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vida-simples-generosidade-560Emmanuel nos leciona que “fé representa visão [e] visão é conhecimento e capacidade de auxiliar.”

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Comporta-se, portanto, nossa fé de duas maneiras: dentro de uma introspecção entre quatro paredes, onde nos conectamos com nossa Divindade e Lhe votamos louvores, súplicas e agradecimentos; e aquela em que agimos perante nossas próprias necessidades e as dos que nos rodeiam:

Ambas possuem seu devido valor e a sua hora! Podemos dizer também que a segunda afirma a primeira.

O Benfeitor, entretanto, nos dará a entender que precisamos enxergar os fatos que nos rodeiam, compreendê-los e reunirmos em nós a capacidade do auxílio; e isso é a fé como visão. De forma nenhuma Emmanuel desconsiderará a introspecção, mas dá-nos o entendimento – ou ratifica – que nossa fé sem a obra do auxílio poderá ser vã.

Pitágoras afirmaria que “filosofia é a crítica do conhecimento.” Não desejaremos, – nem poderemos – estar filosofando perante as necessidades dos que nos cercam, mas para exercitarmos nossa fé também o conhecimento nos dará maior capacidade de auxílio.

Convém lembrar-nos que nem Jesus, nem os apóstolos e nem seus discípulos mais abnegados, se comportaram de forma estática: lutaram, serviram e sofreram pela causa Crística; percorriam, numa época de locomoção rudimentar, longas distâncias; para termos uma ideia, mais de 150 km separam Cafarnaum de Jerusalém. Percorrendo tais distâncias, eles interagiam com doentes do corpo e do Espírito, exercendo sua fé travestida de misericórdia. Esses homens também confraternizavam entre si e se reuniam em orações. É possível que na Casa de Pedro, às margens do lago de Genezaré, haja se realizado o primeiro Evangelho no Lar.

Se eles nos deram tal roteiro, será natural que nossa fé se evidencie na prática das ajudas efetivas, que bem caracterizam a fraternidade.

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Se por um lado a introspecção, reflexão e oração são nosso lubrificante sutil, nossos sentimentos, raciocínios, braços, mãos, pernas e pés, são as sagradas alavancas que irão validar a fé que dizemos possuir.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 69, Firmeza e constância, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2016).

legumes_agricultura_familiarFalando expressamente de terra, ‘lavrador’, que é ser ou não ser guardião da terra?

Defender a terra é compreendê-la como dádiva, descobrir seu potencial de nos fornecer na medida em que com ela nos preocupamos. Deixaremos de ser seu guardião sempre que a entendermos como algo inanimado, infértil, improdutivo e inútil.

Poderemos ter o prazer de tocá-la com nossas próprias mãos, sentirmos sua energia, sua servidão, mas também ela poderá não nos despertar o menor interesse. Seremos aí seus guardiões ou não.

Muitas vezes plantamos, mas fiscalizamos mais a plantação alheia do que a nossa: Deixamos de guardar nosso plantio, mas fiscalizamos a plantação alheia; dessa forma, nem a nossa, nem a alheia obterá lucros conosco.

Algumas vezes não devotamos o devido insumo e água à nossa terra; outras vezes lhe damos atenção e ela produz ‘cem por um.’ Eis o descaso e o tributo à terra.

Ainda desatinados por dores físicas diversas damos desculpas mil para o não cultivo. Outras vezes mesmo adoentados, compreendemos ser necessário tocarmos nossa lavoura: a opção pela dor e o descaso à terra; e a abnegação e resignação, mesmo amolados…

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Nas questões de nosso Espírito sucede a mesma coisa: Precisamos descobrir o potencial divino que possuímos; entendermos que ele precisa do bom cultivo; somos responsáveis por ‘nossa’ evolução em primeiro lugar e as parcerias virão depois; também nosso Espírito adquire ervas daninhas, precisando dessa forma de capina, sagrados insumos e da água das virtudes; e entendermos que doenças do parceiro corpo e do próprio Espírito, sempre será a maquiagem com a qual nos apresentaremos ‘bonitos’ na Vida Futura…

“Ninguém [obterá] o resultado excelente, sem esforçar-se, conferindo à obra do bem o melhor de si mesmo.” (Emmanuel). Outros indivíduos se beneficiarão com os frutos de nossa terra (entendamos de nossa alma), mas o maior presente será para nós mesmos.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 31, Lavradores, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

lava-pes1-300x207“Em todos os lugares do vale humano, há recursos de ação e aprimoramento para quem deseja seguir adiante. Sirvamos, em qualquer parte, de boa vontade, como ao Senhor e não às criaturas, e o Senhor nos conduzirá para os cimos da vida.” (Emmanuel).

