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post-4-c3-1030x579“Um semeador saiu a semear…” (Mateus, 13:4).

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Profundamente sábio e utilizando-se de analogias com figuras pertinentes à Palestina de seu tempo, (figuras da pesca e agropecuária local), o Mestre das alegorias não agiria diferentemente na parábola do semeador. O Benfeitor Emmanuel trabalhará em cima de tais ensinamentos e aqui fazemos nossas próprias reflexões:

O primeiro ensinamento da parábola é aquele que nos adverte que a cada reencarnação temos deveres intransferíveis: na qualidade de ‘donos do campo’, somos os próprios lavradores. Não podemos contratar ‘peões’ e ordenar-lhes que evoluam por nós! Ou pedir-lhes que, enquanto descansamos ao pé da escadaria, galguem todos os degraus que nós próprios precisaremos subir.

Como segundo ensinamento, nós, na qualidade de cooperados – Espíritos não evoluem sozinhos – seremos convidados a abandonar personalismos ou pontos de vista e convocados a lavrarmos na “terra das almas, sufocada de espinheiros, ralada de pobreza, revestida de pedras ou intoxicada de pântanos, oferecendo-nos a divina oportunidade de agir em benefício de todos.” Pode-nos parecer até contraditória tal consideração se comparada à primeira, mas não é: uma coisa é ‘desejarmos’ evoluir, no sentido de utilizarmos nossa vontade de fazê-lo; outra coisa é a cooperativa fraternal.

Terceira e última consideração é a de que se o divino Semeador, da manjedoura de Belém ao Gólgota, se fez pequeno em suas lides, por que nós seus terceirizados não deveremos nos vestir com a túnica e sandálias da humildade? Se ele nasceu entre pastores; cresceu no anonimato de Nazaré; conviveu com a hipocrisia de sacerdotes, doutores da lei e fariseus; teve como colaboradores, humildes pescadores; e morreu cruelmente numa cruz entre malfeitores… Será óbvio que o tipo de berço que nos trouxer a esta reencarnação não será relevante; que o anonimato será o tempero de qualquer frente Crística que abracemos; que opositores se farão presentes na lavoura, travestidos de lavradores ou semeadores, desejosos de plantar cizânias; que dos que ombrearem conosco, nenhum será perfeito; e que a nós, cruzes se depararão sob os mais diversos aspectos.

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Impossível raciocinarmos com semeadura sem os naturais constrangimentos do Orbe: o vento que espalha as sementes; a diversidade dos solos a serem semeados; o orgulho e o egoísmo a desejarem a perfeição do plantio e a santidade das ajudas; as sementes de joio infiltradas; e o cansaço que gera deserção e desânimo no cultivo.

A parábola do semeador é só uma das provas da sabedoria de nosso divino Professor atento a este Planeta muito antes da manjedoura; da manjedoura ao Gólgota; e em Espírito de Verdade até que se faça necessário.

Sintonia com Xavier, Francisco Cândido, Fonte viva, ditado por Emmanuel, em seu Cap. 64, Semeadores, 1ª edição da FEB – (Primavera de 2016).

maxresdefault“Podereis identificar a missão da alma pelos atos e palavras, na exemplificação e no ensino da tarefa que foi chamada a cumprir (…) [deixando] em todos os seus passos o luminoso selo do bem.” (Emmanuel).

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Já dissemos aqui, reproduzindo palavras do Benfeitor Hammed, que o indivíduo que deixar de lado o “ser religioso” – seu credo, religião, filosofia – e desenvolver o “ser religiosidade” – na crença e na aplicação da Boa Nova do Mestre –, estará apto a ingressar num Planeta Regenerado e ser incluído na fraternidade, a “religião do futuro”.

Mas indivíduos que já agem dessa forma, passarão por este Planeta imunes a provas no trabalho a realizar? Imunes a provas não, pois experimentam, como todos, um corpo de carne não imune à dor. Mas totalmente à deriva de expiações porque muito pouco ou nada têm a expiar.

Tomemos como exemplo aquele que instaurou a Boa Nova: A quantos sofrimentos – provas – seu corpo de carne foi submetido! Desde o nascimento humilde na estrebaria, passando pelas necessidades físicas da encarnação e culminando com a ignomínia da cruz; todavia seu Espírito estava preparado para a missão que o Onipotente lhe reservara.

Tanto estava que implantou, através da palavra e, sobretudo dos atos, durante trinta e três anos, o melhor modelo de fraternidade, possibilitando aos homens deste Planeta atingirem a categoria dos regenerados. Foram muitas suas atitudes! Algumas:

  • “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” – aparentemente um despropósito, mas considerada a expressão como semente do amor universal, fraternidade ou regeneração;
  • “Perdoai não sete, mas setenta vezes sete vezes.” – A rota do perdão ilimitado, indispensável para a fraternidade;
  • “Fazei aos outros tudo o que desejardes vos façam.” – Regra de ouro, ética da reciprocidade, solidariedade ou o caminho do amor universal;
  • “Mulher, onde estão os que te condenaram; não os vejo aqui! Nem eu te condeno, porém vai e não peques mais.” – A compaixão vista como o caminho para o perdão sem afrouxar a reparação; e
  • “Pai, perdoa-lhes; eles não sabem o que fazem!” – Jesus, com o corpo físico dilacerado, mas ciente de sua missão ao mostrar a face elegante do missionário.

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Fraternidade e regeneração se nos apresentam como uma meta. Já que fraternidade pressupõe parceria ou cooperação, não a construiremos sozinhos. Nas lutas do dia a dia, vencendo nossas más inclinações, iremos alcançando etapas, pois que também metas são atingidas através de jornadas.

A todos que queiramos ingressar na “religião do futuro”, tenhamos em Jesus o “guia e modelo mais perfeito”, que plantou lá atrás todas as sementes da fraternidade, que irá germinar, crescer e dar frutos somente três milênios após…

Se o próprio Mestre mostra-se paciencioso na colheita dos frutos da regeneração; se espera que ela se realize através dos milênios, por que nós homens ainda equivocados desejaremos pular etapas necessárias, expiatórias e regeneradoras?

(Sintonia: 1. Questão 343 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB e 2. Cap. Afetividade de Os prazeres da alma, ditado por Hammed a Francisco do Espírito Santo Neto, 4ª edição da Boa Nova Editora) – (Primavera de 2015).