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“… Para que a tranqüilidade te banhe o pensamento, é necessário que a compaixão e a bondade te sigam todos os passos. Assume contigo mesmo o compromisso de evitar a exasperação.” (Emmanuel).

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A tranqüilidade, (importante instrumento da paz) é ferramenta escassa em nossos dias:

Andamos apressados, apreensivos, impacientes, desassossegados; e isso gera a intranqüilidade, avessa à Paz.

Bravos (desassossegados, agressivos, violentos) se salientam no momento atual: porque falam alto; não se fundamentam; equivocam-se e equivocam; são irritadiços…

Mansos são anônimos; aparentam não pertencer à categoria deste Planeta: são ponderados; fundamentados; mostram-se honestos em seus acertos; são a imagem da tranqüilidade!

Evitar a exasperação torna-se, pois, necessário a um exercitamento: é como se devêssemos praticar, diariamente, a Bem Aventurança “os mansos possuirão a Terra.”

O Espírito que se exercita nesse sentido, é semelhante a um “homem de bem” que se coloca no posto avançado e elevado da serenidade, observa as dificuldades de seus assemelhados com a única intenção de socorrê-los.

Tal qual o sol, que aquece a bons e maus, ou a chuva que dessedenta justos e injustos, o manso (pacífico) torna-se um olheiro atento:

Unge-se dos sagrados exemplos da Mãe Natureza, sempre divina em seus fundamentos e promotora da tranqüilidade.

Não imaginemos, entretanto, serem os outros os únicos beneficiados dessa generosidade:

Muito pelo contrário, esse homem bom e já pacificado, é o maior herdeiro de sua compreensão e bondade.

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Viver no Mundo, sem a ele pertencer, vencendo exasperações, é já “herdar a Terra” (um Planeta Regenerado) por antecipação.

Não cai a mesma chuva redentora sobre dois maus e um bom? Por acaso o Pai privará dois injustos de receber sol e só o proporcionará ao justo?

O Homem bom, generoso, manso, tranqüilo, pacífico, porque já não se exaspera, consegue entender tais caprichosidades do Pai.

O manso vive; o exaltado vegeta! O manso é herdeiro; o enfurecido é, ainda, desafortunado! Não há contra indicação em viver sem exasperar-nos!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 123 Viver em paz; 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2017).

101411_0223_3Paradoxalmente…

… A terra não reclama do arado, da grade e dos sulcos que a dilaceram. Fortalece-se e, ao receber sementes, se torna prenhe de futuros frutos que irá produzir em abundância.

O grão de trigo, a madeira e a pedra serão, respectivamente, triturados, manufaturados e lapidados para que se tornarem pão, móvel ou obra de arte satisfazendo necessidades o progresso e a arte dos homens.

Contraditoriamente, na maioria das vezes, não chegamos a uma Casa Espírita pelo louvor, ou pelo calor do amor se não pela súplica e pela dor…

… Mas qual dos homens já compreende o sentido da dor e das dificuldades? Por que ainda precisamos do aguilhão de efeitos para nossa progressão? Porque ainda não compreendemos que tais efeitos são todos de nossas próprias causas!

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Disciplina, sofrimentos e obstáculos, para nossos Espíritos, são tais qual o moinho, o serrote e o buril que dão forma e formosura aos seus elementos.

Paradoxalmente, o que [nos] parece derrota, muita vez é vitória. E o que se [nos] afigura em favor de [nossa] morte, é contribuição para o [nosso] engrandecimento na vida eterna.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 16, Não te perturbes, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Verão de 2016).

paciencia“Paciência também é uma caridade; e deveis praticar a lei de caridade” (ESE, IX, 7).

Por ‘intoleranciar’ seguidamente certas situações, declaro-me um apreciador das pessoas que sabem ser pacientes; essas, ao mesmo tempo em que me conduzem à calma, provocam em mim certo frenesi… Concluo, dessa forma, que paciência tem uma dose exata:

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Em momentos de sufoco, paciência é um clarão; aquela Luz que o Mestre Jesus declarou que todos possuem; a lâmpada sobre o alqueire que irá iluminar partes em conflitos.

Paciência, como diz o evangelho é caridade: a virtude que irá desacelerar meu ímpeto no momento de precisão de um indivíduo talvez mais equivocado que eu.

Paciência não é cruzar os braços e deixar como está para ver como fica! Muito pelo contrário, nessa hora a calma deverá ser minha aliada para eu colaborar com arbitragem equilibrada na instalação da ‘ciência da paz’ (a pacem ciência!). Paciência, portanto, não é conformismo!

A Natureza dita as melhores lições de paciência. Somente uma: O rio que, cauteloso, não consegue domar a fúria do escolho, da pedra gigantesca, o contorna, esculpindo no terreno curvas tão belas quanto as das misses mais formosas.

