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“Estamos em reunião. Não bata. Não entre” e “Entre sem bater. Em silêncio”. Estas são as recomendações escritas em verso e anverso numa placa que existe para ser dependurado na porta da Casa Espírita Recanto de Luz, em determinadas atividades… Sempre que alguém a ‘colocava’ um pouco desnivelada, do meu banco já ‘ficava em cólicas’, desejando me levantar e aprumá-la. Hoje, sempre que me é permitido eu mesmo o faço, só que, para tentar driblar meu TOC… a coloco o mais desnivelado possível…

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“Sede, pois, vós outros, perfeitos, como o vosso Pai Celestial é perfeito”. A expressão do Mestre talvez seja muito mais profunda que se possa imaginar: Como o meu Pai é perfeito, assim me deseja. Nunca disse, entretanto, Jesus, que o Pai me queria perfeccionista, como portador de TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo – ou de outras bizarrices.

Naturalmente, – e ninguém mais natural que o Pai – não me desejará ver super isto ou super aquilo, porque Super é Ele e o caminho que leva à perfeição é lento.

Todas as tendências perfeccionistas são doentias ou instrumentos dos quais me utilizo para me auto prevenir ou revelar que em minha meninice, juventude ou em vivências anteriores fui muito exigido para realizar as coisas corretamente.

O perfeccionista, ao não admitir tropeços em suas mínimas atitudes, revela-se uma pessoa antinatural, pois quem, neste Planeta, não estará sujeito a equívocos? Ou seja, e como me advertiria Hammed, o transtorno dos perfeccionistas é não se aceitarem como espíritos falíveis, não aceitando também os outros nessa mesma condição.

Se, em determinado dia, eu me permitisse ter tanta obsessão ou compulsão na perseguição de determinadas virtudes, como as emprego em algumas manias, já poderia estar bem mais próximo do início de minha evolução.

Aos que riram da abertura desta crônica, perguntaria: Levante o dedo quem não possui uma determinada compulsão, obsessão, mania? Certamente todos recolherão seu dedo – ou suas pedras -, pois todos os tipos de TOC, que se venha a desenvolver são próprios deste Planeta de Provas e Expiações. É muito provável que, ao desenvolver qualquer tipo de mania – arrumação, limpeza, ordenação… – eu esteja procurando um refúgio para o meu orgulho ou receoso de ser repreendido, observado, ‘ficar falado’. Eis aqui uma necessidade de proteção.

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Mas, o que dirá a visita ao chegar à minha casa:

  • Se toda a grama não estiver bem cortada e todas as folhas recolhidas?
  • E se a pintura da casa não estiver impecável?
  • E se a caixa de gordura estiver transbordando?
  • E se toda a cozinha estiver limpinha, mas o fogão apresentar algumas marcas de gordura?
  • E se o banheiro não estiver bem aromatizado?
  • E se o carro… – e aí a coisa pega! Se houver uma ‘duna’ dentro dele, o que irá pensar? E se ele, então, estiver ‘meio’ sujo, ou ‘meio’ limpo, que horror! Meu orgulho não permitirá isso; precisará estar ‘muito’ limpo!

Será que fechei o carro? Será que dei as seis voltas na porta? E quando for acometido de insônia por descobrir que um de meus móveis poderá servir de ‘lousa’, de tanto pó que possui… Aí, meu amigo, é TOC na certa!

Todas essas anomalias compulsivas, as citadas ou deixadas de citar são ecos de um passado mais ou menos remoto no qual passei por inúmeras reprovações. E não desejo ser reprovado novamente, pois meu orgulho não suportaria!

Em hipótese nenhuma, desejo aqui enfraquecer a vontade de cada um em aperfeiçoar-se e sim tentar barrar – em mim primeiro – e nos demais, desejos de perfeição presunçosa, visto que a perfeição é a resultante de uma evolução lenta e gradual.

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Ao me declarar compulsivo por perfeição, corro o risco de embaraçar minha evolução, pois estarei testemunhando ao “Perfeito Pai Celestial” a maior prova de meu orgulho.

Sintonia e expressões em itálico são do cap. Perfeição versus perfeccionismo, pag. 219 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – Imagens: 1. Perfeição; 2. Perfeccionismo – (Verão de 2013). 

Quando a mídia veicula em comerciais ou programas carentes de audiência:

  • Que somente tal sabonete me livrará de todos os germens;
  • Que o creme dental ‘x’ me resolverá todos os doze problemas bucais;
  • Que ora o ovo ora a carne vermelha me farão mal ou bem; e
  • Que a margarina ‘y’ – e aí põem nos displays 20 marcas delas – salvará meu coração…

…Essa mídia estará se prevalecendo de pequenos transtornos, manias, cacoetes, extravagâncias ou esquisitices em pequeno, médio ou grande grau que eu possa ter desenvolvido; ou seja, excentricidades que possam ter um dia me deixado sob o jugo do TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo).

Outono. Época que caem folhas; época, portanto, de juntar folhas: Após juntar 100% de folhas caídas, inevitavelmente cairão mais algumas… Se eu for obsessivo compulsivo em qualquer grau, entrarei noite adentro juntando folhas… 

Sabão ‘marmorizado Lang’, ou Gaúcho, Limpol, Lux, Palmolive, farão o mesmo efeito que o ‘especial sabonete’. Kolynos branco sempre ‘areou’ bem os dentes de antigamente. A margarina Sanrig – aquela do tabletinho de 100g – era tão gostosinha! Ovo, carne vermelha, carne de porco, dentro do equilíbrio, naturalmente e necessariamente, farão bem.

O TOC, sendo uma doença da alma, evidencia que o enfermo poderá estar sob o jugo – subjugado – de algum irmãozinho ainda não tão agradável que queira impedi-lo de ser feliz e progredir. Tal compulsão, como já disse se revela em diversos graus e em manias que desenvolvo como perfeccionismo, trabalho em demasia em detrimento do lazer, inflexibilidade, pré-ocupação, conceitos antiquados…

Em sendo uma doença da alma, os auxílios espíritas e dos psicólogos aí estarão para me ajudar. As Casas Espíritas começarão esse processo com uma boa conversa onde uma pessoa ‘de bom coração’ e habilitada saberá me indicar a melhor ‘direção’.

Finalizando, “as pessoas e as coisas não são integralmente corretas ou erradas, nem inteiramente boas ou más”.

(A sintonia e as citações em itálico são do capítulo Compulsão obsessiva, pg. 45 de A imensidão dos sentidos de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012, esfriando…)