Posts Tagged ‘Tolerância’

“Capacete é indumentária de luta, esforço, defensiva.” (Emmanuel).

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O que têm a ver esperança e salvação com luta, esforço, defensiva? Qual sua co-relação?

Salvação é uma aspiração: ‘desejamos’ nos salvar! Embora outros nutram tal expectativa a nosso respeito, só nós sustentamos tal desejo.

Mas, tal qual a fé, a esperança precisa de acólitos: está, então, alavancada pela luta, esforço e defensiva:

Luta e esforço pressupõem vigiar, que é a parte mais prática do “vigiai e orai.” Lutamos e nos esforçamos com serviço, tolerância e respeito a nós e ao próximo.

Defensiva, a parte mais teórica; o “orai.” Se vigiar nos blinda contra más influências, oração e contemplação completam nossa imunização.

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Não há Agente externo de salvação; há um Roteiro: nós nos salvamos!

A Boa Nova do Mestre é o roteiro. Este não nos salva, se não o desejarmos. Possuímos a esperança; mas esta precisa de suporte:

A caridade (respeitar, tolerar, servir), apresenta-se como suporte da fé e da esperança. Ela é o capacete que nos dá segurança e autentica nossa evolução; contém os imperativos da salvação.

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 94, Capacete da esperança; 1ª edição da FEB) – (Outono de 2017).

gentileza“Apresentemos ao Senhor as nossas oferendas e sacrifícios em cotas abençoadas de amor ao próximo, adorando-o, no altar do coração, e prossigamos no trabalho que nos cabe realizar.” (Emmanuel).

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Precisamos, outrora, em eras pagãs ou cristãs, de santuários grandiosos, entendendo neles, melhor agradar a Deus.

Precisamos que eles tivessem altares em mármore, ouro, ou madeira nobre, pensando melhor cultuar nossa Divindade.

Precisamos, para exteriorizar nossa fé, depositar sobre eles, oferendas palpáveis, visíveis ou mensuráveis.

Nossos ‘pais’ na antiguidade assim o faziam; herdamos-lhes tais circunstâncias e rituais.

O Divino Rabi chega, entretanto, e nos observa que “o sacrifício mais agradável a Deus” estaria numa série de compromissos para com os irmãos: dita-nos a Regra de Ouro “fazei aos homens tudo o que desejais eles vos façam”, que subentende respeitar, tolerar e servir, para que com ela nos aproximássemos do amor do Pai que está nos Céus. Ou, que o amor a Deus seria verdadeiro, se amássemos (realmente) nossos irmãos.

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Reconhecemos que sacrifícios, altares e templos do passado, não foram em vão; tinham propósitos àquela época, mas…

… Erigirmos hoje o templo de nosso Espírito (nossa evolução); aparelhá-lo com o altar do coração; e neste colocarmos o sacrifício de nosso serviço, já faz parte da era nova que ora vivemos. O que ficou para trás, possivelmente, sejam museus, lembranças e histórias de um tempo que saíamos do mais para o menos pagão.

Nossa piedade, assim, deixa de ser mero ato exterior. Piedade ou impiedade é medida pela disponibilidade do altar de nosso coração…

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 93, Altar íntimo; 1ª edição da FEB) – (Outono de 2017).

Closeup on young beautiful smiling couple.

Entendamos sobrenome, como o de família; alcunha é, normalmente, depreciativo; e apelido é o cognome não necessariamente depreciativo.

Amar pressupõe sempre despendermos uma quantidade, direção e intenção de energias. Não variando a quantidade de energia despendida, será possível que a direção e a intenção classifiquem nosso amor com sobrenome, apelido ou alcunha:

Amor avareza – Diz respeito ao mau gerenciamento de bens materiais que nos é dado administrarmos: se nosso automóvel não for um utilitário; se nossa casa for ‘só’ casa e não for o lar que acolhe, educa e regenera; se nossa alimentação não tiver frugalidade adequada; se nosso vestir e calçar for só exibicionismo; se nosso ter se sobrepuser ao ser… energias gastas nesse amor terão a alcunha de avareza.

Amor egoísmo – Nada de material nos pertence; tudo é empréstimo: quando fazemos do material o centro de nossas atenções e consumo de energias, nosso amor recebe o cognome depreciativo de egoísmo. Entenderemos, dessa forma, que todo o nosso material é o melhor, quando o ideal seria que todos, com o ‘seu’ material, formassem cooperativa a serviço de todos.

