Posts Tagged ‘Solidariedade’

feixeAutomóveis mais pesados possuem em sua suspensão traseira um feixe de molas. São molas tipo lâminas que irão contornar os impactos das imperfeições de rodovias de maneira que a carroçaria não fique prejudicada com os açoites de uma carga…

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Ao abordamos o tema sociedade, – doutrinariamente Lei de Sociedade – e para melhor entendê-la, somos forçados a examinar como anda nosso “feixe de molas”, ou o conjunto de virtudes que deve compor nosso caráter o qual irá facilitar nosso dia a dia na difícil e imperfeita rodovia que é nossa sociedade: respeito, tolerância, doçura, humildade, cooperação, solidariedade, simpatia, discrição, agradabilidade, simplicidade, ética, esforço… comporão esse feixe e dele dependeremos para bem ou mal viver em sociedade; para realizarmos ou não todos os aprendizados necessários; e verificarmos, finalmente, que com ou sem o feixe de molas ‘em dia’ a vida em sociedade nunca será fácil.

Dessa forma, somos obrigados a fazer-nos três perguntas importantes com relação à vida em sociedade: Viver em sociedade é bom? É necessário? É fácil? Naturalmente que tudo, é lógico, dependerá de nosso feixe de molas:

Controvertidamente alguns dirão que viver em sociedade é muito bom e outros afirmarão ser extremamente ruim. Nos primeiros veremos uma ‘suspensão’ em dia, pois todos os predicados exigidos a uma convivência fraterna lhes fazem já parte do caráter; são pessoas totalmente cooperativas, comprometidas com “o que um não faz o outro faz”; relevam patamares diferenciados; respeitam, apreciam e aprendem com opiniões diversas; a humildade e a doçura lhes fazem costado, são afáveis no trato. Os que afirmam ser muito ruim, ainda não estão comprometidos com nada disso; possuem uma ‘suspensão’ totalmente avariada; falta-lhes o feixe de molas que os primeiros já possuem.

Porém todos – ao menos os de sã consciência – afirmarão que viver em sociedade é necessário. Somente ela, e não o isolamento nos fará crescer e melhorar os itens de nossa ‘suspensão’: será em sociedade que veremos os bons e maus procedimentos; os que desejaremos incorporar aos nossos Espíritos individuais e os que desejaremos evitar. Adquiriremos a compreensão de que apesar de uma evolução individualizada precisaremos das alavancas dos irmãos de um mesmo grupo familiar; de um mesmo grupo de trabalho remunerado ou não; de pessoas que nos escorem nas dores e que vibrem conosco em horas de regozijo. Quantos e belos momentos de solidariedade e de fraternidade são escondidos por nossas mídias! Se divulgados, veríamos que nem tudo está perdido e nossos cidadãos compreenderiam a necessidade e a importância de uma sociedade equilibrada…

Quanto ao fácil, por enquanto ainda não será! Porque ainda em nosso Planeta, o bom e o belo e a vontade do aprendizado – ou sua necessidade – ainda estão distantes das características de um Orbe de provas e expiações. Das grandes multidões nas quais poderemos viver, até o menor núcleo familiar, muitas vezes representado apenas pelo casal, as dificuldades serão enormes. E tais dificuldades sempre serão diretamente proporcionais ao nosso feixe de molas: se ajustado e ‘azeitado’ tais dificuldades serão amortizadas. Mas, se corroído e oxidado pelos vícios atrelados ao orgulho, ainda normal em nosso planetazinho, é lógico que nada se tornará fácil em nossa sociedade.

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“… Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação1.” Na “vida de relação”, aplicação ou exercitamento de nossas faculdades expomos diariamente todo o equilíbrio ou toda a fragilidade de nosso feixe de molas. Em sociedade pomos à prova sua resistência. Recolher nosso utilitário ao ‘sossego’ do isolamento, ou à garagem do bem estar, será condenar seu conjunto – corpo e alma – à oxidação, pois “no insulamento ele se embrutece e [enfraquece]2.”