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Reencarnados na Terra, este vale humano – de muitas lágrimas, por sinal – somos regidos por Leis Divinas ou Naturais que nos chamam ao Trabalho, Sociedade, Progresso, Igualdade, Liberdade e principalmente à Justiça, amor e caridade. “Por ser [o trabalho] uma conseqüência da natureza corpórea do [homem]” (questão 676 de O Livro dos Espíritos), a humanidade, chamada ao progresso, à sociedade, à igualdade e liberdade e sustentada pela justiça amor e caridade, irá trabalhar – servir em qualquer parte – visando o “adiantamento na vida espiritual.” (idem, questão 648).

Nesta peregrinação, será melhor só provermos nossa subsistência ou providenciando-a nos tornarmos diretamente os servidores dos outros buscando recursos de ação como legisladores, administradores, no judiciário, autônomos, artistas e empregados? Legislarmos moralmente; administrarmos sem suspeitas; julgarmos retamente; sermos empregadores honrados; artistas iluminados; operários úteis e humildes… nos homologará como os legítimos servidores do Mestre.

Observemos bem: Somos servidores ‘do’ Cristo; servindo aos homens deste Planeta e a nós próprios; e visando nossa elevação individual, pois equilibrados perante as Leis Morais, que nos conduzem ao aprimoramento ou “adiantamento na vida espiritual.”

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“Do trabalho do operário nasce a grandeza das Nações”, diria o papa Leão XIII; São João Bosco adotaria esta máxima como um dos seus lemas na condução das artes e ofícios como agentes da educação de seus meninos.

O trabalhador, entretanto, em quaisquer recursos de ação, precisará compreender que: é um co-criador do Pai em escala menor; serve indiretamente ao Cristo, servindo aos homens; eleva-se aos cimos da vida – evolui individualmente; e atua na promoção Planetária.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 29 Sirvamos, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

TERCEIRIZACAOSob o apanágio de não ter vindo para os sadios, mas para os doentes, Jesus costumava dizer que “não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos.” (Lucas, 5 :31). Dessa forma o Divino Médico curava leprosos, expulsava demônios, estancava sangramentos, levantava pecadores, resolvia EQM (experiências de quase morte de Lázaro e do filho da viúva de Naim)… Em fim, envolvia-se com os que realmente precisavam: os doentes do corpo e do Espírito.

Quando esse Doutor amoroso retorna, então, à Pátria espiritual, todo esse povo doente ficaria à deriva das curas? Absolutamente! Se Jesus operava preferencialmente na Galiléia (e raramente transpunha os limites da Judéia), por ocasião de sua partida e durante os quarenta dias que com os apóstolos permanece, em Espírito, fortalece-os com o Santo Espírito, de forma a permitir que após sua partida definitiva, seus apóstolos e outros discípulos como Maria sua mãe, Maria de Magdala, Paulo, Estevão, Lucas, Marcos, se lancem aos gentios (fora dos limites da Judéia), ocupando-se de curas físicas, mas principalmente as relacionadas às almas.

E hoje, quando não mais Ele nem os discípulos estão mais por aí, o que acontece? Como se faz? A inspiração aos homens de boa vontade não sofre solução de continuidade: Digamos que todos esses serão utilizados pelo Cristo como que terceirizados para realizarem o que Cristo e os apóstolos faziam como co-criadores do Pai, operando cada um com maior ou menor potencial:

Dessa forma, o Mestre convoca-nos – a todos – como ‘mão de obra’ terceirizada e em Espírito inspira-nos a que continuemos realizando curas e pequenos ‘milagres’ sob os mais diversos aspectos: os que já possuímos certa luminosidade, que partilhemos a mancheias nossa luz; e que importa seja ela fraquinha caso fraquinha sejam suas necessidades? Que nossa palavra esclarecida esclareça aos ainda não aclarados. Os que já conseguiram entesourar a humildade, que sejam exemplo prático aos orgulhosos. Que os já bons, sejam influência aos ainda maus. Que os já detentores da ciência da paz, pacifiquem os desesperançados. Que a caridade e a alegria sejam estimuladas, enaltecidas e alastradas tal qual uma corrente do bem, saneando as tristezas de um Orbe ainda desequilibrado. E que os menos ajustados ao serviço gozem de nosso total respeito e compreensão, entendendo ser tal situação o seu exato tempo.