Amor inveja – Uma grande concentração de amor no que temos e – mais grave – no que não temos, no que os outros têm e gostaríamos de ter. Evolução, esforços, e capacidades diferentes; vocação para administrar quantidades e valores diferentes: é o que defende a meritocracia. Se não entendemos isso, passamos a administrar um amor sob a alcunha de inveja.

Paulo de Tarso, ao ilustrar esta reflexão nos afirma que “o amor deve crescer, cada vez mais, no conhecimento e no discernimento, a fim de que o aprendiz possa aprovar as coisas que são excelentes.” (Filipenses 1:9). Ou, só conhecimento (informação, notícia) e discernimento (critério no diferenciar coisas, fatos, circunstâncias) irão nos conduzir ao amor excelente. Vejamos:

Enquanto só amarmos a beleza, o nome e o patrimônio de nosso cônjuge, (ou de outros conviventes) esse amor, de apelido ou alcunha cobiça, interesse, vaidade, se esvairá ainda nesta vida, pois beleza ‘enfeia’; nome em sociedade séria não é suporte; e patrimônio acaba. Nenhum dos três estabelece laços duradouros. Estamos então perante o vulgo amor querer, desejar.

Já o amor servir (sobrenome verdadeiro), aproxima-se da excelência, porque prevê conhecimento e discernimento: conhecemos a Lei, mormente a Regra de Ouro; temos informações de causa e efeito, de reencarnação; pressupomos débitos; diferenciamos patamares evolutivos; e já entendemos coisas, fatos e circunstâncias como educativas. Dessa forma estaremos aptos a respeitar, tolerar e configurar nosso amor como forma de serviço.

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Indivíduos a respeitar, tolerar e servir, não estão distantes de nós: normalmente dormem conosco; ou vivem sob nosso teto!

“Tão somente com o ‘querer’ é possível desfigurar, impensadamente, os mais belos quadros da vida.” (Emmanuel). Ou ‘desfiguramos’ nosso material, cônjuge, familiares e a nós mesmos!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 91, Problemas do amor; 1ª edição da FEB) – (Outono de 2017).

Flor-de-Lótus-brancoEvidente que parte da programação de nossa TV nos repugna; ela faz parte, ainda, da transição de um Planeta que precisará passar por tais escândalos até o advento da Regeneração pela purificação.

Já damos muito ‘murro em ponta de facas’, com censura insana a realitys, novelas, programas humorísticos e séries de TVs abertas ou pagas de nosso País.

Já peregrinamos pela incomplacência a esses escândalos; mas Espíritos Esclarecidos em seus apontamentos, legados sérios à humanidade, têm-nos chamado à razão para tais fatos, constrangendo-nos à tolerância e fazendo-nos compreender que será inevitável, neste Planeta, frequentarmos, tomarmos conhecimento da lama, enlameando-nos o menos possível…

Somos obrigados a reconhecer que Ícones de primeira grandeza, a Mãe Natureza e Espíritos de Envergadura Celestial, que por aqui passaram e inda frequentam nosso Orbe, na qualidade de seus Auxiliares, já nos chamaram e continuarão chamando a atenção sobre os escândalos, suas finalidades e consequências:

  • Jesus – Diria ele que “haverá necessidade que os escândalos aconteçam, mas ai daqueles pelos quais eles venham.” E Emmanuel nos dirá que o Mestre [apagou] a própria claridade, fazendo-se à semelhança de nossa fraqueza, para que lhe testemunhássemos a missão redentora;
  • A Mãe Natureza – Lótus herda, por acaso, do pântano, seu cheiro e suas cores? E o raio de luz visita as entranhas do abismo e dele se retira sem alterar-se…
  • Paulo de Tarso“Fiz-me fraco, para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos para, por todos os meios, chegar a salvar alguns.” (I Coríntios, 9:22). Num trocadilho filosófico/poético fantástico, Paulo sintetiza o valor de “estar no mundo, sem a ele pertencermos.”
  • Espíritos Superiores – Estes – quem não tem o seu como guardião?! – estão sempre à disposição da humanidade para lhe minimizar os solavancos. Nas obras de André Luiz, que nos traz informações preciosas do Plano Espiritual, são incansáveis as caravanas de Equipes desses Espíritos a zonas inferiores, levando-lhes resgate e socorro.