Bibliografia:

  1. Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro, 71ª edição da FEB, em sua questão 766; e
  2. Idem, questão 768.

(Na orla do Cassino, conversando com Maria de Fátima sobre sociedade; verão de 2017).

encaixe-perfeitoFraternidade e igualdade podem, na Terra, merecer um só conceito?

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Na qualidade de Espíritos ímpares, desiguais, não poderemos dar um mesmo conceito para fraternidade e igualdade, porque a fraternidade, como já dissemos várias vezes é uma cooperativa de desiguais, onde o que um não fornece o outro fornece; onde o que um não sabe, o outro sabe; e onde, sobretudo, cada qual só poderá colaborar com aquilo que já plantou e colheu.

Emmanuel nos dirá que, dada a heterogeneidade das tendências, sentimentos e posições evolutivas, o conceito igualitário absoluto é impossível no mundo.

Entretanto, entre o absoluto e o relativo da conceituação, podemos afirmar que a fraternidade sempre terá o poder de aproximar ao máximo os diferentes de uma igualdade, pois fraternidade é isso: São os diferentes se completando.

Na fraternidade, vista como uma cooperativa, sempre haverá o suprimento das necessidades do desiguais ou daqueles que possuírem alguma espécie de carência: Analogamente, se eu só produzo arroz e meu irmão somente milho, nem eu, nem ele ficaremos sem arroz e milho…

Continuando ainda em nosso raciocínio, o agricultor porá o alimento na mesa do doutor e este não permitirá que o agricultor sinta dores horríveis, pois poderá acontecer que o doutor não saiba plantar e que o agricultor não tenha competência de se auto curar…

… Será sob esta ótica que a fraterna cooperação sempre aproximará os desiguais.

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Num futuro ainda incerto – pois dependerá da boa vontade da maioria – a lei da assistência mútua e da solidariedade comum tornará a humanidade menos desigual e o absoluto do conceito se tornará relativo, resultando no progresso moral possível no Planeta.

Somente a fraternidade iguala os desiguais!

(Sintonia: questão 349 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

amulheradulterapecadoraQuando possuímos uma prole de 2, 3 ou mais filhos, normalmente um deles nos exige maior atenção. Considerando que na efervescência das lutas do lar dívidas e rusgas anteriores carecem de acertos, será natural que a preferência seja dedicada ao filho mais necessitado; se o véu do esquecimento beneficia as partes, as evidências justificam o clamor do precisado…

Se imperfeitos, agimos dessa forma, quanto mais nosso Pai que está nos Céus!

Jesus já declarara, há dois mil anos atrás, tais preferências ao dizer aos seus compatriotas que “os doentes é que precisam de médico” e suas ações escancaravam preferência aos coxos, estropiados, lunáticos, adúlteros, cobradores de impostos… aos diferentes!

Não tenhamos dúvidas que também hoje o nosso Mestre, agora desencarnado, em Espírito, continua a se comportar da mesma forma; não duvidemos, em momento algum, que o Divino Médico preferirá:

  • O maltrapilho ao bem vestido; dedicar-se-á mais àquele a quem olhamos de soslaio do que ao que damos maior atenção por estar bem trajado;
  • Dará sua preferência aos conformados em aproveitar as sobras que rejeitamos por serem de ontem;
  • Dará preferência aos que anseiam em ler e aprender e não o podem fazê-lo, sobre aqueles que, em farta e particular biblioteca, os livros estão sendo corroídos pela poeira e pelas traças;
  • Sua preferência será pelos que se albergam sob marquises, pois os que possuem o justo, aprazível e seguro teto já estarão protegidos; e
  • Preferirá Jesus os incapacitados de buscar o alfabeto às grandes inteligências, porém ociosas…

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“Bem aventurados sereis quando…” não foram palavras ao vento pronunciadas pelo Mestre às plácidas margens do Mar da Galiléia, mas o enunciado de uma permanente preferência pelos famintos, sequiosos, maltrapilhos, injuriados, diferentes, coxos, dementados!