Imaginarmos que as dificuldades do próximo serão sempre maiores que as nossas, sempre será a maneira de mantermos o bom ânimo no serviço terceirizado a favor do próximo, do Cristo, do Universo do Pai, mas, sobretudo a favor de nossa evolução.

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O Planeta nunca ficou e não ficará órfão de seu Governador: Ele apenas necessita delegar-nos – terceirizar – certas operações, cirurgias curativos, ‘milagres’… que fazia e que agora, sob sua inspiração, ficam por nossa conta.

Nas lides Crísticas, ganha o próximo; os maiores beneficiados, entretanto, somos nós próprios.

Deus, o Empregador; Jesus gerencia-nos; nós os terceirizados; e a obra: pequenos milagres, todos ‘cúmplices’ do amor.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 28 Alguma coisa, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

tirando-as-duvidas“Não te concentres na fé sem obras (…), todavia não te consagres à ação, sem fé no Poder divino e em teu próprio esforço.” (Emmanuel).

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Dá-nos a entender Emmanuel que nossas obras são uma espécie de vitrine de nossa fé; que fé e obras estabelecem entre si uma dependência. Em analogia simples são como para os mineiros, queijo e goiabada ou para nós gaúchos churrasco e chimarrão, juntos…

Em dias bicudos que vivemos, mormente em solo pátrio, parece-nos que o devotamento individual às boas causas é abandonado; se não temos fé nas causas, desertamos delas, pois nem acreditamos em melhoras nem cumprimos nossa parte.

Desejamos os benefícios de nosso credo, esperando dele o esclarecimento e o consolo, mas quando temos o primeiro e o segundo não vem, colocamos dúvidas na doutrina da terceira revelação.

Indisciplinamo-nos após assumir compromissos com o movimento e com os nele inseridos: trabalhos, reuniões, regras, horários, parecem-nos ditaduras criadas por sonhadores, quando deveríamos entender que somos ‘funcionários’ dum Mestre abnegado, nosso Guia e Modelo.

Por vezes fazemos tudo ‘mais ou menos’: assim dirigimos, coordenamos, facilitamos; e com obras mais ou menos, nossa fé se torna mais ou menos.

Entusiasmo e ação em pequenas ou grandes tarefas são sinais evidentes de fé verdadeira na causa e no Porvir. E que tais feitos não nos elevem o orgulho; e que tais tarefas venturosas não nos alcem a criadores, mas a simples instrumentos de serviço.

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Paradoxalmente, só nos tornaremos grandes na fé, através da perseverança nas pequenas tarefas. Que nossas obras sejam a vitrine de nossa fé; o mostruário mais razoável que irá autenticá-la como verdadeira.

Que acreditemos no Poder divino, mas que também acreditemos no potencial a nós conferido por esse mesmo Poder. Que acreditemos pelas obras e obremos pela crença!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 26 Obreiro sem fé, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

1086457826529_040606Prestes a retornar à Pátria Espiritual, Jesus solicita a Pedro que “apascente as suas ovelhas.” Utilizando-se de figuras de linguagem milimétricas – quase cirúrgicas – o Gerente e Pastor do Pai não pede ao apóstolo que pastoreie seus bodes ou cabritos, pois estes representavam figuras mais fortes e tais quais ovelhas o rebanho era ainda, frágil e incauto, como o é ainda hoje…

O Mestre não pediria nada de heróico ou extremado a Pedro, mas utiliza e tão somente o verbo ‘apascentar’, ou conduzir à Paz, à calmaria e à tranqüilidade, todos nós, representados naquela época por um povo que não compreendia muito bem a que tipo de pastoreio viera.

Jesus é o Bom Pastor de todos os tempos e aqui podemos nos utilizar de duas analogias para melhor compreensão: Deus é o Senhor do Rebanho; Jesus o Pastor e nós suas ovelhas. E Deus é o grande empregador, nós os operários; Jesus gerencia-nos.

Não há, pois, nada de surpreendente ou superfantástico no pedido do Rabi ao pescador da Galiléia e hoje aos já mais comprometidos: Pede-lhe e a quem o queira fazê-lo, tolerância aos mais necessitados; compreensão, bondade e mansidão em vez de vergasta (chicote); fidelidade no ensino; e muita, mas muita exigência para conosco próprios.