Longe de ‘afrouxarmos o garrão’ perante escândalos e infames bandalheiras de nossas mídias – não o faremos! – somos obrigados a aprender com o Alto que tais escândalos por um tempo ainda acontecerão em nosso Planeta; e que só agora estamos entendendo coisas que antes não podíamos entender, pois…

… Haverá o tempo de tripudiar; o tempo da intransigência; do aprendizado; e, finalmente, o da tolerância.

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Quando esse tempo chegar para nós, iremos à lama sem enlamear-nos; tal qual a flor-de-lotus, não herdaremos nem a cor nem o cheiro do pântano; e a visão dos escândalos, sem deles participarmos, nos será o aprendizado normal, num Planeta de transição, onde eles hoje ainda são necessários.

(Sintonia: Fonte viva, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, Cap. 72, Incompreensão; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2017).

feixeAutomóveis mais pesados possuem em sua suspensão traseira um feixe de molas. São molas tipo lâminas que irão contornar os impactos das imperfeições de rodovias de maneira que a carroçaria não fique prejudicada com os açoites de uma carga…

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Ao abordamos o tema sociedade, – doutrinariamente Lei de Sociedade – e para melhor entendê-la, somos forçados a examinar como anda nosso “feixe de molas”, ou o conjunto de virtudes que deve compor nosso caráter o qual irá facilitar nosso dia a dia na difícil e imperfeita rodovia que é nossa sociedade: respeito, tolerância, doçura, humildade, cooperação, solidariedade, simpatia, discrição, agradabilidade, simplicidade, ética, esforço… comporão esse feixe e dele dependeremos para bem ou mal viver em sociedade; para realizarmos ou não todos os aprendizados necessários; e verificarmos, finalmente, que com ou sem o feixe de molas ‘em dia’ a vida em sociedade nunca será fácil.

Dessa forma, somos obrigados a fazer-nos três perguntas importantes com relação à vida em sociedade: Viver em sociedade é bom? É necessário? É fácil? Naturalmente que tudo, é lógico, dependerá de nosso feixe de molas:

Controvertidamente alguns dirão que viver em sociedade é muito bom e outros afirmarão ser extremamente ruim. Nos primeiros veremos uma ‘suspensão’ em dia, pois todos os predicados exigidos a uma convivência fraterna lhes fazem já parte do caráter; são pessoas totalmente cooperativas, comprometidas com “o que um não faz o outro faz”; relevam patamares diferenciados; respeitam, apreciam e aprendem com opiniões diversas; a humildade e a doçura lhes fazem costado, são afáveis no trato. Os que afirmam ser muito ruim, ainda não estão comprometidos com nada disso; possuem uma ‘suspensão’ totalmente avariada; falta-lhes o feixe de molas que os primeiros já possuem.

Porém todos – ao menos os de sã consciência – afirmarão que viver em sociedade é necessário. Somente ela, e não o isolamento nos fará crescer e melhorar os itens de nossa ‘suspensão’: será em sociedade que veremos os bons e maus procedimentos; os que desejaremos incorporar aos nossos Espíritos individuais e os que desejaremos evitar. Adquiriremos a compreensão de que apesar de uma evolução individualizada precisaremos das alavancas dos irmãos de um mesmo grupo familiar; de um mesmo grupo de trabalho remunerado ou não; de pessoas que nos escorem nas dores e que vibrem conosco em horas de regozijo. Quantos e belos momentos de solidariedade e de fraternidade são escondidos por nossas mídias! Se divulgados, veríamos que nem tudo está perdido e nossos cidadãos compreenderiam a necessidade e a importância de uma sociedade equilibrada…

Quanto ao fácil, por enquanto ainda não será! Porque ainda em nosso Planeta, o bom e o belo e a vontade do aprendizado – ou sua necessidade – ainda estão distantes das características de um Orbe de provas e expiações. Das grandes multidões nas quais poderemos viver, até o menor núcleo familiar, muitas vezes representado apenas pelo casal, as dificuldades serão enormes. E tais dificuldades sempre serão diretamente proporcionais ao nosso feixe de molas: se ajustado e ‘azeitado’ tais dificuldades serão amortizadas. Mas, se corroído e oxidado pelos vícios atrelados ao orgulho, ainda normal em nosso planetazinho, é lógico que nada se tornará fácil em nossa sociedade.