Não somos proibidos de possuir o máximo, pois tal é a Lei de Progresso, mas que tenhamos a sensatez de ofertar o mínimo, caso contrário o placar nos poderá ser adverso e nossa consciência será o árbitro dessa partida na qual o Rabi é o Bandeirinha…

A todos os desconveniados das benesses materiais que procuramos ávida e justamente, estará à disposição o Convênio das Alturas, a Divina Providência.

Aos destituídos da previdência, a Providência!

(Sintonia: Cap. Máximo e mínimo, pg. 174, Livro da Esperança de Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, editora CEC) – (Primavera de 2014).

Em semana atribulada por grande mudança física nas vidas de Maria de Fátima e na minha, mas que aparece no Brasil uma autoridade capaz de reunir mais de três milhões de pessoas em Copacabana e falar em sua homilia de serviço, amor, fraternidade… é imperioso abordar o tema Paz.

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É possível que paz, em teoria, seja um dos termos mais leves e belos. É mais possível, ainda, que na sua prática, a paz seja um dos desafios mais difíceis dos dias atuais. Ser pacífico hoje é missão quase que hercúlea, pois os homens do hoje, entre os quais me incluo, estão na contramão de todas as características do indivíduo pacífico. Não há paciência, a pressa impera, o desrespeito é generalizado, o ‘toma lá dá cá’ é lei… Todos os imperativos da paz parecem não ‘vingar’ no Planeta ainda predominantemente mau…

Ante tal constatação, o que fazer? Qual a receita para cada indivíduo, começando por mim e se estendendo a cada cidadão de um Planeta açoitado diariamente pelo egoísmo? Não há outra fórmula senão o comprometimento individual para que essa paz inflame uma coletividade. Os impositivos da paz, portanto, passam a ficar claros na cabeça do indivíduo, sempre que ele raciocinar que precisará ser o solo plantável, onde os naipes da diversidade e da adversidade chegarão com suas sementes maduras e prontas a germinar. Considere-se, portanto:

  • Que cada indivíduo que de mim se aproxima ou do qual eu me aproximo, não faz parte de um acaso; se há um motivo para essa aproximação, os clamores da paz exigirão das partes consideração e acatamento. Acaso não constrói a paz; seus clamores, suas vozes velados, precisam ser ouvidos e decifrados;
  • Esse indivíduo que de mim se aproxima, pressupõe um serviço. Vive repetindo nosso mais recente notável Francisco que “a missão do papa é servir”… E a receita é ótima para iniciar uma paz;
  • A cada uma dessas aproximações, a paz dará preferência à essência e não à aparência; julga a pacificação, nesse casso, que os olhos de ver poderão ser suspeitos e insuficientes e os do coração terão prioridade;
  • Pontos de vista diversos, longe de liquidarem com a paz, clamarão por uma ponderação na sua direção;
  • Parafraseando poeta gaúcho e se o ‘sol nasceu para todos’ é possível que muitos, aquecidos ao seu redor, cheguem a belos acordos de paz antes mesmo que ele se ponha;
  • Via de regra a paz clama por índices positivos, saldos, avanços, créditos. Débitos, negatividades, retrocessos, déficits… são sinônimos de desassossegos; e
  • Antipatia, malvadeza, desajuda, ingratidão e ressentimento são totalmente contrários à paz. Essa via de mão dupla requer a reciprocidade da generosidade, bondade, auxílio, serviço, simpatia e do reconhecimento.

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Cada dia que amanhece, encerra mais um ciclo de conluio das sombras da noite. A cada dia se faz uma nova receita de luz da tolerância, um convite à compreensão e à ajuda. O dia, ao contrário da noite, sempre será o conselheiro na direção do entendimento. Se a noite conspira, o dia inspira; é possível que o dia sempre apresente maiores clarezas à paz!

Foto 1, Adolfo Pérez Esquivel, arquiteto, escultor e ativista de direitos humanos argentinos, Nobel da Paz 1980. Sintonia: Cap. Preceitos de paz e alegria, pg. 77 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Frio inverno de 2013).

“Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes” (Mateus, X-8).

Ao codificar esta mensagem de Jesus, na forma do capítulo XXVI de O Evangelho segundo o espiritismo, Kardec, inspirado pela Coordenadoria Maior, realiza uma varredura na hipocrisia e um contraponto entre ela e o servir, abordando temas como o “dom de curar”, “preces pagas”, “mercado em templos de oração” e a “mediunidade gratuita”…

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Eu, o indivíduo – parceria fantástica de Espírito mais eventual e alternativo corpo – recebi gratuitamente da Divindade poderes e possibilidades a desenvolver que eu próprio nem imagino. Convocado a realizar diariamente pequenos ‘milagres’ – curas, socorros, intercâmbios, desobsessões, irradiações – enfim, os serviços preconizados pelo Mestre “para o alívio daqueles que sofrem”, terei à minha disposição um corpo físico gratuita e amorosamente ‘equipado’ para retornar “o que de graça recebi”.

Dessa forma, e porque o Universo gratuitamente, me permitiu:

  • Mãos perfeitas, eu as estenderei; abençoarei; realizarei com elas amorosos e positivos acenos; erguerei caídos; intermediarei sagradas imposições; transportarei fardos dos desvalidos; utilizá-las-ei acalmando multidões; erguerei crianças infelizes; e também levantarei e regozijar-me-ei com as felizes… São os milagres das mãos perfeitas e que de graça recebi!
  • Cérebro equilibrado, eu raciocinarei na direção do bem; utilizá-lo-ei como órgão inovador; promoverei todos os ineditismos úteis; será oficina de fraternidade; planejará as boas soluções… São os milagres do cérebro equilibrado que de graça recebi!
  • Coração sadio e compassivo, dele não prescindirei para as decisões caritativas; será o aliado de razões que o próprio cérebro me desaconselha; realizará todos os lobbies, pressões ostensivas e veladas para que o bem se perpetue; fará com que a emoção tome conta do peito e os olhos vertam lágrimas úteis ante fatos tristes, emocionantes, edificantes, comoventes; não permitirá que passem em branco as atitudes honrosas, altruístas, construtoras; abominará o descaso, a indiferença, a insensatez… São as possibilidades de milagres de um coração sadio e compassivo que de graça recebi!
  • Pulmões preservados, continuarei zelando por eles para que sustentem os brados que se façam necessários fortes; me permitam respirar todos os ares perfumados; os fétidos das carências, também; ainda os leves e tranqüilos da harmonia; que eu fique sem ar quando a emoção tomar conta de mim ou de meus amigos; e que eu respire fundo quando a intolerância me rondar… São os milagres dos pulmões preservados que de graça recebi!
  • Olhos discretos, os utilizarei para olhar e enaltecer o belo; avaliar o nem tão belo; fotografar talvez o que me pede socorro e enviá-lo por uploads aos companheiros cérebro e coração; furtar-me-ei de ver o perverso onde não existe, o mal onde não reside, a incoerência e intolerância no que é natural; brilharão eles com o que é fantástico, tal como a fraternidade, o socorro, o esforço, a abnegação, a perseverança… São estes e muitos outros os milagres dos olhos discretos que de graça recebi!
  • Ouvidos abertos, para escutar o interessante ou o nem tanto, o aviltante e o edificante, o prazeroso e o desagradável; os farei moucos ou ‘de tuberculoso’ sempre que a necessidade da complacência sobressaia; se necessário ouvirei sem ouvir ou prestarei atenção ouvindo; falarei muito menos, ouvirei muito mais… São estes os pequenos milagres dos ouvidos abertos que de graça recebi!
  • Uma língua que se expressa, a dominarei para que ampare mais que destrua; socorra através do verbo; trabalhe para o bem e a verdade; que se cale ante a prioridade de ouvir; que seja discreta perante a maledicência; benévola ante a urgência do dialogo com infelizes encarnados e desencarnados… São estes os pequenos milagres de uma língua que se expressa e que de graça recebi!
  • Braços, pernas e pés saudáveis, que eles sejam as alavancas do socorro; que debréiem, acelerem e dirijam e realizem todas as curvas na direção do auxílio; que eles driblem a preguiça – o retrato mais fiel da morte; saltem, ou se já senis, nem tanto, para desembaraçar e iluminar caminhos e subtrair apuros; subam morros; contornem vielas; trafeguem no asfalto, na lama dos bairros, off Road ou através campos, onde a necessidade imperar… São estes os pequenos grandes milagres de braços, pernas e pés saudáveis que de graça recebi!…