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O rebanho a Deus pertence. O Pastor pede-nos paciência, pois somente a Deus pertence, na forma de tempo, para que tal rebanho seja cem por cento pacificado e recolhido ao redil.

Emmanuel nos alerta que o irmão sempre possui uma parte boa que devemos alimentar. Suas partes ainda equivocadas correm por conta do Senhor do rebanho, que fará o resto.

No rebanho de Deus é assim!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 19 Apascenta, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Cassino, verão de 2016).

arregacar as mangas[1]É muito cômodo transferirmos nossas responsabilidades para alguém, principalmente se esse alguém for Deus, o Poder Maior.

Quando a tarefa exige desvantagens ou humildade, se não der certo, levantamos as mãos e dizemos com “falsa” humildade: “Foi feita a vontade de Deus!” Transformamos nosso Criador em nosso servidor, sem a menor cerimônia.

Felizes somos pela Doutrina Espírita que, a todo instante, nos conscientiza que Deus nos empresta todos os ingredientes necessários para a realização do nosso trabalho e nosso aperfeiçoamento.

Nossas dificuldades e necessidades por nós foram solicitadas, às vezes até com muito mais intensidade e o Plano Maior as ameniza, sabendo que ao reencarnarmos, abençoados pelo véu do esquecimento, vamos nos acomodar e tudo delegar ao nosso Pai.

Em nossas preces, rogamos a Jesus nosso Mestre, nosso Guia, sem lembrar que ele tudo fez para nos ensinar por si mesmo, não transferindo nada para Deus.

Peçamos sempre ao Pai Maior, força e Luz, coragem, sabedoria e discernimento para largarmos o nosso comodismo e sem demora abraçarmos a renovação que o Evangelho nos sugere.

Por uma consciência tranqüila, devemos arregaçar as mangas, abraçar o trabalho e ter certeza que faremos tudo o que nossa força permitir, para o êxito do nosso compromisso.

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Não alteremos a ordem das tarefas: Deus é o Patrão, Jesus o Divino Administrador ou Empreiteiro Dele. Nós, os empreitados, somos convidados a, exatamente dentro de nossa capacidade, a trabalhar na continuação da obra fantástica da Criação.

(Escrito por Maria de Fátima Souza Silveira em sintonia com Sol nas almas, de Waldo Vieira, ditado pelo Espírito André Luiz, Cap. Entregar para Deus, 1ª edição da Boa Nova) – (Inverno de 2015).

Quem chega à região de Bento Gonçalves, se depara com algumas curiosidades. Declino algumas, numa ordem que estabeleci – para mim – como importante:

1. Em repartições turísticas, em sua maioria exploradas por particulares, não se vê um único ‘palito de fósforo’ no chão. Na estação de Bento Gonçalves fui a um banheiro público – e químico – com um perfume de fazer inveja a todos os que já vi;

2. Qualquer espumante que se beba é ‘somente’ espumante… O da Peterlengo ganhou (judicialmente) o status de Champagne;

3. Nas primeiras fileiras dos vinhedos ainda se vêem roseiras. Hoje, somente decoração, já foram antigamente, um anúncio das predadoras formigas, pois estas antes de atacar os vinhedos, ‘atacavam’ as roseiras. Em muitos vinhedos ainda os potentes plátanos servem de sustentação aos vinhedos contra possíveis vendavais;

4. Muito comum nos passeios de Maria Fumaça, os artistas te tirarem para dançar;

5. Na vinícola Salton há uma Santa Ceia pintada com as faces de funcionários da vinícola. Ainda nessa vinícola os jardins são comparados, por exemplo, aos do Jardim Botânico de Curitiba;

6. A Igreja de Nossa Senhora das Neves, no Vale dos Vinhedos e inaugurada em 1907, durante forte seca, foi construída com a doação de 300 litros de vinho por família;

7. A primeira ponte, sobre o Rio das Antas, veio a baixo, fazendo algumas vítimas;

8. Em Caminhos de Pedra há umbus centenários que chegaram a abrigar em suas raízes, imigrantes recém chegados à região em 1875;

9. Na Casa da Ovelha, em Caminhos de Pedra há uma diversidade muito grande de produtos feitos a partir do leite de ovelha… Cada fêmea pode produzir até 4,5 litros de leite/dia;

