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“Tomé não estava com os amigos quando o Mestre veio. (…) Ocorreu ao discípulo ausente o que acontece a qualquer trabalhador distante do dever que lhe cabe.” (Emmanuel).

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O bom aprendiz chega antes do Mestre. Aprendiz sob suspeita chega atrasado, ou… nem chega.

O bom aprendiz regozija-se estando junto aos amigos. O sob suspeita ‘mata aulas.’

Aprendiz sob suspeita apresenta logo mil soluções, embora não resolva nem o básico.

Os deveres do aprendiz não são grandes nem pequenos, mas ajustados à sua capacidade.

O dever que nos cabe não está alhures ou algures. Está mais próximo do que imaginamos: dorme conosco; mora sob mesmo teto.

O melhor dever pode não ser o maior, mas aquele devotado aos pequeninos, fragilizados, ‘diferentes’, marginalizados.

Como Tomé, o aprendiz sob suspeita reclama provas; o bom aprendiz valoriza evidências, experiências, tentativas.

Aprendiz sob suspeita é despreocupado, inconstante, faltoso. O bom é preocupado, perseverante, assíduo.

Bom aprendiz tem compromisso e responsabilidade com os Assistentes. O sob suspeita os ignora.

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O bom aprendiz crê estar matriculado na escola da Vida Superior. O sob suspeita amargará revivências dolorosas…

… É a sua reprovação! A boa notícia: na escola da Vida há, segunda, terceira, quarta… épocas!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 100, Ausentes; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

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Previsto está no script da perfeição, destinação de todos os filhos de Deus, que a cada vivência o indivíduo domine uma determinada ciência: Numa dominará táticas bélicas, em outra medicina, numa terceira será professor em determinada área, e assim vai: cheff, bombeiro, mecânico, dentista, músico, advogado, pintor, sacerdote, poeta, contabilista…

Erroneamente, entretanto, pais, avós, tios, irmãos mais velhos e outros ascendentes, na contramão da vocação, traçam planos mirabolantes para que haja uma ‘continuidade’ de seus descendentes que ainda nem nasceram.

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Mas por que a vocação, como afirma Hammed, – chamamento, intimação, convite – estaria co-relacionada a simplicidade, espontaneidade e humildade? Por que todas as características da vocação ora citadas são muitas vezes contrárias às aspirações de ascendentes em geral do rebento que está para nascer?

Hammed também orienta hoje que vocação é uma “marca de nascença” que Deus nos faz em segredo e, um dia, (…) ela se revelará simples e espontânea, ou a cada encarnação e de acordo com as Divinas conveniências a marca Divina que nos foi colocada por ocasião do acordo reencarnatório, naturalmente se mostrará ao indivíduo, tão logo ele comece a fazer uso de seu livre arbítrio, o que se dá mais ou menos, lá pelo início da puberdade.

Quando se percebe que um indivíduo desenvolve uma determinada profissão, mas possui outras diversas habilidades e hobbys, ele evidenciará que diversas vivências já lhe patrocinaram tais habilidades e colaboraram para que se tornasse um sábio.hospedeira_GP_EUA_F1(JPM)

Esse sábio, entretanto, só o será verdadeiramente quando passar a aliar às suas experiências científicas, artísticas, filosóficas, religiosas… a dose exata de humildade, simplicidade e espontaneidade, que lhe legarão o ‘título’ de legítimo sábio, ou a criatura já no rumo da perfeição que consegue estar conectado à Causa Primária e bebendo da fonte da inteligência universal.

Almas ainda na juventude de uma determinada vivência que conseguem se rebelar contra as ‘escolhas’ que seus ascendentes lhe fazem estarão dando ouvidos a uma intimação interior que o seu espontâneo acervo de sábio está a lhe indicar… Seria mais ou menos como se o filho adolescente dissesse aos pais:

– Mas pai, médico eu já fui numa encarnação anterior… Nesta serei bombeiro, e desejo ser um dos ótimos!

Os que, por ventura, mudam o rumo de sua vocação são os que ainda fora de uma conexão com a Causa Primária, dão ouvidos aos pais que, por orgulho ou avareza, fazem seus filhos saírem do caminho traçado pela Natureza e, por esse deslocamento, comprometem sua felicidade. (Questão 928).

Este tipo de infelicidade nada mais é do que uma ruptura do indivíduo com as vozes da alma ou daquele ser que olha para a sua marca de nascença e não a reconhecendo, manda tatuar outra em parte mais visível, afirmando:

– Esta sim! Esta é minha verdadeira marca! E os ascendentes aplaudirão e todos viverão infelizes a encarnação…

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Descobrir sua marca de nascença é humildemente dar ouvido às Vozes Interiores e atender às Divinas Conveniências e Convocações e…

… Encobrir sua marca de nascença é dar ouvidos a vozes exteriores e egoisticamente aderir aos próprios planos ou atender a conveniências de terceiros.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Humildade, pag. 107 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono lindo de 2013).

Descobrir o próprio talento, ou vocação é tal qual à pessoa que recebe lindo presente embrulhado… Para que o agraciado “desenvolva”- ou descubra – o conteúdo do mimo, “o invólucro precisará ser desenrolado e aberto”.

O talento não é algo que se adquire no supermercado, farmácia, padaria… É inato, ou seja, a pessoa o traz consigo quando por aqui chega, neste Planeta, de ‘mala e cuia’. Talento também não é coisa de uma só vida: O dom acompanha o peregrino em suas reencarnações sucessivas.

Para descobrir o talento, cada um precisará “desembrulhar” o pacote e para fazê-lo, será necessário “ouvir a voz da própria alma”. Está claro, então que vocação é o eco da alma.

Vocação, talento, precisará ser algo prazeroso. Mas vocação não é algo para se ganhar dinheiro? Também! Mas ganhar dinheiro, ganhar a vida com prazer é muito mais salutar.

Importante não esquecer a parábola dos talentos, contada por Jesus: Talentos não podem ser ‘enterrados’…  Porque enterrar é antagônico a descobrir, desembrulhar…

… Depois de desembrulhado esse pacote, o presente precisa frutificar em favor da pessoa, de sua família, de seu trabalho, de seus amigos, da comunidade em que labora!

Convém finalmente não esquecer: É nobre ‘emprestar’ – desinteressadamente –, o inato e gratuito talento recebido!

(Sintonia e expressões em itálico são do capítulo Vocação, não obrigação, pg. 95 de A imensidão dos sentidos de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012).