Posts Tagged ‘Vida Futura’

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm todos os tempos, por curiosidade ou por medo, a Humanidade procurou explorar as verdades e as fantasias de uma ‘outra’ vida: considerada esta uma preciosidade, agimos como garimpeiros na busca de um tesouro.

Dessa forma aproximamo-nos de forma curiosa de médiuns, videntes, audientes, escreventes supranormais, cartomantes… Interesseiramente não lhes avaliamos as virtudes; somente antevemos interesses.

Analogamente é como se desconhecêssemos que só árvore boa dá bons frutos; que a prudência é atitude de entendidos; que o tolo deterá tolices; e que o ar, silencioso, suporta-nos a vida.

Certa feita, também a multidão buscou garimpar junto ao Mestre, perguntando-lhe: “Que milagres fazes tu, para que o vejamos e creiamos em ti?” (João, 6:30). Ora Jesus era o próprio milagre, pois Intermediário Direto entre a Terra e os Céus, apontava-lhes – e a nós – a direção do verdadeiro tesouro.

É possível que os deveres da Terra (tolerar, respeitar, servir…), de forma simplificada, nos conectem com os Céus, sem deixar dúvidas e sem a necessidade de intermediários. Quando o Planeta nos servir de teoria e prática ao mesmo tempo, – o garimpo – o caminho do tesouro estará à vista.

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Assim como cada criatura ou coisa de Deus é avaliada por sua utilidade, cada irmão de luta é avaliado pelas suas características. O garimpo é aqui; o tesouro, Lá!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 92, Demonstrações do Céu; 1ª edição da FEB) – (Outono de 2017).

tumblr_m6htfiPQXo1qka5jeo1_r1_500Corria o mês de abril e em nosso terceiro ano do ESDE, estudávamos o roteiro Esferas espirituais da Terra e mundos transitórios. Comentávamos de como a tônica do bem e do mal se faria presente em nossos estudos no corrente ano. E falávamos, é evidente, de como seria nosso desencarne e a qual dessas ‘esferas’ seríamos candidatos…

Em determinado momento a pergunta de um dos companheiros tornou-se inevitável:

– ‘Para onde’ iremos, após o nosso desencarne?

Ante os olhos arregalados da maioria, propusemos-lhes uma pequena analogia: Imaginemos que todos estejamos nos preparando para ‘essa partida’, para a nossa ‘viagem’ e que nossa mala já esteja preparada. Coloquemos nossa mala sobre a mesa e passemos a examiná-la:

Se estiver com muitas roupas leves, bermudões e camisas floreadas, sandálias multicoloridas… venderemos a idéia de que iremos passar temporada no Caribe ou, se nossos recursos não o permitirem, poderemos ir para mais perto; Florianópolis, por exemplo.

Entretanto, se nossa mala estiver atopetada de agasalhos, muitas roupas de lã, luvas, toucas… é muito provável que estejamos indo para o Alaska, ou, se para mais perto, bem para o Sul; Patagônia, quem sabe?!

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Nas questões espirituais, e mais propriamente com relação à morte de nosso corpo físico, o ‘para onde nós iremos’, poderá ter a sua resposta exatamente dentro da mala que temos preparado. Ou, o ‘do que’ estiver ela repleta, denunciará o local para onde estaremos indo:

Golpe-do-BauSe nossa mala estiver cheia de tudo aquilo que doamos, e aqui não estamos falando em linguagem paradoxal, mas exatamente dentro da Lei de justiça amor e caridade, nosso ‘destino’ será a esfera compatível com essa Lei e com o nosso apronto.

Mas se em nossa mala houvermos reunido todos aqueles pertences materiais aos quais estivemos até agora muito apegados, e vários baús não chegará, pois precisaremos reunir casa, carros, terras, roupas, sapatos, ouro… tenhamos a certeza que todos estes penduricalhos não nos levarão de imediato a lugar nenhum, pois ficaremos conectados, por muito tempo, às tralhas da crosta que passamos uma reencarnação inteira amando e endeusando.