10. Em Caminhos de Pedra, a Casa de Pedra da Cantina Strapazzon já serviu de cenário para algumas filmagens, entre elas “O quatrilho”. Nessa propriedade preservam-se as quatro moradias de seus donos;

11. Em Carlos Barbosa há, no Show Roon da Tramontina, um presépio feito a partir de resíduos inox (sucatas) de colheres, facas, garfos e outros produtos da empresa;

12. “Se o vinho atrapalha seus negócios, largue os negócios”… é só uma das curiosas frases dos corredores da Vinícola Aurora, maior do País e terceira do mundo; e

13. Guias das vinícolas, geralmente enólogas, poderão repedir o gesto de Napoleão Bonaparte, ao abrir um espumante com espada – sem fio – para isso apropriada.

Com estas curiosidades, encerro minha saga por essa bela região… OBRIGADO BENTO!

(Primavera quente de 2012). – Fotos: 1. Limpeza! 2. ‘Santa Ceia’; 3. Jardins da Salton; 4. Roseiras ‘contra formigas’; 5. Umbú centenário; 6. Frases da Aurora; e 7. Espada ‘à Napoleão’.

 

D. Cristiane já havia atendido a uma turma de turistas de fora do estado, mas sem sinais de cansaço nos recebeu, com sorriso largo e um ‘portuliano’ fluente e gracioso, na primeira casa, a de pedra, construída em 1876 por Giovanni Strapazzon. Entre uma degustação e outra de ótimos vinhos, sucos, grapas e licores – Amaretto, o melhor deles – a simpática senhora nos contava que ali foram filmadas cenas de O quatrilho e que tal evento impulsionaria a visitação à sua propriedade.

Num lote todo emoldurado por belos parreirais, D. Cristiane nos dizia e nos mostrava que ali estavam erguidas as quatro casas construídas de 1876 para cá: A primeira, de pedra – onde foi filmado parte de O quatrilho – a segunda, em madeira, que está sendo restaurada, a terceira, onde em seu porão funciona a cantina, e a quarta casa, mansão da família, construída recentemente com o intuito de sediar uma pousada.

Entre uma degustação e outra de salame, copa, queijo e licores, nossa querida ‘anfitriã’, ainda nos contava historinhas como a da eira, beira, tri eira. Dizia ela que antigamente, pelos idos de 1940, as casas possuíam no beirado dos telhados, eira, beira ou tri eira ou ‘nada disso’ e os jovens que desejavam se casar, antes de conhecerem a moça da casa olhavam primeiro para o beirado da construção; caso não tivesse eira nem beira,nem chegavam a falar com o pai da moça. Se a casa tivesse beira ou tri eira, se ‘encorajavam’ e falavam com o pai da pretendida. Verificando que sua casa possuía tri eira, arrisquei afirmar que para ela tinha sido ‘fácil’ arrumar um bom partido… A jovem senhora, entretanto, desconversou.

Perguntada, ainda, se nunca tivera vontade de se mudar para o outro lado da cidade – o glamoroso Vale dos Vinhedos – a senhora me explicou que ali seu Giovanni havia recebido – e pago – seu lote e que suas gerações ali se fixaram e procuraram fazer o ‘melhor possível’.

A conversa no porão da casa de 1940 continuava agradável, pois os produtos eram gostosos, as explicações francas, e a honestidade, trabalho e alegria estavam estampados na fronte daquela senhora, de uma quarta geração de imigrantes que chegaram àquelas terras em 1875.

Obrigado, D. Cristiane, por nos mostrar talvez e em minha opinião, o melhor lado de Bento Gonçalves.  Grazie di tutto e che il Padre celeste e Maria, Madre di Gesù a proteggerti sempre!

 

Fotos: 1. Giovani Valduga (Guia), D. Cristiane e Maria de Fátima; 2. Casa de Pedra; 3. Casa de madeira (em restauração); 4. Cantina (Casa de 1940); 5. Mansão (Pousada); e 6. Detalhe da ‘eira, beira e tri eira’ – (Final de uma primavera quente de 2012).

 

Distante 120 km de Porto Alegre, Bento Gonçalves, sem nenhuma ‘maquiagem’, esbanja trabalho e simpatia. Desde a volta ao passado, através de um passeio de Maria Fumaça ou pela rota dos Caminhos de Pedra, passando pelo famosíssimo e promissor Vale dos Vinhedos e dando uma esticada até o Vale do Rio das Antas, tudo é de encher os olhos.

