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“O Amigo divino sabe o que existe em nós… Mas nem por isso deixa de estender-nos amorosamente as mãos.” (Emmanuel).

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Em trajetória terrena, o Mestre acercou-se de Espíritos heterogêneos; compreendia-os assim; sabia o que neles existia, mas não evitou suas diversidades:

Assim procedeu com Zaqueu, Madalena, Nicodemos, Simão Pedro, Tomé, Judas…

Simbolizavam estes a usura, possessão, vaidade, fraqueza, dúvida, sombra: Conjunto de fragilidades que possuímos, reciprocamente.

Todas as vulnerabilidades enxergadas nos outros, também estão presentes em nosso íntimo; somos, delituosamente parceiros delas:

Mais partidários do ‘venha a nós o vosso reino’ do que ‘seja feita a vossa vontade’, mostramo-nos sovinas interesseiros: usurários!

Partindo da mais inocente fascinação, ingressamos em grandes obsessões, o que não nos torna muito diferentes da maioria dos terrenos.

No castelo de nosso orgulho, reside a donzela vaidade: olhamo-nos no espelho do ‘reino’ e não disfarçamos o Narciso que aí fixou residência.

Num Planeta de maus em detrimento dos bons, a fraqueza nos é comum.

Possuímos dúvidas imensas perante o bem a ser feito; mas somos rápidos na adesão ao mal.

Ainda somos mais sombras do que luzes: estamos mais dispostos a traições do que a afeições, soluções…

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… E como sabia das fragilidades de seus contemporâneos, esse Amigo divino sabe o que existe em nós!

… E como estendeu a mão àquel’outros, não deixa de estender-nos amorosamente, também!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 109 A exemplo do Cristo; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

17457549_1666242993391392_6524891417270392109_n… Nada, que seja plantado de bom na Lavoura do Pai, ficará sem frutificar. Às vezes os frutos não são visíveis a nossos olhos, ávidos do reconhecimento dos homens e ainda embaçados com as remelas do orgulho e da vaidade.

Sutilmente, porém, esses frutos começam a aparecer, para nos provar que Deus está atento a fatos de sua Criação, e que alguém, de alguma forma, se beneficia com aquilo bom que estamos tentando plantar. A perspicácia Divina age, então, para alavancar nossa perseverança nas lides do bem.

Convém lembrarmos, também, que a lavoura do Planeta Terra ainda é muito árida, pedregosa e sem o húmus beneficente de Orbes mais sutis.

O Pai é o dono da lavoura; Ele é o ceifeiro e pomicultor. Cabe-nos esperar a colheita; a Ele dedicar; e averbar em nossos Espíritos avanços que da boa plantação e colheita possa resultar.

No Universo do Pai tudo é ordem; tudo é serviço; tudo harmonia! Nada se perde; tudo colabora: vento, sol, plantas; animais, desde o verme menor à miríade de insetos, num anonimato formidável cooperam com o Criador para implantar seus Desígnios.

Se com os seres menores ou inanimados acontece, e nada se perde no cômputo do Pai, por que não orçaria Ele nossos bons feitos em prol do aperfeiçoamento do Planeta no qual vivemos?

Que nossas soberba e vã presunção não nos impeçam de enxergarmos tais verdades que, diariamente, nos são sutilmente apontadas na lavoura do Universo do Criador!

(Cassino; verão de 2017).

“… As paixões podem levá-lo [o homem] à realização de grandes coisas. O abuso que delas se faz é que causa o mal”. E “Estudai todos os vícios [todas as ‘paixões’] e vereis que no fundo de todos há egoísmo”. (Questões 907 e 913 de O Livro dos Espíritos).

Uma pessoa egoísta – e todos são em maior ou menor grau – sofre porque outras pessoas não correspondem à sua expectativa. O egocêntrico é um fantasioso ao imaginar que o mundo gira em torno de si…

Vacino-me contra a gripe desde os cinqüenta anos… De lá para cá, – e aí se vão treze anos – é possível que conte nos dedos de uma só mão, as vezes em que me gripei gravemente.

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‘Todos são em maior ou menor grau’. Uma constatação, um ‘consolo’ e a seguir a reação: Preciso imunizar-me! E se há hoje no Planeta vacinas para tantos males que outrora vitimaram grandes populações, por que ainda não descobriram a imunização contra o egoísmo? É possível que esta chaga seja imanente ao tipo de população que povoa o planeta Terra e aos de igual categoria. Somente com a ‘promoção’ desses indivíduos e conseqüentemente de seu habitat é que o egoísmo irá se dissipar. E enquanto e para que isso aconteça, Chico e Emmanuel vão apresentando algumas vacinas ou preventivos com o poder de resguardar de tal chaga:

1. A caridade como simples dever – A caridade não é nenhum favor e quem explica isso de forma categórica é a alternância de ‘status’ em vivências diversas. Possuo o dever – velado, é claro – de realizar a caridade porque em pretérita existência eu já fui socorrido por aquele que ora pretendo socorrer. O auxílio, aqui, é a vacina!

