Posts Tagged ‘“Vigiai e orai”’

“Não te proponhas atravessar o mundo sem tentações: elas nascem contigo, [brotam] de ti mesmo e alimentam-se de ti, quando não as combates dedicadamente…” (Emmanuel).

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Nosso perispírito, fiel escudeiro, ‘meio de campo’, é como se fora a caixa preta de aeronave ou tacógrafo de utilitário:

Registra fielmente informações de nossas boas e más navegações pretéritas; e as velocidades de nossa evolução.

A cada retorno a esta base, ou plano denso, esse corpo fluídico aflora-nos, em evidências pessoais, familiares, sociais, nossas tentações ou dificuldades:

São vestígios na forma de resíduos ou coivaras não bem processados em pregressas vivências.

Enquanto simples vestígios, (apenas residuais) contentemo-nos! Pior é quando os sentimos na forma de detritos: lixo de vivências desequilibradas.

Nossas tentações, então, são normais frutos – cacoetes – de todos esses vestígios, resíduos ou, na pior hipótese, detritos.

Se o perispírito nos acompanha, tais tentações renascem conosco; e se converterão em efeitos de nossas próprias atuais e pretéritas causas:

É o que deseja nos informar o Benfeitor ao dizer que tais tentações brotam de nós próprios; germinam de nossas próprias plantações.

O autor vai mais além: alimentar-se-ão de nós (das anteriores mazelas, detritos, cinzas), se não as combatermos dedicadamente.

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Se Deus é Soberanamente Justo, – e é! – eis que impera, entretanto, a sua Bondade junto ao sexto atributo, porque…

… A cada revivência, com a análise dos vestígios anteriores ou do próprio lixo produzido, oportuniza-nos reprogramarmos nosso tacógrafo e revivescermos nossa caixa preta!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 110 Vigiemos e oremos; 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2017).

legumes_agricultura_familiarFalando expressamente de terra, ‘lavrador’, que é ser ou não ser guardião da terra?

Defender a terra é compreendê-la como dádiva, descobrir seu potencial de nos fornecer na medida em que com ela nos preocupamos. Deixaremos de ser seu guardião sempre que a entendermos como algo inanimado, infértil, improdutivo e inútil.

Poderemos ter o prazer de tocá-la com nossas próprias mãos, sentirmos sua energia, sua servidão, mas também ela poderá não nos despertar o menor interesse. Seremos aí seus guardiões ou não.

Muitas vezes plantamos, mas fiscalizamos mais a plantação alheia do que a nossa: Deixamos de guardar nosso plantio, mas fiscalizamos a plantação alheia; dessa forma, nem a nossa, nem a alheia obterá lucros conosco.

Algumas vezes não devotamos o devido insumo e água à nossa terra; outras vezes lhe damos atenção e ela produz ‘cem por um.’ Eis o descaso e o tributo à terra.

Ainda desatinados por dores físicas diversas damos desculpas mil para o não cultivo. Outras vezes mesmo adoentados, compreendemos ser necessário tocarmos nossa lavoura: a opção pela dor e o descaso à terra; e a abnegação e resignação, mesmo amolados…

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Nas questões de nosso Espírito sucede a mesma coisa: Precisamos descobrir o potencial divino que possuímos; entendermos que ele precisa do bom cultivo; somos responsáveis por ‘nossa’ evolução em primeiro lugar e as parcerias virão depois; também nosso Espírito adquire ervas daninhas, precisando dessa forma de capina, sagrados insumos e da água das virtudes; e entendermos que doenças do parceiro corpo e do próprio Espírito, sempre será a maquiagem com a qual nos apresentaremos ‘bonitos’ na Vida Futura…

“Ninguém [obterá] o resultado excelente, sem esforçar-se, conferindo à obra do bem o melhor de si mesmo.” (Emmanuel). Outros indivíduos se beneficiarão com os frutos de nossa terra (entendamos de nossa alma), mas o maior presente será para nós mesmos.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 31, Lavradores, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

NarcisismoAmar a nós mesmos não será a vulgarização de uma nova teoria de auto adoração, [mas] a necessidade de oração e vigilância, que todos os homens são obrigados a observar.

Narciso, na mitologia grega era um bonito jovem, indiferente ao amor que ao ver sua imagem refletida na água, por ela se apaixonou. Originou-se daí o narcisismo, ou a idolatria à própria imagem. Considerado um comportamento inadequado, o narcisismo tornou-se um ‘prato cheio’ na psicanálise desde o ano de 1898. (Wikipédia).

