Posts Tagged ‘Sentido da vida’

Para tornar minha vida mais leve, procurarei ser amável, sorridente e solidário com o estranho que estacionar seu carro ao meu lado, sempre considerando que o mesmo poderá não ser ‘tão’ estranho;

Tentarei respeitar o degrau de cada uma das pessoas que me cercam, pois se está à minha volta, faz parte de uma Escadaria Universal, considerando, ainda, que se não houvesse o primeiro estágio, não haveria o último;

Procurarei me debruçar, especialmente neste período de férias, mais sobre os livros do que sobre panelas; mais sobre o descanso do que sobre vassouras;

Procurarei domar a máxima de que a idéia melhor sempre será a minha, respeitando os limites das pessoas, considerando suas razões, evitando lhes impor minhas falas e conceitos;

Quem sabe para aliviar minha dor, precisarei travestir-me de palhaço ou curtir ‘o’ que está à minha volta… Importar-me-ei com o ambulante, sorrirei para o tratorista, para o gari e acharei hilário o que se me apresentar como hilário;

Para tornar minha vida mais leve, permitirei que pessoas façam coisas para mim; não hesitarei em receber um colo, ao invés de me tornar paternalista, maternalista e fraternalista em demasia.

Se acredito, meu amigo, que tais propósitos serão bons para mim, não posso afirmar que o serão para ti, mas, se quiseres tentar… Um bom proveito!

(Verão ventoso de 2011/12).

Para tornar minha vida mais leve, insistirei, sempre em dar o primeiro passo na direção do desafeto, na certeza de que o Universo providenciará o resto;

Procurarei investir em amizades novas, sem, entretanto, desleixar aquelas do meu engajamento;

Tentarei me deliciar mais com as falas e o aroma do vento, das flores, dos pássaros, do mar e somente o suficiente com o normal aroma de meu banheiro, peculiar e particular só dele;

Procurarei, diariamente, tomar um remédio a menos – e só um! -, tentando confiar mais minha saúde à Divina Providência;

Procurarei rir de meus amigos, rir para meus amigos e, quem sabe, rir até de mim mesmo, considerando que minha simploriedade me aproxima mais da simplicidade do que da importância;

Ainda sobre simplicidade, procurarei me espelhar no Mestre que não abortava oportunidades de estar com Madalena, pescadores, cobradores de impostos, cegos, coxos, lunáticos… Ao invés de se entreverar com ditos doutores da lei, outros pseudo-sábios do templo e afins;

Em fim, para tornar minha vida mais leve, apesar de perseguir todos os propósitos do bem, me permitirei deslizes, lançando, dessa forma, um olhar de compreensão para minha fraca natureza humana.

Se acredito, meu amigo, que tais propósitos serão bons para mim, não posso afirmar que o serão para ti, mas, se quiseres tentar… Um bom proveito!

(Verão ventoso de 2011/12 – praia impraticável)

Cheguei ao último capítulo do livro com os olhos marejados… Mas de que adiantariam as lágrimas se o livro não imprimisse em mim propósitos de melhora? O livro narra a história de Morrie Schwartz (1916-1995), acometido de uma ELA – esclerose lateral amiotrófica -; mais precisamente as últimas 14 semanas de sua última encarnação, nas quais ele – o treinador, mestre  – transmite a Mitch Albom – o treinado, discípulo -, máximas como:

“Para mim, viver significa poder se responsável pelo outro… Falar com os outros. Sentir com os outros… Quando isso acabar, Morrie acabou”;

 “Sejam responsáveis uns pelos outros… Amem-se uns aos outros ou pereçam!”;

“Não tem sentido ficar curtindo vingança ou teimosia… Dessas coisas eu me arrependo na vida. Orgulho. Vaidade…”;

“Não é só aos outros que precisamos perdoar… A nós também… Pelo que não fizemos. Por tudo o que devíamos ter feito”;

“A morte não é contagiosa. É natural como a vida. Faz parte do contrato… Se fazemos disso (da morte) um cavalo de batalha, é porque não nos consideramos como parte da natureza”;

“Enquanto pudermos amar uns aos outros… Podemos morrer sem desaparecer”; e

“A morte é o fim de uma vida, mas não de um relacionamento.”

Morrie não se definia católico, protestante, evangélico, espírita… Admitiu a Mitch que falava com Deus somente muito próximo de seu desencarne. Profundamente religioso, no sentido de religar corações, atitudes, conceitos… Essa era sua religião.

Morrie mudou a vida do autor Mitch, certamente de muitos dos 10 milhões que compraram o seu livro, mexeu com a minha e talvez possa mexer com a de meu leitor. “Amem-se ou pereçam!” (Primavera de 2011).