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“… Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação1.” Na “vida de relação”, aplicação ou exercitamento de nossas faculdades expomos diariamente todo o equilíbrio ou toda a fragilidade de nosso feixe de molas. Em sociedade pomos à prova sua resistência. Recolher nosso utilitário ao ‘sossego’ do isolamento, ou à garagem do bem estar, será condenar seu conjunto – corpo e alma – à oxidação, pois “no insulamento ele se embrutece e [enfraquece]2.”

Bibliografia:

  1. Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro, 71ª edição da FEB, em sua questão 766; e
  2. Idem, questão 768.

(Na orla do Cassino, conversando com Maria de Fátima sobre sociedade; verão de 2017).

passado_doencas_da_alma“… Se tratarmos o erro do semelhante, como quem [imagina] afastar a enfermidade de um amigo doente, estamos, na realidade, concretizando a obra regenerativa.” (Emmanuel).

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Evidente que, nesta abordagem, Emmanuel se refere a nossos erros como doenças. Toda vez que nos equivocamos moralmente, adoecemos da alma.

Vivendo neste Planeta, compete-nos: entendermos e policiarmos nossos equívocos; e entendermos e ajudarmos, se possível, na recuperação do semelhante equivocado/doente. Não nos compete o açoite ao companheiro por ora enredado.

A cólera, e todos os seus predicados, será sempre a pior conselheira na recuperação própria ou do semelhante.

Quem é infalível neste Orbe? Ninguém! Nosso semelhante erra, mas nós também; por que ficarmos alardeando falhas?

‘Rogarmos pragas’ estabelecerá uma corrente do mal, uma bola de neve; e o aplauso ao erro, lhe acrescerá a estatística.

A indiferença aos maus feitos promoverá a estagnação dos indivíduos equivocados.

Incêndios não se apagam, nem com combustível, nem com perfume: Portanto, ao equivocado, nem o castigo, nem o louvor. Só a compreensão recupera!

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Com tolerância e respeito todos ingressamos no processo da recuperação: Porque todos doentes, todos deles dependemos e com eles ninguém nada perderá!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 37 Na obra regenerativa, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

44Há conotação diversa, porém complementar, nestas duas vezes em que, no evangelho, o Mestre fala em espada:

“Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão” (Mateus, 26, 52), foi uma expressão proferida pelo Mestre, às vésperas de sua crucificação e dirigida a Pedro quando este cortou a orelha de Malco, soldado do Sinédrio. Jesus cuida de informar ao Discípulo Pescador que seu Reinado não é material, mas que a cada ofensa deveremos manter o equilíbrio e respondermos com o lado espiritual elegante que já possuímos: A face do amor e da compreensão! Na ocasião o próprio Cristo curaria a orelha do militar, mostrando-lhe a face Divina que possuía. Espada, aqui, evolui de uma analogia material para um ensinamento transcendental.

“Não julgueis que vim trazer a paz à Terra. Vim trazer não a paz, mas a espada.” (Mateus, 10, 34). À primeira vista, uma heresia Messiânica? Impossível! Jesus não era dado a desatinos. A doutrina vem em nosso socorro e nos explicará que toda a idéia nova provocará na humanidade sectarismos; ou alguns a aceitarão, outros não; e isso dentro até de uma própria família. E isso poderá ‘roubar a paz’ às partes.

Mas o ensinamento principal, a que Emmanuel ora se refere, diz respeito à espada que deveremos colocar sobre nossos próprios equívocos, pois Jesus não vinha trazer ao mundo a palavra de [tolerância] com as fraquezas do homem, [mas aquela que o] iluminasse para os planos divinos.

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Tanto na primeira como na segunda citação a espada é aquela renovadora, com a qual deve o homem lutar consigo mesmo, ‘cortando orelhas’ que teima em criar, capitaneado ainda por ignorâncias, vaidades, egoísmo e orgulho.

 (Sintonia: Questão 304 de O Consolador, de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, 29ª edição da FEB) – (Outono de 2015).