Paciência não é ignorar o inbróglio, o angu existente, mas é analisá-lo com sabedoria e sem ‘extremação’. Aliás, paciência precisa mais do ‘deixa disso’ do que das ações extremas.

É possível que a paciência precise mais até de uma impaciência do que de lamentações e deserções do fato…

Os apelos da paciência não pressupõem leviandade, nem complacência, tão pouco ignorância, já que a virtude aqui exigirá responsabilidade e o conhecimento de causa.

Paciência deve ser resignação quando a ofensa for dirigida a mim; e não resignação quando aquela for dirigida à coletividade em que milito: O nós superando o eu!

O melhor roteiro de paciência, antes da Mãe Natureza, é o Mestre Jesus: O foi em sua encarnação inteira; quando porém precisou defender os interesses do templo, não o foi; expulsou seus vendilhões! Aí está o limite da paciência e a dose exata de que falava na introdução.

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 “A compreensão que identifica a situação infeliz, articula meios de solucionar-lhe os problemas sem alardear superioridade.” (Emmanuel).

(Sintonia: Cap. Nos domínios da paciência, pg. 74 do Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono de 2014).

0,,14823621,00Se eu analisar a raiz das duas palavras, é possível que elas digam mais da metade do que se queira dizer neste estudo, pois enquanto consumição tem origem na ação de consumir – desgosto, apreensão, inquietude -, tranqüilidade, originária do latim, significa serenidade (tranquillita) ou paz de espírito (tranquillitati)…

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Não é de hoje que consumição x tranqüilidade trava uma luta junto aos indivíduos deste Planeta: Enquanto os primeiros se lambuzam e se consomem nos prazeres do ter, os demais buscam serenidade e paz de espírito em ser.

Mas não haverá um meio termo? Sim! O Evangelho segundo o Espiritismo em seu item 6 referenda esse equilíbrio ao dizer que o homem em atender quer instintiva ou inteligentemente seu progresso e conservação, “trabalha por necessidade, por gosto e por dever” e que “Deus (…) não condena os gozos terrenos; condena, sim, o abuso desses gozos em detrimento das coisas da alma.”

“Detrimento das coisas da alma” é possível que seja a linha que rompe o equilíbrio da questão entre o ter e o ser, a consumição e a tranqüilidade. Aqui, alguns aspectos desse embate, utilizando-me da escrita itálica para o primeiro e da ordinária para o segundo:

Sempre que o estresse pinta na vida de um indivíduo é muito provável que ele, ou não esteja respeitando os limites de suas forças físicas e mentais, ou esteja muito mais preocupado em adquirir coisas físicas. Ao perfeccionista, milimetrado ou inseguro por não ver as coisas saírem perfeitas, a sua quota de perturbações psíquicas ou orgânicas será ainda agravada.

O indivíduo tranqüilo sabe que é eterno e que sua encarnação atual é dividida em dias e noites e que não poderá resolver todas as coisas num só dia. Ao estabelecer prioridades nessas resoluções, age preventivamente contra agressores de seu corpo e de seu Espírito.acabar-estresse-ficar-calma

Carro novo apresentando problemas que o velho não dava; a casa novinha, mas sem aconchego; roupas e cosméticos caríssimos que não proporcionam conforto, tampouco estética; o sapato da moda, mas que em nada alivia o joanete e incapacita o andar. A eterna disputa do ter: Eu preciso ter coisas mais novas e melhores que meu amigo, meu vizinho da frente ou do lado…

Os indivíduos, por serem ímpares, suportam cargas também diferentes. Saber cada um o seu limite, a hora de parar, se entregar a uma reflexão, descanso, relaxamento e lazer, hobby, tarefa trivial, é não dar combustível ao estresse, é colecionar pequenas felicidades.

Projetos desatinados e insanos, sem nenhuma perspectiva de serem realizados, poderão deixar maluco o indivíduo do ter, da consumição, do perfeccionismo. Inflexibilidades, intolerâncias e não perdão completarão a carga estressante da qual esses sujeitos ficarão reféns.

Pessoas doces, que se aceitam e aceitam seu próximo como é; as que, conhecendo suas limitações, abraçam projetos factíveis; que, sobretudo, são tolerantes com as próprias falhas e as do semelhante; e que sabem que o estresse é combatido com calma, ponderação, reflexão e possíveis intervalos em suas lutas diárias, são pessoas candidatas, não a um altar, mas aspirantes a participarem da Promoção Planetária…

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A tranqüilidade é o relaxamento responsável; a consumição é a excitação inconseqüente e irreflexa…

Quando a consumição se utiliza dos combustíveis que formam ‘coletâneas de ter’, a tranqüilidade é um ‘escrete de pequenas felicidades’, que leva os indivíduos à ponderação de serem.

(Sintonia: Cap. Respeitando o estresse, pg. 57 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).