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“Nem a deus, nem ao diabo!” Nem narcisismo, nem desleixo! É dessa forma que deveremos entender o amor a nós mesmos evangélico:

A egolatria sempre esteve presente em nossas vidas ‘desde que o mundo é mundo.’ Naturalmente ela faz parte de nosso homem velho, aquele que ainda teima em aquerenciar ao redor de si o orgulho e toda a sua corte. Dessa forma seremos ainda narcisistas.

Quando lutamos contra esse homem velho com o intuito principal de depormos o ‘monarca orgulho’, estaremos também lutando contra o desleixo moral.

Se nos entregamos à vida sensual, ou à ditadura de nossos cinco sentidos carnais, certamente nos tornaremos narcisistas.

Comprometermo-nos com o “vigiai e orai”, que significa depositarmos todas as nossas súplicas, agradecimentos e louvores na mão de nossa Divindade e enquadrarmos todos os nossos comportamentos no indexador chamado Boa Nova, será realmente amarmos a nós mesmos.

Quando nos tornamos indiferentes ao outro, tornando-nos um desserviço na sociedade, movidos pelo narciso que existe dentro de nós, podemos ter a certeza que o desleixo nos tomará conta.

Em contrapartida, o importar-se, a abnegação, o servir nos tornará fraternos e todas estas atitudes farão parte do “vigiai”, ou a parte mais prática do “vigiai e orai.”

É possível que narcisos tenham mais facilidade de desprezar a Lei; como é notório que os cuidadosos consigo mesmo, os zelotes do Cristo e de seus ensinos, já consigam interessar-se consigo próprios, pelo semelhante e pelo Planeta.

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Envolver-se no bem; importar-se e servir poderá ser a parte mais prática do “vigiai e orai!” Orar poderá nem ser tão difícil; vigiar ‘é que são elas!’

(Sintonia: questão 351 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

Quem está no ‘comando’, meu corpo ou minha alma? É a pergunta mais apropriada aqui, para desenvolver questões sobre auto-desobsessão, “vigiai e orai”, autocontrole, tipos de pensamentos e principalmente de atitudes que revelarão, categoricamente, qual destes dois ‘personagens’ está no controle da grande dádiva que é reviver.

 O homem – indivíduo – longe de ser um corpo que comporta um Espírito, é segundo os lógicos ensinos doutrinários, um Espírito que se utilizando de suas alternâncias serve-se de um efêmero veículo chamado corpo ora homem, ora mulher, preto, branco, moreno ou amarelo, gordo ou magro, pobre ou rico, bonito ou nem tanto. Cessado o ‘prazo de validade’ desse veículo ou quando ele vier a sucatear, logra o Espírito uma nova liberdade do corpo do qual era mais consorte que cativo; termina, então, a parceria com ‘esse’ corpo.

Vê-se então que o Espírito, que na verdade é ‘rodado’, muito antigo, portador de muitas experiências, assume um determinado corpo que possui todos os ‘equipamentos’ que o permitam manifestar, através dessa parceria, todas as experiências que já acumulou.

Se o Espírito for de boa índole é muito provável que sua ação de comando prevaleça sobre as paixões que, não poucas, certamente assediarão o corpo a exteriorizá-las. As ferramentas ou componentes desse corpo estarão à disposição da alma para expressar-lhe – e aqui se estabelece o confronto – tanto os bons quanto os maus pendores:

  • Os olhos, janelas da alma, provocam sempre no indivíduo um turbilhão de sensações. É através dos olhos que as primeiras lideranças de sentimentos se manifestarão: Que tipo de sentimentos meu cérebro poderá comandar ao meu coração ao me deparar com uma jovem muito formosa? Os mais vis ou os mais sublimes; os mais extravagantes ou os mais discretos! Esses sentimentos, dos mais nobres aos mais torpes serão fruto do tipo de comando atinente ao Espírito; o corpo somente os traduz. E assim sucederá com todas as imagens que meus olhos fotografarem;
  • Se o indivíduo possui ‘ouvidos de tuberculoso’, provérbio usado aqui para expressar o que ouve muito e bem, ou que forçosamente seja obrigado a escutar de tudo, há uma necessidade que seu falar seja muito discreto. Um Espírito equilibrado saberá exercer também um comandamento harmônico, ‘filtrado’ e prudente sobre estas duas ferramentas que o veículo físico lhe oferece;
  • Após colher as impressões que os utilitários olhos e ouvidos do corpo lhe facultaram, o Espírito poderá se manifestar verbalmente. As palavras aqui serão as que vão ferir ou consolar. Soltar a voz é exalar o ‘hálito’ acumulado nesta e nas inúmeras vivências do velho Espírito. Verifique-se, portanto, que esse hálito, fétido ou refrescante é atributo ‘do’ Espírito, pois também aqui ele estará no comando;
  • Mãos, pés, braços e pernas são alavancas amorosas… A que se prestarão? Todos os grandes e nobres cérebros sempre souberam o que deles fazer. Chico, por exemplo, quando se sentia muito aborrecido, quando a alma lhe doía, punha-se a caminho, ia para a periferia e dizia de lá ter voltado ‘curado’. Chico Xavier, portanto, era um destes que a Alma – nobre por sinal – lhe comandava os passos, os gestos, os acenos de bondade; e
  • Em determinada época o abraço sobressaiu-se ao amasso; hoje a situação se inverte… Sexo não é algo aviltante: O tabu que se desejou imprimir à humanidade de todos os tempos foi o do ‘pecado original’ decantado no folclórico livro do gênesis. É comum mulheres dizerem ‘não estarem com cabeça’ quando convidadas aos ‘deveres’ matrimoniais. Elas não estão muito longe da verdade, pois o melhor sexo ainda se faz com o cérebro, ou com o Espírito no comando…

“Não é o que entra pela boca que contamina o homem…”, mas o tipo de comandamento que teu, meu Espírito exerce sobre os sagrados e úteis equipamentos que o veículo físico lhe dispõe, tais quais cérebro, coração, boca, olhos, mãos, pés, braços, pernas, sexo!…

Pensa nisso, e um beijo! Aquele beijo fraterno que aqui é meu Espírito que, no comando, te envia!

(Sintonia: Cap. Pensamento e desobsessão, pg. 45 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Primeiro dia do inverno chuvoso de 2013).

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Muito verdadeiros, os provérbios “ajuda-te que Deus te ajudará” e “o sol nasceu para todos” encontram respaldo em Mateus 7, 7, “pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto…” Dessa forma o Mestre das Boas Conversas me anunciaria que de nada adiantará o sol nascer para mim se dele fugir ou desejar que Deus me ajude sem ‘pedir’, ‘buscar’ ou ‘bater’.

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E hoje a conversa estando relacionada com auto-respeito, concluo que ‘fechar a guarda’ aos inimigos íntimos e ocultos, sabe, aqueles que só eu e Deus sabemos, será a melhor forma de me auto-respeitar e não correr o risco de ficar desmoralizado perante mim e minha Divindade.

Toda vez que escorrego no “vigiai e orai” esses inimigos ocultos capturam minha mente me tornando vulnerável escravo não só em compactuar com o mal, mas com bloqueios na realização do bem.

É lógico que Deus, a Bondade Suprema e Soberana, não se azeda, não se amofina, não se ofende e tão pouco se aborrece com meus escorregões perante os ocultos do mal. Tendo Deus ‘mais o que fazer’ o grande prejudicado serei eu que, refém de meus desvios, estarei impedido de prestar atenção a todas as idéias claras, sintéticas e simples murmuradas pela Vida Maior ao meu ouvido.Orando

O indivíduo que, de certa forma, impede o fluxo da Corrente Divina, longe de perder o respeito de sua Divindade, – já disse que Deus soberanamente não se azeda com isso – abortará, sim, os Divinos Planos, ou adiará o fruto de talentos inatos e singulares, programados somente à sua individualidade.

Quando o [autodesrespeito] se instala em nossa casa mental, passamos a não mais prestar atenção aos avisos e intuições que brotam espontaneamente do reino interior. As vozes de inspiração divina são sempre idéias claras, providas de síntese e simplicidade que a Vida Providencial murmura no imo de nossa alma, me diria hoje o Orientador.

Quando me respeito, respeitam-me todos os outros! E aqui me refiro ao respeito em não permitir intrusos contrários às lides que me são afetas e nas quais acredito. ‘Todos os outros’ poderão ser desencarnados e encarnados que eu não permita me desviarem a atenção aos avisos e intuições de meu reino interior.

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Quando renunciamos ao controle de nós mesmos, outros indivíduos tomarão as rédeas de nossa vida… E não tenho dúvidas que esses outros indivíduos, em sua maioria, serão desencarnados…

Na conquista do auto-respeito, é menos difícil controlar as influências de encarnados do que dos desencarnados!

 (Sintonia e expressões em itálico são do cap. Respeito, pag. 69 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).