10382879_697440906995635_4226782544613314301_nPedro Leopoldo, Minas Gerais, Brasil, 8 de março de 1940 – Um grupo de médiuns, entre os quais Francisco cândido Xavier, pertencentes ao Grupo Espírita Luís Gonzaga, questionam a Entidade Emmanuel sobre qual dos aspectos, científico, filosófico e religioso seria o maior. O resultado que chega à data supra mencionada é a obra O Consolador1, que com suas 411 questões, é um luzeiro ao Brasil e ao mundo…

Paris, França, 7 de janeiro de 2015 – Dois atentados simultâneos e orquestrados resultam num massacre, por parte de extremistas islâmicos, deixando na capital francesa um saldo agregado de 20 mortos e 11 feridos, entre as partes.

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Qual a co-relação entre estes dois episódios, acontecidos com um intervalo de três quartos de século? Aparentemente, diríamos que nenhum, se não examinássemos a resposta à questão 292 de sua terceira parte, aspecto religioso, e abordando o conceito de religiões: “… Na inquietação que lhes caracteriza a existência na Terra, os homens se dividiram em numerosas religiões, como se a fé pudesse ter fronteiras, à semelhança das pátrias materiais (…). Dessa falsa interpretação têm nascido no mundo as lutas anti fraternais e as dissensões religiosas de todos os tempos. 2

Embora não estejamos aqui para falar de política, mas sobre religião/religiosidade, é-nos imperioso acreditar que tais ‘efeitos’ islâmicos sejam mais de ordem política do que religiosa. Ou que sejam mais aspectos sociais do que religiosidade.

A França possui a maior concentração islâmica dos países da Europa; tal população ocupa os subúrbios das cidades francesas, ou suas partes menos aprazíveis, como se ser muçulmano e ocidental seja contraditório. Acredita-se que um em cada vinte habitantes, seja muçulmano e pratique o islamismo. O restante está divido entre católicos – 81% – e outras religiões.

Logo após as comoções e o sepultamento de seus queridos e atendimento aos feridos gravemente, França e as demais nações preocupam-se em rever seus planos de prevenção antiterrorista. Não lhes é importante, entretanto, meditar sobre e rever questões de respeito e tolerância, itens que amenizariam efeitos de sabidas causas. Enquanto a tolerância relevaria os equívocos alheios, o respeito preveria a consideração às tradições e convicções dos povos.

Longe de tomarmos o partido ‘A’ ou ‘B’, convém lembrarmos que Charlie Hebdo, o jornal satírico francês debochava, na forma de caricaturas, de tudo e de todos; do papa a Maomé!

É muita clara a Regra de Ouro ou Ética da Reciprocidade, na formulação de seus postulados. Também são sinópticas tais máximas, apresentando paridades de formulação de Abraão (judaísmo), passando por Jesus (cristianismo) e chegando a Maomé (islamismo):

Respectivamente, postulariam estas crenças: “O que é odioso para ti, não o faças ao próximo. Esta é toda lei, o resto é comentário”; “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles”; e “Nenhum de nós é um crente até que deseje a seu irmão aquilo que deseja para si mesmo.”

Imaginemos todos os Profetas de antes da Manjedoura; da manjedoura ao Gólgota; e pós Gólgota, todos eles sob os auspícios do Divino Governador. Entre eles estariam Abraão, Jesus e Maomé, certamente lamentando o episódio recente, e na praça francesa, tremulariam faixas não com as expressões “Je suis Charlie”, mas, muito provavelmente, “Je suis la fraternité!”- eu sou a fraternidade!

Reiteramos mais uma vez, não estamos aqui falando como franceses ou muçulmanos, mas com a dor e o lamento de ambos, como cidadãos do mundo e como cristãos; e como tal acreditamos que o único aval para a liberdade e a igualdade seja a fraternidade, ou o perfeito enquadramento dos povos dentro da ética da reciprocidade, que é a regra que o Cristo ditou aos antigos e novos Profetas.

A fraternidade liberta e assemelha nossos Espíritos!

Muito atual e profética a colocação de Emmanuel, de 75 anos atrás. Própria de Espíritos Superiores!

Bibliografia:

1. Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, O Consolador, editora FEB, 29ª edição; e

2. Idem, questão nº 292

(Verão de 2015).

Pub RIE, Mar 2015

fraternitéA Ética da Reciprocidade ou Regra de Ouro é similar nas filosofias ou religiões que precederam a vinda de Cristo:

Judaísmo (Abraão, entre séculos XXIII e XXI a. C.) – “O que é odioso para ti, não o faças ao próximo. Esta é toda lei, o resto é comentário.”

