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“… A palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós que somos salvos é o poder de Deus.” (I Cor, 1:18).

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Cruzes sempre representaram loucura; menos a do Mestre. Nenhuma cruz, sinônimo da infâmia romana, ficou em evidência; a de Jesus ficou! Cruzes de sentenciados ficaram mudas; a do Rabi falou!…

Enquanto todas representaram loucura, a do Mestre representou o Poder de Deus; roteiro de evolução. Mais ponte a todos nós do que paredão ao Sentenciado.

Abandono, sede, humilhação, sarcasmo, derrota, capitulação, morte, eram sentença a tresloucados. Na glória oculta da Cruz do Mestre estava o script da salvação.

Abandono, sinônimo de loucura. O Poder de Deus socorre-nos com companheiros leais.

Sede alucina. O divino crucificado apresenta-se como Fonte Viva.

Humilhação dementa. O Mestre do Monte bem aventura os simples.

Sarcasmo vampiriza. “Perdoa-lhes; não sabem o que fazem” apaziguou corações.

Capitulação e morte enlouquecem. A glória oculta da Cruz ressuscita, saneia, cura!…

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Foram seletos os que subiram à Jerusalém do Gólgota. Grande foi a multidão que permaneceu na Jerusalém ‘de baixo’…

Somente uma Cruz ‘falou’ tantas e tão impactantes verdades!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 97, A palavra da Cruz; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

“Capacete é indumentária de luta, esforço, defensiva.” (Emmanuel).

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O que têm a ver esperança e salvação com luta, esforço, defensiva? Qual sua co-relação?

Salvação é uma aspiração: ‘desejamos’ nos salvar! Embora outros nutram tal expectativa a nosso respeito, só nós sustentamos tal desejo.

Mas, tal qual a fé, a esperança precisa de acólitos: está, então, alavancada pela luta, esforço e defensiva:

Luta e esforço pressupõem vigiar, que é a parte mais prática do “vigiai e orai.” Lutamos e nos esforçamos com serviço, tolerância e respeito a nós e ao próximo.

Defensiva, a parte mais teórica; o “orai.” Se vigiar nos blinda contra más influências, oração e contemplação completam nossa imunização.

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Não há Agente externo de salvação; há um Roteiro: nós nos salvamos!

A Boa Nova do Mestre é o roteiro. Este não nos salva, se não o desejarmos. Possuímos a esperança; mas esta precisa de suporte:

A caridade (respeitar, tolerar, servir), apresenta-se como suporte da fé e da esperança. Ela é o capacete que nos dá segurança e autentica nossa evolução; contém os imperativos da salvação.

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 94, Capacete da esperança; 1ª edição da FEB) – (Outono de 2017).

crux-1-689x364-720x380Reportando-nos ao termo devoto, pressupomos indivíduo totalmente introspecto e recolhido ao mais completo colóquio com sua divindade… Não é este tipo de devoção que desejamos abordar:

Emmanuel nos assevera que um trabalhador poderá demonstrar altas características de inteligência e habilidade, mas, se não possui devoção para com o serviço, será sempre um aparelho consciente de repetição.

A seguir, o Benfeitor cita o exemplo do Mestre crucificado: só Ele marcou o madeiro da cruz como sinal de abnegação, luz e redenção. Antes dele, homens e mulheres de Jerusalém e de toda a Palestina foram sentenciados a cruzes, mas, movido pela devoção à Sua causa, somente a Dele, a do Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum (Jesus de Nazaré Rei dos Judeus – INRI), ficou conhecida como símbolo de Salvação; o grande farol luminoso a influenciar, salvaguardar e direcionar a humanidade; e o Império indestrutível, em contraponto a todos os que tiveram início, apogeu e ruína.

Convém explicarmos que, doutrinariamente, esse Rei abnegado indicou-nos, em todos os tempos o ‘rumo’ da salvação. Salvamos-nos individualmente ‘com’ o desejo de perseguir esse sagrado rumo.

