patchadams“Há três décadas o médico Hunter ‘Patch’ Adams, travestido de palhaço, invade os quartos dos hospitais alegrando a vida de pacientes portadores de graves enfermidades, enchendo suas vidas com humor, compaixão e esperança. Autor de três livros, (…) dirige o hospital Gesundheit (saúde, em alemão), nos Estados Unidos, que atende de graça, renovando as esperanças de milhares de pessoas, além de ensejar melhoria no tratamento médico-psicológico”. 1

A filosofia de vida de Patch – médico, humorista, humanista, intelectual, escritor e ativista da paz mundial – é o amor, não apenas no âmbito hospitalar, mas nas relações sociais como um todo, independente do lugar. Defende que o objetivo do médico não é curar, mas cuidar, com muito amor, tocando nos doentes, olhando em seus olhos, sorrindo… 2

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Há dois mil anos, na poeirenta Galiléia, um Rabi empunhou esta bandeira e por lá andava travestido de… Hippie? Pobre? Andarilho? Pescador? Pastor? Professor? Legislador? Talvez em sua exterioridade, um pouco de tudo isso, mas com um interior obstinado e perseverante em sua Causa e com uma integral coerência entre o que lecionava e o que realizava.

Numa época em que as distâncias eram percorridas a pé, – quando muito em muares – visto não haver bicicleta, carro, motocicleta, ônibus, aviões… é possível que o Mestre, sua família, seus apóstolos e discípulos percorressem, por exemplo, quase 150 quilômetros para subirem de Nazaré a Jerusalém ou uns 50 para descerem até Cafarnaum, às plácidas margens do Mar da Galiléia, seu ‘pesqueiro’ favorito. Também é possível que no frescor dessas margens, muitas vezes, disfarçado de pescador, barqueiro, médico, curandeiro abnegado dos males do corpo e da alma, professor ou legislador… lançasse suas redes aos corações da esquerda e aos da direita de sua embarcação…

Tal qual Patch que diz “não precisar seguir religião alguma”, mas apenas “amar e agir”, o Divino Mestre amava e agia com seu jeitão despojado e versátil. Sem acesso a “comprimidos” ou a “intervenções cirúrgicas”, na dependência de blocos ambulatoriais de hospitais e suas UTIs, o Mestre realizava o que podia – e como podia! – em favor mais das almas do que dos corpos daqueles aos quais encantava com seus ‘disfarces’. Falava-lhes que deveriam ter fé e até fazia comparativos alegóricos ao grão de mostarda e à remoção de montanhas, para enaltecer a virtude tão necessária à saúde do corpo e do Espírito.

É possível que a história e a vida de Patch, ao longo destas décadas, tenha conclamado os cidadãos terrenos – independente  do jaleco, uniforme, hábito, toga, utilitário… dos quais se utilizam para desenvolver suas tarefas  terrenas – a se travestirem de semeadores do amor do Cristo.

Dessa forma, ações que:

  • Referendassem confortos espirituais análogos a todas as técnicas dos profissionais de saúde de todas as áreas, somadas ao entendimento, resignação e paciência dos doentes;
  • Lecionassem não somente matérias, mas toda uma dedicação complementar, maternal, paternal e fraterna, mesmo quando reféns de abjetas remunerações; e obtivessem uma imediata resposta por parte dos alunos no sentido de compreender-lhes os esforços, fazendo a diferença no sentido de não ‘colarem’, embora tendo essa oportunidade, abominassem o bullying e outras práticas indesejáveis, tais quais evitar drogas e outras promiscuidades;
  • Representassem atitudes sérias por parte de empresários que não só não sonegassem, mas evitassem lesar seus clientes, que tratassem com humanidade e lisura seus funcionários e que estes lhes retribuíssem com esforço dedicação e honestidade;
  • Significassem comprometimento das forças públicas para darem retorno aos cidadãos que recolhem em dia seus impostos;
  • Evidenciassem leis justas que conduzissem com harmonia uma Nação e que de forma nenhuma extorquissem o pão da mesa de seus filhos;
  • Estampasse nos rostos dos garis a paz da consciência do dever cumprido, a satisfação que sentem de ver seu trabalho usufruído por ordinários e anônimos usuários que compreendem, valorizam e agradecem a humildade de suas tarefas; e
  • Revelassem não somente uma coragem física, mas a guardiã coragem moral de imprimir um algo a mais às Forças Armadas e Auxiliares na promoção de Ações Cívico-sociais em diversos rincões do País com a cooperação fraterna e possível das populações desses lugares…

… Travestiriam, a todos nós, – médicos, enfermeiros, agentes de saúde e pacientes; professores, alunos, pais e colaboradores; patrões, empregados e consumidores; legisladores, executores e fiscalizadores; funcionários comuns e humildes e os usufrutuários dessas árduas e diárias tarefas; militares, forças vivas da comunidade, agentes de trânsito, guardas civis…  em agentes a serviço do bem, da concórdia, da alegria e do bem estar.

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“Ao sorrir, esboçamos mensagens de amor” 3, conclui o autor do capítulo.

Bibliografia:

1. e 3. Cap. Humor e esperança auxiliam no tratamento, pg. 69 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME; e

2. Wikipédia, a enciclopédia livre.

(Primavera de 2013) – Pub ‘O Clarim’ Fev 2014

One comentário para “Travestidos…”

  • Silvia Gomes says:

    Seria sem dúvida o melhor dos mundos meu caro amigo! E pensar que é simplesmente uma questão de cada um querer e decidir ser assim, mas somos tão egoístas, orgulhosos…vaidosos, que não concebemos por enquanto, um mundo em que não existam holofotes para ressaltar o nosso ego…
    Lindo texto Claudio! Obrigado e um grande abraço!

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