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“Independente da diversidade dos mundos, essas palavras de Jesus (‘há muitas moradas na casa de meu Pai’) também podem referir-se ao estado venturoso ou desgraçado do Espírito na erraticidade. Conforme se ache este mais ou menos depurado e desprendido dos laços materiais, variarão ao infinito o meio em que ele se encontre, o aspecto das coisas, as sensações que experimente, as percepções que tenha (…). Também nisso, portanto, há muitas moradas, embora não circunscritas, nem localizadas.” (ESE, Cap. III, item 2).

(Inverno de 2015).

38359983Ao declarar que “o meu Reino não é deste mundo”, Jesus se estabelecia como lídimo representante Do Reino perante cidadãos ‘verdes’ de um Planeta também verde. Mais que depreciação na expressão do Mestre, havia o recado de que os Espíritos deveriam amadurecer para construir o Reino de seu Pai. Nem todas as expressões cifradas do Mestre puderam ser entendidas na sua época. Pela generosidade do Espírito da Verdade e sua Equipe, ao espiritismo, e na época certa, são concedidas à humanidade, todas as ‘traduções’ de como, por exemplo, indivíduos evoluiriam da situação de verdes para maduros.

Imagino o desapontamento que Jesus causou nos seus ao declarar “o meu Reino não é deste mundo”: Sob o jugo romano há 94 anos, o que mais ansiavam era por um libertador. Ora, corria ‘a boca pequena’ pela Judéia que O Libertador, em fim, havia chegado.

Em 64 a. C., o general Pompeu havia conquistado Jerusalém e feito do reino judeu um Estado-vassalo de Roma. Sob a legislação de Herodes Antipas, o povo judeu chegou a sentir um ‘gostinho’ de reino, pois este possuía cidadania romana e outros privilégios. Pilatos (romano) e Antipas (judeu) eram contemporâneos e ambos se envolveram na condenação de Jesus de Nazaré. Num ‘jogo de empurra’, ambos lavaram as mãos, e o próprio povo judeu pediu a condenação daquele que sonhava fosse o seu libertador…

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Ainda verdes, os homens daquela época não entendiam o sentido das palavras do Mestre que se referia a um Reino futuro, à Vida Futura ou à imortalidade de seus Espíritos.

Ora, “se o espiritismo veio completar, nesse ponto, o ensino de Cristo, quando os homens já se mostram maduros bastante para [entenderem] a verdade”, interrogam-se os homens de hoje: ‘Estamos já maduros ou somos os verdes de outrora. Os verdes ainda sob jugos ou maduros já libertos?’

  • Os já maduros entendem que nem todos caminham na mesma velocidade; se já adiantados, retardatários não lhes causarão desânimos;
  • Os ainda verdes se inebriaram de tanto poder que julgam ser o reino por aqui mesmo;
  • Os já maduros entendem o servir, a generosidade, a fidalguia, como ‘a’ forma verdadeira de amar;
  • Os ainda verdes acostumaram-se tanto a ser servidos que desconhecem o termo gratidão;
  • Mas os ainda verdes, longe de serem maldosos, são, e tão somente… verdes, retardatários! E assim os devem compreender os já maduros!
  • Os já maduros, além de compreenderem, relevam, se compadecem dos inexatos, promovem ações junto a eles e seguem adiante;
  • Os já maduros, foram outrora verdes e estes um dia avançarão. Não é de hoje que o Mestre anuncia que o meu Reino não é deste mundo! Uns assimilam logo, outros demoram um pouco mais, caracterizando os ‘maduros’ e os ‘verdes’;
  • O poder, tal qual a fortuna, é empréstimo transitório e alternado; verdes dele se embriagarão; os já maduros dele se utilizam para a promoção dos subalternos;
  • A autoridade producente identifica os já maduros, a humilhante os ainda verdes;
  • Amar, para os já maduros é se doarem; para os ainda verdes a exigência do receber;
  • O abismo entre o ter e o ser separa verdes dos já maduros;
  • Certificados, títulos, diplomas, escudam os ainda verdes; maduros se respaldam na sabedoria efetiva que possuem;
  • Verdes, vítimas de ilusões se atrasam consideravelmente; maduros e adiantados, os entendem, auxiliam, com a consciência de que a evolução é compartilhada.

