Crônicas diversas Crônicas doutrinárias

A pior trave

Fraco, eu? Eu não! Fracos são aqueles ali… E vou logo apontando meu dedo, enumerando uma porção deles… só não me dou conta que além de fraco sou cego e intolerante.

  • Quem, de sã consciência, deseja para si algum sofrimento ou nele permanecer? Minha intolerância levantará novamente o dedo e dirá que há os queiram sofrer, pois são masoquistas;
  • Quem desejará ser viciado, tendo em vista que qualquer vício é a falta de opção por algo melhor? Minha intolerância, entretanto, o apontará como fraco, sem força de vontade;
  • Quem, por seu gosto, errará sempre? Minha intransigência o apontará como deliberadamente insano; e
  • Quem, de sã consciência, permanecerá sempre ignorante de tudo? Minha intolerância o taxará de desvirtuado.

Sofredores, viciados, errados, ignorantes… são os outros. Eu? Bem eu sou ‘apenas’ intolerante, intransigente, maledicente, juiz, algoz e carcereiro…

A pior trave instala-se nos olhos do coração. Quando estes não conseguirem ‘ver’ por estarem atravancados pelos ciscos da crítica, os olhos de minha alma estarão necessitando do colírio da compreensão, da benevolência da compaixão e da tolerância.

Para retirar o cisco do olho de meu irmão, precisarei de ‘tão somente’, retirar a trave que se instalou em meu coração, aquela que tem um dedo comprido que, tal qual uma lâmina, dilacera quem está prestes a se precipitar.

Quem já está à beira do abismo, não precisa de dedo que o empurre, mas tão somente de um fiozinho… De tão frágil e debilitado, qualquer cordinha o puxará para o barranco…

…A cordinha de minha compreensão poderá fazê-lo!

(A sintonia é do cap. Tolerância, pg. 45 de Recados do meu coração de José Carlos De Lucca/Bezerra de Menezes, Ed. InteLítera) – (Outono, quase inverno de 2012).

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