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Enumerada aqui está somente uma pequena parcela das fantásticas possibilidades desta parceria Espírito/corpo. Convocados a restituir, retornar, indenizar, quem sabe, pretéritos equívocos, o Espírito, mais que cativo de uma ‘máquina carnal de possibilidades’, lhe está no comando para realizarem, em cumplicidade, os mais sagrados auxílios.

(Sintonia: Cap. Auxilia também, pg. 61 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).

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A generosidade (…) propõe ajuda ao próximo, validando, acima de tudo, sua realidade pessoal.

Uma cooperativa de laticínios – o assunto da moda… – se faz recolhendo o produto de inúmeros fornecedores e reunindo-os na sede para beneficiamento e produção de uma diversidade de itens. Também a partir da validação, recolhimento e utilização das verdades de cada indivíduo se constrói um conjunto maior, diferenciado e real de verdades, ou uma ampla visão de Mundo.

Sou de uma época em que as vizinhas pediam às outras um açucareiro de açúcar, quando este faltava e a venda era muito longe. Coisa muito natural naquela época era este recíproco exercício de generosidade, pois… logo ali adiante a que pediu o açúcar iria emprestar uma quota de farinha…

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No momento em que vou chegando ao final de mais uma relida em Prazeres da alma e cada vez me apaixono mais pelas obras deste querido Orientador, percebo que todas as virtudes, que constroem o Céu no interior dos indivíduos, convergem ao grande anseio do Pai a respeito de seus filhos: A evolução! A generosidade não ficará para trás, porque quando se pensa numa pessoa que já adquiriu essa virtude, imagina-se uma pessoa notoriamente doce, desprendida, de colaboração e convívio fácil.

Se alguém perguntar na escola ao menino baixinho, de cabelo e pele descuidados, negro e pobre, com quem ele desejará estar à hora do recreio, e ele responder que ‘com aqueles que não pegam de meu pé’, não tenham a menor dúvida que ele estará se referindo aos seus colegas generosos.zeca-pagodinho-chuvas

Dir-se-ia que o generoso não ‘manga’ dos diferentes ou não os bullyiniza, mas que possui uma profunda compreensão de seus gostos e maneira especial de ser. Generoso ‘e’ esperto porque ainda aprende com as diferenças.

Sendo os indivíduos distintos, – diversos, diferentes… – qual deles que não gostaria de ter sua diversidade validada, reconhecida? Partindo-se do pressuposto que ninguém é tão pobre que não tenha algo a oferecer e nem tão rico que não tenha algo a receber, a generosidade é a virtude que homologa este ditado tão popular quanto verdadeiro. Se a realidade pessoal é tão única e a maior verdade que um indivíduo possa ter no presente momento, reconhecê-la como proveitosa à minha vida poderá ser, ao mesmo tempo, além de atitude inteligente, um ato de nobreza.

Quando em janeiro último Zeca Pagodinho, que é de Xerém, Duque de Caxias, esteve em auxílio às vítimas das cheias da Baixada Fluminense, até levando desabrigados para sua casa, esteve lá ele como um comum… Ele não foi lá cantar ou fazer demagogia, mas, como todos os de boa vontade, se uniu a propósitos da maioria. Primeiros socorros não prevêem de mim o declinar de um acervo que eu possa ter ou que meu curriculum proporcione a socorridos discursos de uma moral humilhante; todas as minhas ‘verdades’, nesse momento, deverão ficar em segundo plano. A regra mais básica de minha generosidade nessa hora será eu me nivelar, o mais que puder à situação de penúria do socorrido.

