu mais novo parceiro; é possível que o guardador, andarilho, catador… necessite de tua palavra, sorriso e também de tua moeda;

Quem sabe nesta virada abras a porteira da invernada da simplicidade liberando o indivíduo pequenino que há em ti; sem os sapatos apertados das importâncias aproveita a relva fresca das pieguices, da ingenuidade e até dos desalinhos, alimentando-te dos ares renovados de inocências e frugalidades;

Nesta virada, dribla os ‘cortes’ de tua operadora e diz ao vivo para as pessoas que as amas. Mas, se estiverem longe, diz ‘com cortes’ mesmo!…

Nesta virada, embora a maioria daqueles que te servem estejam no convívio dos seus, enaltece com bom ânimo a plantonista que, já de cabelos embranquecidos, deixou o hall de teu bloco limpo e perfumado e, mesmo que disso ela saiba, ouça as palavras de teu coração a lhe incentivar a tarefa;1525761_262467347241732_1622912808_n

Nesta virada, reparte teu fiambre com o fiel de quatro patas que ressona aos teus pés enquanto mateias, mas lança também um olhar de compaixão a outros menos favorecidos e de ternura aos que graciosamente cantam e emolduram o teu jardim;

Nesta virada, celebra com gratidão a chegada do primeiro neto, mas não esquece todos os outros indivíduos que chegaram e ficaram em tua vida; compreende os que por motivos outros resolveram não permanecer em teu convívio e reverencia os que partiram para plagas mais sutis;

Nesta virada, te permite celebrar com o quitute e a bebida que estiver ao teu alcance, mas se, por motivos diversos, convicções ou impedimentos desejares de todos eles te privar, faz de teus princípios a bandeira do bem que levantarás em todos os dias do ano vindouro;

Nesta virada, declara aos amados que te rodeiam ou aos que contigo se comunicarem, que deles serás no ano novo, o mesmo servidor que fostes em todos os anos velhos;

Nesta virada, proclama aos quatro ventos que é chegada a hora da quarta revelação e que sem a fraternidade os indivíduos desta Terra e a própria não assumirão a ‘diplomação’ dos regenerados…

Nesta virada, lança um olhar de boa vontade aos que ofendeste ou que te magoaram, considerando que esse bom ânimo é somente o primeiro e gigante passo do qual se utiliza a Conspiração do Perdão; e se tiveres que roubar algo, rouba um beijo ou uma rosa para ofertar ao teu amado ou à tua amada;

Nesta virada, o abraço, sem preterir o amasso, validará a ambos; nas páginas de relacionamento poetas publicarão versos apaixonados, rimas rebuscadas e imagens encantadoras, porém não relegues torpedos escritos em guardanapos e no ‘papel de pão’, endereçados a amados e a amadas de teu coração;

Nesta virada, te abraço, digo que te amo, declaro-me teu fã e te convido a me ajudares a ajudar, realizando o necessário e possível!

Claudio.

(Verão de 2013, 40 graus)