O Apóstolo dos Gentios, Paulo de Tarso, exorta às comunidades de Éfeso – e a todos nós – que precisamos “renovar-nos pelo Espírito no nosso modo de sentir.” (Efésios, 4:23). Ou que não basta sermos inspirados diuturnamente, mas que precisamos elevar tal inspiração à categoria de zelo, cuidado, amor e serviço. Será importar-nos e, dessa forma alçar nossa sensibilidade ao expoente máximo. E isso é devoção; embora que muito aquém daquela evidenciada nos feitos de nosso Rei.

Renovarmos nosso modo de sentir significa o uso e o abuso das decisões do coração em detrimento da razão: paradoxalmente, – pois estudamos, vivemos e respiramos uma doutrina baseada em pensamentos claros e fé raciocinada – tal renovação significa o nosso coração tomar atitudes que surpreenda nossa própria razão.

É o que sucede todas as vezes que analisamos a “caridade segundo São Paulo” e com muita dificuldade a desejamos colocar em prática, considerando que ela “não é temerária, nem precipitada; não desdenha, nem suspeita mal.”

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É possível que o caminho de nossa devoção, embora um arremedo à de Nosso Senhor Jesus Cristo, passe, necessariamente, pelo ‘exagero’ do sentimento em prejuízo da razão. Haverá situações, as compreendidas pelo apóstolo Paulo e acima citadas, que ficaremos sem saída, pois somente o coração nos salvará!…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 67, Modo de sentir, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2016).

light_over_cross_2Todos quantos optam pela cruz estão sujeitos a escárnios: zombarias, desdém, menosprezos, 33anos, da manjedoura ao Gólgota, essa a encarnação missionária de Jesus.

Nada foi fácil no caminho do “Modelo e Guia que Deus tem nos dado para todos os tempos”:

Inicialmente, imaginemos José e Maria à procura de uma ‘maternidade’: a Mãe prestes a dar à luz e sem hospital; quantos nãos hão recebido! É possível que uma parteira da localidade de Belém haja feito o parto do Menino e todo o cenário obstetrício, fosse composto por animais, pastores e objetos campestres. Embora cheio de significados, o panorama era de pobreza absoluta.

Excluindo-se, aos 12 anos, o ensino aos doutores da lei no templo, o mais absoluto anonimato e simplicidade até os trinta anos.

Das tentações no deserto, por espíritos ainda muito inferiores, ao Gólgota, as dificuldades no confronto com os fariseus e doutores da lei, que sempre o expunham ao ridículo. Ardilosos, desejavam vê-lo em contradição e eliminá-lo precocemente.

Todos os escárnios estavam dentro de um planejamento; jamais o Messias se subtrairia deles! Realiza em apenas três anos suas ações e seus recados, pois quem sabe fazer o faz bem feito e rápido…

O desfecho, no entanto, será cruel demais: o sacrifício da cruz, reservado a ladrões, malfeitores e traidores: o que roubara? Que mal fizera? A quem traíra?

“Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo!” escarneciam os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos. “Confiou em Deus; Deus o livre agora!… Ele chama por Elias; deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo!” (Mateus, XXVII, 41 a 49). Seriam estas as derradeiras zombarias oferecidas a quem ensinara, amara e curara…

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… Era o Príncipe da Paz e achava-se vencido pela guerra dos interesses inferiores. Era o Salvador e não se salvara. Era o Justo e padecia a suprema injustiça…

Todos os que desejamos fazer costado ao Mestre, não nos furtemos da cruz. Muitos nos olharão de soslaio e seremos incompreendidos até dentro de nossa casa. Porque ainda muito imperfeitos outros contestarão nossos atos, pois ainda não condizentes com nossa mensagem.

