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Cla01150808“Tomar as dores” é o tema da reflexão: quando alguém se indispõe conosco, porque nos indispusemos com alguém que aquela pessoa gosta muito, dizemos que ele ‘tomou as dores’, tomou partido, ou algo que o valha.

Consideremos, entretanto, que as indisposições entre dois indivíduos (Espíritos já ‘vividos’), têm origem, ou nesta ou em vivências anteriores: doutrinariamente, não há escapatória para isso!

Se assim acontece – e acontece! – dizemos que são pendências ‘particulares’ de dois indivíduos que precisam equilibrar relacionamentos “enquanto estão a caminho”, ou enquanto por aqui estão, ‘nesta’ vivência…

Suas pendências, por serem ‘particulares’, podem nada a ter a ver conosco, portanto, nesse caso, ‘tomar as dores’ seria atitude equivocada. Porém…

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… Há situações – e que, felizmente, não lembramos – que em vidas anteriores agimos em conluio: fazíamos parte de grupos rivais que se prejudicavam com a combinação espúria das partes.

Em outras ocasiões promover-nos-emos a ‘advogados de defesa’, pois nossos laços com a pessoa injuriada por terceiro são tão fortes, que já viemos nos amando, também a muitas encarnações.

Nestes dois casos, sim, torna-se explicável a atitude do “tomar as dores”, já que somos cúmplices de desventuras ou venturas desde ‘a outra encarnação’, como popularmente e comprovadamente nos expressamos.

(Outono de 2017).

crux-1-689x364-720x380Reportando-nos ao termo devoto, pressupomos indivíduo totalmente introspecto e recolhido ao mais completo colóquio com sua divindade… Não é este tipo de devoção que desejamos abordar:

Emmanuel nos assevera que um trabalhador poderá demonstrar altas características de inteligência e habilidade, mas, se não possui devoção para com o serviço, será sempre um aparelho consciente de repetição.

A seguir, o Benfeitor cita o exemplo do Mestre crucificado: só Ele marcou o madeiro da cruz como sinal de abnegação, luz e redenção. Antes dele, homens e mulheres de Jerusalém e de toda a Palestina foram sentenciados a cruzes, mas, movido pela devoção à Sua causa, somente a Dele, a do Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum (Jesus de Nazaré Rei dos Judeus – INRI), ficou conhecida como símbolo de Salvação; o grande farol luminoso a influenciar, salvaguardar e direcionar a humanidade; e o Império indestrutível, em contraponto a todos os que tiveram início, apogeu e ruína.

Convém explicarmos que, doutrinariamente, esse Rei abnegado indicou-nos, em todos os tempos o ‘rumo’ da salvação. Salvamos-nos individualmente ‘com’ o desejo de perseguir esse sagrado rumo.

O Apóstolo dos Gentios, Paulo de Tarso, exorta às comunidades de Éfeso – e a todos nós – que precisamos “renovar-nos pelo Espírito no nosso modo de sentir.” (Efésios, 4:23). Ou que não basta sermos inspirados diuturnamente, mas que precisamos elevar tal inspiração à categoria de zelo, cuidado, amor e serviço. Será importar-nos e, dessa forma alçar nossa sensibilidade ao expoente máximo. E isso é devoção; embora que muito aquém daquela evidenciada nos feitos de nosso Rei.

Renovarmos nosso modo de sentir significa o uso e o abuso das decisões do coração em detrimento da razão: paradoxalmente, – pois estudamos, vivemos e respiramos uma doutrina baseada em pensamentos claros e fé raciocinada – tal renovação significa o nosso coração tomar atitudes que surpreenda nossa própria razão.

É o que sucede todas as vezes que analisamos a “caridade segundo São Paulo” e com muita dificuldade a desejamos colocar em prática, considerando que ela “não é temerária, nem precipitada; não desdenha, nem suspeita mal.”

