Posts Tagged ‘Terceira Revelação’

38359983Ao declarar que “o meu Reino não é deste mundo”, Jesus se estabelecia como lídimo representante Do Reino perante cidadãos ‘verdes’ de um Planeta também verde. Mais que depreciação na expressão do Mestre, havia o recado de que os Espíritos deveriam amadurecer para construir o Reino de seu Pai. Nem todas as expressões cifradas do Mestre puderam ser entendidas na sua época. Pela generosidade do Espírito da Verdade e sua Equipe, ao espiritismo, e na época certa, são concedidas à humanidade, todas as ‘traduções’ de como, por exemplo, indivíduos evoluiriam da situação de verdes para maduros.

Imagino o desapontamento que Jesus causou nos seus ao declarar “o meu Reino não é deste mundo”: Sob o jugo romano há 94 anos, o que mais ansiavam era por um libertador. Ora, corria ‘a boca pequena’ pela Judéia que O Libertador, em fim, havia chegado.

Em 64 a. C., o general Pompeu havia conquistado Jerusalém e feito do reino judeu um Estado-vassalo de Roma. Sob a legislação de Herodes Antipas, o povo judeu chegou a sentir um ‘gostinho’ de reino, pois este possuía cidadania romana e outros privilégios. Pilatos (romano) e Antipas (judeu) eram contemporâneos e ambos se envolveram na condenação de Jesus de Nazaré. Num ‘jogo de empurra’, ambos lavaram as mãos, e o próprio povo judeu pediu a condenação daquele que sonhava fosse o seu libertador…

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Ainda verdes, os homens daquela época não entendiam o sentido das palavras do Mestre que se referia a um Reino futuro, à Vida Futura ou à imortalidade de seus Espíritos.

Ora, “se o espiritismo veio completar, nesse ponto, o ensino de Cristo, quando os homens já se mostram maduros bastante para [entenderem] a verdade”, interrogam-se os homens de hoje: ‘Estamos já maduros ou somos os verdes de outrora. Os verdes ainda sob jugos ou maduros já libertos?’

  • Os já maduros entendem que nem todos caminham na mesma velocidade; se já adiantados, retardatários não lhes causarão desânimos;
  • Os ainda verdes se inebriaram de tanto poder que julgam ser o reino por aqui mesmo;
  • Os já maduros entendem o servir, a generosidade, a fidalguia, como ‘a’ forma verdadeira de amar;
  • Os ainda verdes acostumaram-se tanto a ser servidos que desconhecem o termo gratidão;
  • Mas os ainda verdes, longe de serem maldosos, são, e tão somente… verdes, retardatários! E assim os devem compreender os já maduros!
  • Os já maduros, além de compreenderem, relevam, se compadecem dos inexatos, promovem ações junto a eles e seguem adiante;
  • Os já maduros, foram outrora verdes e estes um dia avançarão. Não é de hoje que o Mestre anuncia que o meu Reino não é deste mundo! Uns assimilam logo, outros demoram um pouco mais, caracterizando os ‘maduros’ e os ‘verdes’;
  • O poder, tal qual a fortuna, é empréstimo transitório e alternado; verdes dele se embriagarão; os já maduros dele se utilizam para a promoção dos subalternos;
  • A autoridade producente identifica os já maduros, a humilhante os ainda verdes;
  • Amar, para os já maduros é se doarem; para os ainda verdes a exigência do receber;
  • O abismo entre o ter e o ser separa verdes dos já maduros;
  • Certificados, títulos, diplomas, escudam os ainda verdes; maduros se respaldam na sabedoria efetiva que possuem;
  • Verdes, vítimas de ilusões se atrasam consideravelmente; maduros e adiantados, os entendem, auxiliam, com a consciência de que a evolução é compartilhada.

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Maduros para entenderem ou amadurecidos por já entenderem é a situação que a codificação encontra a humanidade em meados do século XIX. A partir daí, esclarecidos pelas elucidações espirituais, tudo correria por conta de cada um e pela vontade de se madurar.

(Sintonia: Cap. Na construção do Futuro, pg. 21, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Verão quentíssimo de 2014).

Li, com muito gosto, Jesus e o Espiritismo de Carlos Baccelli, ditado por Inácio Ferreira. Nos dois primeiros terços do livro, os autores citam inúmeras evidências – que chamam de coincidências – de que Chico tenha sido a reencarnação de Kardec no século XX. Concordo e acho que realmente todas as evidências – ou coincidências – são reais.

É no último terço da publicação, porém, que o doutor mostra a carta que tinha na manga ao descrever o tipo de recepção que Kardec teve ao retornar à Vida Espiritual: Conta que lá estava presente toda a falange do Espírito da Verdade: São Luís, Santo Agostinho, Cáritas, Isabel de França, Irmã Rosália, Fénelon… E muitos outros anônimos. O próprio Espírito da Verdade materializou-se, então, tomando forma humana.

Do trecho, sintetizado por Inácio Ferreira – às pg. 240 e 241 -, destaco dois parágrafos das falas do Espírito da Verdade que se referem exatamente à carta na manga guardada por nosso ilustre psiquiatra:

 “… Conforme vos tenho dito, ficareis conosco por breve período, no indispensável refazimento de vossas energias, e, sob o amparo do Cristo, voltareis a Terra, acendendo novas luzes aos que anseiam pelo conhecimento da Verdade que liberta.

Muitos destes que aqui se encontram, neste momento, haverão de vos acompanhar na próxima empreitada, que terá início nos albores do século XX… ”

Kardec, a fim de cumprir o anunciado pelo Espírito da Verdade ficaria no Plano Espiritual de 1869 a 1910, o ano em que Chico – ou Kardec? – renasceria em Pedro Leopoldo.

Se os autores – sérios em minha opinião – estão com a razão ou não, para mim não faz a menor diferença… A diferença que faz, não só para mim, mas para todos os Cristãos Espíritas seja a ratificação da Terceira Revelação, que começa com Kardec, de família nobre, instruído e vivendo em Paris e continua com Chico, de família humilde, pouco instruído e nascido num lugarejo chamado Pedro Leopoldo. Não tem lá seus caprichos a Espiritualidade?

(Verão, ventoso, de 2011/12).