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Reza a lenda que um vivente desencarnou e, de imediato, foi levado por recepcionistas para inteirar-se do céu e do inferno. Chegados ao inferno, o recém desencarnado percebeu que no local havia um grande caldeirão de sopa e que cada um dos convivas tinha em mãos uma colher de cabo muito grande, impossibilitando-os de se alimentarem. No céu, encontraram o mesmo caldeirão e com as mesmas colheres… de cabos também grandes; entretanto, todos ali estavam saciados. Questionados os guias, estes responderam que todos estavam alimentados porque uns davam a sopa na boca dos outros…

Sabe aquele camarada ligadão? O ligadão está sempre atento a tudo o que acontece na tua rua – em nosso Balneário temos alguns! -; se a tampa de tua caixa d’água voa, ele se apercebe; se ele, de carro, está indo até a rodoviária com sol escaldante ou minuano intenso e te encontra à pé ele te carrega; se o vizinho tosse ele acha que é pneumonia, sobe no muro e questiona; se teu cusco fugiu ele te ajuda a correr atrás; se a perna de teu guardador inchou, não sarou, ele vê… O sujeito atinado não realiza essas façanhas porque deseje dissecar – analisar – a tua vida; o faz porque é uma pessoa de bem.  O camarada ligadão, portanto, é atinado, é sensível, é solidário.

Não consigo conceber progresso sem solidariedade. Assim como não há progresso sem vicissitudes, estas somente serão superadas, em detrimento do progresso, com a solidariedade alheia.

A resposta à questão 740 de O livro dos Espíritos me orienta que “Os flagelos… oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo…”

 Negritos por minha conta e de propósito, desejo aqui transcrever alguns pensamentos sobre solidariedade que poderão sanear flagelos, auxiliar no progresso, indo de encontro justamente à abnegação, desinteresse e amor ao próximo:

  • Se, em minha comunidade, eu servir para resolver o problema dos outros, os meus estarão resolvidos;
  • Considerando-me interesseiro, minha solidariedade na atual comunidade me retribuirá solidários amigos na próxima;
  • Uma idéia relegada, desprezada – uma só! – poderá ser uma solução adiada;
  • Quem sabe, meus dois reais poderão ser como a tartaruga: Lentos em terra e na minha mão, mas ágeis na água ou na mão de um necessitado;
  • Dar-me-ei por satisfeito se, mesmo não podendo resolver meus próprios problemas, colaborar na solução de algum de minha comunidade; e
  • “Não só de pão vive o homem”; não só de recursos devo entender a solidariedade.

Pois é, meus amigos, o que seria do progresso sem a solidariedade? Pense nisso!

(Verão de 2011/12).