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É possível que o caminho de nossa devoção, embora um arremedo à de Nosso Senhor Jesus Cristo, passe, necessariamente, pelo ‘exagero’ do sentimento em prejuízo da razão. Haverá situações, as compreendidas pelo apóstolo Paulo e acima citadas, que ficaremos sem saída, pois somente o coração nos salvará!…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 67, Modo de sentir, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2016).

sensibilidade2-1– O que é SENSIBILIDADE? Pergunta o discípulo ao mestre experiente…

– SENSIBILIDADE, é podermos verificar, mesmo que à distância, as dores de um amigo angustiado; inclusive sem que ele o saiba.

Pensativo, o discípulo relembra que isso não lhe é novidade, pois já lhe haviam ensinado que todos somos médiuns porque todos somos inspirados…

– Já sei! – exclamará o discípulo afoito – SENSIBILIDADE e inspiração são navegantes que remam em uma mesma canoa!

– Enganas-te – replica o mestre… SENSIBILIDADE ultrapassa todas as barreiras da inspiração. Ou, na hipótese mais sublime, é a inspiração elevada à categoria de zelo, cuidado, amor e serviço. É importar-se!…

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Não precisamos estar juntos para SENSIBILIZAR-NOS com os outros. Podemos fazê-lo mesmo à distância, utilizando os instrumentos que dispusermos, inclusive a forma pensamento…

(Primavera de 2016).

presentes-pra-mulheresImaginemo-nos ganhando de presente uma linda camisa: Lá está ela, em nosso armário, entre outras surradinhas que possuímos. Se presente, não poderíamos rejeitá-la. Aos poucos, acostumamo-nos com ela, a vestimos, nos olhamos no espelho e nos vemos elegantes…

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A mediunidade é o presente que vem junto ao ‘pacote’ da nossa reencarnação. De características e intensidade ímpar entre os indivíduos, teremos que descobri-la e educá-la. E ela precisará ser luz para nós e para que as outras pessoas sejam iluminadas. Como a camisa que ganhamos de presente e precisaremos vestir e sentirmos sua utilidade.

Haverá aqueles momentos em que estando muito bem nos perguntaremos: Será que merecemos o dom com qual fomos contemplados? Sim! Tal qual a camisa, se a ganhamos é porque merecemos.

Também haverá aqueles momentos em que estaremos muito mal. Pessoas e nós próprios poremos em dúvidas nossas ações. Entretanto, responderemos aos outros e a nós mesmos ser possível que no passado éramos doentes insensatos (…) enquanto que hoje [já] conhecemos as nossas enfermidades, tratando-as com atenção e empenhando-nos em fugir delas.

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Achamos, um dia, que não merecíamos a camisa nova. Depois gostamos da idéia e passamos a usá-la. E com o uso ficou suja e precisamos lavá-la e passá-la. Zelamos por ela. Mediunidade também: Precisamos torná-la útil e conservá-la saudável, pois é o presente que recebemos de nossa Divindade.

(Sintonia: Cap. Estudo íntimo, pg. 209, Livro da Esperança, Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, Ed. CEC) – (Verão de 2015).

“Se crê e pratica o princípio de que somente auxiliando o próximo, é que seremos auxiliados, você estará dando passos largos para libertar-se da sombra, entrando, em definitivo, no trabalho da auto desobsessão” (André Luiz/Chico).

Devido a frieiras nas mãos, – inchaços por falta de circulação em climas frios e úmidos – sempre tive dificuldades com algumas lides caseiras, como estender uma cama, lidar com água, e, principalmente, lavar a louça…

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Pegando ‘carona’ com os autores e fazendo uma co-relação às minhas frieiras que hoje já não me atormentam tanto, considero a maior hipocrisia eu pretender auxiliar o próximo fora de casa, se ainda não consigo auxiliar o meu ‘mais próximo’ dentro de casa. Não por isto deixarei de abordar o tema e que Deus me ajude a que o primeiro efeito dele seja em mim mesmo.

O “seremos auxiliados” dos autores, não deseja significar um ‘toma lá dá cá’, interesseiro e vulgar, mas o indivíduo se sintonizar, através do auxílio, com as claridades. Muitas vezes a claridade que provém do auxílio poderá me imunizar contra tristezas, marasmos, preguiças, vazios e colaborar sobremaneira com minha auto-desobsessão.