2. Se vingança, ódio, desespero, inveja ou ciúme são as infecções, indubitavelmente o amor é a vacina. Não há outro que imunize essas defecções mentais.

3. A fogueira do mal deverá ser extinta na fonte permanente do bem – Antes de afirmar que a cada dez chamadas a mídia reserva ao bem somente uma, deverei me perguntar que tipo de espaço ‘eu’ estou roubando ao mal!?

4. O bem como dissolvente das mágoas – Mágoas são como aquele acúmulo de tinta grossa que nem o solvente comum retira… somente com ácido ou tíner! O serviço aos outros é como esse removedor poderoso que vai amolecendo os corações e dissipando as nódoas das rusgas.

5. O trabalho como Lei – Não falam os autores aqui do trabalho remunerado, que é útil e promove o bem estar dos indivíduos e de suas famílias, mas do trabalho voluntário, onde a moeda envolvida é a Lei de Justiça e do amor. Como por exemplo, consumir-se o indivíduo como a vela que se gasta iluminando gratuitamente.

6. O ciúme como patologia da mente – Pior que a bronca, a reivindicação e até o azedume de alguém para com alguém é ignorar o próximo, não notá-lo, atestando-o insignificante… O ciúme poderá protagonizar desatenção, desestímulo e insensibilidade!

7. A bênção do socorro ou o querosene da discórdia? – Em ‘clamores da paz’ diria eu que ‘é possível que paz, em teoria, seja um dos termos mais leves e belos. É mais possível, ainda, que na sua prática, a paz seja um dos desafios mais difíceis dos dias atuais… ’ Cóleras, irritações, discórdias deverão ser ‘apagadas’ com o extintor apropriado. E o adequado, aqui, é o da compreensão e do socorro que abrirão brechas para a Paz.

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Em todos os casos que se apresente o perigo do egoísmo, todas as precauções, todas as vacinas, todos os extintores serão úteis, mas o mais importante serão os profissionais dessa área – ‘bombeiros, enfermeiros’… – que se disponham a arregaçar as mangas e buscarem o livramento do egoísmo, do orgulho e da vaidade, para realizar a imunização.

(Sintonia: Cap. Quando…, pg. 101 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 201).

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Meu orgulho mora na torre mais alta do castelo de minha vida;

Particularmente, tenho muita dificuldade em administrar e compreender o orgulho dos outros, pois o meu não permite;

Meu orgulho, em mirante espetacular só olha de cima para baixo e vê coisas e seres pequenos, insignificantes;

Meu orgulho possui um irmão gêmeo – chamado egoísmo – que mora com ele em seu prazeroso castelo;

Meu orgulho está sempre acompanhado da donzela vaidade que, caprichosa, sempre influi em suas atitudes;

Meu orgulho possui também outras companhias: A arrogância é uma balzaquiana que não se dobra; a soberba é quase sua irmã ou ao menos em muito se lhe parece. Há ainda outras jovens ou nem tanto que compõem o seu séqüito, como a presunção que lhe toma conta da agenda, o controlador na ‘pasta’ da hipocrisia e o perfeccionista ‘quase’ pudico;

Nas cercanias do castelo de meu orgulho – num ‘ladeirão’ – há um vilarejo onde moram personagens humildes e fraternos; meu orgulho não se relaciona muito bem com essa ‘estranha’ vizinhança;

Meu orgulho dita normas de bem proceder que, na verdade, só não conseguem normatizar a sua vida;

Meu orgulho tem carro bom e quase que intocável… Não é desses utilitários que carregam pessoas necessitadas por ruas esburacadas a qualquer hora da noite; ‘ambulância’, nem pensar!

Meu orgulho doutor em regras de trânsito é, na maioria das vezes, inflexível, não admitindo exceções tão pouco falhas alheias;

Meu orgulho quando confronta guardadores, catadores, frentistas, lavadores… Os considera todos subempregados e servis acomodados… Moedas para eles só as pequeninas; a que possui a ‘República na cara’, nem pensar! Uma palavra boa é perda de tempo com esses ‘vadios’.

Amigos queridos, se passarmos os olhos nas constatações da crônica acima – e lhes pedimos que o façam com naturalidade -, certamente nos identificaremos em mais de um item. O meu orgulho ou o nosso orgulho não é coisa de hoje e sua comitiva o acompanha ao longo de nossas diversas encarnações.kjdfgh

“Todos (os espíritos inferiores e imperfeitos) têm deveres a cumprir. Para a construção de um edifício não concorre o último dos serventes de pedreiro, como o arquiteto?” nos responde de forma categórica a questão 559 de O livro dos Espíritos. Todos, de pequenos, médios e grandes talentos, somos responsáveis pela melhoria do Planeta, mas somente a humildade nos fará perceber este poder de transformação. A humildade e a disponibilidade de nossas habilidades, nesse caso, deverá ser tal qual o farol que iluminará a caminhada de nossos parceiros, porém o roteiro será, inevitavelmente, traçado por cada um.

