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img_290402_20150417Esclarece-nos o fragmento da questão 394 de O Livro dos Espíritos: “Para nos melhorarmos, dá-nos Deus exatamente o que nos é necessário e basta: a voz da consciência e os pendores instintivos. Priva-nos do que nos prejudicaria. (…) Se nos recordássemos dos nossos precedentes atos pessoais, igualmente nos recordaríamos dos [atos] dos outros homens, do que resultariam talvez os mais desastrosos efeitos para as relações sociais.”

Dessa forma, utilizando-nos de analogia social, véu do esquecimento é um grande baile de máscaras, promovido por nossa Divindade para que nele bailem ‘de par’ desafetos milenares. Priva Deus os dançarinos de se recordarem de algo de vidas pregressas que certamente “os prejudicaria.”

Fugindo à nossa analogia, o véu se aplicará nos diversos segmentos das sociedades; nas famílias principalmente, no trabalho, nos lazeres, etc. Nesses agrupamentos, onde bailas serão substituídas por fainas, “a voz da consciência e os pendores instintivos” nos exigirão que observemos os sinais; que levemos em conta as evidências…

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Véu do esquecimento – ou baile de máscaras – é um dos mais apurados e racionais produtos do sexto atributo de nossa Divindade: Soberanamente Justo e Bom!

(Outono de 2017).

Com o nome de Entrudo, já no século XVI os portugueses ‘introduziram’ no Brasil o costume de brincar no período de carnaval, este muito antes (600 a 550 a.C.) originário da Grécia. Os bailes de máscaras, bailes à fantasia ou bals masqués (disfarça), foram os eventos precursores do carnaval moderno no Brasil. No final da década de 1830, os primeiros bailes de máscaras tiveram lugar no Rio de Janeiro onde só era permitida a entrada de duques, rainhas, princesas, príncipes, condes, condessas, duquesas, etc.

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“… O Espírito encarnado perde a lembrança de seu passado [porque] o homem não pode nem deve tudo saber. Deus o quer assim em sua sabedoria.” (Questão 392 de O Livro dos Espíritos). “… Se tivéssemos a lembrança de nossos atos pessoais anteriores, teríamos igualmente dos atos dos outros e esse conhecimento poderia ter os mais deploráveis efeitos sobre as relações sociais”. (Idem, nota à questão 394).

O Pai em sua Infinita Sabedoria e principalmente Bondade, contempla a sua humanidade, encarnada num ainda Planeta de Provas e Expiações, com uma grande ‘disfarça’ ou a bals masqués onde são convidados a confraternizarem – ‘dançarem’, se acertarem, se comporem… – indivíduos Espíritos que outrora poderão tanto haver se agredido muito como também terem se amado muito!

É possível que o ‘véu do esquecimento’ ou ‘esquecimento do passado’ seja o grande baile de máscaras promovido pelo Pai e que possibilita a antigos e ora disfarçados desafetos, por necessidade encobrirem suas diferenças, sem, no entanto, deixarem de revelar suas faces a pretéritos e amorosos afetos.

Sem o véu do esquecimento se estabeleceria o caos nas famílias, na sociedade, no trabalho. Digladiar-se-iam filhos com pais, cidadão com cidadão, patrões com empregados… Ninguém duvida que nesses ambientes estejam reunidos hoje, desde os mais cascudos e ásperos relacionamentos até os mais divinais e amorosos em regozijo.

Deus em sua soberania, não deseja que os homens possam e devam tudo saber, e apela para que eles através de suas consciências percebam, consultando as evidências que irão se apresentando, que tipos de saldo/débitos possuem com os que agora convivem.

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Diversamente do Entrudo este necessário baile de máscaras não é proporcionado tão somente à burguesia, mas a irmãos de casta única, filhos de um mesmo, Bondoso e Amoroso Pai que deseja ver seus filhos acertando suas diferenças, sem deixar de promover a satisfação dos afeiçoados.

Entrar no Ritmo Divino, se acertar, se recompor, se renovar… Eis a necessidade do baile de máscaras promovido pela Divindade através do ‘véu do esquecimento’…

(Introdução: Wikipédia, a enciclopédia livre – Inverno de 2013).

Quem atura um fiambre ‘bafiado’, rançoso? O passado poderá ser que nem o quitute que ontem era o ideal, mas servia tão somente para ontem… Para hoje poderá não servir mais.

Assim como é uma arte reescrever velhos temas, utilizando-se de idéias novas, também o é saber viver coisas novas em cima de todos os ranços do passado, visando preparar um futuro menos penoso.

Assim pensando, minha Divindade me cobriu com o mais absoluto véu do esquecimento e me equipou com o semáforo da consciência – desconfiômetro, tendências instintivas, insights, evidências… para que, atendendo à diversidade de suas luzes, da advertência, de retenção ou liberdade eu recomeçasse, a cada dia, a escrever uma página nova na minha evolução…

De que adiantaria lembrar-me de todos os pretéritos ranços se estes nada contribuírem à minha alforria moral e ainda despertarem em mim rancores e mágoas a pessoas ou de pessoas muito próximas a mim?

Não há necessidade que o meu Deus me revele que o vizinho difícil que tenho, o filho problema, o parceiro que me incomoda, a operadora que me enlouquece… sejam os mesmos para com os quais não fui fácil, causei problemas, incomodei ou enlouqueci em meu passado rançoso… Todos eles, evidências desses maus efeitos, apontar-me-ão todas as causas que o meu Bom Pai julgou conveniente me fazer esquecer.

Lembrar de todos esses ranços seria promover a desforra, desafios a antigos desafetos, a mágoas reprimidas… Desarticula Deus com o véu distraído, todas as altercações, ódios adiados, duelos doídos, por ninguém vencidos e tão pouco concluídos…

Porque isso devia ser útil o meu Deus – o teu Deus – providenciou para que os meus – e os teus – atos de um passado encardido me passassem despercebidos e que por santa e divina providência muitas coisas para mim – e para ti – fosse omitido…

Este tipo de entorpecimento é, sem dúvida, o maior e mais divino antídoto contra todos os ranços do passado!

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Que dádiva, meu Pai, poder adormecer sobre meus cacos e não me machucar. Acordar e poder abraçar minha amada e ter suaves lembranças de todos os meus, sem as restrições que todos os meus pretéritos mal feitos me imporiam…

…Esta é só uma amostra do que o véu do esquecimento pode fazer por mim e por todos aqueles que eu tenha machucado!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Vantagens do esquecimento, pag. 137 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera de 2012).