Confucionismo (Confúcio, 551 a 479 a. C.) – “Não façais aos outros aquilo que não quereis que vos façam.”

Budismo (Sidarta Gautama, 563, a 483 a. C.) – “Não atormentes o próximo com o que te aflige.”

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Tais máximas, escritas de forma diferente, mas numa mesma direção, e que ‘fecham’ com a proclamada pelo Mestre em Mateus 7: 12, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles”, evidenciam que o Divino Governador sempre esteve a inspirar os Profetas de ‘antes da manjedoura.’

Da ‘manjedoura ao Gólgota’, as anunciaria, encarnado, em alto e bom tom; e ‘após o Gólgota’ continuaria a inspirar os novos profetas.

Comungam ainda de mesma ética o Zoroastrismo, Islamismo e Hinduísmo.

Muito antes da manjedoura, e desde a formação de nosso Orbe; da manjedoura ao Gólgota; e após o Gólgota, o Mestre de todos os tempos esteve a inspirar aos súditos de seu governo a importância do respeito e da tolerância. Os homens, contudo, não obstante todos os elementos de preparação continuaram divididos e, dentro de suas características de rebeldia, [retardaram] a sua edificação nas lições renovadoras do Evangelho.

No centro de Paris, no pós episódio de 7 de janeiro de 2015, que revelou um massacre de 20 mortos e 11 feridos, entre as partes, é muito provável que se ali estivessem reunidos Jesus, Maomé, Buda, Confúcio, Abraão e tantos outros profetas antigos e novos, todos eles, ao invés de portarem faixas pró ocidente ou pró oriente, compartilhariam de uma mesma bandeira: Je suis la fraternité!

(Sintonia: Questão 293 de O Consolador, de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, editora FEB) – (Verão de 2015).

Quando firo minha mão com uma farpa – também felpa – ou com um espinho, logo a região ficará inflamada… Inflamada, de chama, com vermelhidão; logo a seguir o ferimento ficará dolorido e purulento.

A pessoa pouco ética poderá se deixar também inflamar por opiniões alheias e deixar-se conduzir a todo o tipo de preconceitos.

Tal qual o organismo atingido pela farpa, o preconceito ou julgamento pré-concebido, é aquela felpa que invade um determinado grupo, o inflama e o leva ao pus da intolerância.

O contrário de preconceito chamaria de tolerância. O Mestre das Tolerâncias, por pensar por si mesmo, ser autônomo e não ater-se a fórmulas sociais, conseguia viver serenamente junto a pessoas ditas de má vida; já houvera ensinado a seus discípulos e sempre punha em prática que não viera para se ocupar dos sadios, mas dos doentes – diferentes, caídos, malquistos – que Dele precisariam. Passaria o Mestre dos Socorros e das Isenções a demonstrar publicamente como se deveria proceder ante as desigualdades:

  • Jantaria e alojar-se-ia na casa de Zaqueu, o chefe dos publicanos, dito usurpador do povo e inimigo número um deste;
  • Ergueria Madalena da terra poeirenta e pedregosa de Jerusalém, ante a fúria de seus algozes;
  • Expulsaria demônios, curaria cegos, paralíticos, lunáticos e leprosos; e
  • Atenderia necessitados em dia de sábado, afirmando que ‘o sábado fora feito para o homem e não este para o sábado’.

O homem autônomo nunca se deixará inflamar por coisas que ainda não constatou ou porque lhe disseram, justamente porque ‘é’ autônomo!

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O bem desconhece batinas, terno e gravata, hábitos azuis e brancos, cinzas ou marrons; desconhece túnicas ou paramentos; o bem, apartidário, poderá estar nas grandes catedrais, templos modestos, capelinhas, santuários; o bem se confunde entre os casebres e os palácios; o bem não pré conceitua situações… Já o preconceito, inflamado e purulento, desconhece ou discrimina a todos…

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A vida é uma constante troca de influências. Há que se entender, entretanto, ser necessário se diferenciar as boas das más. O autônomo assimilará as boas, visto que as más poderão ser puros ‘pré conceitos’ financiados por terceiros, influências mesquinhas ou… só inflamação…

…Que nem a produzida pela felpa!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Preconceito, pag. 83 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera de 2012).