Confiemos; pois historicamente, e a começar pelos doze, que tinham também suas naturais dificuldades, nada foi fácil na vida de quantos desejaram ser tais quais Cirineus…

“Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo!” Teria sido este, o maior paradoxo do poder? Para nossa reflexão!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 45, Somente assim, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

01NOVEMBRO2014-COMO-PERDOAR-Num postulado da geometria primitiva, a linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos quaisquer de uma superfície plana…

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Nas questões do amor – verdadeiro, altruísta – sempre estará incluso o perdão, apresentado como o caminho mais curto ou o melhor atalho para nossa reforma íntima. Poderemos ter a certeza absoluta de que quando já navegarmos pelas águas tranqüilas dessa virtude, estaremos na vereda correta de homens e mulheres de bem.

Quando de sua encarnação missionária o Mestre do perdão não nos diria à toa: “o amor cobre uma multidão de pecados.” Não que precisasse, mas cumprindo os desígnios do Pai, o Messias pisava em solo de Planeta de Provas e Expiações, conhecia o íntimo dos que o habitavam e compreendia suas dificuldades relacionadas ao perdão.

Desejando ver-nos desvencilhados de certas esquisitices da lei Mosaica, o Mestre das misericórdias utilizou-se até de uma linguagem matemática para orientar-nos que deveríamos “perdoar não sete, mas setenta vezes sete vezes”, configurando dessa forma que a lei de Talião, que o dente por dente e o olho por olho já não mais se enquadrariam na Revelação do Amor e que estaria traçando [através do amor] a linha reta da vida para as criaturas e representando a única força que enterraria de vez todos os disparates de uma controvertida ‘justiça injusta’ porém ainda necessária aos filhos de Abraão de outrora.

Também nas questões do perdão, as revelações são feitas em tempos certos: Se à época de Moisés, tudo o que a humanidade desejava era justiça, justificava-se aí a lei de Talião; se ao tempo de Jesus, a revelação do amor – ou “central”, segundo Emmanuel – se instaurou, o olho por olho já era desnecessário; e finalmente a revelação de Kardec, esclarecedora, nos dirá que o perdão é uma questão de justiça, mas, e sobretudo, uma questão que requer exclusivamente altruísmo.

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Como a linha reta, exercitar o perdão é o menor percurso, o melhor atalho entre o homem velho que desejamos abandonar e o novo que desejamos ser.

Se a linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos quaisquer de uma superfície plana, o perdão, ainda imperativo em orbes semelhantes ao nosso, sempre será a via mais rápida e apropriada à salvação.

Sendo o perdão imperativo à caridade e se “fora da caridade não há salvação”, ignorar a virtude será estabelecer para nossas vidas, tais quais alunos repetentes, encarnações e mais encarnações expiatórias…

(Sintonia com a questão 336 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

Jesus_e_o_natal_117No ano zero da Era Cristã, o Verbo se fez carne e habitou entre nós; já a partir de 1857, cheio de graça e verdade, não mais carne, então Verbo, visitou Paris e o mundo e promoveu claridades aos que o compreenderam…

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No trocadilho acima, baseado em João 1:14, diremos que Jesus, longe do filósofo que não foi, em todos os tempos, desde o princípio do Orbe, depois encarnado, desencarnado e para todo o sempre, foi a palavra – Verbum – do Pai aos transviados filhos de Israel e suas descendências representando a todos nós.

Se em todos os tempos foi fiel depositário dos anseios do Pai a nosso respeito, desejou, em determinada época, doce como favo de mel, encarnar junto aos seus em demonstração inequívoca de que sua lição devia ser procurada não mais para qualquer exposição teórica, mas [convocando] cada discípulo ao aperfeiçoamento de si mesmo.

Não podemos imaginar nossas idas e vindas pelo Orbe, sem aquele que organizou o Planeta; aqui permaneceu diretamente entre os tutelados míseros e ignorantes; e a partir de meados do século XIX, em Espírito de Verdade, efetivou sentenças outrora mal compreendidas.

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Jesus, a prática da própria teoria! Em todos os tempos, organizando, redimindo, explicitando!

(Sintonia: Questões 282 e 283 de O Consolador, pg. 193/94, de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, editora FEB, 29ª edição) – (Verão de 2014).