Em uma unidade de saúde há diagnósticos clínicos ou geriátricos que só terão total sucesso com o concurso da fisioterapeuta, anônima e muitas vezes relegada ao segundo escalão do posto médico; e o fracasso do cirurgião experiente se faria se os instrumentos não estivessem religiosamente esterilizados.

É mais construtiva a humilde colaboração dos pequenos empreendedores do que a empáfia dos grandes gênios.

As pessoas humildes chegam à nossa praia e vão logo nos convidando para jantar; os abonados chegam à orla já comendo o nosso lanche.

Quando abordam o tema Orgulho, à pg. 31 de As dores da Alma, Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed dizem que “nosso orgulho quer transformar-nos em ‘super-homens’, fazendo-nos sentir ‘heroicamente estressados’, induzindo-nos a ser cuidadores e juízes dos métodos de evolução da Vida Excelsa e, com arrogância, nomear os outros como desprezíveis, ociosos, improdutivos e inúteis.” Ou seja, o nosso orgulho do alto de sua torre, nada construirá, pois só verá o que lhe convém. Julgará, mancomunado com seu séqüito, que todo aquele Zé povinho do ladeirão, nenhuma utilidade tem para o paço em que pensa reinar.

Perguntamo-nos, então, como encaixar “o último dos serventes” nessa corte tão perversa? Todos nós sabemos que o contrário é mais salutar: Depor o monarca!

(Verão de 2011/12) – Pub O Clarim Jun 2013.

Três vícios detestados, criticados e que ainda os ‘amo de paixão’ – e não só eu… Eles não são mazelas só de pessoas amoedadas – endinheiradas. Não! Há pessoas extremamente egoístas e mesquinhas de solidariedade, compaixão, palavra… Sabe aquelas pessoas com fobia de povo; caracóis!?

Transcrevo aqui, com o devido consentimento de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, algumas considerações sobre o assunto, extraídas de As dores da alma (Pg. 125, capítulo Egoísmo):

“A vaidade é filha legítima do egoísmo, pois o vaidoso é um ‘cego’ que somente [vê] a si próprio”.

“A vaidade é… a ilusão dos que querem ter êxito diante do mundo e não dentro de si mesmo”.

“Ficaríamos envergonhados de nossas melhores ações, se o mundo soubesse o que às motivou” (Francisco VI).

“[O] indivíduo vaidoso [falsifica] a si mesmo para chamar a atenção”.

 “As almas não são clichês [cópias]… Todos temos características individuais. Os ingredientes do sucesso do ser humano se encontram em sua intimidade”.

“A mesquinhez pode manifestar-se ou não com a acumulação de posses materiais, como também pode aparecer como um ‘auto-distanciamento’ do mundo”.

“O altruísmo é o amor desinteressado, enquanto a avareza é filha da ‘pobreza do mundo interior’”.

Parece uma grande contradição, mas quanto mais critico minha vaidade, orgulho e egoísmo, mais os ‘amo’!

(Outono de 2012).

Em diversos segmentos da sociedade, mormente nos espíritas, há sérias restrições quanto a elogios, atenções, reverências, agradecimentos… Julga-se que tais manifestações ‘estragam’ pessoas, estimulando-lhes o orgulho e a vaidade.

Em meu entendimento, ‘nem a deus, nem ao diabo’. Neste caso o equilíbrio do fiel da balança é o mais apropriado: Tanto ignorar a criatividade alheia como a adulação servil afastarão o ponteiro do ponto ideal.

Feito isto, passo-lhes considerações que escrevi a respeito do assunto. Se entenderem oportunas… Um bom proveito:

  • Prefiro ver meu companheiro envaidecido por meu elogio do que fracassado e desanimado ante minha insensibilidade;
  • Parabéns e muito obrigado, além de combustível, poderão ser antídoto à insensibilidade que uso como máscara;
  • Às pessoas maduras e responsáveis, o elogio será sempre salutar e a indiferença sempre compreensível…
  • O elogio, o agradecimento, o reconhecimento é obrigação minha… Administrar sua vaidade compete ao outro;
  • Para salvaguardar a fraternidade, louvarei, retribuirei e serei reconhecido, mesmo em detrimento de recomendações, bitolas e regrinhas anti-vaidade;
  • Orgulho e vaidade são naturais fantasmas do mal. Não acredito, porém que elogios e atenções – temperos do bem e da fraternidade – os alimentem!
  • Parabéns, aquela desgastada palavrinha de aniversário, precisa ser reinventada e utilizada mais no dia-a-dia! e
  • E pensar que muitas vezes, o muito obrigado, é sufocado – orgulhosamente! – em gargantas doentias para não estimular o orgulho e a vaidade!

Pois é, meus amigos! Lembram de quando o Divino Mestre curou os dez leprosos? Somente um – o samaritano, persona não grata – veio lhe agradecer… Jesus não desperdiçou a deixa para ensinar princípios de gratidão, reconhecimento, fraternidade…  “Não ficaram curados todos os dez?” – (Lucas, XVII, 17).

(Final do verão de 2011/12, com águas de março maravilhosas!)