Quem generaliza, não socorre: Se eu encarar o problema de meu próximo como algo comum ou minimizá-lo ao compará-lo aos meus, dificilmente socorrerei, pois estarei a léguas da principal máxima evangélica.

Mas a generosidade, longe de somente prover, prevê o encorajamento, a capacitação, a singeleza no servir e um profundo respeito pela realidade pessoal do assistido material ou moralmente.criancas-na-escola-31062

É possível que muitos indivíduos não desejem grandes coisas de outros indivíduos, mas tão somente sua generosidade em forma de respeito à sua realidade de vida. Ou então cada qual não possuiria sua parcela de verdade! A missão do homem neste Planeta não é modificar o seu semelhante, mas a partir de uma modificação própria, promover a evolução da Terra e aí sim, com seu exemplo, levar de roldão, possíveis ‘retardatários’.

O que um não faz, o outro faz,assim se expressariam com sabedoria na questão 804 de O livro dos Espíritos os Benevolentes da Codificação, desejando informar que nem todos os espíritos possuem o mesmo adiantamento ou que tiveram vontade de desenvolver todas ou iguais faculdades; talentos diversos oportunizarão e estimularão o exercício do devotamento. Imagine-se um Mundo só de médicos, dentistas ou advogados… quem apagaria incêndios, quem construiria estradas, onde se comprariam mantimentos, quem fabricaria os móveis, quem cortaria ou pintaria cabelos?…

Cada talento não é melhor nem pior que os demais, apenas diferente e útil aos propósitos da Providência Divina ou Divinas Intenções.

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Em nada contribuirá ou influirá o acervo de um dentista que se coloca à frente de um carpinteiro e lhe encomenda uma mesa; como de nada valerá toda a capacidade profissional do carpinteiro que na cadeira do dentista lhe suplica que o livre de uma terrível dor. Sim, porque…

… O que um não faz, o outro faz!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Generosidade, pag. 197 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

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Dotado de inteligência e liberdade, o ser humano se acha no direito de estabelecer juízos – ou verdadeiras inquisições – sobre episódios que vão acontecendo em seu pobre orbe de provas e expiações. Dessa forma cria sentenças cabalísticas e aparentemente irreversíveis tais como: Este mundo está perdido! Já não se faz mais as músicas de minha época; as que estão por aí são todas medíocres! Os realitys são despropósitos em horários nobres, pois neles só há sexualidade, rusgas e bebedeiras! No trânsito só se vêem barbaridades! De um noticiário não se aproveita nada; só falam em acidentes, assaltos e assassinatos! O Congresso Nacional é o apocalipse se explicitando!… E assim vai!

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Em meio a toda essa pugna, Orientações me diriam que quanto mais compaixão se tem pelos outros, mais nossa visão de mundo se expande, pois só podemos expressar uma autêntica compaixão se utilizarmos uma atmosfera de aceitação e respeito pelas dificuldades alheias. madre-teresa

Quando que passo a ‘ganhar’ o coração daqueles possuidores de profundas dificuldades ou a compreensão dos responsáveis por fatos que julgo estarem na contramão do bom senso? Quando, com uma visão expandida de mundo e com aceitação e respeito pelas dificuldades alheias eu conseguir evidenciar a pessoas e fatos que o que sinto por eles não é nem pena, nem dó; somente compaixão!

Não se trata aqui de compactuar com ações provenientes dessas fragilidades, mas de compreender que outrora incidi e ainda incido em idênticas fraquezas e que aquele Pai de outrora, tido pela ignorância como terrível, ciumento e vingativo, não é o mesmo Deus dos cristãos que coloca o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas no lugar das primeiras virtudes… (Questão 1009).

