Posts Tagged ‘Situações ingratas’

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Por vezes, quando minha amada me surpreende acabrunhado e me pergunta ‘o que tens, meu velho?’ Respondo-lhe, após examinar que nada de muito grave estou sentindo: ‘Ingratidão’! A ‘moléstia’ à qual me refiro – uma dor da alma – não é endereçada a nenhum dos amados que comigo convivem, mas tão somente para com o Universo, que me rege e mesmo me cumulando de tantas bênçãos, não hesito em não abandonar meus queixumes…

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A doença ingratidão, que os indivíduos adquirem sempre que, insatisfeitos, desejam mais e mais e não admitem perder absolutamente nada, se revela em diversas situações da vida sempre que: Se exige muito do Universo; pouco se retorna a ele; em não se compreender que viver neste Orbe é um constante perder e ganhar. Sendo as Divinas Leis justas, a causa e efeito sempre proporcionará aos indivíduos, conforme o merecimento, conquistas e derrotas. Perdem-se oportunidades, compostura e se é ingrato, sempre que há dificuldade para entender que:

Patamares evolutivos diferenciados pressupõem acervo de conquistas diferente. Por que me revoltar com o que ainda não possuo armazenado se os ‘silos’ de minha alma comportam tão somente os recursos que por ora possuo?

A irritação, um dos sintomas da ingratidão, ao qual o homem do Sul apelidou de arrenegação, sempre desequilibrará a alma do ‘vivente’. Arrenegar-se é ‘seqüelar’ aos poucos o perispírito, já que o bom humor é um dos requisitos para manter com boa aparência veículo, perispírito e Espírito.

Inventei um verbo e o adoro conjugar: No infinitivo se chama ‘intoleranciar’. Que é a intolerância se não a objeção a tudo aquilo que talvez eu próprio pratique? Todas as manifestações de tolerância que eu jogar no Universo, tal qual bumerangue, retornarão a mim também em forma de tolerância.

Na insônia da madrugada, em luta com as cobertas e travesseiro, – por vezes péssimos conselheiros – quantas vezes a apreensão poderá roubar a serenidade?! Levantar, jogar uma água no rosto, dar um bom dia ao Pai do Céu, prosear com o anjo da guarda, abrir uma janela, afagar o cão, conversar com a caturrita, regar uma planta… poderá minimizar em muito aquele problema que me fazia revirar na cama…tumblr_m3g626DAlb1qk2c1wo1_500

Perde-se a humildade facilmente: Em crises agudas de orgulho, contemplar a imensidão do mar, a majestade do céu, as montanhas se ‘encordilhando’ e muito além delas o horizonte, poderá me apequenar e fazer ruir parte do orgulho e seu séquito maldoso.

Servir é uma troca: Serve-se agora; logo ali se é servido… É possível que quem não viva para servir não sirva para viver, ou estará em constante desajuste num Planeta em que seus planetários precisem da solidariedade.

Se o tempo é a dádiva, perdê-lo é a subtração. Vê-lo se escoar sem ação é a maior atestado de ingratidão para consigo, para com o próximo e para com o Criador. Para consigo e para com o próximo porque as partes ‘acordaram’ em aproveitá-lo para sanear equívocos ou para consolidar harmonias; para com Deus porque Ele chancelou tal acordo. Quem garante o tempo que se precisará para o cumprimento satisfatório desse contrato?

Nos dias atuais, perde-se a paciência facilmente. Mecanismos ardilosos e reluzentes aguçam a cobiça da humanidade de tal forma que se alguém não conseguir o objeto de seu desejo, irá logo perdendo a paciência. Tal qual crianças que batem pé desde cedo e chantageiam os pais a fim de obter o brinquedo da moda, – brinquedo, roupa, calçado, acessório… – também o adulto se achará no direito de desejar antes para logo adquirir. Se não o conseguir, perderá a paciência.

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E assim, perdem-se os recursos, o bom humor, a tolerância, a serenidade, a humildade, a serventia, o tempo e a paciência. Perde-se tudo isso e os indivíduos desenvolvem a doença ingratidão, mal da alma, mas que logo ali adiante apresentará os primeiros sintomas clínicos.

É possível que a ingratidão represente o ‘pecado mortal’ frente a todas as benesses graciosamente herdadas da Onipotência Divina…

Primeira imagem: Filme Barrabás, quando Jesus é preterido pela ingratidão do povo. (Sintonia: Cap. Não perca, pg. 37 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).