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GAUCHO 58“É preciso olhar o mundo com olhar de vaqueano: Ser gaúcho é mais profundo que ser campeiro ou urbano. (…). O pago não se divide entre o campo e o concreto; na querência onde se vive o mesmo céu cobre o teto. A querência nos habita; viaja junto com a gente…” (Cancioneiro gaúcho. Desconheço autor e intérprete).

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Uma composição certamente inspirada… Sobre ela, algumas considerações ora ‘profanas’, ora ‘sagradas’, todas, porém, filosofadas entre um mate e outro:

Somos cidadãos de uma Pátria – querência – bem mais extensa do que nossa vista imagine alcançar. É possível que os limites dessa Pátria não fiquem, necessariamente, circunscritos.

Nossos problemas, e junto com eles as raízes das soluções, estarão conosco em quaisquer querências. Relembrando nosso poeta, cantador e payador maior, Jayme Caetano Braun, “por longe que o homem vá, jamais fugirá de si.”

Nossas inter-relações se farão aqui e acolá, visto sermos cidadãos desse extenso mundo. Todos já ‘cruzamos’, embora disso não tenhamos lembranças muito vivas.

Se nos ativermos mais às crenças, os credos terão importância relativa. Explicando: Nossas crenças deveriam ancorar-se no Guia e Modelo colocado à nossa disposição em todos os tempos; naquilo que revelou com atos e palavras. Credos poderão ser temporais; a crença é atemporal. Mensagens e Mensageiros desse Guia e Modelo são atemporais.

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Temporal é o chão onde pisamos. Atemporal é o nosso Destino (com D grande…). Atemporais são todas as almas que reencontrarmos nos diversos chãos; atemporais serão todas as afeições, estreitadas ou retomadas em querências diversas…

(23 de agosto, em ‘outra’ querência…) – (Inverno de 2015).

‘Busca primeiro o Reino de Deus e sua Justiça e todo o mais te será acrescentado’…

…Quando leio esta máxima Crística, ela parece meio interesseira. Estaria o Mestre me propondo, como fazem os políticos atuais, o ‘toma lá da cá’?

Não! O Mestre aqui se refere mais a conseqüências do que a interesses; ou seja, se eu agir assim ou assado, bem ou mal, com ou sem benevolência, com apego ou sem apego, me advirão tais ‘ou’ tais conseqüências. Naturalmente, meu Divino Governador e fiel depositário dos anseios do Pai a meu respeito, não estaria Se afastando da lei da causa e feito.

O Reino – com erre maiúsculo – que me está reservado é exatamente as conseqüências do usufruto que tirarei deste reino – com erre minúsculo.

Outra advertência de Jesus de Nazaré: ‘Que te adianta, pois, ganhar o mundo se vier a perder tua alma?’ Tentarei, optando por uma boa conseqüência, ‘virá-la do avesso’ afirmando que o ideal seria eu ganhar o mundo sem perder minha alma…

Ganhar o mundo é tirar o máximo de ‘bom proveito’ desse laboratório. Sem perder a alma seria eu estabelecer prioridades, ou utilizar-me de todas as suas benesses, de todos os meus relacionamentos e de todos os aprendizados, desde que todos não sejam em prejuízo de minha alma.

Coisas simples e naturais da vida me proporcionarão empreender essa busca: O sorriso gratuito, o bom dia e a boa tarde amorosos, a disposição em auxiliar, o bom uso de minhas aptidões, a minha correção de atitudes, os meus sentimentos nobres…

…Esses e tantos outros me permitirão viver neste mundo, realizando toda a sorte de ‘experimentos’, que me levem a ambicionar o Reino de Deus… Isso não é interesse; é conseqüência!

(A sintonia é do cap. Prioridade, pg. 51 de Recados do meu coração de José Carlos De Lucca/Bezerra de Menezes, Ed. InteLítera) – (Inverno, 26º de 2012).