Diferente da pena e do dó, profundamente horizontais e uma forma restritiva de ver, pois os sentirei simplesmente por senti-los não resolvendo nada, a compaixão, totalmente vertical poderá me mostrar desde a raiz do fato ou sua origem, até a sua solução. Essa maneira vertical de ver o fato exigirá de mim, entretanto, uma cadeia de generosidades que gravitam em torno da compaixão: Não estou aqui anunciando nenhuma novidade ao dizer que sensibilidade, percepção, emoção, entendimento, benevolência, solidariedade… farão parte do elenco de virtudes que produzirão umacompaixao compaixão efetiva evidenciada em alguma ação e no entendimento que os feitos desagradáveis das pessoas não serão eternos; que seus equívocos serão sempre o início de seus futuros acertos.

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Munido de generosidade abrangente e não restritiva; vertical e não horizontal, o compassivo, longe de compactuar ou ser complacente se compadece; longe de incentivar o desmazelo, demonstra honrada retidão e longe de possuir um olhar periférico sobre os fatos, possui uma visão expandida de mundo.

De mais a mais, o primeiro beneficiado com generosidade, entendimento e compaixão serei eu mesmo, pois meu peito se livrará das sobrecargas de fatos que não serão solucionados em curto prazo, dado a lenta e gradual transformação do Planeta.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Compaixão, pag. 115 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono lindo de 2013).

O ‘Programa Bolsa Família’ (PBF), tecnicamente chamado de ‘mecanismo condicional de transferência de recursos’, foi implantado no governo Lula em 2003, a fim de integrar e unificar ao Fome Zero os programas Bolsa Escola, Auxílio Gás e o Cartão Alimentação do governo FHC e idealizados pela primeira-dama D. Ruth Cardoso.

Em junho de 2011, como parte do programa Brasil sem Miséria, o atual governo anunciou uma expansão ao PBF, anexando-lhe novos recursos e abrindo um leque de situações em que as famílias seriam amparadas…

…E amparo é aqui a palavra chave: Quando os cristãos ainda não se ‘rotulavam’, o Mestre, no intuito de ampará-los, reunia-se na casa de Pedro de Marta e suas irmãs e dos demais apóstolos a fim de realizar os primeiros ‘Evangelhos no Lar’; era o Evangelho em Pessoa adentrando aos lares de amigos, tornando essa prática tão antiga quanto a passagem encarnatória de Jesus por aqui.

Dr. Bezerra de Menezes me dá a entender que os Amigos de Luz que, por um motivo ou outro, não podem comparecer a esses cultos, sentem-se tão felizes como os que lá comparecem participando, atuando, explicando, aprendendo, clareando…

É o momento, portanto, em que os membros encarnados numa mesma família e amigos desencarnados se reúnem em debate não só em torno das verdades do Mestre, mas ‘com’ O próprio…

…Sim, com o próprio, pois que prazer essa família Lhe proporcionará ao ver ‘duas ou mais pessoas reunidas em seu nome… ’

Mas, seria o Evangelho no Lar o momento de ‘lavar roupas sujas’? Prioritariamente, não, mas acredito que todo o esforço para sanear desencontros, traumas, inimizades e ódios, será válido nessa hora. A ocasião para se colocar alguns pingos nos ‘is’… Aliás, o que é o Evangelho em seu todo senão exortações, advertências?

Continua meu amigo e Médico dos Pobres: “O Evangelho no lar é sublime e urgente terapêutica de amparo à família”…

…Como no mundialmente reconhecido Programa Bolsa Família, o Evangelho no Lar é o programa de maior amparo espiritual à família, pois ‘não só de pão vive o homem’; não só de PBF… O ‘Bolsa Evangelho’ é de extrema importância, socorro e amparo!

(Citações em itálico e sintonia são do cap. Oração em família, pg. 59 de Recados do meu coração de José Carlos De Lucca/Bezerra de Menezes, Ed. InteLítera) – (Inverno de 2012).

