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“… Porque ao que tem lhe será dado e ao que não tem até o que tem lhe será tirado” (Jesus/Lucas, XIX, 26).

Vivendo num atual sistema defensor do socialismo por vias democráticas, onde há cinco mandatos inúmeros benefícios através de ‘bolsas’, são estendidos às camadas mais desprotegidas, me parece que ao proferir tal aparente e contraditório disparate, – um dos tantos paradoxos do Mestre – Jesus estaria condenando o atual sistema Brasileiro de atendimento aos mais precisados…

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Não, queridos amigos, o Divino Professor quando proferiu a sentença supracitada, talvez sob os escaldantes quarenta graus dos dias de sua Palestina ou sob os suaves quinze da noite, ou ainda sob a brisa refrescante das margens do Mar da Galiléia… certamente que não estaria se referido a posses materiais, como qualquer tipo de bolsa que viesse minimizar os reclamos por ajuda de uma classe mais precisada. Referia-se o Mestre aqui nesta frase registrada pelo doutor e evangelista Lucas a outros bens mais perenes que todos os Espíritos terão condição de levar em suas bagagens, deste pobre Orbe terrestre, para a Pátria Definitiva…

O ‘ter’ aqui talvez deseje significar não um cabedal de santidade, próprio de poucos Espíritos, mas todos os esforços, boa vontade, vigilâncias, perseverança… que o indivíduo já conseguiu conquistar na busca de sua retidão. O ‘não ter’ será o totalmente inverso, ou as apatias, más-vontades, invigilâncias e deserções na busca do que é correto. Sem a pretensão de interpretar o que desejaria dizer o Mestre com tal sentença, é possível que:

  • Ao indivíduo preocupado – no bom sentido – com sua evolução, essa progressão naturalmente vai sendo anexada ao seu curriculum de Espírito nômade, mas se dirigindo ao Alto. Ao pouco preocupado com sua evolução estará reservado um maior número de retornos a Orbes densos;
  • Aos de boa vontade sempre será acrescida a boa vontade do Universo. Aos de má vontade reserva-se o complô de entidades perversas que buscarão o retardo de sua caminhada;
  • Ao vigilante, consciente do conluio das trevas, será acrescido o maior resguardo pelos Bons Amigos. Aos desmazelados morais as conseqüências negativas proporcionais aos seus descuidos; e
  • Aos perseverantes, no curso de sua estrada e porta estreitas, os sagrados créditos e acúmulo de bônus. Aos desertores que optaram pela estrada e porta largas, débitos lamentáveis que os convidem a um reinício, penoso, sofrido, doloroso, até readquirirem a consciência da inutilidade da retirada.

Vejam queridos amigos, que não há nada de material no ensinamento do Mestre. Aliás, evidente está que Ele se envolvia com as coisas do Espírito e sempre se referia às causas sutis e próprias do Reino de seu Pai…

… De uma forma um tanto paradoxal e apropriada ao Seu tempo, é claro, mas lançadas à observação dos séculos e milênios vindouros até que a Terceira Revelação as codificasse.

(Para Carla e Gentil Fabres, que nesta curta convivência, física ou/e virtualmente, me proporcionaram exemplos de retidão, seriedade e trabalho. Esta crônica se inspira na exposição de Carla, – ‘Ter e manter’ – realizada em 9 último no Recanto de Luz).

(Imagem 2, ‘o óbolo da viúva’, sinônimo máximo da generosidade. Sintonia com o Cap. Ter e manter do Livro da Esperança de Emmanuel/Chico) – (Inverno de 2013 com 30 graus).