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Maduros para entenderem ou amadurecidos por já entenderem é a situação que a codificação encontra a humanidade em meados do século XIX. A partir daí, esclarecidos pelas elucidações espirituais, tudo correria por conta de cada um e pela vontade de se madurar.

(Sintonia: Cap. Na construção do Futuro, pg. 21, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Verão quentíssimo de 2014).

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“Apenas entrará [no reino dos céus] aquele que faz a vontade de meu Pai…”1

Quando no ano zero da era cristã o Menino ‘desembarca’ em Belém de Judá, iria logo dizendo a que, para que e para quem viera. Traria todas as explicações para o significado da frase que ainda nem proferira, “apenas entrará [no reino dos céus] aquele que faz a vontade de meu Pai”:

  • Em primeiro lugar, a ‘maternidade’ na qual sua mãe se instalara daria o seu primeiro recado: A estrebaria e a manjedoura – ou cocho dos animais – não faria dele, Jesus, um homem menor, como também poderá se deduzir que hospitais com recursos de ponta não serão os responsáveis pelo nascimento dos grandes homens;
  • Que os seres menores da criação que ali emolduravam a cena de seu nascimento, representariam, sempre, todos os ensinamentos que todos os seres, de todos os reinos teriam a proporcionar à humanidade. Quem desprezasse todos esses eco sinais da Mãe Natureza poderia estar se inabilitando ao Reino;
  • Os homens simples que ali estavam – pastores, em sua maioria – seriam os privilegiados no testemunho do acontecimento que dividiria as eras da humanidade. Suas pureza, simplicidade e inocência, explicitariam as características dos candidatos ao Reino de seu Pai;
  • As potestades terrenas ‘convidadas’ ao evento não seriam os grandes soberanos, tais quais os do império dominante. Seus reinos talvez fossem insignificantes à época e em nada se comparavam ao dos césares da grande Roma. Na simplicidade e simbologia de seus presentes ao recém nascido Menino e na diversidade da cor de suas peles, gostariam de informar que todos os que fossem isentos e desprovidos de todo o tipo de preconceitos, também estariam habilitados a continuar na rota da perfeição pelos mundos celestes, independente de doutrinas, castas, raças ou credos; que não seriam relevantes a cor de suas batinas ou hábitos, ou que sequer os usassem; paramentos, breviários ou catecismos não contariam…

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O Mensageiro dos mensageiros informaria à humanidade, desde o seu nascimento que “nem todos os que dizem ‘Senhor! Senhor!’”2 seriam os eleitos ao ‘Céu’ de seu Pai, mas que teriam que adequar-se à moral que Ele próprio deixaria gravada em seus gestos e pela pena de seus secretários e intérpretes.

Mas haveria outros recados ao longo dos três anos de sua vida pública: ‘Dicas’ mais que escritas, exemplificadas, dariam uma dimensão das exigências aos candidatos ao Reino de seu Pai…

E assim, fatos e mais fatos se sucederam nas poeirentas e pedregosas veredas do centro Jerusalém e nas periféricas Samaria, Galiléia, Judéia… Junto a homens simples, escravos de um império tirano e a outros nem tão simples, mas também escravos – esses morais – do mesmo império ao qual eram subservientes.

Entreverado a esse povo heterogêneo, o fiel depositário dos anseios do Pai informaria que os candidatos a herdeiros seriam pessoas como Zaqueu e Madalena; ou aos cegos, coxos, leprosos e lunáticos que atenderia; os que duvidariam como Tomé, ou os de fé inabalável como o centurião e a viúva do óbolo da dracma minúscula. Haveria, ainda, outros candidatos, em se falando da manjedoura ao Gólgota, como Cefas e Dimas, o ‘mau’ e o ‘bom’ ladrão que, com suas diferentes lágrimas revelariam que também o estágio ou degrau desses candidatos seriam diferentes…

Quem entraria? Quanto a isso não restaria nenhuma dúvida, pois o Mestre teria traçado todos os seus perfis completos ao longo de seus trinta e três anos, da manjedoura ao Gólgota!

Bibliografia: 1 e 2 – Item 6 do cap. XVIII de O Evangelho segundo o espiritismo, Guillon Ribeiro, 104ª edição.

 (Verão de 2013) – Pub ‘O Clarim’,  Abr/2013.