Ora, esses auxílios, que vão muito além do material, – de lavar a louça, por exemplo – são a ajuda que colabora comigo no aclaramento e poderá significar:

1. Evitar a ‘fofoca’: O que eu escutar ou presenciar de maldoso, não precisará ser levado adiante, pois ‘a fofoca me distancia da luz como ao diabo da cruz’.

2. Domar a intemperança: Uma luta diuturna. Digo diuturna porque a cada minuto do dia precisarei vigiá-la e as ‘atividades’ de minha noite serão o reflexo da calma ou da intemperança de meu dia.

3. Transmitir conhecimentos: Tenho estudado? Estudando, tenho aprendido? Estudando e aprendendo, tenho passado adiante os conhecimentos que julgo úteis? Eis aqui uma ajuda importante!

4. Dar o primeiro passo: Dou o primeiro passo na direção do perdão ou espero que o outro, o acaso ou o Universo o realize? Pois bem, acaso não existe e o Universo é que ficará ‘esperando’ a minha boa vontade, visto não avançar nunca em meu livre arbítrio.

5.  Aceitar minhas limitações: Este Orbe ‘é’ de limitados. Neste Planeta não urgem tarefas – ajudas – maiores ou menores; urgem ajudas!

6. A não deserção: Qual o conceito que gozo entre aqueles com os quais ombreio tarefas? Se ruim, mais ou menos, bom… mesmo assim não desisto e me esforço na sua qualificação?

7. Respeitar às diferenças: Dou aos outros o direito de serem como desejam ser, dentro de seu estágio evolutivo? Preocupo-me mais com a evolução alheia, desleixando a minha?

8. Compreender que o bem é difícil e exigente: Apesar dos amargores que o bem poderá me resultar, adoço-o com a perseverança e a humildade?

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Lembras da história das frieiras? Hoje liberto das frieiras físicas, restam-me – ou restam-nos! – outras frieiras que preciso combater todos os dias, como este ‘octálogo’ que precisarei ler diariamente para não adquirir as frieiras da desajuda!

(Sintonia: Cap. Auto-desobsessão, pg. 125 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno gelado de 2013).

Considerada crime no âmbito militar – “Ausentar-se o militar, sem licença, da unidade em que serve, ou do lugar em que deve permanecer, por mais de oito dias…” –, a deserção é punida pelo STM com pena de 6 meses a 2 anos de detenção…

Utilizo-a apenas como exemplo e não me reporto aqui à lei dos homens, mas às desistências ante os labores comunitários.

Há meses atrás, comprei por ‘1,99’, um bico para uma das três mangueiras que utilizo para as tarefas da casa. Dona Mara – Mara Vilha –, fiel escudeira, ‘esculachou’ com meu pequeno artefato, dizendo-me que ‘não duraria muito’… Comecei a cuidar do pequeno utilitário e recomendei à auxiliar que assim também procedesse. Lá está ainda o bico, sendo que os outros já ‘se entregaram’!…

Tive muitas dificuldades em ‘firmar o passo’ em Casas Espíritas. Pulava de uma para outra, pois ‘pessoas’ não me satisfaziam – ou suas formas de trabalhar… -, quando quem deveria me satisfazer era o Dono da Obra, ou as mudanças que eu desejasse e tentasse promover.

Hoje, compreendida a questão, travo, mesmo assim uma luta diuturna para não incorrer em deserção.

Sempre que lembro o bico da mangueira, esforço-me junto aqueles colaboradores com tendências a desistir e abandonar a vinha.

Como já pulei de galhos para galhos, tento fazê-los compreender que operários ‘somos’ todos falhos e que a grande diferença será o esforço na direção da perseverança.

Se for verdade que cada um é responsável por sua perseverança, também o é que minhas atitudes junto a colaboradores influenciarão em sua não deserção.

Quando o trabalhador, ‘vencido pelo assédio’, resolve desertar, não há quem o impeça… Eu deverei, entretanto, envidar todos os esforços para que tal ‘contratempo evolutivo’ não aconteça, pois afinal…

…Zelando direitinho pelo bico da mangueira, sua deserção poderá ser tardia… ou, nem acontecer escangalhar-se!