Organismos são constituídos de órgãos funcionalmente diversos. Quando um desses adoece, todo o corpo sente. Sarando o órgão, o organismo volta a ficar saudável…

Toda máquina é composta de um complexo de peças, todas diferentes; Engrenagens, polias, correias, mancais, componentes elétricos diversos… Se essas peças não estiverem bem lubrificadas e se, os componentes oxidados, fios desencapados ou desconectados, a máquina poderá entrar em pane.

Engrenagens são as melhores imagens de sincronismo e de trabalho ‘dependente’… Mas quando um dente quebra!…

Um organismo empresarial não se constitui só de chefes ou só de operários… Compõe-se também de ‘peças’ diferenciadas, porém ‘habilitadas’ a manter a empresa harmônica; caso contrário, quem serviria o cafezinho cheiroso e gostoso? Quem solucionaria o apagão elétrico? E quem passaria a diretriz a subalternos?

 No ambiente familiar, mãe resolve coisas, pai resolve outras, avós têm receitas ‘enigmáticas’ no bolso do avental, mas, normalmente, só o filho ‘cabeção’ solucionará problemas de informática…

Não é muito diferente nas lidas da Casa Espírita: Departamentos independentes e harmônicos resolverão, com pessoas de diferentes aptidões, também questões de complexidades diversas.

O grande diferencial, todavia, tanto no organismo, na máquina, na célula ou empresa e no trabalho comunitário, será a qualidade dessas peças, seu sincronismo, sua manutenção e, principalmente, o ‘azeitamento’ dessas peças.

Assim como peças precisam ser lubrificadas, componentes trocados ou manutenidos, órgãos precisam ser tratados…

…Componentes humanos necessitam estar lubrificados com o azeite da concórdia, da compreensão, do calor da caridade fraterna.

Cada gota prática desse salutar lubrificante equivalerá a centenas de belas frases teóricas a respeito do assunto. Nos anais do livrão crédito/débito, atitudes práticas fraternas elevarão ‘saldos’ e manterão peças saudáveis.

Azeitando as peças, qualquer organismo trabalhará que nem um ‘reloginho’… sabe, aqueles antigos?!

“Há diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos”. (I Cor, XII, 6).

(A sintonia é do cap. Ideal comum, pg. 155 de Conviver e melhorar de Francisco do Espírito Santo Neto/Batuíra, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012).

Meus amigos: Não tenho a pretensão que estas curtas sejam pérolas… Se forem pétalas e conseguirem iluminar o dia de umzinho só, dar-me-ei por satisfeito. Um abraço!

Comércio – Se, de pequeno, iniciei meu filho no comércio – comprei-o com brinquedos, tênis, roupa, carro -, é muito provável que, em minha velhice, ele tome gosto e me abandone a uma enfermeira cara.

Dinheiro – Se quiseres garoupas, não as procura em minha carteira… Vai até os molhes da Barra!

Felicidade, infelicidade – Quando a infelicidade me visita dentro dos domínios de meus recursos, talvez esteja querendo me informar que a felicidade está fora deles.

Internet – Gosto de uma página de relacionamento: Ela descobre parentes meus que estavam ‘escondidinhos’.

Internet (2) – Uma página de relacionamento é avanço tecnológico, é ciência… Saber usufruí-la poderá ser religião.

Intuição – Na reflexão, meus ouvidos poderão receber excelentes idéias dos desencarnados. Já em sociedade os encarnados invadirão todos os meus sentidos.

Trocadilho mediúnico – Numa reunião mediúnica até os pequenos são médios(uns)!

Preço do milho – Quanto custa um milho em minha praia? Dois reais – ou uma tartaruguinha! -, um sorriso, uma boa conversa e ficamos quite, o carroceiro e eu…

Prevenção – “Cautela, caldo de galinha” e arroz de Beneficência Portuguesa, “não fazem mal a ninguém”!

Sociedade – Um momento de silêncio, de reflexão é importante. O burburinho da sociedade é essencial ao meu aprendizado e, convenhamos… ao meu blog!

(Verão de 2011/12).