1. Maria Fumaça – O passeio de Maria Fumaça é um culto ao passado. Com duas rotas – Bento/Garibaldi/Carlos Barbosa e vice versa – seis vagões são puxados por uma antiga máquina a vapor. Sempre lotados, os comboios param em pequenas e antigas estações de trem muito bem cuidadas, onde há degustação de espumantes e sucos naturais de uva. Com a composição em movimento de 20km/h há apresentações teatrais, musicas gauchescas e muita música italiana, quando homens e mulheres dos grupos ‘tiram’ os passageiros para dançar.

2. Vale do Rio das Antas – No Vale está situada a vinícola Salton, onde é possível uma visitação por passarelas superiores muito seguras de toda a ‘engrenagem’ da empresa incluindo uma linha de produção totalmente robotizada. Diria que no início da linha entra a garrafa com a bebida e a rolha e no final da linha o

produto sai encaixotado. Há muitas outras atrações no Vale, mas o visitante que para ali se dirige deseja ver mesmo é o desenho que o rio faz entre as montanhas, como a ‘ferradura’, por exemplo. A ponte sobre o rio, com sua arquitetura ímpar, faz parte desse maravilhoso cenário.

3. Vale dos vinhedos – Impossível ir a Bento e não visitar o Vale dos vinhedos. Além do charme das encostas caprichosamente cultivadas com vinhedos, no Vale estão localizadas importantes vinícolas como a Miolo e a Casa Valduga. Inúmeros produtores que aí detém seus lotes desde 1875 – chegada dos primeiros imigrantes – os conservam produtivos e, na qualidade de associados, sempre ‘entregarão’ sua safra a uma das importantes vinícolas da região, em número de trinta, mais ou menos.

4. Caminhos de Pedra – Situados na direção oposta ao Vale dos Vinhedos, no distrito de São Pedro, Caminhos de Pedra preservam as primeiras casas de pedras ocupadas pelos imigrantes desde 1875. O silêncio e a ‘calmaria’ imperam em Caminhos de Pedra, onde descendentes dos imigrantes – quarta geração – tocam diversos negócios. Em Caminhos de pedras há pousadas, restaurantes e cantinas e pode-se destacar a Cantina Strapazzon, Casa Madeira, Casa da Ovelha, Casa da Erva Mate Ferrari… Em cantina Strapazzon, por exemplo, é possível se ver, muito bem cuidadas, a primeira casa, de pedra – onde foi filmado parte de O quatrilho – a segunda, em madeira, que está sendo restaurada, a terceira, onde funciona a cantina e a quarta casa, mansão da família, construída recentemente com o intuito de sediar uma pousada. Caminhos de Pedra é tudo silêncio e harmonia; ótimo lugar para quem sai do agito passar todo o tempo de refazimento que for possível.

Impossível, ainda, deixar de citar aqui a Vinícola Aurora, maior do País e terceira do mundo, que fica no centro da cidade e parte abaixo dela, pois avenidas da cidade passam por cima dos ‘porões’ do estabelecimento.

Como esquecer, ainda, no vizinho município de Garibaldi a Vinícola de mesmo nome e a Peterlongo, especializadas em espumantes. Aliás, esta última, a única no País que seus espumantes atingem o status de champagne,

título esse adquirido judicialmente, pois quinze anos antes que a Cidade de Champagne, França, a Peterlongo produziria seu primeiro champagne.

Como não citar Carlos Barbosa, município também vizinho, seu Futsal e a Tramontina com seu Show Roon onde se entra e não se quer mais sair.

Em fim, muito trabalho e simpatia numa região que sabe receber o visitante e que, nua e crua, é exatamente o que é ‘sem nenhuma maquiagem’, como diria um dos tantos guias que atendem aos visitantes.

Fotos: 1. Passeio de Maria Fumaça; 2. Barris de carvalho na Vinícola Salton; 3. Curva da Ferradura no Rio das Antas; 4. Modernidade na Vinícola Miolo; 5. e 6. Igreja construída ‘com’ vinho; 6. Encostas do Vale dos vinhedos; 7. Casa de Pedra da Cantina Strapazzon; e 8. Presépio no Show Roon da Tramontina, feito dos resíduos de material inox. – (Final de uma primavera quente de 2012).