“De fato, é de perseverança que tendes necessidade, para cumprirdes a vontade de Deus” (Hebreus, X, 36).

(A sintonia é do cap. Aqueles que desertam pg. 159 de Conviver e melhorar de Francisco do Espírito Santo Neto/Batuíra, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012).

“Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós mais que elas?” 1

Mateus, através desta citação evangélica, concita-nos a refletir sobre a incondicionalidade do Amor de Deus e Seu zelo para com todas as suas criaturas:

Mesmo que, ao acordarmos ou ao deitar-nos não nos lembremos d’Ele ou de seus Emissários, a Sua Divina Providência continua operando. A fidelidade ou a infidelidade das criaturas não é um condicionante para as reações do Criador.

Diariamente, o sol se levanta, sobre bons e maus2 independente das suas percepções, assim como também, diariamente, esse mesmo sol se põe, cambiando-se por miríades de estrelas que nos cobrem tal qual um manto… E nem sempre as admiramos… Ou sequer as percebemos!

As benesses de Seu Universo presenteiam-nos, diariamente, embora não lhes prestemos atenção, ou seja, continuam a obrar apesar de nosso descaso: O sol, o vento, as estações, a chuva, as marés, a própria estiagem ou os tufões “corretivos”, em fim, a Natureza abrangente e atuante mostra aos humanos, supostamente inteligentes e atentos, os cíclicos trabalhos do Cosmos e dos seres menores da criação:

  • As uvas, maduras e perfumadas e os figos inchados anunciam a sabiás, calhandras e bem te vis que chegou a hora de fartarem a si e aos seus filhotes.
  • O artesão que enfileirou os grãos de milho na espiga e os coloriu de amarelo ouro, certamente impressionaria a Niemayer e a Van Gogh.
  • As alamandas – flores de um amarelo intenso – não se importam com sua efemeridade; sabem que irão encantar os transeuntes por apenas algumas horas, mas que novos botões se preparam para substituir-lhes, amanhã, a mesma beleza.
  • As formigas, tal qual soldados disciplinados, desenvolvem serviço de intendência exemplar, pois o agora e o hoje serão questão de futura sobrevivência; de suas marchas diárias resulta a provisão de seus paióis.
  • As lagartas e taturanas, umas simpáticas outras nem tanto, precisarão fartar-se de toda a folha verde possível e necessária a uma época em que viverão hibernadas no casulo, rumo à metamorfose.
  • O mar diuturnamente irá murmurar ou rumorejar, independente de o percebermos ou isso nos satisfazer.
  • As dunas, não obstante nossos gostos estarão, quase sempre, num movimento aleatório e frenético.
  • A Terra em sua rotação diária dá-nos uma falsa impressão elíptica do sol que, invariavelmente, parecerá nascer e se por e poderá ter um brilho mais ou menos intenso ou… Nenhum.

Dr. Bezerra de Menezes, o “Médico dos Pobres” nos afirma que “Se Deus ajuda as criaturas através das próprias criaturas, será justo pensar que, quando nos dispomos a socorrer alguém em suas aflições físicas ou morais, o socorro de Deus passará primeiramente por nós mesmos” 3.

Quanto “valemos”, pois, para o Pai? Não há como negar que a Criação, no seu todo, conspira em nosso favor lecionando-nos Divinamente. Nosso ilustre e abnegado doutor cearense nos mostra, na citação acima, a dimensão de nossa valia perante o Criador, a ponto de esse Divino Zelador delegar-nos socorro, guarda, recuperação e salvação recíprocos. 

(Bibliografia: 1. e 2. Mateus 5, 45 e 6, 26; 3. Dr. Bezerra de Menezes/De Luca – Recados do meu Coração, Pg. 27).

Foto: Sanhaço papa-laranja, alimentado solto em meu quintal – (Verão 2010/11, 35 graus e seca intensa; época de figos e uvas maduras, alamandas radiantes e taturanas perigosas, empanturrando-se nos plátanos)(Pub em ‘O Clarim’, Abr 2011).